Lovely Skye.
5 Cinco
Notas iniciais
Eu estava correndo perdida por aquela maldita floresta na Itália. Estávamos atrás de rastros de Raina, que estava ligada ao Clarividente. Coulson tinha pedido para Maria Hill informar qualquer pista que ela tinha sobre a garota dos vestidos floridos. E agora estávamos na Itália, perdidos um do outro, de noite, em um floresta densa e escorregaria, apenas com uma mochila com água e barra de cereais, lanterna e uma arma.
Apesar disso: eu não sentia medo por está só. Estava desesperada por pensar em Fitz e Simmons sozinhos correndo por essa floresta. Estávamos perdidos uns dos outros, pois corremos para lugares diferentes quando ouvimos passos.
Fazia dois meses que estávamos correndo atrás de qualquer pista que nos levasse ao Clarividente. Sem Ward na equipe, perdíamos força e por isso, eu tinha passado a treinar com May.
May era mais exigente que Ward como OS, mas diferente dele, eu a obedecia. Eu estaria preparada se precisasse atirar em alguém, mas não estaria preparada para um combate corporal. Eu era rápida, mas não era tão forte e não tinha estratégia de luta. Além do que, eu costumava deixar toda a minha raiva aparecer quando lutava com May e isso sempre dava errado. Não podia agir com a emoção, tinha que agir com a razão e eu ainda estava trabalhando nisso.
Mas não estava dando certo, porém May não sabia disso. Havia muita raiva acumulada dentro de mim desde que Ward foi embora. Eu estava reprimindo toda a dor que sentia por ter sido abandonada por ele e por ama-lo e isso me fazia mal. E tinha momentos que eu simplesmente explodia.
Cansei de correr e sentei em uma enorme pedra que tinha na floresta. Deixei a lanterna ligada, pois precisava prestar atenção em qualquer movimento. A arma ainda estava no coldre da calça e eu a usaria sem exitar. Eu ainda não era uma agente de campo perfeita, mas agora tinha a certeza de que poderia atirar em algo, o que me deixava mais tranquila e segura.
Desde que Ward se foi, não tive notícias dele. Sabia que ele não tinha saído da S.H.I.E.L.D, só tinha saído do nosso time e voltado a ser o agente sozinho que era antes. Eu tinha tentado bloquear qualquer coisa sobre ele na minha mente, mas quando ficava sozinha: tudo voltava.
As vezes eu queria odiá-lo por ter ido embora, queria dizer como ele tinha sido covarde em não lidar com seu sofrimento, mas na maioria das vezes eu só queria estar com ele, tentando conforta-lo.
Eu não me importava de fingir ser indiferente quando o time falava dele. Mas eu não conseguir fingir pra mim. Tinha tentado rastrear ele, mas havia algo diferente nos sites da S.H.I.E.L.D. Sempre haviam missões em diferentes lugares, mas era impossível saber em qual desses lugares ele realmente estava. Se eu ao menos soubesse qual número de celular ele estava usando.
A ferida em meu peito estava aberta novamente. Ward. Pensar nele doía, pensar no que poderíamos ser: doía. Bati com a mão na minha cabeça, tentando expulsar todos meus pensamentos sobre ele. Eu tinha que estar preparada e não pensando nele.
Mas já estavam passando minutos e nada de achar alguém. Fitz estava com o tablet e conseguiria nos localizar, mas enquanto isso, só podíamos esperar.
Fitz não estava muito bem com a ida de Ward, já que ele era seu único amigo, mas também não demonstrava isso. Mas eu sabia por que eu conhecia o fundo de Fitz, sabia como ele prezava por aquela amizade, como ele o considerava irmão.
Meus pensamentos saíram de Ward e Fitz quando ouvi passos no terreno molhado e escorregadio. Alguém estava ali. Levantei-me, tirando a ama do coldre, apontando para o escuro e na outra mão a lanterna. Assustei-me quando vi que a pessoa andando era Simmons.
— Skye! — ela quase gritou.
Coloquei a arma novamente no coldre e a abracei. Ela tinha um ferimento superficial na bochecha e estava um pouco nervosa por andar sozinha naquela maldita estranha floresta.
— Você está bem? — perguntei.
— Sim, mas eu não consigo achar os outros e quando vi uma luz corri pra cá — ela disse e mordeu o lábio. — Ainda bem que era você. Só consigo perceber o quanto isso é estúpido agora.
Ri.
— Acho que não adianta ficar aqui para e já que somos duas, estamos mais seguras — falei a Simmons, tentando passar confiança. — Vamos achar os outros.
Andamos pela floresta, apontando nossas lanternas para frente e para o chão, pois não queríamos cair ou escorregar. Existia um silêncio entre nós, que estava confortável. Eu e Jemma tínhamos uma relação muito forte, uma relação de família. Entendiamos quando precisávamos ficar em silêncio e esse era um dos momentos.
E então achamos uma casa, o que era muito estranho, por que já tínhamos andando muito por aquela floresta e por que não fazia muito sentido alguém viver no meio do mato. E ainda mais uma pessoa como Raina.
O piso da casa era feito de madeira e rangeu quando pisamos, denunciando a madeira velha. Quando entramos na casa, batemos em algo que depois percebemos que era Fitz.
— Eu gostaria de ouvir uma explicação, Fitz — Simmons disse ao encontrar o inglês.
— Não há sinal aqui, não existe nada aqui — ele explicou, mas não entendemos. — Eu não posso rastrear nada aqui por que não tem sinal, não tem energia, não tem nada. Estamos no meio do nada e ainda temos que achar May e Coulson.
Aquela missão tinha algo de estranho. Seguir o rastro de Raina era fácil demais e a missão até agora não tinha acontecido. Estávamos todos perdidos no meio do nada, sem saber sobre Raina ou qualquer outra coisa que pudesse nos levar ao Clarividente.
A casa estava escura e só podíamos enxergar por causa das nossas lanternas e dessa vez havia um silêncio desconfortável. Nós estávamos dentro de uma casa, sem saber o que ou quem procurar. Fitz apontou a sua lanternas para velhas escadas que nos dariam acesso ao primeiro andar.
— Só espero que ela não caia enquanto subimos — Fitz comentou assim que ouviu o primeiro degrau ranger.
O primeiro andar era pior que o segundo. Haviam buracos em toda a parte e se não prestássemos atenção, cairíamos e provavelmente alguém se machucaria. Andamos com cuidado pelo primeiro andar, sem saber o que procurávamos, mas nos assustamos ao encontrar May e Coulson descendo do segundo andar.
— Não há nada de estranho na casa, além dela ser no meio de uma floresta — Coulson disse. — E perdemos nosso tempo seguindo rastros inexistentes.
May passou por nós e quase caiu em um dos buracos se eu não tivesse puxado seu braço. Ela agradeceu sem jeito, um pouco irritada por não ter prestado atenção. Desci logo atrás de todos e sem prestar atenção, bati em Fitz que bateu em Simmons que bateu em May que bateu em Coulson. Eu estava com um xingamento na ponta da boca, mas reparei que havia um homem em uma cadeira de rodas lá parado.
— Senhor, o que faz aqui? — Coulson perguntou. — Nós somos da S.H.I.E.L.D.
E então percebemos que havia uma tela um pouco acima da cadeira. O senhor, além de estar em cadeira de rodas, tinha um tubo que estava na sua boca, mas eu não sabia onde ela terminava. Antes que Coulson pudesse falar novamente, algo apareceu na tela.
O clarividente sempre está na frente.
E então, Raina saiu das sombras e se posicionou ao lado do homem na cadeira de rodas. Empurrei Fitz e Simmons, deixando os dois atrás de mim, como forma de protegê-los e assim como May e Coulson, tirei minha arma e apontei para Raina e o homem.
Tudo fazia sentido agora. A missão parecia ser muito fácil: apenas seguir os rastros de Raina. Mas Raina não era burra em andar tão descuidada assim e desde o inicio tinha sido uma armação, mas eu não qual o objetivo disso.
Aparentemente aquele homem era o clarividente e eu não conseguia entender como aquele homem sabia de todos os nossos passos.
— Acho que está faltando alguém nessa equipe — Raina disse meiga como se aquela fosse uma reunião de amigos. — Onde está o Ward, Skye? Ou devo perguntar pra May?
Essa gracinha de Raina tinha me feito ferver e ela não sabia como eu era quando explodia. Eu podia não ter estrategia de luta, mas conseguiria quebrar alguns ossos de seu rosto apenas com a minha fúria. Mas não avancei nela, apenas grunhi e ela sorriu de volta. Eu tinha caído no joguinho de irritação dela.
— Qual o objetivo disso? — Fitz perguntou. — Nós podemos prender vocês a qualquer momento.
Raina soltou um risinho e se o Clarividente que estava ao seu lado pudesse demonstrar alguma emoção, tenho certeza de que ele gargalharia. Uma quantidade incontável de homens saíram das sombras daquela casa e antes que pudéssemos perceber, Raina já afastava a cadeira de rodas e saia da velha casa.
Fitz e Simmons jogaram as bolsas com os equipamentos no chão e agora usavam seus pequenos robôs para tentar distrair os homens, enquanto nós — eu, Coulson e May — tentávamos derrota-los.
Havia uma fúria dentro de mim e isso fez com que eu avançasse em um dos homens e o derrubasse no chão, mas ele também era forte. Inclusive mais forte que eu, porém, não era muito organizado em sua luta. Apenas usava sua força como arma e tinha sido fácil derrota-lo, socando em suas partes intimas e fazendo com que ele se cansasse.
A minha estratégia de luta era essa: cansar o outro lado pra depois usar minha raiva, mas não funcionava sempre e além disso eu perdia muito tempo. Enquanto May e Coulson estavam derrotando o terceiro homem, eu ainda estava no primeiro.
Quando sai de cima do homem que estava apagado no chão, recebi um soco no rosto. Aquilo poderia ter quebrado meu maxilar e saber disso tinha me deixado irritada. Eu estava com raiva antes, mas agora eu ia explodir e ninguém gostaria de estar perto.
Nem eu mesmo. Eu não conseguia ser racional, estava cega pela raiva e ataquei o homem que parecia uma montanha. Eu não conseguiria derrota-lo apenas com meu joguinho e nem tempo eu tinha para isso. Eu só o atacava de qualquer jeito e ele me ataca e me atingia.
Isso me deixará com vários hematomas pelo corpo se eu conseguir sair dessa. Mas eu estava perdendo e antes que eu pudesse ser derrotada, May atacou o homem com as pernas fazendo com que ele caísse no chão e antes que ele pudesse levantar: ela atirou nele.
Ele não estava morto, pois não usávamos armas letais. May jogou a arma pra mim e eu sabia que ela estava dizendo que eu deveria deixar o combate corpo a corpo pra quem sabia. Ela estava certa, eu ficava melhor com as armas.
— Eu já sei! — Fitz gritou, assustando Simmons e chamando atenção dos homens de preto pra si. — Skye, preciso que você dê cobertura pra mim e pra Simmons.
Assenti.
Os homens de preto perceberam que estávamos planejando algo e quando viram Fitz e Simmons descendo as escadas, eles tentaram nos atacar. Mas além de ter dois agente de campo que sabiam muito bem combater com o corpo, eu estava ali com duas armas.
Então foi tudo muito rápido, enquanto Fitz e Simmons passavam por trás de mim, eu mirava e atirava nos homens que tentavam chegar perto de mim e girava num ângulo de 360º, deixando os dois agentes por trás de mim e seguros.
Eu tinha conseguido derrubar quatro homens e não sabia quantos homens já tinham sido derrubados antes, eu só sabia que haviam muitos deles em pé e pouco de nós.
— Corram no três! — Simmons gritou, do outro lado da casa, perto da porta de saída. — Um! Dois! Três!
E então nós corremos para fora da casa, ainda lutando e ainda atirando nos homens de preto e quando conseguimos sair da casa, fomos seguidos, mas não durou muito para que uma explosão acontecesse. Nós "voamos" pela floresta, caindo no chão sujo de lama.
Tudo estava embaçado e eu não conseguia ouvir nada, nem mesmo o som das outras explosões. Tentei levantar, mas tudo estava rodando e nada fazia muito sentido.
Havia fogo não só na casa, mas em algumas partes da floresta. Encostei-me em um tronco de árvore e logo vi Coulson, com o paleto todo rasgado e seu rosto estava sujo de lama. May apareceu logo atrás de mim, com Fitz e Simmons. Eu e Coulson tínhamos sidos mais atingidos pela explosão.
Estávamos de volta no "bus", voltando pra casa e Coulson estava explicando a situação da missão para a central. Floresta. Casa. Clarividente. Raina. Armação. Homens. Explosão.
Não era difícil atirar em homens, por que eu sabia que aquelas armas não eram letais, mas nós tinhamos acabado de explodir uma casa cheia de pessoas dentro e isso me assustava. Eu sabia que se não fossem eles, seriamos nós, mas aquilo tinha me abalado de um jeito inexplicável.
Eu não culpava Fitz e nem Simmons, tinha sido a única solução de sair dali vivos. Mas eu ainda me sentia mal por isso, mesmo não tendo culpa e nem mesmo culpado meus amigos.
Fitz já tinha ido para o seu laboratório, tentar superar o que tinha acontecido nessa missão e eu não sabia onde Simmons estava. Talvez ela estivesse na cabine com May, tentando se distrair.
Eu fui pro único lugar que eu podia me sentir melhor. O quarto dele, mesmo depois de dois mês, ainda tinha seu cheiro. O cheiro familiar de loção de barbear e hortelã me deixou mais calma. Eu queria que ele estivesse ali e que mesmo que não soubesse me confortar, ficasse comigo, apenas ali dizendo que estava me apoiando.
Eu ainda precisava dele.
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