Lua De Sangue
15 Capítulo 15 - Pai
Notas iniciais

Mary leva Dean e Sam ao antigo velho quarto nos subterrâneos onde viveu os seus momentos mais angustiantes. Quando entram no quarto, os irmãos olham tudo atentos em cada detalhe, o lençol ensanguentado no chão, a velha cama, era um lugar que não era usado há muito tempo.
— Foi aqui que você nasceu Dean, foi aqui que eu vivi os mais dolorosos momentos de toda a minha existência os quais eu nunca vou poder esquecer. Foi daqui que levaram você de meus braços para longe de mim, eu mal pude por os olhos em você, mal pude segura-lo em meus braços... — O choro vem forte, Mary não pode e nem quer segura-lo.
— Continue mãe. — Diz Sam fazendo muita força para manter-se no mesmo lugar mesmo querendo confortar Mary. Ele sabe que se fraquejar agora, sua mãe também irá.
Mary respira fundo. E prossegue. — Bom... Era uma época difícil, um tempo em que vampiros e lobos se digladiavam até a morte. A ordem era matar, matar e matar, algo que eu sempre fui contra mesmo antes de me envolver com o John.
— É o nome de nosso pai, é a segunda vez que fala esse nome? —Exclama Sam. Mary acarinha de modo sereno o rosto do mais novo.
— Sim Sammy, John Winchester é o nome do pai de vocês. — Quando termina de falar seus olhos vão para o Dean.
— Continuando, eu acabei sendo capturada. Apesar de todos os esforços de meu pai eles não conseguiam encontrar o covil das bruxas, fiquei quase um mês presa nas mãos daquelas miseráveis, elas tinham um prazer sádico em torturar todos, aquilo era diversão para elas. Estava a ponto de desistir da vida quando fui encontrada por John dos Werewolfs e Amélia dos Vampiros.
— Eles estavam trabalhando juntos? — Pergunta Dean surpreso, porém calmo.
Aquela era a primeira vez que Dean se dirigia a Mary depois de tanto tempo, seu coração palpita tão forte como se fosse sair de seu peito, seus olhos inundam de lágrimas mais ainda. Ela vai ao loiro, lhe acarinhando o rosto de mesmo modo que fizera a pouco com Sam.
— Não Dean. John estava fazendo suas investigações atrás do esconderijo das malditas e Amélia procurando por mim desesperadamente, mesmo nas horas de descanso. Isso acabou levando-os ao mesmo lugar quase ao mesmo tempo. Seu pai John chegou alguns minutos na frente, na verdade cheguei a pensar que ele iria aproveitar a oportunidade e me matar. O que pra mim seria um alivio naquelas circunstâncias. Mas não, ele entrou sorrateiro, me viu e veio até mim, eu estava acorrentada na parede. Ele chegou perto, me cheirou inteira, depois ficou me fitando muito intenso com os olhos e eu disse; Mate-me. Sabem o que ele respondeu?
— O que? — Indaga Sam.
Mary vira de costa para os rapazes abraçando as si mesma, ergue um pouco a cabeça respira fundo mais uma vez. — Infeliz do homem que se atrever a fazer mal a tamanha beleza e formosura. — Um leve sorriso lhe vem à face antes de continuar.
— Eu estava toda ensanguentada, machucada, acabada mesmo. Não sei qual beleza seu pai poderia estar vendo em mim.
Dean com os olhos marejados conclui. — Quem sabe ele estava vendo muito mais que a beleza exterior, embora vocês tivessem recém se conhecidos, acho que isso é coisa que se sente. — Mary vira o rosto olhando docemente para o filho. — Obrigada querido... Você é tão gentil quanto seu pai.
Mary seca as lágrimas que deram uma trégua por enquanto. — John começou a me libertar tirando minhas amarras, me pós no chão com cuidado e foi nessa hora que Amélia chegou. Eu tive forças para dizer a ela que John não estava me fazendo mal, ao contrário, estava me ajudando, o que impediu um confronto desnecessário entre os dois. Todavia antes que pudéssemos sair dali fomos descobertos e atacados, John assumiu sua forma intermediaria de homem-lobo, enquanto ele se encarregava de segurar os inimigos Amélia abriu passagem, depois nos pegou e voou o mais depressa que pode dali. Quando chegamos a um lugar a salvos, é que nos demos conta que havíamos lutados juntos lado a lado, lobo e vampiro pela primeira vez.
O próximo passo era convencer nossos líderes de que uma união de forças entre as duas espécies seria o melhor caminho, tarefa não muito fácil para mim e Amélia sendo o avô de vocês um homem muito intransigente. Mas nós conseguimos o apoio de Castiel que com muito custo conseguiu um "sim" de meu pai. No lado de seu pai as coisas foram mais fáceis, como sabem Bobby Singer é uma ótima pessoa e foi um grande líder para sua espécie. Você tem muito a aprender com ele ainda Dean, não se afaste disso.
Com nossas forças conjuntas partimos em um ataque fulminante para cima daquelas malditas. A batalha foi difícil, tivemos muitas perdas, contudo no fim saímos vitoriosos. Depois disso a trégua entre as espécies se estendeu por mais alguns meses até que finalmente foi estabelecido um acordo que eu e Bobby temos tentado manter até hoje.
Com a paz estabelecida com a provação da maioria pelo menos, tivemos dias de muita alegria.
Certo dia no meu quarto eu senti que estava sendo observada, olhei pela janela e lá estava ele, John Winchester, ele não se intimidou, pelo contrário, queria que eu o visse. Que soubesse que estava ali. Isso se repetiu por vários meses com sol ou com chuva ele vinha todos os dias no mesmo horário me ver. Aquilo com o tempo pra mim passou a ser um compromisso também, eu tinha que estar no meu quarto naquela hora, e assim foi até o dia que não aguentei mais e desci um pouco antes dele chegar, queria fazer-lhe uma surpresa, ingenuidade a minha. Ele deve ter sentido o meu cheiro a quilômetros. Fui pega completamente desprevenida, quando dei por mim já estava envolta em seus braços, nada foi dito, apenas nos entregamos um ao outro, sem culpa, sem medo, sem remorso.
Éramos somente nós e o nosso amor, são incontáveis os maravilhosos momentos que o pai de vocês me proporcionou, adorava quando ele se transformava pedindo que eu o montasse e saía disparado pela floresta adentro.
Sam olha para Dean pensando consigo que agora sabe de quem Dean herdou certas manias.
— Os anos foram passando, tomávamos todos os cuidados necessários para nãos sermos descobertos. No sétimo ano eu fiquei grávida de você Dean. Ficamos tão felizes, mas não nos esquecemos do que poderia acontecer. Só que em nenhum momento John, seu pai se quer cogitou a ideia de abortar você acontecesse o que fosse nós enfrentaríamos juntos e isso só me fez amar muito mais do que eu já amava John Winchester.
Mary caminha até Dean e lhe pousa a mão suave no rosto do louro. —Lamentável no seu nascimento o pior aconteceu, a parcela lobo foi mais forte dando a você a grande possibilidade de se tornar um hibrido uma criatura misturada das duas espécies e, isso para os vampiros mais antigos é algo imperdoável. Foi muito difícil para mim, porém era necessário para sua sobrevivência, sendo que os lobos têm uma visão diferente e uma politica diferente. A palavra do Alfa é lei e Bobby nunca faria mal ao filho de John.
— A sua gravidez, ninguém notou? — Pergunta Sam.
— Tem mulheres que conseguem esconder uma gravidez inteira meu filho. Mesmo assim próximo do sétimo mês eu pretendia viajar para me afastar e ter o seu irmão, o que não precisou. O seu avô precisou viajar para a Alemanha a negócios naquela época o que ajudou muito.
Tive o Dean com a ajuda de seu pai e Bobby. Eu mal segurei você em meus braços e Bobby levou você de mim, por mais racional que eu pudesse ser e entender que aquilo era o certo a ser feito a dor que me percorreu o meu ser é indescritível.
Mary enxuga as lágrimas que voltam a sua face, logo prossegue. — Com o tempo seu pai me levava para ver você sempre que possível, eu o olhava de longe, o acompanhei crescer dessa maneira. Você estava seguro, isso era mais importante que qualquer outra coisa Dean.
Eu e John continuamos a nos encontrar, nos amar até o dia que nós fomos descobertos por meu pai, ele capturou John e o jogou no calabouço mesmo indo contra o acordo estabelecido. Eu acabei passando muito mal com tudo e descobrimos que eu estava grávida de novo. Ao mesmo tempo em que ficou feliz por causa do seu primeiro neto sendo que não teve filhos homens seu avô ficou temeroso também. Eu mais ainda, pois sabia que se o sangue predominante fosse o de lobo, seu avô não pensaria duas vezes para matar o neto.
Fiquei sobre sua vigília serrada, trancada no quarto o tempo inteiro até o nascimento de Sam. O alivio e a alegria que senti ao saber que o sangue de vampiro foi predominante foi imensa. E seu avô para minha surpresa foi condolente pelo fato de que de John mesmo sendo um lobo lhe deu um herdeiro macho. Ele o desafiou para um combate justo, se vencesse poderia partir sem problemas. O triste é que foi só da boca para fora, seu avô perdeu a luta contra John, que não quis mata-lo e quando se virou, seu avô o atacou covardemente pelas costas... Eu pulei em cima dele... E o... Decapitei. — O choro de Mary e alto e convulsivo.
— Mãe! — Exclama Sam tão atônito quanto o Dean.
— Eu estou... Bem. Fui lenta demais, John foi gravemente ferido, ele me fez duas promessas. Casar comigo e viver o suficiente para pegar você nos braços Sammy. Foram longos três meses com ele definhando em cima daquela cama, não consigo entender como aguentou tanto.
Nesse meio tempo o conselho foi informado de tudo o que aconteceu, para minha sorte eles abominam qualquer um que quebre regras, com o meu pai não foi diferente, o Conselho por unanimidade repudiou sua conduta. Assim eu subi ao trono no qual eu estou hoje ao lado de Castiel e Balthazar.
John morreu minutos depois de lhe ver e lhe embalar em seus braços Sammy. Enterrei meu pai que apesar de nossa maneira diferente de pensar eu amava muito e o homem que amava no mesmo ano. Foi graças a vocês dois que eu tive forças para continuar seguindo em frente. — Mary fita os dois filhos, chorosa.
Dean com a face tomada de dor e arrependimento caminha timidamente até Mary. Abraça forte. Um conforta-se no calor do outro.
— Me perdoa, por favor. — Diz Dean aos prantos.
— Oh meu menino. Não há o que perdoar.
— Eu fui tão injusto com você... Mãe.
Ao ouvir a palavra "mãe" ser proferida por seu primogênito, o sorriso vem misturado ao choro no rosto de Mary.
— Esquece... O que importa é que estamos juntos e bem. — Fala alisando o rosto do loiro.
Sam os observa com os olhos marejados, feliz por sua mãe e seu amado irmão terem finalmente se entendido. Mary o chama para que se junte aos dois. O trio compartilha um caloroso abraço com sorrisos que aos pouco vão se tornando cada vez mais intensos em seus rostos.
Mary desfaz o abraço pegando a foto que trazia consigo. — Olhem. Esse é o pai de vocês. John Winchester.
Os dois irmãos olham pela primeira vez em suas vidas a imagem do pai, eles olham curiosos procurando, querendo achar qualquer semelhança entre eles.
— Ele era bonitão como eu. — Fala um Dean sentindo-se agora parte daquela família, feliz e sorridente.
— Mas também era muito inteligente como o Sammy. — Ao ouvir as palavras da mãe, Sam sorri dando uma cotovelada amiga no mais velho.
Sam e Dean começam a fazer muitas perguntas para Mary a respeito do pai, eles deixam a mãe perdida no meio de tantas indagações ao mesmo tempo, que vão sendo uma de cada vez respondida em meio à alegria e altos risos por parte dos três.
O tempo vai passando sem eles perceberem quando se dão conta já anoiteceu. Eles deixam o velho quarto, Mary se põem no meio dos dois abraçando-os um de cada lado. Em quanto caminham abandonando as parte inferiores da mansão, mais e mais histórias são contadas. Momentos felizes que seus pais viveram são compartilhados com eles trazendo muita alegria para todos.
Um Rolls Royce preto quatro portas para diante de uma luxuosa mansão distinta quanto a dos Winchesters. O chofer abre a porta do carro de onde muito elegante desce Lilith, trajando um belíssimo vestindo branco longo tomara que caia. Luvas de mesma cor cano longo salto alto e uma discreta pequena bolsa.
Um senhor de meia idade, magro, cabelos grisalhos criado da mansão lhe recebe na porta conduzindo-a até uma enorme sala. Ela senta elegantemente observando os valiosos quadros, verdadeiras obras de artes de pintores famosos de várias épocas na parede.
— Meu senhor logo virá atendê-la, aceita uma bebida enquanto aguarda senhorita? — Indaga o mordomo.
— Sim, obrigada.
O drink de Lilith está quase no fim quando o dono da mansão lhe vem atender, ela levanta para cumprimenta-lo, estende sua mão com delicadeza.
O Homem pega gentilmente beijando-a, depois lhe diz. — Confesso que fiquei muito surpreso com sua ligação, a foragida Capitã Da Guarda dos Vampiros dos Winchesters, eu poderia denuncia-la minha querida.
Com olhar penetrante e sorriso perverso porem sedutor a bela loira responde. — Eu considerei que as noticias pudessem ter corrido tanto. Contudo eu sei que não morre de amores pelas atrocidades que Mary Catherine Winchester vem fazendo com os vampiros, por isso aceitei correr o risco. E pode ter certeza que não vai se arrepender de me receber e me ouvir, temos muito a tratar Senhor... Crowley.
Fale com o autor