Love, love, love
17 Because Of You
Notas iniciais
Eu ainda não consigo te esquecer
Eu nunca te esqueci, garoto, eu nunca te esqueci, garoto
A garota de vestido preto rendado e salto alto andava noite adentro pelas ruas do bairro que costumava conhecer tanto. Ela andou até uma pracinha e sentou-se no banquinho que lá tinha, olhando para o lindo céu noturno e em meio aquela linda visão, não se importou quando as lágrimas começaram a cair e mais tarde, os soluços altíssimos, o bolo na garganta e a dor em seu coração.
Como tudo pode terminar daquele jeito? O que ela havia feito de errado durante todo esse tempo? Por que ele quis isso? Ele se esquecera tão rapidamente do amor deles? Tantas perguntas passavam pela cabeça da garota e a mais importante de todas: Como ela superaria isso?
Tudo aconteceu alguns minutos antes, mas a causa disso já estava lá faz algum tempo. A garota não era boba, ela percebia os sinais que seu namorado dava e a cada dia ficava ainda mais inquieta, sem saber o que fazer.
Já nem lembro há quanto tempo nós terminamos
Mas ainda choro quando penso em você
Ela ainda conseguia se lembrar de tudo. A primeira vez em que ele botou os olhos nela naquela sala de aula barulhenta, quando eles começaram a conversar sobre diversos assuntos na hora do intervalo e ficaram surpresos por terem tanto em comum, a primeira vez que foi a casa dele e como ficou curiosa para saber onde ele a estava levando, quando deram o primeiro beijo junto com a primeira confissão no lugar secreto deles, quando ela passava os finais de semana escondida na casa dele assistindo filmes, fazendo lições da escola e preparando vários doces acompanhados de vários beijos pelos cômodos da casa, de quando eles se uniram pela primeira vez, ela se entregando de corpo e alma a seu amado, o modo como naquele dia também chuvoso ele disse que cuidaria dela para sempre, o carinho exposto em suas palavras quando ele falava que ela era linda e a beijava, beijava seus lábios, seu pescoço dando leves mordidinhas, quando passava suas mãos pelo corpo da mais nova delicadamente e a fazia sentir sensações indescritíveis. A garota se lembrava dos momentos mais doces — quando ela era acordada por ele beijando toda a extensão de seu pescoço e dizendo coisas tão lindas que a fazia estremecer por dentro — e dos momentos mais azedos — uma briga idiota sobre como algum menino da escola que deu em cima dela ou como ela não aguentava mais vê-lo sorrir de um jeito tão lindo para as outras mulheres — de sua relação, a fazendo afundar-se ainda mais nas lágrimas. A chuva começava a cair em si mas a mesma não se importava, ela já está na pior de qualquer jeito.
Por que estou tão ansiosa para te rever?
O som das gotas de chuva lá fora deixa meu coração estremecido
Como alguém consegue suportar isso? Essa dor que entra em seu coração e parece que vai te sufocar? Ela não sabia como alguém superava isso e também não sabia se queria superar. Na realidade, ela não pediu por isso, não pediu pelo termino deles e o pior, não pediu pelo começo. Se ela soubesse naquela época que iria doer tanto amar assim, não teria amado, teria trancado seu coração à sete chaves para sempre.
Lamento ter dado meu amor, lamento ter me atraído por você
Lamento ter esperado você voltar,por que tenho que sofrer sozinha?
Lamento ter dado meu amor, lamento ter me atraído por você
Lamento ter esperado você voltar, por que tenho que sofrer sozinha?
Eles já estavam juntos há três longos anos, superando qualquer problema que viesse. A garota agora totalmente encharcada pela chuva sabia que a relação deles não era fácil, principalmente por que de acordo com a sociedade eles não poderiam ter uma relação mas ela nunca imaginou que depois de tanto tempo ele finalmente iria se cansar disso, afinal, apesar de o amor dos dois ter onze anos de diferença ela sempre pensou que isso não importava, não para ele que sempre foi o herói dela, o porto seguro que sempre a ajudava quando algo de errado acontecia. A menina encolhia-se no banquinho, apenas sentindo a chuva cair cada vez mais forte, esperando que a mesma limpasse essa dor do seu coração. Mas ela não limpava e não iria limpar, pois como pode uma chuva limpar um amor tão verdadeiro como o dela?
Amor verdadeiro. Ela sempre ouvira essas palavras nos contos de fada que sua mãe lia para a mesma quando pequena, entretanto, nunca sequer considerou a possibilidade de vivenciar um amor assim, uma coisa tão intensa que a fazia querer gritar, chorar, rir, abraçar uma pessoa e nunca mais soltar, bater em qualquer um que olhasse para o amado com uma segunda intenção no olhar, se jogar na cama chorando e esperneando para depois dormir e esperar que aquela briga se resolvesse do nada, se vestir de forma que ficasse linda para ele, o confortar sempre que aquela expressão tristonha aparecia em seu rosto e por fim, ser a única para ele.
Tentei ser a única garota da sua vida, você sequer entendeu os sinais do meu coração?
Ele agora vive no compasso de um amor interrompido
As lágrimas caem e molham os meus lábios
O que eu faço agora? Não consigo te esquecer
"Não é assim que se faz, yaegiya. Você não pode colocar o ovo logo de uma vez, sem contar que a frigideira nem está ligada" o rapaz de estatura alta falava para a garota de longos cabelos castanhos, que observava tudo envergonhada. Sua primeira tentativa de fritar um simples ovo saiu completamente horrível, ela conseguiu deixar o ovo com um gosto horrível e o mesmo grudou na frigideira, então a menina jogou fora sua primeira tentativa e partiu para a segunda mas nesse momento seu namorado chegou e a viu quebrar um ovo e joga-lo na frigideira ainda desligada. "Sabe, as vezes me esqueço de que você é bem mais nova que eu."
E então ele deu um sorriso. Aquele sorriso que sempre a fazia suspirar e o seu coração começar a bater furiosamente dentro do peito. Mas a garota ainda estava envergonhada, pois onde já se viu uma garota com quatorze anos que não consegue fritar nem um simples ovo? Tão vergonhoso.
"Você chegou mais cedo do que eu esperava" a garota disse baixinho e o rapaz deu risada das bochechas rosadas de sua namorada.
"Eu não tenho muitas aulas hoje, esqueceu?" o rapaz tirou o ovo cru da frigideira e colocou em uma vasilha. Foi então, até a geladeira e pegou o pote de manteiga, despejando um pouco da mesma na frigideira e ligando a boca do fogão em fogo baixo. "Na realidade, eu nem esperava que você viesse para cá. Eu pensei que depois do que aconteceu aqui você não iria querer voltar, mas...Aqui está você. Eu não consigo conter minha alegria."
E o rapaz realmente não conseguia. O sorriso em seu rosto era tão grande que ele sentia sua boca doer mas mesmo assim não conseguia parar de sorrir ou de sentir aquele friozinho no estômago.
"Por que eu não voltaria? Eu gosto de você" a menina sussurrou envergonhada, olhando para baixo. Mas não por muito tempo, pois logo ela sentiu uma leve pressão em seu rosto forçando-a olhar para cima e encontrar aqueles olhos castanhos lhe fitando com tanto carinho, os cantos da boca formando aquele sorriso que ela tanto amava. Ele estava a tratando como se ela fosse a coisa mais importante em sua vida e no momento, é tudo o que ela quer ser.
"Eu também gosto de você. Muito, muito e muito yaegiya" a cada pronuncia da palavra 'muito' ele selava seus lábios nos dela suavemente, fazendo a menina suspirar entre seus breves beijos. "E eu sempre vou gostar."
Chorei tanto por sua causa (chorei toda noite)
Ri tanto por sua causa (por sua causa)
Acreditei no amor por sua causa (oh garoto)
Perdi tudo por sua causa, por sua causa
Aparentemente ela falhou em ser a única a ter o seu coração. Será que ela fora a culpada pelo termino deles? Será que se ela tivesse lutado mais, se empanhado mais na relação, agora, eles estariam juntos? Mas o que mais ela poderia fazer? Durante esses três anos ela se empenhou o máximo que conseguira, sempre que arrumava um tempo ia até a casa dele, tentava fazer planos diversificados — mesmo sabendo que não poderia ir ao cinema ou em uma lanchonete com o mesmo —, começou a se comportar mais como uma adulta desde cedo porque não queria ser o empecilho na relação deles. E apesar disso tudo, eles acabaram assim. Todavia, como superar algo que não quer que seja superado?
Estou mu-mu-muda, su-su-sufocada
e so-so-sozinha, o mundo sem você
Mastigou o meu coração, pisou na minha dignidade
E destruiu meu coração, então, por que você me deixou?
A noticia da separação deles aconteceu ontem quando a garota recebeu um telefonema em casa. A mesma já havia achado estranho o fato de que o rapaz não quisera vê-la nos últimos dois finais de semana, entretanto, nada disse pois queria acreditar que era apenas o fato de que ele estava sobrecarregado em seu trabalho. Mas quando seu celular tocou naquela tarde que já estava virando noite, o coração da menina se apertou e ela sentia que o que quer que ele contasse a mesma, coisa boa não seria. Após três toques, ela criou coragem e atendeu o celular, suas mãos tremendo levemente e suadas, seu coração batendo tão forte em seu peito que até mesmo doía e tudo isso por causa de um simples telefonema. É incrível o jeito como ele afeta a menina.
"Eu preciso falar com você agora, por favor, venha até a minha casa" fora tudo o que ele dissera a ela. Se antes de atender o telefone a garota já estava agoniada, agora parecia que o mundo estava despencando sobre sua cabeça. Ele nunca ligara tão tarde assim. Ele também nunca pediu para ela ir tão de repente em sua casa, nunca deixou de chamá-la de yaegiya, nunca deixou de conversar com a mesma sobre seus problemas, de contar alguma piada ridícula que os dois acabariam por cair na gargalhada, de abraça-la sem nenhum motivo aparente, de desejar um bom dia logo de manhã acompanhado de um beijo as escondidas no armário do zelador da escola, ou de passar por ela na escola e discretamente dizer algo que a deixava corada para então dar-lhe uma piscadela, ele nunca deixara de fazer essas coisas até duas semanas atrás quando as coisas começaram a mudar. Por mais que ela dissesse a si mesma que não era ele que estava mais frio com ela, era ela que estava esperando demais dele, a menina sabia que essa não era a verdade. Ela conseguia enxergar as coisas e sabia que havia algo de errado. Por Deus, ele deu tantas pistas de que havia algo errado ao longo dessas semanas, ela só não quis acreditar nisso, mas no fundo ela sabia que isso poderia acontecer. Era tão errado ela ser egoísta ao ponto de não querer que isso acontecesse?
A menina saiu de casa dando uma desculpa qualquer — algo como ir na casa de uma amiga que na verdade não existia — e conseguiu a autorização de sua mãe para sair. Apesar de que ela sabe que mesmo que sua mãe não autorizasse essa saída, ela sairia de qualquer jeito. A casa do rapaz era um pouco longe da sua, então foi preciso pegar um ônibus — até porque ela não andaria sozinha na rua em uma hora dessas —, entretanto, em em menos de trinta minutos ela já estava na casa dele. No meio do caminho, o céu começou a escurecer e a chuva começou a cair deixando a menina ainda mais agoniada do que já estava.
Chovia também naquele dia, você olhou sem palavras
Não olhou para mais nada, só para mim
Quando a mesma chegou na simples casa do rapaz e o mesmo atendeu a porta, dando de cara com a menina respirando rapidamente devido a corrida que teve que dar do ponto de ônibus até a casa do rapaz — afinal, o ponto de ônibus mais perto da casa dele ficava à dois quarteirões de distancia —, vestindo um shorts e a primeira blusa de moletom que achou no guarda roupa.
O rapaz deu uma risada mas por alguma razão pareceu ser sem graça aos ouvidos da menina e então a convidou para entrar. A garota meio envergonhada entrou e sentou-se no sofá. Ah, mas ela ainda se lembrava perfeitamente do dialogo deles.
"Você quer algum café?" ele perguntou e a menina mordeu seu lábio inferior, aquela agonia lhe enchendo cada vez mais o peito. Ele sabia que ela não gostava de café, então, por que mesmo assim perguntou?
"Não, obrigada" a garota respondeu, sem saber o que fazer. Eles ficaram por dois minutos em silêncio, ele observando cada reação dela e ela olhando para o lado, sem querer fazer contato visual.
"Me desculpe por chama-la tão tarde, não era a minha intenção" a risada do garoto soou nervosa, demonstrando a ansiedade dele, sorrindo claramente forçado no final da risada "Mas eu cheguei a conclusão de que preciso resolver isso logo, não posso continuar desse jeito com você. Não é justo"
Aquele olhar ansioso e aquele sorriso forçado, tão desajeitado
E falou da nossa separação
"Como ela é?" a garota questionou, finalmente olhando nos olhos do rapaz. O mesmo a olhou surpreendido e ficou sem reação por um momento.
"Me desculpe, mas como é o quem?" ele perguntou e foi a vez da menina dar uma risada nervosa, as lágrimas começando a se formar no canto de seus olhos.
"Como é a garota que roubou seu coração?" ela perguntou, um sorriso se formando em seus lábios, as lágrimas ameaçando cair.
Lamento ter dado meu amor, lamento ter me atraído por você
Lamento ter esperado você voltar, por que tenho que sofrer sozinha?
Lamento ter dado meu amor, lamento ter me atraído por você
Lamento ter esperado você voltar, por que tenho que sofrer sozinha?
O rapaz puxou o ar, totalmente surpreso por ela saber disso. Ele pensou que havia sido o mais discreto possível pois afinal de tudo, ele não queria magoar a garota em sua frente.
"Como você sabe?" questionou.
"Como eu não saberia?" ela mordeu o lábio inferior para tentar segurar as lágrimas mas foi em vão, no momento seguinte elas já caiam livremente por seu rosto "Eu te conheço desde os meus quatorze anos, você achou mesmo que eu não perceberia que algo aconteceu? Eu posso ser mais nova que você mas isso não significa que sou idiota".
"E-eu...Me desculpa. Eu nem sei o que dizer direito agora e o engraçado é que eu me preparei tanto para essa conversa" o rapaz passou a mão pelos cabelos, sem graça.
"Quando isso aconteceu?" a menina indagou, apertando suas mãos de nervosismo.
" Há três semanas s e meia...Lembra quando eu fui na festa de aniversário do meu amigo? Então, eu a conheci lá. Ela puxou assunto comigo e...Eu juro que não tentei nada com ela e ela também não deu em cima de mim. Nós acabamos virando amigos, mas de uma duas semanas pra cá... Droga, me desculpe por falar disso com você".
"Você gosta dela?"
"E-eu gosto dela. Ela é incrível. Não que você não seja mas...Ela é mais velha, na verdade tem a minha idade, já é formada em fotografia e tem o próprio ateliê. Quando eu estou com ela eu me sinto livre para fazer o que eu quiser..."
"E você não se sentia livre comigo?" como doía aquela conversa para a menina. Ver o brilho no olhar dele quando falava da outra, o jeito como ele sorria e ficava corado. Sorria o sorriso que uma vez já foi para ela.
"Não me entenda mal, por favor. A nossa relação sempre foi complicada e eu sou muito grato pelos três anos que passamos juntos mas de um tempo pra cá eu senti que o que temos já acabou faz tempo e nós só ficamos atrasando o que já deveria ter acontecido. Eu sempre quis sair com você, ir ao cinema, a um restaurante, viajar com você por alguns dias mas nós não podemos fazer isso e eu sinto falta dessas coisas em uma relação. Eu não estou me sentindo feliz assim, yaegiya. E você não merece isso, você tem que ter alguém em seu lado que lhe dê tudo".
"Você não me ama mais então?" a garota sentia que a qualquer segundo um soluço poderia interromper sua fala. Por que aquilo estava acontecendo? Será que só ela estava sentindo aquela dor horrível em seu peito? Como ele conseguia falar essas coisas tão naturalmente?
"Não! Quero dizer, sim. É claro que eu te amo e sempre vou amar, yaegiya" o rapaz sentou-se no lado da garota e pegou as mãos da mesma e apertou "É que eu acabei conhecendo alguém que eu amo mais. Mas sabia que você sempre vai ter um lugar em meu coração, sempre que quiser conversar comigo eu vou estar aqui por você"
"Mas v-você não vai ser m-meu" a voz da garota saiu trêmula e dessa vez alguns soluços interromperam a fala dela. O rapaz trouxe a garota para seu peito e lhe abraçou, selando um beijo na testa da mesma, enquanto ela chorava e soluçava se agarrando a camisa dele.
"Não. Me desculpe. Por favor, não chore mais, me dói vê-la assim, eu não quero que chore por minha causa, mas nós precisamos terminar isso" de fato doía para o rapaz ver a garota que já amara e ainda ama desse jeito, ele não queria que ela sofresse com esse termino. Todavia, se isso machucava o rapaz, as palavras dele machucavam bem mais a garota. Como ele podia afirmar que a amava e que não queria vê-la triste se ele era o culpado disso tudo? Ele que decidiu terminar, como ele espera que tudo fique bem? Por que ele continuava a dizer essas coisas que lhe rasgavam por dentro?
"Não fale como se fosse estivesse arrependido por isso, porque você não está" a garota soltou-se dele, o olhar tão triste que chegava a dar pena. Ela suspirou e então aproximou-se novamente do rapaz, mas dessa vez sem encostar nele "Não há nada que possa te fazer mudar de ideia? Como você pode ter certeza que seu amor por ela é maior que seu amor por mim?"
"Eu apenas sei, yaegiya. E não há nada que você possa fazer" o rapaz foi sincero ao dizer aquelas palavras cruéis a garota. Como ele poderia ter tanta certeza? Há algum tempo atrás ele jurava que a amava e agora já está amando outra? O amor que ele sentia por ela era tão insignificante ao ponto de ser superado pelo amor que ele sentia por uma garota que conheceu há três semanas e meia?
A garota em sua ultima atitude desesperada passou os braços pelo pescoço do rapaz e enfiou as mãos no cabelo do mesmo puxando-o para perto dela, para então, beija-lo. E ela colocou tudo naquele beijo que provavelmente seria o último dos dois, a raiva, tristeza, o desespero, o amor, tudo se misturou com as lágrimas da mesma quando a língua dela adentrou a boca tão conhecida do rapaz, que aceitou seu beijo ainda meio estupefato com a atitude repentina da menina. Eles se beijaram como nunca antes, uma das mãos dela puxando o cabelo dele enquanto a outra segurava o pescoço do rapaz, ele com os braços envolta da cintura dela, a puxando para perto dele.
Talvez...talvez ela conseguisse fazer com que ele esquecesse a outra, se ela apenas conseguisse provar que o amor dela valia bem mais que da outra.
A garota largou o cabelo e o pescoço dele e desceu suas mãos até a camisa do rapaz tentando puxa-la para cima e foi nesse momento que o rapaz parou o beijo e separou os dois, as mãos dele no ombro dela.
"Não, eu não posso fazer isso" ele disse e então suspirou, o arrependimento claro em seus olhos "Eu só te beijei porque acho justo você querer um último beijo mas eu não posso fazer isso com ela"
"Ela não precisa saber" as palavras saíram antes que ela pensasse direito no que disse. O garoto a olhou com repreendimento no olhar.
"Não, eu já disse que não vou fazer isso. Agora, por favor saia. Saia antes que isso tudo fique ainda mais triste do que já está" o garoto tirou as mãos do ombro da menina e se levantou do sofá, andando até a porta.
Você me pediu para ir embora, e o momento passou
Você me tratou como se eu fosse louca, é tão difícil (Vá com calma, garoto)
Então chorei em silêncio, porque quero permanecer ao seu lado
Meu amor é verdadeiro, quero voltar no tempo quando eu estava com você
"Jong-ah, por favor, não faça isso. Eu te amo, eu te amo demais que chega a doer" a garota se levantara também e já estava ao lado dele.
"Por favor, saia. Não temos mais assuntos a tratar" o rapaz continuou parado ao lado da porta sem olhar para a menina.
Naquele momento foi como se alguém tivesse enfiado uma faca bem fundo em seu coração, lhe machucando de uma maneira até agora desconhecida. A menina saiu de lá correndo sem olhar nem uma vez para trás, correu até seus pés se cansarem e ela cair na calçada perto do ponto de ônibus. Ela ainda não sabe como conseguiu pegar o ônibus e voltar para sua casa mas em algum momento do desvaneio de sua própria dor ela se encontrou em seu quarto. E ali ela pode extravasar todo os seus sentimentos, pondo uma música no volume mais alto que tinha para então gritar sozinha no quarto, chutar e bater na parede, socar a sua cama e chorar, chorar como nunca chorou em toda a sua vida, chorar até os olhos que ficaram vermelhos pelo choro doerem e seu rosto secar e ficar dolorido.
Por que tinha que doer tanto? Tudo o que ela queria é que alguém parasse com essa dor, alguém precisa parar com essa dor de alguma forma, de qualquer forma.
Chorei tanto por sua causa (chorei toda noite)
Ri tanto por sua causa (por sua causa)
Acreditei no amor por sua causa (oh garoto)
Perdi tudo por sua causa, por sua causa
No dia seguinte sua mãe lhe acordou aos berros, indagando porque a garota dormira com a música no ultimo volume e porque o quarto estava uma bagunça. A mãe da menina não percebeu a filha com os olhos ainda vermelhos e a cara inchada de tanto chorar, pensou que estava assim porque dormira demais.
— Se apresse, temos um noivado para ir hoje, esqueceu? Você dormiu a manhã toda — a mãe dela gritou enquanto saia do quarto.
A dor ainda não foi embora do seu peito e provavelmente demoraria muito tempo para ir. A garota não estava para clima de festa, de felicidade e amor agora, na realidade, ela não sabe se algum dia estará em um clima desses novamente.
Como ela não conseguiu fazer sua mãe mudar de ideia, ela se arrumou o melhor que pode. Apesar de ser uma festa feliz, a menina colocou um vestido preto rendado, um headband preto de lacinho no cabelo e o seu maior sapato de salto alto preto. A garota não se vestia assim normalmente, na verdade, evita usar vestidos pois achava que eles não combinavam com a mesma, entretanto dessa vez ela não ligava para nada. Só queria ir logo para essa festa para poder voltar logo.
Estou mu-mu-muda, su-su-sufocada
e so-so-sozinha, o mundo sem você
Mastigou o meu coração, pisou na minha dignidade
E destruiu meu coração, então, por que você me deixou?
A festa foi uma celebração muito bonita. Mas é claro que a triste garota não pensava nisso, a cabeça dela estava em um só lugar: nele. E para piorar, o lugar do noivado era tão perto da casa dele, a menina já tinha decorado aquele caminho que passara tanta vezes e que agora passou com os pais e o irmão mais velho. A festa já havia acontecido e agora apenas os mais íntimos do casal ficaram — muitas pessoas, por incrível que pareça.
— Nós já podemos ir? — a garota perguntou sussurrando para sua mãe.
— Aish, pare de ser tão criança e se comporte como a adulta que você é — a mãe da garota respondeu, fechando a cara para a mesma — Nós vamos ficar mais tempo aqui, quase ninguém foi embora.
A garota respirou fundo e levantou-se da mesa que se encontrava sentada junto com seus pais, o irmão e mais algumas pessoas que lhe foram apresentadas mas que a mesma não prestou atenção. A intenção dela era sair de perto daquelas risadas, daquela felicidade que lhe parecia falsa e mesmo sabendo que já estava ficando de noite pois o noivado durou quase a tarde toda, a garota ainda queria sair dali.
Sinto sua falta, preciso de você
Em meu sonhos ainda estou com você
Sinto sua falta, preciso de você
Fico lembrando daquela época quero te beijar de novo, meu garoto
— Omo, chokhio...— alguém esbarrou nela e a segurou pelos ombros.
Yoora nunca foi de acreditar em destino e agora já parara de acreditar em amor verdadeiro, todavia, se existisse mesmo tal coisa, certamente este estava sendo cruel demais com ela. Afinal, como ela que mal se recuperara da perda de seu grande amor poderia encontra-lo novamente? E o pior de tudo, como ela poderia encontra-lo mais lindo do que nunca, em um elegante terno, camisa branca e calça social, com um sorriso, o seu sorriso, tão grande e feliz?
— Yoora — Jong Suk, seu ex-namorado lhe encarava incrédulo, enquanto segurava seus ombros.
— Jong...— Yoora sussurrou e sentiu a dor em seu peito voltar com mais força do que antes.
— Wow, você está lind...— Jong Suk foi interrompido por uma garota bem mais alta que Yoora, esbelta e de cabelos castanho claros levemente ondulados que possuía um enorme sorriso em seu rosto. O rapaz prontamente se afastou um pouco de Yoora que observava tudo chocada.
Meu coração dói
Dói de mais suportar, onde você está (já chorei tanto)
Não consigo viver sem você
Por favor volte para mim e fique comigo
— Jonginie, por onde você estava andando? Te procurei faz um tempo — a garota bonita encostou seu rosto no ombro do rapaz, fazendo um biquinho enquanto abraçava o mesmo por trás.
Desolada, Yoora percebeu que aquela era a outra. Aquela seria a garota que receberia todos os sorrisos, os beijos, os "bom dia", os carinhos de Jong Suk, aquela garota tão mais bela, mais velha, mais independente que si fora quem roubou o coração do único homem que Yoora já amou. Ela roubou seu primeiro e único amor.
— Oh, não te vi ai. Prazer, eu sou a Cho-Hee, a futura namorada desse panaca aqui — a outra garota sorria e seus olhos quase sumiam quando fazia isso, entretanto, era possível ver somente no sorriso dela o quanto ela estava feliz em estar com ele ali para todos verem.
— Prazer — Yoora sussurrou e conseguiu sentir as lágrimas começarem a se formar em seus olhos mas antes que ela chorasse ali mesmo, ela abriu um sorriso falso para enganar a garota ali presente — Eu sou a Yoora, sou aluna do professor Lee Jong Suk. Bem, tenho que ir agora, meus pais devem estar preocupados comigo. Com licença.
Chorei tanto por sua causa (yeah)
Ri tanto por sua causa (eu ri tanto)
Acreditei no amor por sua causa (oh yeah)
Perdi tudo por sua causa, por sua causa (tudo por sua causa)
E Yoora saiu dali, saiu daquela festa que não lhe trouxera nada de bom, na verdade, só trouxera dor a mesma. Quando deu por si, estava andando em meio a uma pracinha que sempre passava quando ia da escola para a casa de Jong Suk e então, já estava sentada no banquinho chorando. Chorando tudo o que podia chorar e que ainda sobrara para chorar depois de ontem.
— Yoora? Vamos, saia dai, está chovendo e você vai ficar resfriada enquanto chora sozinha aqui.
A garota triste levantou a cabeça e em meio a chuva, enxergou a mulher mais velha que si segurando um guarda chuva e olhando tristemente para ela, pois a mulher ali parada presenciou toda a cena que se passou antes de a garota se dirigir para a pracinha chuvosa. Park Bom estava ali parada, pois se compadeceu com a garota que antes tanto julgara. E agora ela queria consertar seus erros.
Afinal, Park Bom também já sofreu por amor.
— Vamos, vou te levar pra minha casa. Lá a gente liga para os seus pais e você inventa uma desculpa, eu sei que agora tudo o que você precisa é de um bom banho quente e um chá de camomila para cicatrizar esse coração partido.
Estou mu-mu-muda, su-su-sufocada
e so-so-sozinha, o mundo sem você
Mastigou o meu coração, pisou na minha dignidade
E destruiu meu coração, então, por que você me deixou?
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