Loving The Enemy
21 She looks like me
Notas iniciais
POV Draco
Meu dia foi insuportável. Estou trancado no meu quarto desde ontem sem poder sair, o elfo doméstico trás as minhas refeições e a única coisa que tem para fazer aqui é estudar para os exames que eu vou ter que fazer em peso na semana que vem.
Mesmo sabendo que seria um pouco impossível a minha carta de resposta chegar hoje, eu não consigo evitar olhar para a janela na procura da coruja a cada cinco minutos.
Eu não gosto de ficar no tédio, o tédio me irrita, me consome e é bom minha mãe começar a projetar um novo quarto para mim, porque daqui a pouco eu explodo tudo.
Eu compus uma música nova para a Hermione e até já sei quando cantá-la, vai ser perfeito...
E aqui estou eu novamente perdido em pensamentos sobre ela.
- Draco está ai? – ouvi a voz da minha mãe do lado de fora do quarto.
- Claro né, onde mais eu poderia estar?
- Não seja grosso Draco. – minha mãe disse entrando.
- Onde foram parar seus modos Narcisa? Eu estou de cueca!
- Francamente Draco, me poupe disso. – ela respondeu e eu ri.
- O pai deixou você subir? – perguntei desconfiado.
- Ele não está.
- O que você conversou com ele ontem?
- Ele não concordou em nada do que eu disse, falou que é uma desonra e que você não foi educado para isso. – eu suspirei.
- Ele não vai fazer nada contra ela vai?
- Não, eu o fiz jurar que ele não iria fazer nada. Mas mesmo assim, tome conta dela, ele pode mandar outros fazerem...
- Eu imaginei e é obvio que eu cuidarei dela. Eu deixei o Nott de olho nela.
- Quem em Hogwarts sabe?
- O Nott, o Snape, o Dumbledore, a Minerva e a mais nova dos Weasley.
- O Snape sabe e não contou nada para os comensais?
- Aparentemente não...
- Você sabe por quê?
- Durante as aulas de Oclumência, teve uma aula em que eu consegui entrar na mente dele e vi uma memória... Ele amava uma mulher trouxa também... – não consegui contar o resto da memória, por muitos dias a lembrança dessa memória ficou batendo na minha cabeça — por isso que ele não contou.
Mas minha mãe me conhecia muito bem para não perceber que eu tinha escondido uma parte e ela logo perguntou.
- O que mais você viu Draco?
- O Lorde das Trevas a matou. — eu disse num sussurro, se o Lorde das Trevas a matasse eu perderia o chão, perderia tudo.
- Agora está explicado. Vou deixar você sozinho... – ela falou depois de ver minha cara de medo.
POV Narcisa
Ter o Draco apaixonado por alguém era uma coisa maravilhosa, mas o fato de ser por uma nascida trouxa dificultava muito as coisas. Eu só quero o bem do meu filho e tenho que admitir que isso complica muito as coisas. Nunca o Lúcio irá concordar com isso... Se ao menos ele entendesse como o Draco se sente... Mas não, o orgulho é muito grande.
Estava na sala, sentada em uma poltrona em frente a grande lareira — esse era o meu lugar preferido de toda Mansão Malfoy – lendo o Profeta Diário quando uma carta desse pela chaminé.
Levantei para pegar a carta e vi o remetente: Theodore Nott. O meu instinto de mãe me fazia acreditar que aquele envelope estava muito grosso para ser apenas uma carta do Nott. Abri a carta com feitiço para não rasgar o papel e o Draco perceber que a mãe dele era uma curiosa.
Eu tinha razão, a escrita no envelope era completamente diferente da escrita da carta, era letra de menina e eu logo percebi que era da Hermione.
Comecei a ler a carta e muitas vezes me peguei sorrindo para o papel com as coisas que ela escrevia. Por algum motivo, eu me indentifiquei com ela. Ela me fez lembrar-se de mim quando era jovem, eu não era do tipo de garota totalmente apaixonada que falava “eu te amo” várias vezes para ele, e na carta não tinha nenhum eu te amo, mas que mesmo assim era possível sentir o amor em cada palavra.
O Draco era igual ao pai, só que com um coração muito melhor e mais puro, agora entendo porque ele se apaixonou pela Granger, ela era parecida comigo.
Depois de ler a carta eu a guardei novamente dentro do envelope, fechei com magia e chamei o elfo.
- Sra. Malfoy me chamou?
- Chamei. Leve essa carta ao Draco, por favor.
- Sim Sra. Malfoy.
POV Draco
Estava quase caindo no solo quando escuto um estralo perto da porta.
- Desculpe menino Malfoy se eu te acordei... A Sra. Malfoy me mandou entregar isso. – o elfo me mostrou um envelope de carta.
Eu pulei da cama na hora e arranquei a carta da mão do elfo. E ele desapareceu com aquela magia estranha de elfo.
Meu coração acelerou, os batimentos estavam descompassados e com muito esforço eu abri a carta.
Querido Draco
Você achou mesmo que eu iria ficar menos preocupada com você não me contando o que seu pai te fez? Está enganado Malfoy. Conte-me tudo, se não hoje mesmo eu apareço ai na mansão Malfoy. To falando sério Draco, nem venha dar esse seu sorrisinho debochado ouviu?
Eu ri, podia imaginar a cara dela escrevendo aquela carta e ela tinha razão, eu estava com um sorriso debochado no rosto, o que me fez rir, ela me conhecia.
Eu também iria adorar conhecer sua mãe, quem sabe um dia... Estou morrendo de preocupação por você e eu estou com medo, por favor, fique bem. É a única coisa que eu peço.
HAHAHAHAH Quem sabe um dia Hermione.
- Eu estou bem sua linda. Eu vou ficar pelo menos. – falei sozinho.
Já estou com saudades também, você faz muita falta, meus almoços não são mais os mesmos haha.
- Hermione sua pervertida! HAHAHAHA Eu sinto muito mais a sua falta, pode ter certeza... – e mais uma vez eu estava falando sozinho.
O Harry sabe sobre a gente também, ele descobriu hoje e falou que quer ter uma conversa séria com você, pois ele disse “não é qualquer um que namora a minha melhor amiga e que se ele te magoar eu acabo com ele.” E sobre o Nott... Bem que eu estava estranhando ele olhando tanto para mim...
Beijos e sinto sua falta, Hermione.
- Quero ver só essa conversa com o Potter... Temos uma coisa em comum pelo menos, nenhum de nós é capaz de magoá-la. Potter tenha certeza, eu serei mil vezes melhor para ela do que qualquer outro, até mesmo do que o Weasley.
- Isso eu não duvido mesmo.
- Mãe? O que faz aqui?
- Se você acha que eu estava escutando você ler a carta atrás da porta, está enganado. – ela respondeu segurando uma risada.
- Certo. – respondi entrando na brincadeira.
- Seu pai está aqui. Ele quer conversardireito com você.
- Tudo bem.
Sinceramente eu não queria ter que conversar com o meu pai hoje, tinha certeza que ele iria estragar meu dia.
Minha mãe saiu do quarto e deu tempo de eu esconder a carta e sentar na cama antes do meu pai entrar.
- Podemos conversar? – ele disse perto da porta.
- Pode. – eu disse e ele veio até perto da minha cama e sentou do meu lado.
- Desculpe, eu agi errado te dando tantos crucios daquele jeito.
Eu não respondi e para falar verdade, eu nem olhava para ele, fitava tudo o que se encontrava no chão do meu quarto porque de uma hora para outra pareceu muito mais interessante do que olhar meu pai. Nós nunca tivemos uma relação de “pai e filho”, nós não conversávamos do jeito que eu conversava com a minha mãe, eu não sabia se podia confiar nele. Porque para ele era mais importante não decepcionar o Lorde do que decepcionar o próprio filho.
- Você me conhece Draco, eu não vou concordar com esse seu namoro tão cedo, não sei nem se um dia eu serei capaz de concordar. E se teve uma coisa que sua mãe me fez entender é que você realmente... – ele parou, tomou um fôlego, como se o que viesse a seguir posso muito difícil para ele falar — você realmente gosta dela. Eu sei que você está com medo por causa de tudo o que está acontecendo e se é com ela que você consegue ser feliz, consegue sorrir e tudo parece ser mais fácil ao lado dela, não vou tirá-la de você. Você mesmo disse isso antes, quando foi comigo, eu também precisava de uma pessoa para me ajudar e eu encontrei sua mãe e você a encontrou. Por mais que eu odeie os sangues-ruins, que eu não concorde com esse namoro eu não vou impedi-lo. Talvez quem sabe um dia, se isso for realmente sério eu aprenda a respeitá-la.
Quem pensou que agora seria o momento pai e filho, onde tem o abraço, está enganado. Ele apenas disse tudo isso, se levantou e foi embora me deixando olhando minha calça do pijama jogada no chão.
Isso era bom, o meu pai não iria mandar amanha comensais da morte atrás dela e tinha uma pequena, quase impossível possibilidade de um dia ele começar a respeitar a Hermione.
Eu estava agradecendo internamente a minha mãe pelo o que foi que ela disse a ele ontem a noite.
Peguei a carta que eu havia escondido debaixo do travesseiro e a reli varias vezes, eu já havia decorado aquela carta.
Agora, tudo o que eu queria era voltar para Hogwarts e revê-la, mais isso só seria possível na quinta feira.
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