\"\"

Em uma noite de lua cheia sai para passear pela floresta como sempre faço, adoro noites assim são sempre as mais bonitas... Sentei em uma pedra a beira de um lago, essa mesma pedra em que estou sentada agora e fiquei admirando a lua... Por algum motivo a lua cheia sempre me fascinou. Fiquei ali a noite toda e quando me dei conta havia perdido o horario, o que é muito preocupante, quebrei a regra mais importante... Tive que correr para procurar um lugar onde o sol não entrasse e encontrei uma caverna para me esconder até a noite cair e eu poder voltar pra casa. Foi ai que meu melhor sonho e pior pesadelo tiveram seu inicio...

- Quem está ai? Se mostre, eu sei que há alguém ai. Ouvi você entrar. Fiquei atenta aos barulhos. Alguém estava ali, eu podia ouvir, eu podia sentir...- Eu não vou perguntar novamente, quem está ai?

- Sou eu. Se acalme, não vou lhe fazer nada. — ele disse enquanto se aproximava e virava o tuneo que levava até onde eu estava.

Foi então que eu o vi e ele me viu.

Aquele rosto. Aquela voz. Aquele cheiro. Aqueles olhos verdes.Não se comparavam a nada do que eu já tivesse sentido, ouvido, ou visto em todos os meus 200 anos...

- Oi. — ele disse com um sorriso. — Meu nome é Daniel, como você se chama?

- Oi. — Eu não estava conseguindo raciocinar bem enquanto ele sorria para mim. Estava, inconcientemente, abaixando minha guarda, e isso, para um vampiro, não é nada bom.

- Eu me chamo Lana. O que você está fazendo aqui?

- Ei, calma, eu só entrei para dar uma olhada na caverna, não sabia que já tinham moradores nela.

-vMoradores? Do que é que você está falando? Eu não moro aqui, estou aqui só para... para... para descançar um pouco, é, a caminhada foi muito longa e eu estou cansada. — Eu sempre consegui mentir tão bem, porque me enrolei dessa vez?

- Não, é claro que não. Estou só brincando, não precisa me atacar.

- Tanto faz.

Eu não conseguia tirar os olhos dele, minha cabeça estava revirada, não conseguia ter pensamentos sensatos. O que estava acontecendo comigo?

- Bem, posso te perguntar uma coisa? Estou um tanto curioso...

- Isso já foi uma pergunta, não? Mas tudo bem, pergunte logo. — eu revirei os olhos.

- O que uma garota como você faz nessa floresta?

- Uma garota como eu? Que tipo de garota acha que eu sou?

- Não me leve a mal. Quero dizer, não tem medo de vir aqui sozinha?

- Não. Porque teria?

- Essa é a floresta maldita, não? Pelo menos foi o que me informaram na cidade.

- É, é sim. Mas não vejo porque ter medo de vir aqui. São apenas bobagens inventadas por quem não tem mais o que fazer. E mesmo que fossem verdades, eu sei muito bem me cuidar sozinha.

Floresta maldita. Isso sempre foi uma grande piada... A verdade? Haviam algumas mortes e desaparecimentos aqui vez ou outra, mas bem, não é nenhum animal ou coisa do genero... Precisamos nos alimentar de vez enquando não é mesmo?

- Então se você diz... — ele disse enquanto se sentava.

- Você vai ficar aqui?

- Vou, porque, algum problema nisso?

- Não, é claro que não... — respirei fundo e me sentei encostada em uma rocha de frente pra ele.

- Então... Você mora aqui perto? — ele disse tentando puxar assunto.

Aquela voz... Parecia me hipnotizar e... PARE! Eu disse a mim mesma, não seja idiota, seja fria.

- Pra que quer saber? Vai invadir minha casa assim como fez com minha caverna?

- 'Minha caverna' ? Pensei ter ouvido que estava aqui só para descançar.

- Argh.

- O que? — ele riu.

- Nada.

- Porque não responde minhas perguntas?

- Porque não para de faze-las?

- Ok, ok, só estou tentando ter uma conversa civilizada com você, mas pelo jeito isso não é possivel, não é?.

- É, quer dizer... Não me leve a mal mas é que não estou acostumada a falar com estranhos dessa maneira.- Tudo bem, não consigo ignora-lo.

- Bom, não seja por isso, meu nome é Daniel, tenho 19 anos, sou de Libra, mudei pra cá há poucos dias e... — ele dizia e contava nos dedos.

-Calma, calma, informação demais.

- Otimo, você já me conhece, agora me fale um pouco sobre você, Lana, não é isso?

- Sim.

- E...?

- E oque?

- Me fale mais sobre você. Quantos anos tem, onde mora...

- Ok, tenho 18 anos, vivo aqui desde... — eu suspirei — muito, muito tempo...

- Pronto, viu, agora já nos conhecemos. — ele sorriu

- É, acho que sim. — eu não pude evitar de retribuir o sorriso.

E foi ai que eu cedi. Não devia te-lo feito, eu sei, mas não pude evitar, ele era diferente de todos os caras que eu já havia conhecido, e olha que levando em contar minha idade eu já conheci muitos rapazes... Conversamos o dia todo, nem vi o tempo passar, ele tinha uma coisa que... não sei o que era, mas me fascinava. Ao fim do dia ele já sabia o suficiente sobre mim e eu já sabia tudo sobre ele, pelo menos, era isso que eu achava... Nos despedimos quando a noite caiu, com o por do sol eu já poderia voltar para casa em segurança e assim o fiz.

Andei pela mata sem nem ao menos ver onde pisava, o rosto dele, os olhos dele, o sorriso dele não me saiam da mente em momento algum, meu coração batia desparado, isso nunca havia acontecido comigo antes.

Cheguei em casa e fui direto para o meu quarto, meus pais não estavam em casa, deviam ter saido pra caçar ou sei la, não importava. Eu não conseguia me atentar pra mais nada...

Queria ve-lo outra vez. Era só o que eu sabia, era só no que eu pensava...

Fiquei sentada na janela olhando a noite passar até que ouvi meu celular tocar, não era o toque de ninguém que eu me lembrasse, quando o peguei vi de quem se tratava. Daniel. Meu coração disparou, minhas pernas amoleceram, meus braços tremiam do ombro aos dedos das mãos. Eu nunca tinha sentido isso antes.

- Alô! — Minha voz estava estranha.

- Quero te ver de novo...

Notas finais
Espero que tenham gostado, por favor, comentem sobre o capitulo, não seja um leitor fantasma.