Loving The Darkness
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Droga. DROGA. É isso que vai resumir o meu dia de hoje. Por que eu fui inventar de brigar logo com o professor de matemática?
– Anda logo Nico, vai para a detenção. Ou vai acabar recebendo outra. – diz Clarisse, minha amiga.
Todos os meus outros amigos concordaram.
Suspiro. – Merda!
Despeço deles e vou até a sala de detenção. Sento logo na primeira carteira e abaixo a minha cabeça, tentando dormir. Logo o professor encarregado de olhar os alunos entra na sala de aula.
– Olha aqui, eu quero vocês quietos. Nem pensem em passar por esta porta! – diz severamente, e depois sai.
Espera aí, ele vai me deixar sozinho? Vocês? Tem mais alguém aqui?
Olho pela primeira vez na sala de aula, e por fim vejo uma menina no fundo. Ela tinha cabelos negros e olhos azuis eletrizantes. Usava grossas camadas de lápis de olho, e acabara de acender um cigarro.
– Ei. – digo a ela. – Não se pode fumar aqui!
– Não se pode gritar com o professor de matemática também, mas você não fez isso? – rebate.
Olho para ela um pouco espantado.
– Como você sabe?
Ela me olha como se eu fosse algum tipo de alienígena. – Todo mundo viu vocês brigando no corredor, imbecil.
Fecho a cara. – Não precisa ser grossa.
Ela vira o olhar, e continua fumando, como se eu nem existisse. Após alguns segundos o cheiro da fumaça começa a espalhar pela sala, já que ela estava completamente fechada. Vou até a carteira em que a menina estava sentada.
– Você pode parar de fumar? – pergunto. – Aqui é um local fechado, e o cheiro é irritante.
– Como você. – ela diz e sopra a fumaça no meu rosto.
Bufo. Parecia que nada do que eu falasse faria com que ela apagasse o cigarro. Sento-me ao lado dela, e pego me pensando no motivo da garota estar aqui.
– O que você fez para estar aqui?
– E por que eu te falaria? – indaga a menina rudemente.
– Porque não tem nada para se fazer. O tempo costuma passar mais rápido quando se faz algo.
– Ei, até que você pensa. – ela ironiza. – Eu coloquei água oxigenada dentro do pote de Shampoo da Rachel Elizabeth Dare.
Olho para ela estupefato. – Você o que?! Por quê?!
– Ela é irritante.
Olho para ela assustado. – Mas ela é popular. Você está ferrada.
Thalia gargalha. – Não tenho medo de uma vadia magricela.
– Pois você deveria. Ela vai acabar com a sua moral na escola.
– Só as pessoas fúteis se importam com a hierarquia da nossa escola.
Fico um pouco ofendido com o que ela disse. Afinal, eu me importava. Ficamos alguns minutos calados, e então ela se levanta e abre a janela.
– O que você está fazendo?
– Pular a janela, não é óbvio? – ela diz.
– Mas ainda não acabou a detenção! – exclamo.
– Que eu saiba, o nosso professor disse para não passar da porta, e não da janela. – diz a garota, e então pula.
***
No dia seguinte, estava no intervalo de almoço conversando com os meus amigos Percy, Annabeth, Clarisse e os gêmeos Stoll. E falo sobre a garota da detenção.
– Mas que menina esquisita. – comenta Annabeth.
Quando ela diz isso, ao acaso acabo vendo a própria garota se sentando em uma mesa vazia com o seu almoço.
– Olha ela ali! – falo e aponto para a menina.
Percy arregala os olhos. – Eu conheço essa garota! Ano passado quando eu ainda não tinha tomado bomba, ela era da minha sala.
Então ela era mais velha.
– Por que será que ela está sozinha? – pergunto realmente interessado.
– Porque ela não tem amigos. – diz Percy.
Uma estranha compaixão com aquela garota invade dentro de mim. Por que sem amigos? Ela apenas agia como realmente era. Levanto da mesa e vou em direção a mesa da menina.
– Onde você está indo Nico? – me pergunta Travis Stoll.
– Falar com ela.
– Se você fazer isso pode ficar mal falado. Ela é uma esquisita. – aconselha Clarisse.
Ignoro o comentário de Clarisse e vou até a mesa da menina dos olhos azuis.
– Por que você não tem amigos? – pergunto.
– Não vejo porque responder algo que não é da sua conta.
Suspiro, e me sento em frente a ela. – Por que você é assim com as pessoas?
Ela me olha, e ergue uma de suas sobrancelhas. – Por que eu trataria bem alguém que eu nem conheço?
– Você me conhece agora. Prazer, Nico Di Angelo.
Ela apenas ficava a me analisar, como se eu fosse algum tipo de aparelho novo.
– Não vai me dizer o seu nome? – pergunto.
Ela me olha novamente. – Thalia Grace. – diz por fim.
Ficamos em silêncio novamente.
– Você vai ficar na detenção novamente? – pergunto a Thalia.
– Provavelmente. – diz Thalia.
– Não era melhor você ficar apenas ontem? Agora vai ficar mais um dia. – falo a ela.
– Na verdade, não é melhor. Antes ficar nessa escola sozinha, do que ter que ficar ouvindo seu pai e sua madrasta discutindo e gritando o dia todo. – me fala com um olhar distante, como se estivesse lembrando-se de algo.
– Lamento por isso. – digo de modo sincero.
Ela da de ombros. – Já me acostumei. – fala e termina de comer seu almoço. – Por que você está aqui? – ela me pergunta.
– Por que eu queria conversar com você. – digo como se fosse o mais óbvio.
Thalia Grace ergue a sobrancelha para mim, incrédula.
Resolvo me defender. – É verdade. Você é diferente. Mesmo não te conhecendo muito bem, já é a pessoa menos falsa que conheço.
Thalia sorri para mim pela primeira vez. Eu fico um pouco zonzo, nunca havia visto algo tão bonito.
– Seus amigos estão olhando para cá. – diz ela.
– Como você sabe que eles são meus amigos?
– Bom, eu vi vocês conversando. – ela diz, e o sinal toca. Fim do intervalo de almoço.
Levanto da cadeira, com um sorriso convencido. – Ah, então quer dizer que você reparou em mim? – digo e saio andando para a sala, não antes de ouvir a risadinha dela.
Chegando à sala, logo meus amigos começam um interrogatório.
– Como foi falar com ela? – me pergunta Percy.
– Foi legal. Ela é diferente.
– Diferente como? – Clarisse diz interessada.
Penso um pouco ao responder. Era em tantos aspectos... – Ela é... Original. Não segue padrões, faz o que quer, fala o que quer. – falo, sorrindo de lado.
– Ela é gata. – diz Connor com um sorriso malicioso.
Fico imediatamente vermelho. – Eu não tinha reparado nisso. – minto mal. É claro que havia reparado, seria impossível não ver tal beleza.
– Larga de ser mentiroso! – exclama Annabeth. – Está na sua cara.
– Só toma cuidado com isso, falou? – diz Travis.
– Ok. – digo.
***
Fim da aula. Estava saindo da sala com os meus amigos, até que Percy se pronuncia.
– Vamos ao Starbucks? – indaga Percy.
– Sim! – dizemos todos em coro.
Me lembro que esqueci algo. – Mas antes eu vou pegar algumas coisas que deixei na sala de biologia. – digo.
– Tudo bem, mas vamos à sua frente. – diz Clarisse. – Estou com fome.
Vou até a sala de aula, e pego alguns livros que havia esquecido. Guardo-os no meu armário, e quando estou na porta da escola, vejo Thalia saindo também.
– Saindo da escola tarde, Grace? – digo alto para ela.
– Não vejo como isso pode ser da sua conta, Di Angelo. – ela diz, mas não era de um jeito hostil. Era em um tom de brincadeira.
Rio. – Pode me chamar de Nico.
– Pode me chamar de Thalia. – diz e eu sorrio para ela.
– Onde você está indo, Thalia? – pergunto.
– Comer. Mc Donalds. – me informa.
– Por que você não vem comigo ao Starbucks com os meus amigos? – a chamo.
Ela franze o cenho. – Não, obrigada. Acho que eles não gostam de mim.
– Eles só não te conhecem. – defendo os meus amigos.
– De qualquer forma, vou ao Mc mesmo. Quero gordice. Até mais, Nico. – diz acenando e continua a andar, me deixando para trás.
Eu não entendo bem ao certo, mas sinto que tenho que ficar com ela, pelo menos agora.
– Espera! – digo e ando rapidamente até alcançá-la.
– Sim? – ela me pergunta.
– Posso ir com você? – digo, e acho que minha voz tinha um tom meio desesperado, pois ela começou a rir.
– E seus amigos? – ela me lembra.
Dou de ombros. – Eles irão me perdoar.
– E se não perdoar? – ela me pergunta em um tom de brincadeira.
– Que se dane, então. – digo e ela abre um sorriso torto.
Após alguns minutos caminhando, chegamos no Mc Donalds. Felizmente a fila não estava muito grande, então fizemos nosso pedido e o pegamos rapidamente. Eu me assusto um pouco na quantidade de batatas fritas de Thalia. Nunca tinha visto uma menina comer tanto. Mas foi legal, para variar.
– Então... – começo.
– Então? – ela me pergunta.
– O que você faz da vida? – falo a ela.
– Sinceramente? Nada. – diz enquanto passa catchup nas batatas.
– Você sempre foi assim? – pergunto a ela, curioso.
– Assim como? – ela me olha severamente.
– Hããã... Original. – digo por fim.
Ela sorri para mim. – Gostei do original. E sim, eu sempre fui desse jeito.
– Pensei que tivesse alguma história complexa. – digo levemente surpreso com a resposta.
Ela ri de mim. – Nem todo mundo tem uma história ruim para contar.
– Você já teve algum outro amigo? – continuo a bombardeando de perguntas.
– Outro? – ela me olha.
– Eu sou seu amigo agora, certo? – pergunto indeciso.
Ela suspira. – Podemos dizer que sim.
Sorrio feliz com a resposta. – Então?
– Claro Nico. Todo mundo já teve alguém para contar.
– Onde ele está? – pergunto com o sangue fervendo. A ideia dela ter outro amigo me incomodava.
– No outro lado do país. – ela me informa.
– Isso é ruim. Ficar sem amigo. – digo, mas feliz.
Ela ergue a sobrancelha, aparentemente confusa. – Mas você não acabou de me dizer que somos amigos agora?
– Bom, podemos dizer que sim. – digo imitando ela, recebendo uma risada em resposta.
– Você é estranho. – ela diz.
Finjo ficar ofendido. – Olha quem fala!
– Mas eu gosto. – diz sorrindo.
– Do quê? – pergunto.
– Disso.
– Hã? – fico confuso.
– De pessoas estranhas, Nico. – ela diz.
Ela olha nos meus olhos, e eu olho nos olhos dela. Não entendo ao certo, mas tínhamos algum tipo de conexão. Eu nunca tinha tido isso com ninguém, e o mais estranho era que eu tinha a conhecido apenas ontem.
– Eu também. Gosto de pessoas estranhas. – falo.
Nós nos aproximamos vagarosamente e nos beijamos. Foi o primeiro momento da minha vida em que fazia sentido. Então eu entendi. Já estava apaixonada por ela. Pelo original, pelo diferente, pela escuridão.
~
Fecho os olhos e olho para a criança a minha frente.
– Então, filhinha? Gostou da história? – pergunto a criança.
– Claro papai, eu adorei! Você a criou agora? – a criança me pergunta animada.
Olho para o horizonte, me lembrando de muitas coisas. – Não filha. – digo suavemente para a garotinha, que era a minha filha. – Esta é a história de como conheci a sua mãe. – digo enquanto me viro e olho o retrato de Thalia dentro da minha carteira. Eu realmente sentia muita falta da minha falecida esposa.
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