Lovely Skye.
1 Um.
Notas iniciais
Minha cabeça doía como se eu tivesse passado as ultimas horas batendo com ela na parede. E ainda havia um som de "bipe" de maquina de hospital e o barulho das turbinas do "bus". Mas eu não poderia estar em um hospital que voasse.
Abri os olhos e fechei várias vezes, até que eu conseguisse me acostumar com a claridade. Eu estava em um dos cubículos do "bus", da área hospitalar, onde alguém ficava quando estava ferido. Havia uma agulha no meu braço e eu preferia não voltar a olhar para aquilo, por que com certeza, ficaria enjoada. Havia uma bolsa de soro com algum medicamento – que eu não poderia saber qual – e as maquinas estavam marcando meus batimentos cardíacos.
E de repente, me senti idiota. Eu não estava morta e isso eu poderia agradecer a Simmons – mesmo que eu não soubesse o que ela tinha feito para me salvar. Mas se eu estivesse morta, a culpa seria toda minha e eu poderia aceitar isso, mas "eles" não — principalmente Fitz. Tinha sido estupidez entrar naquela casa atrás de Ian Quinn, sem nenhum treinamento que os agentes da S.H.I.E.L.D tem.
As imagens na minha mente eram dolorosas e confusas. Lembrava de ter mandado Fitz acabar com os carros para que ninguém pudesse fugir e que entrei na casa, com apenas uma arma. O mais assustador e doloroso foi ver Mike dentro daquela maquina, com metade do corpo queimado e com uma perna amputada se transformando em algum tipo de "Robô". Aquilo tinha sido como uma facada no peito. Se Mike estava ali, aquilo era minha culpa. Eu insisti para que ele se mostrasse pro mundo, que se rebelasse contra a S.H.I.E.L.D. Mike era o melhor experimento do projeto "centopeia" e se eu não tivesse insistido tanto, talvez ele estivesse em casa com seu filho. E não obedecendo a Ian Quinn e seus compradores misteriosos.
Ian Quinn atirou em mim, duas vezes, no estomago e a queima-roupa. E me deixou lá para morrer. Eu não sabia como o time tinha chegado a mim e como eles tinham conseguido me salvar. Eu não entendo nada de biologia, mas dois tiros no estomago não parece fácil de "curar".
Então a porta do compartimento abriu e senti meu coração acelerando e os bipes confirmaram. O time estava ali e estavam surpresos por me ver acordada. Eu não sabia o que falar e parecia que nenhum deles também sabia. Coulson estava sorrindo, mas era um sorriso tenso misturado com alivio. May mordia os lábios e era surpreendente ver seu rosto mais aliviado do que todas as vezes que já o olhei. Fitz-Simmons estavam anotando meus batimentos cardíacos em um tablet. E então eu olhei pra ele. Ward. Ele estava encostado na parede, com os braços cruzados. Ele tinha olheiras abaixo dos olhos e parecia estar muito cansado.
Me senti idiota por que meu estupido coração bateu mais forte ao observa-lo. Ninguém tinha reparado. Talvez Jemma que estava cuidando da minha saúde percebesse os fortes batimentos cardíacos, mas não poderia concluir que aquilo era por causa dele.
– Hey guys – falei e percebi que minha voz estava rouca e minha garganta estava seca.
– Skye! Ah, meu Deus, Skye! – Jemma disse e sorria que nem uma idiota. – Você nos assustou! Como teve coragem de nos assustar desse jeito? – Jemma disse em um misto de preocupação e raiva.
– Jemma, pegue leve com a Skye. Ela acordou de um coma de duas semanas e você já quer discutir a irresponsabilidade agora? – A.C perguntou a Jemma que sorriu um pouco envergonhada. – Como está, Skye?
Coulson estava preocupado. E eu sentiria o mesmo se fosse ele aqui no meu lugar. Já tinha sido bastante preocupante ver como ele tinha ficado após entrar na maquina da Raina. Ele se aproximou mais da cama, enquanto May se aproximava de Ward, que abraçou sua cintura, enquanto ela se encostava em seu peito. Desviei o olhar. Eu não queria ter que pensar o quanto eles ficavam bem como casal nesse momento.
– Minha cabeça dói um pouco. – Assumi. – E meu estomago também. Mas fora isso, está tudo bem, A.C. – menti. – Mas isso é sério? Eu fiquei em coma por duas semanas?
Jemma assentiu.
– Fitz, pegue os medicamentos da Skye no laboratório, por favor. – Jemma pediu e Fitz assentiu com a cabeça e antes de sair do laboratório, sorriu pra mim e eu sorri de volta. – Skye, o que importa é que você está bem agora. – e sorriu angelicalmente. – Ah, meu Deus, tenho tanta coisa pra contar pra você.
E então eu me senti fraca. Meu estomago doía e minha cabeça parecia que ia explodir. Não conseguia respirar direito e era como se o cubículo estivesse diminuindo cada vez mais. Meus batimentos cardíacos estava aumentando e pude ouvir Jemma gritando chamando pelo Fitz, Ward se aproximando da cama rapidamente e May parecia estar tendo um ataque de pânico. Coulson arregalou os olhos ao olhar para minha barriga e quando olhei, percebi a mancha redonda de sangue no lençol.
Jemma rapidamente tirou o lençol e levantou minha blusa, arrancando devagar o curativo. Fitz entrou correndo no cubículo e Jemma pegou uma injeção com algum medicamento e enfiou a agulha no meu braço. O resultado foi imediato, meu estomago parou de doer e minha cabeça também. Lentamente, os batimentos cardíacos foram voltando ao normal e minha visão estava boa outra vez.
– Skye, consegue me ouvir? – Jemma perguntou. Assenti. – Você vai ter mais dores como essa durante os próximos dias, ok? – Assenti novamente, incapaz de falar. – E o sangue, foi por que os pontos se abriram, mas já irei costurar você, novamente. – e então ela olhou para os outros que estavam preocupados e disse: – Preciso ficar só. E Skye vai descansar quando eu terminar.
O horário de visita tinha terminado. Não tinha sido uma total tragédia, mas tinha sido ruim. Coulson entrou com olhar de preocupação e sairá mais preocupado ainda. May tinha entrado aliviada e agora parecia que queria socar a cara de Ian Quinn por causa disso. Fitz não tinha falado nada, assim como Ward e os dois pareciam totalmente infelizes por me ver assim.
– Sinto muito, time. – sussurei, mas tive certeza de que todos tinham ouvido.
E antes que Jemma começasse a costurar os pontos na minha barriga, eu estava dormindo.
**
Fazia alguns minutos que eu estava olhando para o teto. Estava de noite ou talvez de madrugada, eu não sabia, pois não tinha um relógio ali. Não estava com dor de estomago e isso já era um alívio. Ninguém veio me visitar e por isso deduzi que estava tarde e que todos estavam dormindo.
Talvez May e Ward no mesmo quarto. Mordi meu lábio. Eu não queria pensar neles, mas aquela imagem que eu tinha visto mais cedo não saia da minha cabeça. Estava claro que eles se gostavam e ele parecia ser super protetor, mesmo que ela não precisasse. O jeito que ele tinha a agarrado pela cintura e que ela tinha encostado sua cabeça no peito dele, me fazia querer voltar pro coma.
Eles eram perfeitos juntos e isso fazia com que meu coração se quebrasse. E além disso, eles eram iguais em praticamente tudo. Eram agentes da S.H.I.E.L.D há anos, tinham todas as qualidades que precisavam para isso. Gostavam de lutar e eram iguais aos robôs, sem sentimentos. Mas agora, pareciam ter muitos sentimentos um pelo outro.
Me xinguei mentalmente. Eu tinha que parar de pensar nele. Eu não estava apaixonada por aquele maldito robô idiota. Eu não estava apaixonada por ele. Não queria estar. E não estava.
Então fechei meus olhos, forçando o meu corpo a sentir sono, forçando a minha mente para sentir sono. O dia tinha sido cansativo e estranho, e eu não queria mais ter que pensar nisso. Percebi que não tinha como forçar meu corpo a descansar se não fosse aumentando a dosse do remédio, então, o fiz.
Poucos segundos depois, já estava dormindo.
**
– Jemma, é sério, eu não aguento mais ficar deitada. – reclamei quando Simmons disse que eu estava proibida da sair do quarto.
– Skye, você levou dois tiros no estomago e mesmo que a sua recuperação seja milagrosamente rápida, você não pode pular de um avião ou sair correndo. Fiquei deitada. –Disse séria, enquanto enfiava uma agulha na minha veia.
Mordi o lábio e senti uma lágrima caindo. Eu odiava agulhas desde sempre. Me lembrava o orfanato, onde eles me furavam de seis em seis meses, para que os pais que pudessem escolher me adotar soubessem que eu era uma criança saudável. Apesar de ser saudável como um cavalo, todos os pais que tentaram me adotar, me devolveram.
Lembrar do orfanato me fazia sentir dor. Lembrar que ninguém nunca quis ficar comigo me fazia querer morrer. E eu lembrava de quando era pequena e pensava que os pais adotivos faziam a mesma coisa que meus pais biológicos: me abandonavam por que eu não prestava.
– O time vem visitar você, separadamente – Jemma me tirou do mundo das lembranãs que eu queria esquecer. – Menos Coulson e a May.
Assenti.
Me sentia péssima, mas estava aliviada por saber que May não viria. Eu não a odiava, mas não me sentia bem em falar com ela, pelo menos agora. E isso me fazia muito mal, era como ter rivalidade feminina e isso não existia. Não comigo. Nunca. Eu sempre odiei esse tipo de coisa mas sabia que ver May agora poderia me deixar mal e talvez eu pudesse passar a odia-la.
Jemma saiu do compartimento e meu coração acelerou ao vê-lo encostado na porta, novamente com os braços cruzados. E então, ele sorriu. Foi impossível não sorrir de volta. Ward raramente sorria e aquilo tinha sido uma das coisas mais lindas que eu já tinha visto.
– Você me assustou, Skye. – ele falou enquanto se aproximava da minha cama.
– Desculpe – pedi. – Sei que fui uma idiota indo atrás do Quinn. Eu deveria ter esperado vocês. Desculpe.
Ele sentou na cama, perto dos meus pés.
– Você sabe que eu sou impulsiva e eu não poderia deixar que ele saísse e ficasse bem. Eu não poderia, não depois do que fez com o A.C.
Ele se aproximou mais da cama e eu fechei os olhos, tentando controlar meus malditos batimentos cardíacos. O cheiro dele invadiu aquele quarto e eu não conseguia me concentrar em muita coisa depois disso. Era um cheiro de loção de barbear e aquilo me deixava tonta de tão bom que era. Abri os olhos e percebi o quanto estávamos perto.
– Skye, shhh – ele colocou um dedo na minha boca para me silenciar. – Não estamos culpando você, ok? – assenti.
Estávamos nos encarando agora. E eu estava me perdendo dentro de seus olhos castanhos. Tinha tantos sentimentos ali, que eu poderia observa-lo por horas, dias, meses e nunca entenderia tudo. Eu nunca o entenderia. Ele era indecifrável e aquilo me atraia mais e mais. Era como se ele fosse um login e eu precisasse de um código, de uma chave, para que pudesse conhece-lo. E eu amava decifrar coisas indecifráveis e por isso ele me atraia tanto. Ele era um desafio pra mim. Ele era impossível pra mim. E por isso, eu o queria mais.
– Por que May e Coulson foram para uma missão sozinhos? – Perguntei.
– A central pediu que os dois fossem para essa missão e eles sabem a sua situação, então não poderia ficar sozinha – respondeu, enquanto tirava uma mecha de cabelo do meu rosto. – Então, se não se incomoda, só eu e FitzSimmons cuidaremos de você hoje.
– Não me incomodo se você falar com a Jemma, pra que ela me libere pra passear pelo "bus".
Ward riu de lado e me senti sortuda. Dois sorrisos em um dia era sorte, se tratando de Grant Ward.
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