Love, love, love
3 Pompeii
Notas iniciais
8 anos atrás...
Fui deixado por conta própria
Muitos dias se passaram sem nada para mostrar
— O que eu já lhe disse sobre falar em inglês, Ayla? Isso é proibido nessa casa, você tem que melhorar esse coreano logo e parar de falar em inglês — a mulher mais velha que estava sentada na cama de frente para o espelho de seu quarto, disse severamente à criança pequena perto da porta.
— Mas mãe...
— Sem mas! Você provavelmente sabe que a família Kim e Oh vão vir jantar aqui essa noite, não é? Vamos, ande para o seu quarto! Vá se arrumar, que logo eles estarão aqui — a mãe da garota disse levantando-se da cama e andando em direção a filha, que estremia a cada passo da mãe. — E nada de me envergonhar, ouviu?
O coração da pequena menina batia rápido em seu peito, e ela ficou preocupada que de alguma forma as pessoas pudessem o ouvir bater, pois no momento, ela só conseguia ouvir essas batidas. E não ajudou em nada a mãe segurar seu rosto de forma brusca e falar aquelas palavras — em coreano — rudemente. Quando seu rosto foi solto, ela correu para seu quarto, fechando a porta ao entrar.
E as paredes continuaram a desmoronar
Na cidade que amamos
Ela ainda conseguia se lembrar de quando a mãe simplesmente anunciou — há um ano atrás — que iriam se mudar para a Coréia do Sul. Sem o pai dela, e com um estranho. A garotinha podia muito bem ter enfrentado a mãe, podia ter feito um escanda-lo para não se mudar, entretanto, ela só tinha a mãe. Seu pai começou a não ficar em casa por muito tempo, depois começou a ir somente em fins de semana, até que finalmente nunca mais apareceu na vida da garota. E por causa disso, ela não iria brigar com a mãe por leva-la para outro lugar com um estranho, na verdade, ela aceitaria de bom grado, pois não queria que a mãe também a abandonasse.
Grandes nuvens passam por sobre as colinas
Trazendo a escuridão de cima
Indo em direção ao armário e abrindo-o, a garota começou a buscar algum vestido digno para o jantar de hoje a noite. O problema era que todos as suas roupas tinham ficado curta, de uma hora para outra. Não que Ayla fosse grande — na verdade, era bem pequena para de estatura para idade dela —, mas as roupas eram de quando ela tinha 7 anos e agora ela já tinha 9 anos. Desde que se mudou, sua mãe não pensou mais em parar algum dia e comprar roupas novas para a filha, tudo o que ela pensava era no trabalho, trabalho, trabalho e no Ye-jun, o namorado-quase-novo-marido.
Apesar de a mãe da garota apenas namorar Ye-jun, Ayla tinha certeza de que ele a pediria em casamento hoje a noite, por isso a mãe havia se arrumado tanto e os melhores amigos do casal vinham para o jantar, Ayla tinha que se vestir bem para, pelo menos, causar uma boa impressão aos mais velhos, mesmo que para isso tivesse que usar o vestido de 7 anos que antigamente ficava grande, e agora, ia até o meio das coxas da menina. Como a garota já tinha tomado banho, apenas troco-se rapidamente, penteou seu cabelo, para desembaraçar os fios rebeldes, e fez um coque trança, esperando que assim seu cabelo ficasse comportado. Se olhando ao espelho que tinha ganhado de Ye-jun, a garota concordou que estava ao menos apresentável, e com esse pensamento, foi calçar as sapatilhas.
Mas se você fechar os olhos, quase parece que nada mudou afinal?
Quando saiu de seu quarto e foi descer as escadas, estacou no lugar ao presenciar a mãe parada em frente a porta de seu quarto com o Ye-jun. A mulher mais velha tinha seus lábios grudados ao do homem, as mãos em volta do pescoço dele e o mesmo tinha seus lábios se movimentando junto com o da mais velha, as mãos passando pelo corpo dela, os dois emitindo um som estranho. Sem saber o que fazer, a garota tentou descer as escadas, sem fazer barulho e sem que eles percebessem, mas seu plano foi por água a baixo quando sua sapatilha do pé esquerdo saiu e rolou pela escada. Ayla soube que eles pararam de fazer aquilo — seja lá o que fosse — que faziam pois não tinha mais o barulho que faziam, nervosa, correu pela escada — pegando sua sapatilha no meio do caminho — e não olhou para trás até chegar à sala, onde respirou fundo, pois o coração começou novamente a bater rapidamente em seu peito e a falta de ar começou a vir. Certamente tinha que praticar algum esporte, após pensar isso a campainha tocou e a garota — com sua sapatilha esquerda devidamente colocada em seu pé — foi correndo atender, pois ouviu os passos da mãe e de Ye-jun descendo a escada.
Com o sorriso mais brilhante que conseguia fazer, Ayla abriu a porta para a família Kim e Oh entrarem na casa.
A família Kim continha 5 pessoas, o Sr e a Sra Kim, a filha mais velha Kim Sun-Hee, a do meio Kim Eun-Hee e o filho caçula Kim Jong-In. O filho caçula estudava na mesma sala que Ayla e era extremamente parecido com sua irmã mais velha, Eun-Hee, os dois possuíam uma beleza diferente dos demais. Já a família Oh era composta por 4 pessoas, o Sr e a Sra Oh, o filho mais velho Oh Seung e Oh Sehun, sendo que os dois filhos eram totalmente diferente um do outro, o mais novo dos Oh estava sempre com uma cara fechada, enquanto seu irmão estava sempre sorrindo.
Jongin era apenas alguns meses mais velho que Sehun e ambos estudavam na mesma escola de Ayla, mas como todos viam, eles não interagiam entre si muito, pelo menos não com Ayla. Quando as duas famílias entraram na casa da garota, sua mãe e o namorado já tinham descido e convidavam os mais velhos para irem a cozinha conversarem melhor enquanto as crianças ficavam ali.
E se você fechar os olhos, quase parece que você já esteve aqui antes?
— Aish, isso é tão chato — reclamou pela milésima vez, o Oh mais novo, sentado ao lado de seu irmão que conversava com as meninas Kim.
— Verdade, eles nos largaram aqui — concordou o menino de pele mais escura, suspirando irritado. Todos estavam sentados no grande sofá da casa de Ayla, enquanto a mesma sentava-se em uma poltrona, apenas olhando tudo ao seu redor.
— Nós bem que podíamos ir ver o Yifan, ne? Ele disse que estava fazendo...Algumas coisas interessantes agora — o garoto com a pele branca como leite e de cabelos castanho bem escuro, quase beirando ao preto deu um soquinho de brincadeira no amigo que virou para o olhar irritado, mas quando ouviu o que o amigo disse, abriu um sorriso nos lábios carnudos.
— Isso seria bem interessante — o sorriso contagiante do garoto Kim fez o amigo também abrir um sorriso.
— Vocês não podem sair agora, temos que esperar aqui até eles voltarem — a pequena Ayla disse, adquirindo uns tons rosas em suas bochechas ao dirigir a palavra aos dois rapazes com quem estudava.
— Aish Ayla, não vai fazer mal nenhum se sairmos agora. Na verdade, para provar que vamos ir e voltar rápido que nem sentiram nossa falta, vamos levar você conosco — o mais novo dos Oh falava, seus olhos passando confiança em suas palavras.
— Sim, venha conosco, Ayla — o garoto Kim disse, dirigindo um olhar totalmente doce a menina. — Tenho certeza de que você vai gostar também.
Como posso ser otimista sobre isso?
Como posso ser otimista sobre isso?
Se Ayla não fosse tão inocente, ou se as meninas Kim e o mais velho dos Oh estivessem prestando atenção a conversa dos mais novos, perceberiam a malicia escondida nas palavras de Sehun e no doce olhar de Jongin, que apenas enganava a pequena menina.
O lugar para onde as três crianças foram não era tão longe assim, na realidade, era até mesmo mais perto da casa de Ayla do que a de Sehun, então chegaram lá sem nenhum problema. Logo perto do local de encontro, já conseguiam ver Chanyeol, Kyungsoo e Baekhyun sentados na calçada, Luhan, Minseok e Yixing apoiados com as costas na parede e Jongdae andando de um lado para o outro, todos perto de uma casa abandonada. O único que faltava ali era Yifan.
— Wow, olha quem resolveu aparecer — Chanyeol, o garoto com 10 anos de orelhas grandes e um pouco mais gordinho que os outros, disse.
— Cadê o Yifan? — perguntou Sehun ignorando o amigo um pouco mais velho que ele.
— Ele está ali dentro desde que chegamos e ninguém sabe o porque — respondeu Jongdae sem parar de andar de um lado para o outro.
— Mentira, o Luhan e o Minseok sabem o que está acontecendo lá dentro, só não querem nos contar — revelou Baekhyun que também tinha 10 anos, com uma expressão indignada enquanto olhava para os garotos mais velhos dali.
Minseok revirou os olhos e Luhan pegou seu celular do bolso e começou a ver algo. Ambos os meninos tinham 15 anos, sendo os mais velhos dali com aparência de mais novos.
— E vocês não tentaram entrar? — perguntou Jongin, olhando interessado para a porta da casa abandonada.
— E ser comido vivo pelo Yifan? Obrigada, mas não. Prefiro esperar aqui até ele sair — respondeu Kyungsoo calmamente. O garoto tinha a mesma idade de Sehun, Jongin e Ayla mas parecia o mais velho dos quatro.
—Oppas, por favor, digam o que ele está fazendo lá. Nós saímos do jantar que minha mãe está dando só para ver o que quer que seja — Ayla disse com sua voz suave.
Todos olharam para a garota de cabelos loiros preso em um coque trança, que usava um vestido verde-água curto demais para ela e sapatilhas pretas, a garota que derretia o coração daqueles rapazes. Minseok e Luhan suspiraram e foram para perto de Ayla.
— Nós não sabemos o que ele está fazendo lá dentro, ele não quer nos contar — Minseok disse.
— Também estamos bastante curiosos — Luhan complementou.
— Vocês não estão mentindo para mim? — docemente, Ayla questionou.
— Anyo, eu juro — falou Minseok.
— Você também, Luhan oppa? Você jura?
— Eu juro, também. De mendinho — Luhan disse erguendo o dedo mendinho da mão esquerda que logo foi entrelaçado pelo dedinho magro e pequeno de Ayla.
— Por que você não entra lá? Tenho certeza de que Yifan não vai ligar — Yixing finalmente se pronunciou, após observar com ciumes a cena a sua frente. O garoto tinha 12 anos e já estava mostrando os efeitos de entrar na adolescência.
— Será que Yifan oppa não vai ficar bravo? — indagou Ayla, com o cenho franzido enquanto olhava Yixing.
— Claro que não, você sabe que aquele menino te adora — Yixing abriu um lindo sorriso para a menina, que tomou isso como incentivo e adentrou a casa.
Fomos pegos e perdidos em todos os nossos vícios
Em sua pose enquanto a poeira se assenta ao nosso redor
No primeiro comodo não tinha nada, nada mesmo. A casa estava realmente abandonada, e Ayla se perguntava o que Yifan estava fazendo ali e porque tanto segredo. A garota passou por um comodo onde deveria ser a sala de estar e depois por outro que deveria ser cozinha — este continha apenas uma geladeira velha e sem funcionar ali —, e continuou a andar pelo longo corredor que vinha depois. A casa abandonada por fora parecia pequena, mas por dentro, era grande de uma maneira surpreendente.
A garota tinha decidido parar e voltar para os rapazes quando ouve um barulho. Estranhando, ela fica em silêncio, parando até mesmo de respirar para tentar ouvir novamente. E então o barulho se pronunciou mais uma vez, e com os olhos arregalados, Ayla reconheceu aquele barulho.
E as paredes continuaram a desmoronar
Na cidade que amamos
Nuvens cinzas passam por sobre as colinas
Trazendo a escuridão de cima
Era o mesmo barulho estranho que sua mãe tinha feito um pouco antes das visitas chegarem. O barulho que fez com o namorado-novo-marido.
Intrigada, Ayla seguiu o barulho que dava para um quarto que estava com a porta aberta, e se aproximando da porta, Ayla finalmente encontrou Yifan.
Mas se você fechar os olhos, quase parece que nada mudou afinal?
O garoto de 15 anos estava com uma menina de longos cabelos castanhos e lisos, que caiam por suas costas e se movimentavam conforme o ritmo que a garota fazia. Yifan estava em pé, as costas apoiadas na parede, e segurava a garota pelas coxas. A mesma tinha os braços envolta do pescoço do garoto, as pernas envolta da cintura dele, os lábios grudados no do garoto em um jeito estranho. De repente Yifan troca de lado e é a garota que está com as costas na parede, e ele começa a se movimentar de um jeito desconhecido para Ayla. O barulho aumentou, agora era mais de um.
E se você fechar os olhos, quase parece que você já esteve aqui antes?
Aquilo era algo diferente para Ayla, mas ela tinha certeza de que se tivesse ficado mais um pouco olhando para sua mãe e o Ye-jun, eles estariam como Yifan e a menina agora.
A garota tentou não fazer nenhum barulho, não denunciar sua presença ali, mas acabou encostando sem querer na porta que se moveu um pouco, causando um barulho ao se chocar contra a parede. A moça que estava com o Yifan, agora deitados no chão, olhou para Ayla parada perto na porta com cara de assustada e empurrou o garoto de cima dela.
— AISH, YIFAN! Você disse que não teria ninguém aqui! — a menina saiu de baixo dele de modo ligeiro e foi pegar a blusa que tinha tirado em algum momento que Ayla não viu.
— Mas não tem ninguém aqui — resmungou Yifan.
— Não? Então o que aquela menina está fazendo ali?
Ayla mais sentiu do que viu o olhar de Yifan cair sobre si, e quando isso aconteceu, sabia que tinha causado problemas ao mais velho. Ele não ligaria para essa interrupção, disse Yixing, mas a realidade era outra.
— Vê se da próxima vez marca alguma coisa certa! — a garota disse e saiu bufando dali, passando no lado de Ayla e dando um empurrão na mesma.
— Ayla...— Yifan disse, o olhar longe da mesma. Passou a mão pela face e pelo cabelo, nervoso. Como tinha deixado aquilo acontecer? — O que você está fazendo aqui?
— E-eu vim aqui porque o Yixing disse que não teria problema eu vir...O Sehun e o Jongin me trouxeram pra cá, disse que você estava fazendo coisas interessantes. Eu pensei...Eu pensei que você iria nos mostrar essas coisas.
— Não se coloque junto à eles. Eu ia mostrar para eles, não pra você. — a voz do mais velho soou como gelo dentro do coração da mais nova e a garota deixou escapar um soluço de nervoso.
— Jebal. Jebal, não fique bravo Oppa. Me desculpa por vir aqui — Ayla se aproximou de Yifan e tocou uma das mãos do menino.
O garoto olhou para o rosto da menina e soltou um suspiro. Ele nunca conseguiria ficar bravo com ela, não com aqueles olhos que ou ficavam de um intenso azul, ou ficavam de um azul acinzentado, como estava agora. Não ficaria bravo com aquela pequena garotinha de fartos lábios que diziam Oppa com tanto suavidade, nem com aquelas bochechas que sempre ficavam rosadas quando ela ficava perto de algum garoto, ou com os grandes cílios que deixava seus olhos ainda mais charmosos, ou com aquele cabelo loiro escuro que ainda tinha um tom mel, que vivia armado e que hoje estava preso em um coque trança deixando o rosto da pequena ainda mais lindo.
— Eu nunca ficaria bravo com você, Ayla — o garoto sussurrou apenas para ela ouvir e então puxou a menina para um abraço. Os dois ficaram assim por alguns minutos até Yifan olhar para baixo e levantar o rosto da menina que agora tinha os olhos rosados por causa das lágrimas. — Não chore, pequena.
E então desmanchou o coque trança da garota, fazendo seus cabelos caírem em volta de seu rosto.
— Por que fez isso, Oppa?
— Porque por mais que você fique linda de cabelo preso, eu sempre vou preferir ver você com ele solto — a resposta deixou a menina tão pasma quanto a atitude que o garoto fez, se abaixando e selando seus lábios nos dela.
Essa pequena atitude não durou nem 5 segundos pois logo Jongdae, Minseok, Luhan e os outros estavam ali.
— O que você está fazendo, Yifan? — perguntou Jongdae, olhando confuso para a o rapaz que tinha uma das mãos no pequeno rosto da menina e a outra em seu ombro, enquanto a menina os olhava ainda pasma com os cabelos soltos e os olhos rosados.
Nos dias atuais...
Como posso ser otimista sobre isso?
Como posso ser otimista sobre isso?
— Wow, você está muito, muito bonita Ayla — Sehun disse, parado perto de Chanyeol e Yiixing, com um cabelo colorido muito estranho que me deixava um pouco constrangida por estar no mesmo lugar que ele. O que aconteceu com eles depois que eu fui embora?
Yifan e Chanyeol cresceram bem mais e ficaram uns verdadeiros postes, Minseok cresceu um pouco e ficou com uns braços fortes mas a cara continuou a mesma, apenas mais fina — talvez porque estava mais magro do que antes, mas ainda tinha as bochechas que eu me lembrava —, Jongdae continuou o mesmo, talvez cresceu alguns centímetros mas o que realmente mudou foi seu estilo, que estava mil vezes melhor agora. Luhan estava com o cabelo rosa — meu Deus, por que? — e um pouco mais alto e mais magro do que eu me lembrava. Ou será que ele sempre foi assim? Bem, não sei. Yixing também tinha mudado seu estilo e parecia um pouco mais maduro e mais alto agora, Kyungsoo que eu pensava que iria crescer mais estava com a mesma altura, seu estilo também tinha mudado um pouco, parecia com o do Yixing, mais maduro. Ou talvez fossem as roupas e o cabelo, Baekhyun também tinha mudado bastante e agora usava um estilo estranho que aparentemente passa um delineador nos olhos — sério isso? — e Jongin estava com o cabelo loiro, cresceu apenas um pouco.
Resumindo: estavam todos estranhos e isso era muito estranho, principalmente porque na ultima vez que eu os vi disse que odiava todos eles.
Oh por onde nós começamos?
Pelo cascalho ou nossos pecados?
Oh por onde nós começamos?
Pelo cascalho ou nossos pecados?
— Ah — sério, eu me amo as vezes, o modo como pareço uma idiota na frente de todos. Passei minha bolsinha de mão para a outra mão, um pouco desconfortada com tudo isso. — Obrigada. Vocês mudaram bastante também.
— Espero que você goste, fizemos algumas tortas de morango, ainda nos lembramos que é a sua fruta favorita, ne? — uma garota extremamente bonita, com cabelos em um tom lilás que se aproximou de mim disse.
Olhei para ela tentando descobrir quem era a mesma.
— Acho que ela não está te reconhecendo, noona — Jongin que estava perto de Kyungsoo e Baekhyun, disse em um tom tristonho.
— Wow, Eun-Hee?! Nossa, você mudou bastante — minha expressão chocada fez a menina a minha frente dar uma risadinha.
— Pois é, mas você também mudou. Se eu não soubesse que era você que estava vindo, não te reconheceria — ela disse com um sorriso encantador.
Hmmm, eu sabia que tinha mudado, mas será que foi tanto assim?
— Quer que eu leve suas malas para cima, Ayla? — Ye-jun apareceu na sala com as minhas 4 malas.
— Uh, claro, se não for problema. — eu fiquei um pouco envergonhada por pedir isso à ele, mas eu não conseguiria levar as malas sozinha mesmo. Ye-jun assentindo com a cabeça, levou duas malas em cada mão e começou a subir as escadas.
— Nossa, ele é bem forte, né? — falei mais comigo mesma, entretanto minha mãe ouviu e soltou uma risada.
— Ele é um homem saudável, vive fazendo exercícios e se alimentando bem, por isso consegue levar suas malas lá pra cima, caso contrario, não conseguiria pegar nem ao menos uma. — ela respondeu, fazendo as pessoas a sua volta darem risadinhas. Parecia que todos ali eram bem entrosados, o que era um pouco estranho para mim, já que quando eu morava aqui, minha mãe só tinha a família Oh e Kim de amigos.
E as paredes continuaram a desmoronar
Na cidade que amamos
Nuvens cinzas passam por sobre as colinas
Trazendo a escuridão de cima
Senti uma fisgada em minha cabeça e um sentimento estranho, como se algo estivesse me incomodando, apesar de eu não saber o que é.
— Por que você não se senta um pouco? Deve estar cansada da viagem, ne? — Eun agarrou meu braço e me levou ao sofá, sentando-me e sentando-se ao meu lado. — Venham meninos, acho que todo mundo aqui quer saber como está a vida de Ayla agora.
— Pode apostar que sim — Chanyeol disse enquanto sentava-se também no sofá, sendo acompanhado por Jongin, Sehun, Kyungsoo, Baekhyun e Yixing. Minseok, Yifan Luhan e Jongdae sentaram-se no chão envolta do sofá junto com outras pessoas que eu não me lembrava de conhecer.
— Ahn...Acho que não é necessário, não é como se tivesse acontecido muita coisa enquanto estive fora. — respondi envergonhada por ser o centro das atenções de tanta gente. Não era isso que eu queria fazer agora, eu só esperava chegar na minha nova-antiga casa e me jogar na cama e dormir até o outro dia.
— Ah, por favor, vamos conte um pouco pelo menos! Sua mãe já nos deixou bastante curiosa quando seus presentes chegaram e ela não quis nos mostrar. — Eun fez um biquinho fofo que amoleceu meu coração.
— Presentes? Que presentes?
— É mesmo, obrigada por me lembrar Eun — minha mãe disse e então saiu da sala. O silêncio se instalou ali, todos esperando minha mãe voltar.
— Pronto, o que eu perdi? — Ye-jun apareceu na sala e sentou-se em uma poltrona que tinha ali e que por mais estranho que fosse, ninguém tinha se atrevido a sentar.
— Nada, a Sr.Bunz foi apenas pegar os presentes de Ayla — Sehun respondeu.
— Entendo. — Ye-jun disse franzindo o cenho e então dirigiu seu olhar para mim, abrindo um pequeno sorriso — Parece que você fez muitos amigos lá fora, chegaram bastante presentes aqui, até mesmo uma semana antes de você chegar.
Arregalei meus olhos com tão informação e senti minhas bochechas ficarem vermelhas. Não acredito que Alice e os demais me mandaram presentes, ainda mais uma semana antes!
Mas será que o Joonmyun mandou?
Meu coração palpitou com esse pensamento e dei graças a Deus quando minha mãe chegou na sala com uma grande sacola, pois se ela não tivesse feito isso, acho que eu ficaria bem mais vermelha do que já estava. Isso era um defeito meu, eu sempre ficava muito vermelha com qualquer coisa, o Joonmyun sempre me disse isso.
Oh não, pare de pensar nele!
— Aqui estão, eu não abri nenhum. Achei que você não fosse gostar se eu fizesse isso. — ela disse, me entregando as sacolas e passando a mão em meu rosto, num carinho um pouco contido. Logo depois foi sentar no colo de Ye-jun.
Esperei ela sentar, achando estranho esse contato com ela. De tudo o que eu me lembro do tempo que eu vivi com ela foi as broncas, a gritaria, a raiva e as palmadas que ela me dava. Balancei a cabeça, tentando tirar esses pensamentos de minha mente e comecei a olhar a grande sacola.
Eu realmente tinha ganho muitos presentes, a maioria era dos clientes da locadora de onde eu trabalhava, alguns das pessoas da minha antiga escola, uns 3 da escola de dança que eu tinha frequentado e o resto era das pessoas mais próximos. A única coisa chata de tudo é que a cada presente aberto, todos queriam saber quem tinha mandado e eu já estava ficando cansada de responder.
— Ah, esses são realmente lindos! Quem te deu? Tem uma cartinha? — Eun questionou enquanto olhava o vestido estilo pin up e a calça jeans preta com rasgos que eu tinha ganhado. — Leia para nós em voz alta, por favor.
Olhei para a pequena cartinha que tinha dentro da caixa de presente e abri um sorriso.
"Espero que você goste e use bastante isso ai. Viu essa calça? Ficaria linda em uma apresentação de dança. Agora que você não precisa mais trabalhar, gostaria que se dedicasse a dança, sempre amei te ver dançando.
— Com amor, Meredith."
— Quem é Meredith? — minha mãe indagou, olhando atentamente o vestido. — É realmente um vestido lindo que ela te deu.
— É uma amiga — me limitei a responder somente isso, não queria que um monte de gente ficasse sabendo da minha vida assim.
— Abra esse agora! — Sun-Hee que também estava ali, pegou um dos presentes mais pequenos e entregou para mim.
Olhei para o presente e com um aperto no coração eu já sabia de quem era. O embrulho era rosa com uns ursinhos com assas segurando a palavra Only One.
— Heeeey, você já sabe de quem é, ne? — Eun perguntou me fazendo desviar o olhar do embrulho. — Omo! É de algum carinha que você gosta? Você está bem vermelha agora.
Sem sequer perceber, fiz uma careta para Eun que deu risada. Como ela fala uma coisa dessas? Aaaah, tenho certeza de que estou muito vermelha agora.
— Oh, você está até mesmo quente — Sun tocou minha testa com a mão direita e deu uma risadinha.
— Não é nada, me deixem abrir o presente — respondi, ignorando algumas risadinhas de estranhos e abri o presente. Dentro do embrulho estava um kit da Victoria Secrets que tinha loções para o corpo e para a mão, curiosa, abri uma das loções e senti o cheiro de baunilha e coco no potinho, exatamente a mesma loção que eu usava.
Mas se você fechar os olhos, quase parece que nada mudou afinal?
"Sim, eu sei que loção para o corpo você usa e não, você nunca me disse qual é, somente a marca. Mas eu fui na loja e cheirei todas até achar a que tinha o seu cheiro. Espero que você goste e que dessa forma não se esqueça de mim. Quando chegar em Seul, não hesite em me ligar, okay?
— Do seu melhor amigo, John."
— Ayla? Ayla? — acho que fiquei uns dois minutos olhando para a cartinha que o Joonmyun escreveu, pois quando percebi minha mãe, Sun e Eun me chamavam.
— Ahn? — sempre digo coisas ótimas. Desviei meu olhar da cartinha e olhei para minha mãe.
— Você está bem? Ficou um tempo parada olhando para essa cartinha. — ela parecia realmente preocupada, mas eu acho que era mais fingimento do que outra coisa.
— E-eu estou com um pouco de dor de cabeça, acho que vou me deitar — dei meu melhor sorriso forçado e me levantei, pegando a sacola com os outros presentes.
— Por que não nos disse antes? Teríamos deixado você ir para a cama. — Sun disse fazendo um biquinho, deixando a semelhança entre ela e a irmã aparecer.
E se você fechar os olhos, quase parece que você já esteve aqui antes?
— É que começou a doer agora — respondi o mais educadamente que consegui, e antes que me fosse para a escada me lembrei de algo que estava me incomodando faz um tempo e só percebi agora o que era. — Ah, vocês poderiam por favor parar de me chamar de Ayla? É que agora eu uso o meu segundo nome, Alexia.
Percebi a surpresa estampada em alguns rostos mas apenas ignorei.
— Claro, filha. Pode subir agora — o tom de voz desapontado de minha mãe era evidente, mas eu apenas ignorei assim como todo o resto e subi as escadas indo para o meu quarto e me trancando lá.
Larguei a sacola no chão e suspirei ao constatar que tudo estava exatamente do modo como eu tinha deixado, anos atrás.
Tirei meus sapatos e me joguei na cama, sem me importar com nada. Tudo o que eu mais precisava agora é de um bom sono, eu podia lidar com as perguntas e todo o resto depois. Respirei mais uma vez fundo, só que agora minha respiração estava entrecortada e percebi a ameaça de choro subir minha garganta.
Eu não queria desmoronar aqui, mas eu caramba, não faz nem um dia que estou aqui e já quero ir embora.
Como posso ser otimista sobre isso?
Como posso ser otimista sobre isso?
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