Lua De Mel!
6 Uma vida inteira pela frente...
Notas iniciais
Acordei me espreguiçando deliciosamente, olhei para o lado e me deparei com olhos azul cobalto bem abertos e atentos em mim, cobri o rosto com um grunhido:
–Porque gosta tanto de me observar enquanto eu durmo? Perguntei sentindo as bochechas vermelhas.
–Porque você é linda quando está dormindo – Senti sua mão em minha barriga – Quando está acordando – Ela subiu um pouco até o meu pescoço – E quando está acordada – O cobertor voou do meu rosto e a única coisa que encontrei foram os lábios de Ren – Entendeu agora Priya?
–Você é o único que pensa isso. Levantei.
–E sou o único que precisa pensar –Ele disse enciumado – Certo?
Revirei os olhos provocando-o e disse antes de entrar no banheiro:
–Talvez.
Quando saí com uma toalha nos cabelos e outra enrolada no corpo, olhei por todo o quarto procurando meu marido, ele não estava, entrei no closet simples, escolhi um vestido cor de rosa claro, sapatilhas e fiz uma trança, quando saí, não vi Ren em lugar nenhum, apenas senti suas mãos na minha cintura e sua boca no lóbulo da minha orelha:
–Você está linda – Ele sussurrou – Foi uma tentação me esconder de você enquanto vestia só a toalha. Revirei os olhos.
–Você estava se escondendo? Tentei soar triste, mas a situação era cômica demais.
Ele sorriu e me ergueu do chão para um beijo:
–Queria te surpreender, mas você é sempre tão atenta Iadala.
–Ei – Enrosquei meus dedos em seu cabelo macio – Vamos descer, preparou algo especial para hoje Sr Rajaram?
Ele sorriu maliciosamente enquanto assentia:
–Algo mais que especial.
Ren me conduziu pela escadaria barulhenta e para fora da pousada, era difícil de acreditar mas Roma era ainda mais linda de dia, não sei quando ele tinha descoberto, mas me levou reto para um café chique perto da Torre de Piza, depois do café, caminhamos por todos os parques, assistimos uma missa no Vaticano:
–Vocè não é católico. Acusei-o.
–Não – Ele deu de ombros – Mas quando descobri sobre essa missa, algo que nos deixa perto de alguém superior, dos que já foram, acolhe meu coração, as religiões não são tão diferentes assim Priya.
Pensei um pouco:
–Não, são crenças, é fé pura, merece apenas respeito, entendo sua vontade.
–Pensa em seus pais?
–A cada segundo – Respondi sentindo lágrimas nos olhos – Neles, no Senhor Kadam, em Kishan... As lágrimas desabaram, Ren me abraçou e me senti segura no calor dos seus braços, ele beijou minha testa:
–Sei exatamente como se senta Prema e prometo a você, nunca nunca te deixarei.
–Eu te amo Ren.
– Munjhe Tumse Pyarhai Kelsey.
A missa foi maravilhosa, não consegui conter as lágrimas, Ren fez um esforço, mas o peguei chorando mais de uma vez, a tarde veio e foi embora tão rápida que mal percebi, nesse meio termo, passeamos, nos beijamos, rimos, nos divertimos, choramos, vivemos tantas emoções que mal pude conter, a noite, não tinha ânimo para mais nada, foi Ren quem me convenceu de uma pizza.
–Vamos Rajkumari – Ele me chamava impaciente – Estou faminto.
Saí do closet vestindo um vestido azul claro nos joelhos, saltos brancos, com o cabelo escovado e um leve vermelho nos lábios, Ren quase me devorou com os olhos, senti minhas bochechas ficando vermelhas a cada segundo, ele se aproximou com um sorriso:
–Falta apenas uma coisa – Ele tirou detrás das costas uma caixinha de jóias e a abriu, dentro havia uma corrente de ouro com um tigre branco de olhos azuis pendurado, lágrimas quase saltam dos meus olhos:
–Ren é perfeito!
–Você é perfeita – Ele beijou meu pescoço – Inteiramente perfeita.
Ele prendeu a corrente em mim e me puxou para fora do quarto, parando por alguns segundos para pensar:
–O que foi? Perguntei.
–Estou pensando se quero mesmo sair agora.
Ri enquanto o empurrava:
–Ah Não – Reclamei brincando – Você me fez tirar o pijama e me trocar inteira, nós vamos sair sim senhor!
Ele riu e me puxou para um beijo, a pizzaria era ótima, o clima agradável e por mais que eu quissesse demorar um pouco lá, Ren estava muito impaciente e depois que comeu, ficava reclamando que eu demorava para beber a minha taça de vinho, coloquei meu dedo em seus lábios perfeitamente esculpidos e sorri com sua reação:
–Ei Tigre – Desci minhas mãos até o colarinho de sua camiseta – Fica tranquilo ok? Porque a pressa? Você vai me ter só para você a noite toda. Sorri internamente com sua reação, eu sentia seu desejo por mim transbordar de sua pele e vi quando suas pupilas azuis ficaram tão escuras, quase negras, sorri com sua reação e terminei finalmente o vinho, mal tinha dado o último gole e Ren já pedia a conta impaciente, o olhar não o abandonou um minuto sequer depois disso.
*
Acordei e senti a realidade me atingindo, era o nosso último dia de lua de mel, eu deveria estar triste, decepcionada, chateada, mas estava ansiosa, iríamos começar uma nova vida, nossa, só nossa, totalmente nossa, e isso era excitante, Ren ainda dormia ao meu lado, estiquei o braço e peguei o meu celular, tive uma ideia assim que me deparei com nossas fotos, entrei no banheiro, dei alguns telefonemas e entrei no chuveiro, quando saí, Ren tinha os braços repousando atrás da cabeça e ergueu o olhar para me ver, joguei a toalha na cabeça dele e saí para o closet, ele grunhiu, mas não se levantou, quando saí, já devidamente vestida, ele estava tomando banho.
Isso foi ótimo, recebi o retorno assim que fechei a porta do closet, cochichei meu pedido e o endereço de entrega, o homem do outro lado da linha garantiu que teria o presente em minhas mãos no final do dia:
E o que eu faria com Ren até o final do dia?
Qual é Kelsey? É Roma! Vire-se.
Realmente, não foi tão difícil assim, na verdade, Ren que guiou o passeio daquele dia e com sua disposição, não paramos um segundo até estarmos de volta ao nosso quarto de hotel, deixando as malas prontas, Ren estava ao telefone, pedindo nosso jantar e eu estava deitada, encarando o relógio do celular quando a campainha soou, Ren fez sinal que atendia e eu sentei na cama enquanto ele recebia o pacote com o seu nome, mordi o lábio inferior assim que ele leu a etiqueta de envio e virou-se para mim com um olhar interrogatório no rosto:
–O que é isto Rajkumari?
Toquei o pingente de tigre:
–Você me deu um presente, queria poder te dar um também.
A curiosidade invadiu seus olhos e ele rasgou o papel de embrulho, vi a surpresa, o reconhecimento e a felicidade invadir seus olhos antes de me puxar para um abraço enquanto ria.
–É o melhor presente do mundo Iadala.
Dentro havia duas fotografias, uma de nosso beijo em Paris em frente a Torre Eiffel e a outra, do nosso beijo na torre de Piza, ambas em porta retratos brilhantes.
*
–Finalmente em casa. Não contive minha animação quando avistei nossa casa.
Ren sorriu enquanto levava as malas para dentro da casa e eu largava minha mochila no sofá:
–Venha ver Priya.
Subi as escadas da casa até nosso quarto, Ren observava com um sorriso iluminando seus lábios perfeitos os porta retratos, um em cada criado mudo, lágrimas de felicidade escorreram do meu rosto quando vi, enrosquei meus braços em seu pescoço e ele enroscou os seus em minha cintura, quando estávamos a centímetros de unir nossas bocas, eu disse:
–Para sempre Ren.
Ele sorriu:
–Para sempre Kells. E selamos a promessa com um beijo apaixonado.
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