Love is so unpredictable
13 Feelings
Notas iniciais
– Então a doutora pensou que ele fosse o pai? – Perguntou Tinker rindo.
– Não ria, não foi nem um pouco engraçado. Fiquei tão envergonhada – Choramingou Emma.
– Eu imagino – Riu Ruby.
– Mas o importante é que já sabemos o sexo. Nem acredito que vou ter um sobrinho – Comemorou Tinker bobamente.
– Duas – Concordou Ruby – Temos que comprar um presente pra ele Tinker! – Exclamou.
– Sim, muitos presentes! Podíamos ir amanha e...
– Hey! Calma as duas, okay – Emma riu da empolgação das amigas.
– Ah Emma, estamos tão felizes- Comentou Ruby abraçando-a de lado.
– Eu sei, também estou feliz – Sorriu abertamente.
– Então eu também estou feliz – Comentou Killian entrando na biblioteca.
– Hey Killian, achei que já tinha ido – Disse Tinker.
– Graham teve que resolver alguns assuntos e vamos ficas mais um dia... Hey Swan – Sorriu.
– Killian – Sorriu de volta. Era fácil sorrir para Killian, mais que isso, era bom. Pensou preocupada.
– Sei que o turno de vocês já esta acabando e vim convidá-las pra dar uma volta.
– Ah, eu e Ruby já temos compromisso – Desculpou-se Tinker.
– E você Emma? Vai trocar a companhia desse lindo homem por seja lá o que for? – Arqueou uma sobrancelha.
Emma reparou no movimento mais do que deveria.
– Sua falta de modéstia é encantadora Killian – Disse Tinker sarcástica.
– Eu sei – Piscou.
– Bem, enquanto vocês discutem essa questão de extrema importante, eu e Ruby já vamos. Pode fechar tudo, Emma? – Perguntou Tinker pegando suas coisas.
– Claro.
– E você, não vá embora sem se despedir – Disse Ruby à Killian.
– Pode deixar.
– Bye, ate depois.
Despediram-se deixando Emma e Killian para trás.
– E então, vamos?
– Okay, só me deixe fechar tudo.
– Eu te ajudo.
– Então, aonde vamos? – Perguntou Emma enquanto guardava a chave na bolsa.
–À praia? – Propôs.
– À praia está ótimo – Não ia à praia desde a noite de ano novo. Noite alias que conhecera Killian
Entraram no caro de Killian e enquanto Emma colocava o cinto fez careta – Preciso arrumar um carro.
– Não me importo de dirigir pra você.
Emma deu um pequeno sorriso– Eu gosto de ter minha própria locomoção.
– Isso eu entendo – Riu.
– E como vai o curso? – Perguntou Killian minutos depois.
– Melhor impossível – Respondeu contente.
– E porque medicina?
– Sempre gostei da idéia de ajudar as pessoas, salvar vidas... Dar um pouco de esperança – Tentou explicar.
Pararam em um semáforo e Killian virou para olhá-la.
– O que? – Perguntou confusa.
– Isso é bonito – Sorriu
Emma apenas devolveu um sorriso envergonhado.
Poucos minutos depois já estavam na praia.
– Vamos sentar ali? – Perguntou Killian acenando com a cabeça para uns banquinhos.
– Vamos – Concordou.
– É tão bonito – Comentou Emma alguns segundos após sentarem encarando o mar.
– A vista de lá pra cá é mais incrível ainda – Disse Killian obversando o mar também – Já andou de barco?
– Não me lembro. Mas, lembro de ter ido ao cais de Storybrooke algumas vezes.
– Você sente falta de lá?
– Muita... – Respondeu melancólica.
– Você pode ir visitar sempre que quiser – Lembrou Killian.
Emma fez uma careta. Bem que gostaria que fosse assim.
– Ou não pode...? – Perguntou Killian confuso com sua expressão.
– É um pouco... Complicado – Disse sem entrar em detalhes.
– Tem algo a ver com o bebê? – Sondou após pensar por alguns segundos.
Emma apenas deu um sorriso duro.
– Okay, pergunta errada...
Emma nada disse, apenas continuou a observar o mar.
Killian soltou um suspiro, não era sua intenção chateá-la.
Porém queria que confiasse nele, queria poder ajudar, mas para isso Emma tinha eu se permitir ser ajudada.
– Sim, tem a ver com isso – Disse Emma por fim.
Killian a encarou. Surpreso.
– Mas não quero falar sobre isso – Completou.
Na verdade nem sabia por que tinha dito aquilo. Mas sabia, sentia que podia confiar em Killian e, surpreendentemente foi mais fácil assumir do que achou que seria.
– Tudo bem – Sorriu contente. Não foi muita coisa, mas já era um começo – Me conte de sua família então.
– O que quer saber?
– O que quiser me contar – Assegurou com um sorriso – Quero te conhecer Emma.
Emma nada disse, apenas olhou em seus olhos, olhou fundo em seus olhos, e eram de um azul tão cristalino que podia jurar que via sua própria imagem refletida neles, como se olhasse para o próprio oceano que ele tanto amava. E se assustou ao perceber que gostava de seus olhos, mais que isso, amava seus olhos.
– O que foi? – Perguntou Killian franzindo as sobrancelhas, confuso com o olhar tão intenso da garota sobre si.
– Nada – Respondeu dado um sorriso nervoso – Minha família... Hum, minha mãe é professora e meu pai sherriff. O que eu posso dizer, eles são incríveis...
– E tem irmãos? – Perguntou interessado. Tudo em Emma lhe interessava.
– Sim, um. Oliver – Sorriu, sentia muita falta de seu pequeno irmão.
– E vocês se dão bem? – Pergunto pensando no seu relacionamento com Liam.
– Por enquanto sim – Riu – Ele ainda é um bebê, tem alguns meses.
– Oh, entendo. Eu gostaria de ter um irmão mais novo – Sorriu – Bem, tenho o Liam, mas não temos uma diferença de idade tão grande assim.
– Você gosta de crianças – Não era uma pergunta.
– Adoro.
Ficaram em silencio por alguns minutos, apenas observando as ondas se formando e quebrando quando chegavam à praia.
– Qualquer dia vou te levar – Disse Killian repentinamente.
– O que? – Perguntou Emma sem entender.
– Pro mar – Explicou – Qualquer dia vou te levar para velejar – Sorriu.
– Olha que vou cobrar – Brincou.
– Ficaria feliz se o fizesse – Sorriu — Quer caminhar ou prefere ficara aqui? – Perguntou Killian.
– Caminhar – Disse levantando-se
– Senhorita... – Brincou Killian estendendo o braço para que ela pudesse entrelaçar o seu.
– Capitão – Disso rindo divertida enquanto entrelaçava.
Caminharam por um bom tempo.
Conversaram sobre suas infâncias, gostos, sonhos, medos, amigos, família... E perceberam que eram muito parecidos um com o outro.
No final daquele dia conheciam melhor um ao outro como algumas pessoas jamais os conheceriam.
Naquela praia, daquele dia, criaram um laço que levariam pelo resto de suas vidas.
Varias semanas se passaram. Emma já entrava em seu sexto mês de gestação. Nesse tempo se aproximou muito de Killian, tinham se tornado melhores amigos. E isso seria ótimo se Emma não estivesse reparando muito mais em Killian do que uma simples amiga faz. Se não se pegasse observando o modo como ele levanta a sobrancelha, o jeito como sorri, a forma como sua falta de modéstia pode ser muito mais encantadora e divertida que mesquinha.
E para piorar, ou melhorar — dependendo o posto de vista, o quatro. O rapaz parecia apreciar sua companhia. Sempre que voltava de alguma viagem passavam horas juntos, em passeios, jantares com as meninas, a acompanhando em suas consultas ou simplesmente sentados na praia conversando, como agora.
– Emma, não precisa fazer isso se não quiser – Disse Killian angustiado vendo a garota derramar algumas lagrimas hesitando ligar para uma amiga
– Mas eu quero, mais que isso, eu preciso– Fungou – Ela é minha melhor amiga, e eu a perdi.
– Esta tudo bem Emma, esta tudo bem – Disse tentando confortá-la.
– Não, não esta Killy... Há muito tempo não esta. Eu a magoei, e ela nunca vai me perdoar – Fungou deixando mais lagrimas caírem.
– Seja lá o que for, ela vai te perdoar Emma, não se preocupe – Já não sabia mais o que fazer para acalmá-la.
– Não vai, não vai... Eu fui embora, eu fugi, não contei a ela, não disse nada – Olhou ao longe – Mas eu estava tão confusa, eu tentei, eu juro que tentei... E então eu perdi tudo – Olhou pra ele com os olhos cheios de lagrimas, o que o deixou angustiado.
– O que você tentou? O que aconteceu Emma? – Perguntou pegando uma de suas mãos, que tremiam levemente.
Emma encarou-o desesperada. Não havia falado sobre isso com ninguém além de August, e tinha vergonha, vergonha de ter sido fraca, de ter fugido... Queria contar, especialmente para Killian, mas não queria que ele ficasse decepcionado com ela.
Não ele.
Afastou sua mão da dele.
– Esta tudo bem... Se não quiser falar, eu entenderei – Sorriu segurando sua mão de novo.
– Eu quero falar – Apertou sua mão entre as dela – Mas...
Killian apenas sorriu, encorajando-a.
– Neal... O pai de Henry, é irmão de Regina – Começou Emma após alguns segundos.
Killian apenas esperou pacientemente que ela continuasse.
– Nos conhecemos desde sempre, éramos melhore amigos... Eu, Neal, Belle, Will, Robin e Regina – Sorriu triste ao pensar nos amigos que perdera — Nem preciso disser que era apaixonada por Neal não é – Disse sarcástica – Mas era... Fácil, esconder isso, as coisas complicaram mesmo quando apareceu Tamara – Fez careta ao falar seu nome – Já não seria fácil simpatizar com ela sabendo que era namorada do homem que eu amava, mas foi muito pior que isso, a garota era insuportável, antipática, e pra ajudar simplesmente me odiou.
Parou um pouco observando o mar.
– Então já pode imaginar o pequeno inferno que era. Eu tentava não arrumar confusão para não discutir com Neal por causa dela, mas às vezes era impossível, parecia que seu passatempo preferido era me infernizar – Ironizou – Com o tempo as coisas se complicaram mais, eu e Neal nos distanciamos. Ninguém a suportava, eu tinha que conviver vendo-a agarrada há ele dia após dia, aguentar as merdas... Lógico que os outros ajudavam, mas... Bem,você entende.
– Então, no meio disso me aproximei de August- Abriu o primeiro sorriso nas ultimas horas.
– E então se apaixonou por ele – Supôs Killian a contra gosto.
– Não! August é como um irmão pra mim – Explicou rapidamente — Era bom estar com ele, longe de todo o drama. Mas ainda tinha Neal, e apesar de tudo ele era meu melhor amigo, e não queria perde-lo... E então teve minha festa de 18 anos... Até hoje não entendo muito bem o que aconteceu, mas rolou, simplesmente rolou. Fui pra cama com meu melhor amigo comprometido – Contou envergonhada – Depois disso o que era difícil se tornou uma catástrofe. Quando acordei fugi de lá, estava envergonhada, confusa,... Depois pode imaginar o que aconteceu, Neal disse que foi um erro, me pediu desculpas. Me pediu desculpas – Soltou uma risada irônica – Não contei a ninguém, me afastei mais de Neal, me aproximei mais de August, Neal continuava com Tamara... E a vida continuava, doía, mas eu poderia conviver com aquilo, e então... Descobri que estava grávida, pode ter uma idéia do tamanho do meu desespero. Como eu contaria aquilo aos meus pais... August me ajudou muito, decidimos que o melhor seria contar ao Neal...
Parou de falar, se lembrando do dia que praticamente foi chamada de vadia.
– Ele não aceitou o bebê? – Perguntou Killian sentindo um pouco de revolta.
– Pior, eu nem pude falar – Suspirou – Me humilhou, me magoou e no final, não consegui dizer nada, daí pra lá só piorou, tivemos muitas discussões por conta de Tamara, me afastei de meus amigos, tive que contar aos meus pais sobre a gravidez, lógico que não disse de quem era... E vim pra cá, deixei tudo pra trás, perdi meus amigos, me afastei de meus pais...
– Ele... Ele não sabe sobre a gravidez? — Perguntou Killian alguns segundos depois.
– Sabe, deixei uma carta. Mas não me procurou... – Disse simplesmente.
– E seus pais? Aceitaram bem isso? – Perguntou se sentindo mal por ela.
Faria de tudo para que ela não tivesse passado por tudo isso. Mas não se pode mudar o passado.
– Meus pais... – Deu um pequeno sorriso – Eu sinceramente morri de medo de contar a eles. Meu pai lógico que surtou, queria saber de qualquer forma quem era o pai, mas contar a eles só pioraria tudo. Até pensei que me expulsariam de casa ou algo do gênero, mas os conhecendo como conheço já deveria saber que era um medo nulo. No fim, me apoiaram. Acho que nem eles eu... – Suspirou.
– Já simpatizo com seus pais – Brincou tentando quebrar o clica, como se fosse possível, mas deu certo porque ela deu um pequeno sorriso
Ficaram em silencio por algum tempo, cada um perdido em seus pensamentos.
Emma se sentia mais leve por finalmente ter colocado aquilo pra fora. Com medo do que Killian acharia dela após saber toda historia, que ele talvez se distanciasse. E assustada ao perceber que essa possibilidade a assombrava tanto.
Killian estava tentando assimilar tudo o que ouvira. Sabia que a historia era complicada, mas mesmo assim não pode deixar de ficar surpreso.
Sentia-se solidário, mais que isso, se sentia orgulhoso de Emma, podia imaginar tudo o que ela passou, o quão difícil tinha sido, e mesmo assim ali estava ela, seguindo em frente e dando o seu melhor. Não julgava Neal, sabia que todas as historias tinham dois lados, mas isso não significava que simpatizava um milímetro que fosse com o rapaz. Ele magoara Emma.
Encarou-a e a encontrou de cabeça baixa, brincando com uma concha.
– O que foi?
– Nada.
– Emma, olhe pra mim – Pediu. Porem a garota continuava na mesma posição.
– Emma – Tentou de novo.
– Não quero ver seu olhar decepcionado – Disse por fim.
– Porque veria isso? – Perguntou confuso.
– Você ouviu tudo o que eu disse? – Perguntou levantando a cabeça encarando-o de cenho franzido.
– Claro. Mas não a nada pra me decepcionar. O que vi é uma pessoa forte, decidida, que sofreu muito e mesmo assim tem o sorriso mais lindo que já vi na vida... Depois do meu é claro.
– Killian – Soltou uma pequena risada.
– Não quero mais te ver assim Emma. Essa pessoa fraca, que desisti, que tem pena de si mesma. Ela não é você... A Swan que eu conheço é forte, decida engraçada, estuda medicina porque quer ajudar as pessoas – Sorriu – Mas não confunda o que eu estou dizendo, você tem o direito de estar magoada, chateada, de se sentir triste, você sofreu, mas não deixe que isso te consuma, não deixe que te abale tanto, não viva pra isso – Falou profundamente, olhando dentro de seus olhos.
Emma o encarou com os olhos brilhando de lagrimas, nada disse, apenas rodeou seu corpo com os braços em um abraço que envolvia muito mais que ligação física.
Eram duas almas se abraçando.
Killian queria dizer o quanto gostava dela. Mas achou melhor ficar em silencio, era visível que tudo aquilo ainda a abalava muito e não queria dar algo mais para ela ter que lidar. Mas isso não significava nem por uma fração de segundo que desistiria dela.
Mais algumas semanas se passaram, e as coisas ficaram confusas e complicadas. Por um simples e complexo motivo, a historia se repetia.
Emma estava apaixonada por seu melhor amigo.
Como ela havia descoberto isso? Não foi de um jeito minimamente legal.
Uma noite Killian a convidou e as meninas para saírem, até ai tudo bem, era algo normal. O que não era normal era ter cinco pessoas à mesa.
Havia uma quarta garota naquela noite, loira, bonita e, aparentemente muito próxima de Killian.
Ao que tudo indicava era uma antiga amiga do rapaz, que estava de passagem pela cidade, ao que parecia ia embora naquela noite mesmo.
A garota era legal, divertida, ate simpatizava com ela, poderiam ate se tornar amigas, se não tivesse uma pequena e perturbadora questão.
A onda de ciúmes que atravessou Emma sem aviso.
Aquilo a assustou e inquietou, mas conseguiu disfarçar muito bem, afinal, tinha pratica nisso, disfarçou tantos anos com Neal.
Porém soube e não poderia mais negar, havia novamente cometido o erro de se apaixonar, e pior, pelo pessoa errada.
Depois daquele dia, começou a por em pratica sua incrível habilidade de esconder sentimentos. Mas parecia que com Killian não era tão eficaz assim, às vezes cometia o erro de deslizar. Fosse quando olhava para ele por mais tempo que a boa educação permitia, ou quando se perdia dentro de seus olhos azuis, ou ate mesmo quando soltava algo que não era apropriado para uma amiga se dizer.
E ficava ainda pior porque parecia que Killian gostava de suas pequenas deslizadas.
Não queria se apaixonar de novo, sentiu na pele o que isso podia causar, e muito menos queria se apaixonar por Killian. Sabia como à historia terminava, iria perdê-lo.
Não compreendia como fora burra de deixar isso acontecer, mas quando olhava para Killian, como naquele momento, sabia a resposta, ele era simplesmente apaixonante, não se apaixonar por ele é que seria difícil.
– Emma, tudo bem? – Perguntou Killian confuso com a expressão um tanto torturada da garota.
– Tudo, só estava pensando – Deu um meio sorriso.
– E posso saber o que? – Perguntou sorrindo. Aquele tipo de sorriso que acelerava o coração de Emma.
– Com certeza não – Respondeu nervosamente.
– Se não quer dizer é porque estava pensando em mim. Vamos lá, assuma Swan – Supôs brincando. Mas implorando para que fosse verdade.
Emma apenas o encarou. Era melhor mantém a boca fechada.
Já estava começando a ficar nervosa com seu olhar insistente sob ela quando seu celular tocou. Evitou um suspiro de alivio.
– Oi – Atendeu sem ver quem era.
– Emma, sou eu!
– August! – Exclamou contente. Havia um tempo que não conversa com o amigo.
Killian apenas observava. Ela já havia dito que eram apenas amigos, mas isso não evitava em nada o sentimento de ciúmes que sentia.
– Como esta? – Perguntou August.
– Ótima – Talvez não tão ótima. Pensou – E você?
– Bem! Liguei para contar que estou indo a New York – Informou sorrindo. Sentia falta da amiga.
Emma levou um minuto para processar a informação – O que? Como assim?
– Estou indo te visitar Emma – Riu – Consegui uns dias de folga. O que acha?
– O que acho? A melhor noticia do mundo! Quando chega? – Perguntou animada.
– Amanha mesmo.
– Já tem lugar para ficar?
– Não. Na verdade ia pedir para ver isso pra mim, se não tiver problema.
– Claro que não! Vou ser se tem quartos vagos no Granny’s. Que horas chega?
–Ás nove da manha.
– Okay, vou te buscar no aeroporto – Disse e abriu um sorriso para Killian que continuava observando, tentando entender a conversa e acima de tudo lidar com o sentimento que sentia.
– Okay. Tenho que desligar. Nós vemos amanha – Despediu-se.
– Tudo bem. Ate! – Encerrou a ligação com um enorme sorriso no rosto.
– August está vindo! – Contou a Killian animada.
– Isso é bom. Fico feliz – Deu um meio sorriso que não convenceu ninguém.
– Tudo bem? – Perguntou Emma franzindo as sobrancelhas.
– Claro, tudo ótimo. Eu tenho que ir – Disse lhe dando um beijo na bochecha que acelerou o coração de ambos.
– Okay... Te vejo amanha? – Perguntou.
– Não – Deu uma meia risada – Eu viajo amanha, havia te contado.
– Ah, claro. Eu esqueci... E quando volta?- Perguntou meio triste. Odiava quando ele tinha que ir, mas era seu trabalho, o que podia fazer.
–Em três ou quatro dias.
Fez careta, mas por outro lado podia ser por mais tempo – Vou estar esperando.
Essa simples promessa fez Killian abrir um lindo sorriso.
– Fico feliz com isso. Ate Emm.
– Até. Se cuide! – Pediu.
– Se cuide também. De vocês dois – Disse passando a mãe de leve em sua grande barriga de quase oito meses – Até – Deu-lhe outro beijo em sua bochecha e se foi.
– Eu acho que ele gosta de você – Disse Tinker saindo de uma sala anexada à biblioteca assustando Emma.
– O que?
– E pior, acho que você gosta dele também – Continuou.
– Por que diz isso? – Perguntou Emma nervosamente.
Tinker a encarou como se ela fosse uma retardada – Por nada.
Emma a encarou com um tempo e depois suspirou – Será que ele vai demorar.
Tinker apenas balançou a cabeça.
– Tinker! – Exclamou Emma se lembrando – August chega amanha! – Contou animada.
– August? Finalmente vamos conhecer o famoso August! – Brincou.
– Acho que vocês também são famosas para ele – Riu – Será que tem quartos vagos no Granny’s?
– Vamos ligar para Ruby e perguntar, talvez ela saiba – Propôs.
Emma acordou no dia seguinte ansiosa, por dois motivos. Primeiro, estava com saudades de August e queria muito vê-lo. Segundo, impressionantemente já sentia falta de Killian e queria que a semana passasse voando.
Arrumou-se e pegou o carro de Ruby emprestado para ir ao aeroporto.
Quando chegou o avião de August já havia aterrissado, e minutos depois via o amigo saindo pela porta do desembarque.
– August! – Deu-lhe um forte abraço assim que se aproximou.
– Emma! Olhe só pra você, esta enorme! – Brincou retribuindo o abraço o melhor que pode.
– Haha, muito engraçado! Eu estava morrendo de saudades!
– Eu também – Sorriu.
– Vem vamos. Consegui um quarto no Granny’s para você – Informou enquanto deixaram o aeroporto.
– Que bom!
O caminho foi tranqüilo, conversaram sobre tudo, August contou que seus pais haviam mandado presentes e que pediram para falar que em breve iriam visitá-la. O que a deixou imensamente feliz.
Assim que chegaram pegaram a chave do quarto que Emma reservara, partiram ambos para o quarto de August.
Emma ajudou-o a arrumar suas coisas enquanto conversavam amenidades, e August reparava que vez ou outra Emma encarava o celular e soltada um suspiro.
– Algum problema, Emma?
– O que? – Perguntou confusa.
– Você parece meio ansiosa – Explicou acenando para o aparelho.
– Ah... Estou esperando uma ligação – Disse franzindo a sobrancelha.
– Algo importante? – Perguntou enquanto dobrava e guardava uma camiseta.
– Muito... – Disse encarando o aparelho.
– Problemas no trabalho, no curso? – Supôs
– Não... – Suspirou – É Killian, ele já devia ter me ligado – Comentou levemente chateada e preocupada.
O rapaz sempre ligava minutos antes de zarpar para se despedir.
– Killian... O famoso Killian – Riu – Quando vou conhecê-lo? – Perguntou guardando a ultima peça de roupa e sentando-se ao lado dela na cama.
– Assim que voltar de viagem...
– No que você me disse que ele trabalha mesmo?
– É capitão da Marinha – Disse orgulhosa fazendo August rir.
– O que foi? – Perguntou confusa.
– Há algo que queria me contar? – Perguntou tranquilamente.
Emma ficou alguns segundos em silencio ponderando e depois soltou num gemido – Eu sou uma idiota!
– Você não é uma idiota. O que aconteceu? – Perguntou, mesmo já suspeitando.
– O mesmo de sempre, me apaixonei...
– E qual o problema nisso?
– Eu não quero me apaixonar! Eu não quero me apaixonar pelo Killian!
– E porque não Emma? Pelo que me falou dele, e me falou muito, ele parece ser legal...
– E é! É incrível, perfeito e é meu amigo! Não esta vendo?Isso já esta virando um padrão! É alguma maldição? Isso não pode acontecer... Já sei como essa historia termina, e Killian é especial demais pra perdê-lo – Chorou.
– Então não disse a ele? – Perguntou, mesmo já sabendo a resposta.
– Claro que não! Pra me dizer que somos apenas amigos e se afastar para “não tornar as coisas difíceis pra mim?” – Fez aspas no ar enquanto falava — Não, obrigada... E, de qualquer forma, não quero amá-lo, não quero amar ninguém.
– Emma – Começou carinhosamente como se falasse com uma criança – O que aconteceu com Neal foi...
– Foi péssimo, horrível, me quebrou e nunca mais vou permitir que aconteça – Interrompe-o.
– Então não vai dizer a ele?
– Não, vai passar – Disse decidida.
–Emma, amor não é uma dor de cabeça, pra simplesmente, “passar”.
– Obrigada pela ajuda! – Exclamou sarcástica.
– Vai cometer esse erro mesmo? De novo?
Emma nada disse.
August suspirou — Emma entenda uma coisa, Killian não é Neal.
– Eu sei!
– Então pare de basear suas escolhas em cima de experiências passadas. Você pode estar certa. Pode ser que caso você diga Killian se afaste, mas também pode ser que você esteja errada.
– E se eu estiver certa? – Choramingou.
– Bem, vai ter que correr o risco do “e se” – Sorriu carinhosamente – Mas Emma, se não contar, se não disser o que sente um dia ele vai encontrar alguém, e essa pessoa não vai ser tão boba.
– Nossa muito obrigada – Ironizou.
– Sabe que estou certo.
Emma suspirou. Odiava admitir, mas sim, August tinha razão. Algum dia alguma garota esperta ia ver o quanto seus olhos incrivelmente azuis são lindos, o quando sua voz é sedutora, o quando divertido, carinhoso e engraçado ele pode ser. Como já dissera antes, era fácil se apaixonar por Killian. Perigosamente fácil.
– Eu tenho medo August – Confidenciou – Não quer perde-lo, mas também não quero me machucar... Não sei se aguentaria de novo.
– Eu sei Emma – Abraçou-a de lado – Mas não jogue uma oportunidade de ser feliz fora. Não sabemos quando a vida vai lhe dar outra.
– Que reconfortante – Brincou em meio às lagrimas.
– Mas uma coisa tenho que agradecer à Killian – Começou August – Já faz algum tempo que não pergunta sobre Neal. Só por isso já simpatizo com ele – Brincou. Mas Emma sabia que estava sendo sincero.
– Só pense sobre isso okay? – Pediu August estreitando seus braços em volta dela.
– Pensarei – Prometeu.
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