Notas iniciais
dedico esse capítulo a LohBicchieri ! Obrigada por comentar! ;)

Capítulo 03 – Pri

Acordei em uma cama de hospital, com a minha mãe segurando minha mão.

“Pri? Filha, que bom que você acordou”.

“Onde estou?”

“No hospital. Os enfermeiros do pronto-socorro do shopping te deram um sedativo. Você estava muito nervosa quando os policiais chegaram”.

Naquele momento, todas aquelas cenas na joalheria voltaram a minha cabeça. Recomecei a chorar.

“Mãe, eles levaram o Rodrigo! Levaram o meu amor para longe de mim... e a culpa é toda minha!!”.

“Como assim, filha? É claro que a culpa não é sua!”

“Não, é minha, sim. Quando os seguranças do shopping chegaram, o bandido agarrou o meu braço! Era para eu ter sido sequestrada! O Rodrigo se ofereceu pra trocar de lugar comigo! A culpa é minha sim, mãe! Era pra ter sido eu! Eu queria que tivesse sido eu!”

“Não diga uma coisa dessas, Priscila! O que importa é que você está a salvo!”

“E os pais do Rodrigo, mãe? Eles já estão sabendo?”

“O Leo ligou para os pais dele e os dois já estão aqui no hospital. Passaram na delegacia e quando souberam que você estava aqui, vieram pra cá”.

“Posso falar com eles?”

“Acho melhor não, Pri. Você vai ficar muito nervosa, e ainda não se recuperou completamente...”.

“Então posso ver a Fani e a Natália, mãe? Tenho certeza de que elas estão aqui”.

“Tudo bem, vou chamá-las”.

Logo minha mãe saiu, e minhas duas amigas entraram e correram para me abraçar.

“Ai meu Deus, Pri, você está bem?”, perguntou a Fani.

“Fisicamente? Estou ótima. Agora, aqui dentro, estou em frangalhos. Vocês acham que a culpa do Rodrigo ter sido sequestrado é minha?”

“Claro que não, Pri! Como você pode dizer uma coisa dessas?!”, a Natália se revoltou. “Foi tudo imprevisível, eles são assaltantes! Nenhum de nós tinha como saber que eles estariam lá na mesma hora em que nós estávamos! Você não teve nada a ver com isso tudo! Não pode se culpar por algo que, além de não ser sua culpa, você não podia impedir!”

Eu sabia que as meninas estavam certas. A culpa não era minha. Mas eu a sentia, em cada parte do meu corpo, cada célula, cada nervo, cada órgão...

“Eu preciso falar com os pais do Rodrigo, gente. Minha mãe não deixou eles entrarem, mas eu preciso falar com a família dele”.

A Fani e a Natália se entreolharam.

“Olha, Pri, eu realmente acho que não é uma boa ideia...”.

“Nat, por favor, pede para os parentes do Rodrigo entrarem. Por favor”.

Ela respirou fundo, e acabou concordando. As duas saíram depois de me darem beijinhos na testa, e os pais e o irmão do Rodrigo – o Daniel, porque o João Marcelo e a irmã dele, que eu não lembro o nome, estavam no Canadá – entraram.

“Priscila, chérie, como você está?”, perguntou a dona Lúcia, me abraçando.

“Eu estou bem”, respondi, com a voz trêmula. “Escutem, eu realmente lamento pelo sequestro do Rodrigo... Sei que a culpa é toda minha e não espero que me perdoem. Só espero que entendam que eu não pude fazer nada... Ou melhor, eu devia era ter pegado uma arma dos seguranças e atirado em todos os bandidos, mas é que na hora essa ideia não me ocorreu...”

Os três pareceram chocados com meu pequeno discurso.

“Priscila, o que é isso?”, perguntou o Sr. Maurício, marido da Dona Lúcia. “Ninguém está te culpando pelo sequestro do Rodrigo! Foi uma fatalidade, ninguém poderia ter evitado! É claro que estamos péssimos com a notícia, mas tenho certeza de que vão achar o meu filho são e salvo!”

“Mas o Leo não contou para vocês que o Rodrigo foi sequestrado para me salvar? Que era pra ter sido eu?”

Nessa hora, a Gabi, que, aparentemente, estivera ouvindo tudo, entrou correndo e pulou ao meu lado na cama.

“Pripricaaaaa!! O Rodrigo te ama!! Ele fez tudo aquilo por amor a você!! Você não percebe?? Ele é o seu príncipe encantado, assim como o Leo é o da Fani!! Só que ele não é um príncipe trouxa, ele é como o Finn de Glee, e você é a Rachel!”.

Eu ri, me sentindo um pouco melhor. Sempre fico melhor quando alguém fala de filmes ou seriados. Principalmente seriados, é claro, e Glee era um dos meus favoritos.

“Agora ande, pare de ser pessimista. Os policiais vão achar o Rodrigo, ele vai voltar pra você, e vocês dois vão acabar comemorando o aniversário de namoro naquela pizzaria nova que abriu recentemente”, a Gabi sorriu, me abraçando.

“Obrigada, Gabi. Estou me sentindo melhor agora”.

“Ótimo. Agora, se me dá licença, tenho que terminar o trabalho de trigonometria para amanhã. Ainda falta mais da metade! Melhoras, viu?”

“Obrigada, Gabi!”

Notas finais
Quem gostou comenta!!
Beijos,
Ana.