Luna pov’s

Estava sozinha em casa, era uma madrugada de inverno. Fazia bastante frio, apesar das janelas fechadas o vento frio cortante passava pela fresta da mesma, me fazendo tremer de frio mesmo debaixo das grossas cobertas.

Me encolhi de frio, não conseguia dormir. Algo me intrigava. Levantei e dei alguns passos até parar em frente à janela. Sentei na poltrona que dava vista para o ambiente lá fora e comecei a pensar.

Estava um escuro interminável, as arvores balançavam, o vento assobiava, estava sozinha...

Aos poucos senti o sono chegando, voltei a me deitar. Logo estava dormindo em um leve sono. Ainda sentia frio, tinha uma noção das coisas.

Ouvi o barulho da porta sendo destrancada, aberta e novamente sendo trancada. Os passos ficavam cada vez mais alto, até chegarem no quarto. Um cheiro novo adentrou o quarto, um perfume indescritível. O melhor dos afrodisíacos mesclado com chocolate. Um cheiro completamente viciante. Ficava cada vez mais forte.... Senti um corpo quente encostando-se ao meu, o vazio da minha cama ia sumindo por baixo das cobertas, o frio sumia agora ele me abraçava.

Der repente todo o calor que me consumia foi sumindo, ele tinha se levantado, já não estava mais ao meu lado, o que me restava era o frio de novo, me consumindo até a última veia, me fazendo tremer até a última artéria, já sentia de novo abandonada e sozinha, acordei, olhei para o relógio ao lado da minha cama. Era 2h da manhã. Apesar do frio, eu estava suando. Minhas mãos estavam doloridas, de tanto apertar as cobertas.

Respirei fundo e me levantei, as janelas estavam abertas o que só fazia o frio aumentar. Na frente da mesma, uma coisa me assustou. Um vulto agora corria na escuridão em linha reta até as árvores. Imediatamente fechei as janelas, e voltei para minha cama.

Sentei-me assustada, nervosa e com medo. Coloquei a cabeça entre meus joelhos, tentando me esconder de medo.

Tao pov’

Devo deixar falar mais alto a razão ou não? Ser irracional ou racional? Não saberia dizer ao certo o que eu estava fazendo. Foda-se, vou apenas seguir meus instintos. Sem pensar duas vezes, corri... Corri para o caminho que eu nunca tinha esquecido, que nunca tinha sido apagado da minha mente. Poderia se passar 1000 anos e eu nunca esqueceria. Porque era ela. Apenas isso.

Estava certo do que estava fazendo, não ligando mais para as conseqüências. Sabia que era perigoso tanto para mim e mais ainda para ela. Mas toda minha mente e corpo tinham se esquecido disso.

Fechei os olhos, e comecei a imaginá-la. Talvez dormindo essa hora? Ou talvez lendo? Não sei, a via ela parada na minha frente, seu perfume me consumia me fazendo querer tocá-la. Sua pele macia, seu cabelos cheirosos, sua doce voz. Era o maior presente que Deus tinha me dado. Meu corpo e minha mente vibravam só de imaginar ter ela comigo de novo.

Sem me dar conta, já tinha chegado a sua casa. A corrida não tinha me cansado. Todas as luzes estavam apagadas e um enorme silêncio emanava ali. Mas eu sabia que ela estava ali. Sem bater, sem aviso, entrei em sua casa. Foi fácil destrancar a porta. Assim que entrei a tranquei de novo. Queria passar despercebido.

Dentro da casa nada havia mudado desde a última vez que estive aqui, os móveis, as manchas no tapete, a pintura já desgastada tudo era o mesmo. O sentimento de nostalgia me assolou. Tentando afastá-lo fui em direção ao seu quarto.

Quem eu queria de verdade, quem eu desejava de verdade, a minha presa estava ali. Dormindo, linda como sempre foi, como sempre sonhei. Fui até a cama em qual ela estava deitada, um pouco receoso em que um simples toque a acordasse. Mas acabei não resistindo, afinal foi para isso que eu tinha vindo. Queria tocá-la novamente, queria ter certeza que ela era real, sentir por apenas alguns segundos que ela era minha novamente, só minha.

Deitei ao seu lado, com cuidado. A abracei, cada toque de nossa pele era como se eu estivesse levando leves choques elétricos. Coloquei minha cabeça sobre seu ombro, sentia seu perfume me viciando novamente.

Então como um estalo em minha mente, acordei da minha embriaguez, de todo aquele ato irracional. Assustado, me levantei. Tudo vinha à tona agora. Todo meu esforço durante esses anos pareciam ter sido jogados no lixo, e pisados por mim mesmo. Agora não era só eu que seria perseguido...

Um uivo ecoou na escuridão, era o aviso. Já tinha arriscado por demais hoje. Era hora de ir. Olhei uma última vez para ela, queria ficar. Mas antes que percebesse a janela estava aberta e eu corria para onde eu nunca deveria ter saído essa noite.

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