Lover.
1 Lover
We could leave the Christmas lights up 'til January
And this is our place, we make the rules
Através do vidro embaçado da janela, Wanda o observou subir rapidamente os degraus da casa, atipicamente encolhido pela nevasca que cobria toda a cidade após o Natal.
O movimento de carros era escasso em razão da neve, que só saía quando os tratores passavam para fazer a limpeza das ruas, mas nem mesmo os snowcats conseguiam dar conta da tempestade intensa que tomava Nova York em um dos invernos mais frios da história.
Sentia o mundo ao seu redor mais silencioso e reflexivo, como se todos tivessem se recolhido em si mesmos por conta do clima tenebroso, que obrigou a maioria das pessoas a encerrarem suas atividades mais cedo naquela semana.
Apenas alguns estabelecimentos, de proprietários que moravam nos locais em que trabalhavam, estavam funcionando normalmente e ele havia aproveitado a breve pausa da tempestade, há algumas horas, para ir a um mercado local no Brooklyn e fazer compras de itens de primeira necessidade.
Embolada contra si mesma no sofá próximo à janela o ouviu fechar a porta com um baque alto devido ao vento incessante do lado de fora e murmurar algo em um tom desgostoso. Com os dedos ao redor de uma xícara quente de chá e as pernas cobertas por uma manta grossa, levantou as sobrancelhas quando ele surgiu no corredor da sala.
Bucky usava um casaco térmico grosso, coturnos com meias reforçadas, luvas escuras e um gorro que, lá fora, também cobria parte de seu rosto, mas isso não impedia que boa parte das bochechas estivesse coradas pela temperatura baixíssima. E, apesar de parecer adorável e Wanda tivesse que se esforçar para não sorrir, a expressão que carregava era indignada.
— Está frio lá fora. — Ele disse em tom óbvio.
— Foi o que ouvi dizer. — Bucky a encarou um pouco mais revoltado ao notar como se encontrava confortavelmente acomodada e bufou ao se dirigir a cozinha. — Achei que fosse resistente às temperaturas baixas.
Comentou se levantando para segui-lo, arrastando as meias brancas pelo tapete fofo da sala de estar e, depois, pelo chão de tacos. Viu que ele já tinha habilmente tirado o casaco e as luvas e começava a organizar as compras, retirando tudo da sacola, enquanto reclamava.
— Eu era, quando tinha que lidar com elas.
Se defendeu abrindo o armário sobre a pia para guardar alguns potes. Sabia que ele não estava bravo de verdade, havia insistido que ela ficasse em casa e não o acompanhasse nem mesmo durante a pequena viagem de carro até o mercado.
— Bem, então temos que ser gratos que não tenha mais que lidar com isso. — Fez com que ele parasse ao se aproximar e levantar as mãos tipicamente quentes e místicas para contornar o rosto avermelhado, mais frio do que podia esperar, fazendo com que a olhasse diretamente e sem ressalvas. — A menos que faça por livre e espontânea vontade.
Notou quando Bucky também escondeu um sorriso e apenas aceitou a derrota, se inclinando para depositar um beijo lento e cuidadoso em seus lábios enquanto a puxava contra o próprio corpo do modo confiante como sempre fazia. Wanda não tirou as mãos do rosto dele, sabendo como apreciava o toque de seus dedos calmos e se deixava relaxar.
And there's a dazzling haze, a mysterious way about you, dear
Have I known you twenty seconds or twenty years?
Assim havia sido sobre eles desde o primeiro momento, quando sentiu aquela onda — agora comum — de certeza e afeto a embalando de forma quente e confortável, dos pés à cabeça. Era inexplicável, ao mesmo tempo em que tão clichê e esperada, que mal conseguia respirar quando ele se afastou e a olhou.
Bucky era, sempre, sem questões, insuportavelmente lindo. Os olhos a deixavam mole, especialmente quando sabia, sentia, que olhavam apenas para ela daquela forma íntima e inteiramente afável. Porém, naquele dia, com aquela touca, os lábios inchados e as bochechas coradas sob a barba por fazer e a ponta do nariz avermelhada, parecia ainda mais bonito, o que a deixava de pernas bambas.
Havia algo de misterioso em sua postura, na forma como se portava quando outros estavam presentes, parecendo estar sempre preso nas próprias opiniões e piadas particulares, e em como tinha sempre algo a descobrir sobre ele, ainda que pudesse simplesmente mergulhar em sua mente de maneira profunda. Mas se recusava a tanto, especialmente quando a olhava daquela maneira.
— O que foi? — Ele perguntou.
— Nada.
O beijou novamente por um momento, escorregando as mãos pelos ombros largos, e Bucky se afastou apenas o suficiente para falar em tom baixo, como se tivesse mais alguém que pudesse ouvir. Um costume de quando ainda estavam no Complexo e que ele parecia gostar de manter, embora o lugar fosse só deles.
— Comprei aquelas suas ervas estranhas e as velas aromáticas caríssimas que gosta de usar no banho. — Wanda riu contra os lábios dele.
— É o que você diz, mas sei que gosta das velas tanto quanto eu. — Bucky sorriu e percorreu as mãos por toda a extensão de sua coluna, estancando-as firmemente em seus quadris, sobre a calça de moletom fino.
— Não gosto das velas, gosto só de você na luz delas.
Apreciava como ele olhava em seus olhos sem cerimônias e dizia todas aquelas coisas sem se intimidar. No primeiro momento, se perguntara se o conhecia há doze segundos ou doze anos, tal foi a forma como havia se embrenhado em cada poro seu, quase que sem pedir permissão.
And I'm highly suspicious that everyone who sees you wants you
I've loved you three summers now, honey, but I want 'em all
— Você é incrivelmente perturbador, James Barnes.
Murmurou, vendo-o se sentir inteiramente satisfeito pela declaração, pois tinha consciência de seu efeito nela, algo parecido com o que fazia a ele quando sentia — sem que pudesse impedir a si mesma de ser invadida pela intensidade dele — seus sentimentos borbulhando de maneira incontrolável, subindo e descendo por seu corpo, fisicamente presente, enquanto a encarava com aqueles olhos azuis cintilantes demais para seu próprio bem.
Fora assim que soubera que o amava, três invernos antes, quando notara nele algo muito semelhante ao que acontecia consigo mesma sempre que considerava a possibilidade real… Deles. Achava que seu coração estava totalmente entregue a Visão e que o de Bucky soava melancólico há tempo demais para algo promissor surgir entre eles, mas não demorara a aceitar aquela força magnética que parecia conectá-los. Fora ele que passara a conduzi-la pelo mundo e, depois, a fizera se sentir em casa sem esforços.
— Eu acho que as compras podem esperar… — Ele constatou antes de voltar a beijá-la, conduzindo-a por todo o caminho da cozinha até a sala, a mão inesperadamente fria adentrando a blusa de moletom que usava para percorrer toda a pele macia de sua cintura, a arrepiando por inteiro. — Só um pouquinho.
Ela murmurou uma concordância, totalmente distraída pela boca dele, e, quando se deixou cair contra o sofá macio, o levou junto, apreciando como se acomodava de maneira conhecedora e confortável sobre ela, ciente de como gostava de senti-lo inteiramente contra si.
Bucky aproveitou que já tinha as mãos em sua barriga e subiu, a ajudando a tirar o moletom que vestia pela cabeça. Com ele, não se sentia deslocada e insegura, nem sobre seus poderes, nem sobre seu corpo. Ele a encarava tanto como bruxa quanto como mulher e nunca havia sido assim com ninguém. Nunca havia sido como se pura e simples paixão pudesse se igualar ao amor, complementá-lo, mas com eles havia era.
Ofegou quando a boca macia e inacreditavelmente quente seguiu depositando beijos por toda a sua garganta até se infiltrar no pescoço, naquele espaço atrás da orelha, onde ele adorava por conta do perfume e a textura de seus cabelos ruivos sempre que embrenhava o nariz por ali e Wanda puxou a touca apenas para conseguir fincar as próprias unhas na nuca masculina da forma como gostava e que o fazia tremer.
Então, ele se afastou para olhá-la em meio a um suspiro pouco contido, os fios castanhos bagunçados caindo charmosamente pela testa e a boca, agora, tão vermelha quanto as bochechas e o nariz. Estava sempre suspeitando de que alguém o queria, via a maneira como as mulheres o olhavam, desejando-o tão abertamente que, às vezes, se incomodava e, às vezes, se sentia tolamente orgulhosa por tê-lo, simplesmente.
No fim do dia, apenas ela conhecia aquela versão dele, a analisando de volta em seus olhos claros e conhecedores dela, mesmo sob a malícia mal disfarçada nos orbes azulados. Apenas ela era sua amante, no sentido mais profundo que a palavra poderia significar.
Can I go where you go?
Can we always be this close?
Forever and ever, ah
— O quê? — Percorreu o abdômen bem definido, que a deixava louca, sob o agasalho e levou as mãos ao cinto dele.
— Você parece… Determinada.
Começou a desafivelar a peça sem pressa, antes de desabotoar a calça, e sorriu quando ele segurou seu queixo para depositar um beijo simples e quase casto em comparação aos seus dedos naquele momento.
— Eu apenas… Acabei de me dar conta… — Murmurou abaixando o zíper e a cueca preta como podia enquanto o nariz encontrava o dele. — Você é meu amante.
O som do gemido rendido de Bucky ao fechar os dedos em torno dele reverberou por ela inteira, quase fazendo com que gemesse também. Apenas ofegou e o beijou sofregamente antes de senti-lo apoiar a testa contra a sua, um tanto quanto fora de si, simplesmente aproveitando a maneira como o tocava sem cerimônias.
Gostaria de usar a boca, como sabia que ele gostava, mas não era o momento, principalmente quando o sentiu se inclinar, beijando o vale entre seus seios, maiores do que o normal, antes de arrastar sem pressa a renda branca por sua pele sensível e usar a língua para lamber o mamilo inchado e dolorosamente endurecido.
A conexão que tinham, a forma como se encaixavam, sem muitas palavras, era impressionante, inacreditável em tantos sentidos, que sempre se surpreendia por algo novo que os levava a um patamar diferente, mesmo depois do que parecia ser tanto tempo.
— Eu sou seu marido. — Ele a lembrou, quase misericordiosamente.
— E meu amante.
Wanda não conseguiu não gemer e estremecer quando ele usou os dentes e sorriu, satisfeito por conseguir um pouco mais de controle pelo efeito que causava nela. Então, Bucky se afastou brevemente e retirou rapidamente o próprio moletom, fazendo com que o colar com a dog tag militar centenária tilintasse entre os dois.
— Meu palpite... É que você, simplesmente, gosta da palavra. — Ela deu de ombros e ele fez menção de se apoiar novamente sobre seu corpo, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, a iluminação das luzes da árvore de Natal repleta de bibelôs temáticos junto ao sofá que dividiram mudou de amarelo para vermelho, fazendo com que levantassem os olhos. — Já não está na hora de tirar a decoração?
Wanda sempre havia amado o Natal. A lembrava de quando ainda era uma criança em Sokovia e os pais faziam doces que preenchiam toda a casa com perfumes natalinos enquanto assistiam séries e filmes americanos repetidos só para emular um clima parecido com a grandiosidade do que viam na TV.
Seus pais riam quando Pietro e ela pulavam na cama deles, de pijama e meias gastos, comendo pipoca, e sabia que Bucky também jamais se importaria com isso, pois, juntos, haviam dado um novo sentido à uma época que poderia ser muito solitária sem uma família de verdade. Isso porque, agora, estavam construindo uma.
Ele ajeitou os fios ruivos em torno do rosto dela, parecidos com as cores que preenchiam as paredes da sala de estar naquele segundo, luxúria e carinho preenchendo os olhos azuis enquanto se inclinava novamente sobre ela.
Wanda, em contrapartida, levou os dedos místicos à mandíbula bem definida, contornando com suavidade até chegar aos lábios, seu desejo um reflexo do dele e do que eram, especialmente quando murmurou sentindo toda a aquiescência de que precisava em Bucky.
— Acho que podemos deixar as luzes de Natal até Janeiro.
Take me out and take me home
You're my, my, my, my lover
Notas finais
Fazia muito tempo que eu queria escrever algo baseado nessa música, mas nunca me parecia o momento certo e nem o casal certo nem a ideia certa.
Mas eu AMEI explorar Wanda e Bucky, acho que a suavidade da música da Taylor em contraposição com a palavra lover, em um sentido mais adulto, profundo e sexual, tem muito a ver com eles dois. Afinal, dá pra se ter tudo! rs
E eu sei que faria mais sentido postar depois do Natal, mas quero que todos aproveitam mais um pequeno especial com esses dois como centro do meu mundinho das fics, pq eles são fofos demais.
Como sempre, os comentários são muito importantes! Então, me deixem saber se gostaram desse pequeno capítulo!
Até a próxima! ♥
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