Notas iniciais
Oie, feliz dia das crianças atrasado, gente! Não importa se você já não é criança, parte de você sempre será! Boa leitura~

Miguel tomou café, todos já estavam acordados e trabalhando, e não era nem 6h da manhã ainda. Sua mãe cuidava da horta com a irmã mais nova, a vovó assistia TV enquanto tricotava. Seu pai acabara de entrar pela cozinha.

“Bom dia garoto. Tava consertando umas cerca… Acho uma boa idéia cê olhar os cavalo comigo, já faz quanto tempo que ocê num monta?” O pai perguntou, seu sotaque era o mais puxado da família, afinal era descendente de várias gerações de fazendeiros que sempre viveram no campo.

Depois de trocar de roupa, Miguel encontrou seu pai junto aos cavalos, aqueles animais eram uma das paixões dele. Escovou sua égua cor de creme, a Cookie. De repente franziu as sobrancelhas, começou a rir sem um motivo aparente, lembrando-se de certo intruso que Dênis batizou de Brownie. Como o garoto havia adivinhado? Os dois nomes combinavam perfeitamente.

Ainda precisou selar a égua antes de montar, e ficou surpreso com o fato de aquilo ainda ser tão natural pra ele. Abriu a porteira e montou. Cookie começou galopando, ambos se acostumavam um com o outro depois de tantos meses, em um trajeto que percorreram durante anos. Bastava fechar os olhos e respirar fundo o ar puro para esquecer todos os problemas.

Em certo momento ele passou em frente a uma outra fazenda, suspirou se recordando de tempos remotos. Quando ouviu o grito de uma vaqueira, ele revirou os olhos com um sorriso no rosto e colocou Cookie para correr. Logo uma moça montada em um cavalo disputava com Miguel quem seria o mais rápido. Os rivais se entreolharam em uma camaradagem antiga, mantendo a disputa acirrada, até que o fim da estrada era visível e os cavalos foram conduzidos a parar.

“Waaaaah, venci!” disse a garota, desmontando e soltando uma risada deliciada.

“Não seja ridícula, Annie. Nós chegamos juntos, isso se não te ultrapassei na última hora” Miguel a seguiu, puxando sua égua até a orla da lagoa. A água era cristalina e atraente, era possível ver até os peixes nadando juntos por ali.

“Você sumiu por tanto tempo e continua um perdedor” ela soltou os cabelos castanhos e os agitou, estavam longos demais, iam além da altura da cintura. Miguel ficou reparando-a, de costas para si, até que saiu de seu transe quando viu que ela tirava a camisa.

“Vai nadar, Anabelle?” Ele perguntou com uma sobrancelha erguida, ela tirou o short, usava apenas as roupas íntimas – um sutiã branco e uma calcinha azul que claramente não eram um conjunto.

“Eu faço isso quase todo final de semana… Você continua com medo da água?”

Miguel deu uma risada enquanto a menina pulava na água, algumas gotas respingaram nele, mas não se importou. “Você sabe que eu não tenho medo de água desde…” Ele revirou os olhos, percebendo onde ela queria chegar. Ela respondeu com um sorriso pouco inocente.

Desde pequenos eles nadavam pelados ali, escondidos, já que suas famílias não se gostavam muito, e Miguel, mais novo e medroso, permanecia nas partes rasas. Com o tempo eles foram crescendo, amadurecendo… Certo dia por causa de uma aposta, ele foi obrigado a ir até a parte mais funda e percebendo que não tinha nada demais, resolveu pregar uma peça na garota ao fingir que estava se afogando.

Na tentativa de salvar Miguel eles chegaram a uma distância inédita, um momento sem maldade alguma, apenas ao se deitarem na grama, ofegantes, onde a brincadeira foi esclarecida e uma briga foi iniciada, é que surgiu alguma consciência de estarem nus na presença e toque um do outro.

Pode-se dizer que nesse dia eles se tornaram homem e mulher. E também que começou o desastre amoroso na vida deste mesmo homem.

Miguel a olhava nadar, com movimentos tão fluidos como a própria água. Ele se recordou da última vez que transou com alguém e fez uma careta ao lembrar que foi com sua ex, depois que ele descobriu a traição por parte da moça, ela simplesmente o seduziu por aquele momento e achou que tudo voltaria a ser como antes. O moreno sabia separar as coisas, e aquilo havia sido simplesmente sexo. Brutal aliás, tamanha raiva havia pra descarregar. Mas depois disso era como se a mulher nunca tivesse feito parte de sua vida.

Ao olhar para a água chegou a considerar a possibilidade, mas ele abia pensar com a cabeça certa, além disso Anabelle era um pouco radical. Depois da primeira vez, queria que se casassem, todo mundo ficou sabendo e eles foram proibidos de nadar juntos por algum tempo, mas depois voltaram. Ao menos ela passou a nadar com suas roupas de baixo, para não se repetir. Não foi muito eficaz.

“Miguel… Eu não sou mais a mesma menininha de antes” ela falou em tom tranquilo, embora estivesse se oferecendo, não parecia desesperada. Era atraente…

“Estou vendo… Qualquer outro dia eu não pensaria duas vezes.” Ele recuou, de forma sutil. Conferiu as rédeas e a cela de Cookie.

“Tudo bem” ela sorriu “tem alguém ocupando um espacinho aí no seu coração?” O comentário o fez dar um sorriso curto, e a deixou sem resposta “foi bom te ver… Quando voltar pra cá, me procura.”

xXx

Na hora do almoço todos se sentaram a mesa, se serviram enquanto conversavam e riam de histórias do passado. Ainda era tempo de criar novas histórias, certo?

No fim do almoço, o pai de Miguel, Eduardo, tocou em um assunto um pouco mais sério. Disse que a pequena Margot já tinha feito a prova para se transferir de escola.

“Tô te pedindo, cê não tem obrigação de aceitá, ela pode ficá na casa dos seus tios assim como cê ficou” acrescentou Eduardo.

Miguel disfarçou uma careta, já que podia ser interpretada de forma equivoca. O período que passou na casa dos seus tios, no ensino médio, foi o pior de sua vida e não queria que sua irmã vivesse o mesmo. “Não precisa chegar a tanto, ela pode ficar no meu apartamento… Só me preocupo porque não passo muito tempo em casa.”

“Eu sei me cuidar, não é mãe?” A menina retrucou, a mãe concordou pra não render

“Nós ligaremos todos os dias também” Eliane sorriu. Ela era superprotetora até de longe, como era perceptível, e fez o mesmo com Miguel durante todo o seu primeiro ano. No segundo, ligava dia sim dia não, e no terceiro só finais de semana. Até então continuou dessa forma.

“Resolvido, graças a Deus num é? Sorte nossa por ter um menino tão bom” Miguel ficou constrangido enquanto todos o olhavam em silêncio, por não mais que poucos segundos até ele quebrá-lo.

“Mas ela já vai voltar comigo, assim de surpresa?” Riu ele, nervoso.

“Não, ainda não.” Ela mesma respondeu “ minhas aulas são só pra ano que vem, seu bobão!” Riu-se. Miguel deu um sorriso, acompanhando a menina. Ela parecia muito criança ainda, na sua idade ele se sentia tão maduro…

xXx

Dênis virou de barriga pra cima, deitado na grama olhando as estrelas “não quero mais jogar” declarou, entretido com os pontos brilhantes no céu.

“Só porque tá perdendo” acusou Bruna, que estava sentada no colo de Fred, já que a grama espetava um pouco. A verdade era que ninguém queria mais jogar.

“Esse bostinha é um péssimo perdedor” Fred disse, logo ganhando um soco do mais novo.

“Mas quem estava perdendo era você Fred” Luana ergueu as sobrancelhas, guardando as peças do banco imobiliário.

“Claro, eu tava prestando atenção em coisas mais importantes…” Fred puxou o cabelo de Bruna, expondo seu pescoço, e o beijou devagar, provocante.

“Eca. Vão pro quarto” ela se levantou e saiu, deixando Dênis sozinho com o casal. Eles apenas ignoraram a presença do loiro, e quando este se sentiu incomodado, poderia ter saído dali seguindo o exemplo da amiga. Mas ele fizera um curso sobre “ser inconveniente”, e essa era a hora perfeita.

“Vocês deviam respeitar mais a presença das outras pessoas” disse, mas não de forma séria. Bruna e Fred pararam de se beijar e o fitaram.

“Que foi tampinha, quer participar?” Fred debochou.

“Eca, nunca! Eu vou é tomar sorvete” respondeu Dênis, se levantando com destino à cozinha.

Chegando lá, ele pegou Luana no flagra tomando sorvete direto do pote. Ela escondeu a vasilha atrás do corpo, mas não foi tão rápida. O loiro não se importou, apenas a chamou de boba e se pôs a comer junto com ela.

“Onde você vai dormir, já que a Bruna vai dormir no quarto do meu irmão?” Ela indagou

“Ué. Claro que eu vou dormir entre eles dois” falou com seriedade, o que os fez rir após alguns segundos.

“Idiota. Eu vou colocar um colchão no chão do meu quarto pra você.”

“Hm… O seu pai não vai gostar nem um pouco… Não acha melhor eu voltar pra casa? É pertinho” ele mordeu o lábio.

“Que nada, a gente já se conhece a o quê? 12 anos? Se fosse pra rolar algo já teria rolado.”

“Verdade” ele concordou, pensativo, foi ajudar a menina a arrumar o colchão. Escovaram os dentes, vestiram pijama, Dênis se deitou antes que sobrasse pra ele a tarefa de apagar a luz. Luana pegou a escova de cabelo e soltou o rabo de cavalo, só então ele percebeu como o cabelo dela estava grande e bonito. Eram negros como carvão e formavam ondas suaves, contrastando com a pele branca. Ela era um pouco gordinha, mas ainda sim conseguia ser linda. “Você devia deixar o seu cabelo solto mais vezes. É tão bonito” murmurou ele, depois se cobriu até a cabeça com o cobertor, para não assumir o elogio. Acabou perdendo de ver a garota completamente vermelha.

Notas finais
O que acharam? Esse capítulo ficou um pouco À parte do rimance, não é? Espero que nem por isso esteja chato, e tenham paciência! Obrigada a todos que estão conentando, vocês me alegram e me animam. Quem não comentou ainda da tempo, não deixe essa história morrer por falta de retorno, tenho 13 reviews, 13 capítulos e 13 acompanhamentos.... Bem, Kisses & Cookies for u