Love is so unpredictable
15 A special moment
Notas iniciais
Storybrooke
— Neal?!- Chamou o rapaz pela terceira vez.
— Porra Will! Precisa gritar? – Perguntou se assustando.
— Se você não ficasse com essa cara de retardado e prestasse atenção talvez eu não precisasse gritar – Revidou e suspirou sentando-se ao seu lado – O que esta acontecendo Neal?
Pensou por um momento perguntando-se se falar que sentia como se metade de seu coração não estivesse no lugar e que às vezes parecia que o ar faltava soaria muito idiota.
Soando ou não, era apenas a verdade.
— Sinto falta de Emma – Suspirou.
— Eu sei, todos sentimos... Já faz quase oito meses que ela se foi e ate agora não entendi o porquê – Comentou pensativo.
Oito meses, pensou. Fazia oito meses que não via Emma, que não tinha nenhuma noticia... Nada! Parecia que a terra havia tragado-a.
Os piores meses da sua vida, como se já não fosse o bastante ter que lidar com a torturante ausência de Emma, ainda havia o silencio de Regina. Sim, sua irmã cumpria a promessa e em todo esse tempo não lhe dirigia a palavra.
Sabia que Regina estava sofrendo, Emma é tão importante para ela quanto pra si próprio. Mas nada se comparava a sua dor, perdera a única mulher que amara na vida.
Se pudesse voltar atrás teria dito que a amava, teria falado de seus sentimentos, teria se declarado na noite que fizeram amor, ou talvez muito antes disso.
— Eu a quero de volta Will– Confidenciou.
Will ficou em silencio, não sabia o que falar e nem tinha como confortá-lo, também queria que Emma voltasse.
Suspirou levantando e colocando uma mão sobre o ombro do irmão – Eu também. Mas talvez já esteja na hora de aceitar a possibilidade de não voltemos a vê-la – Disse para os dois – Sinto muito – Apertou de leve seu ombro – Mamãe esta chamando para almoçar – Informou deixando o quarto.
Neal bufou deixando o corpo cair na cama.
Essa era a questão, não queria, não podia aceitar que nunca mais veria sua Emma. Isso não era tolerável.
Se uma vez pensou que essa distancia poderia ajudá-lo a esquecê-la, nesses meses se deu conta do quanto estava equivocado.
Emma era inesquecível.
Respirou e levantou-se antes que sua mãe fosse buscá-lo. Desceu para almoçar mesmo estando sem fome.
— Já estava indo buscá-lo – Disse Cora assim que o filho surgiu na cozinha.
— Imaginei.
— Não tem aula hoje Neal? – Perguntou Robert assim que o filho sentou-se a mesa.
— Só após o almoço.
Estava fazendo um treinamento para bombeiro. Sempre quis salvar vidas... Assim como Emma. Perguntou-se se ela estaria seguindo seu sonho... Se ela estivesse ali, com certeza estaria orgulhosa, pensou melancólico.
— Ah claro.
— Regina, pode me passar o molho?- Perguntou Neal após alguns minutos de silencio.
Esperou porem a irmã nem lhe dirigiu o olhar.
— Regina, seu irmão estava falando – Disse Cora.
— Ah, desculpe. O que foi Will?
— Seu outro irmão, Regina – Suspirou Cora. Já estava cansada dos filhos agindo como dois estranhos.
Regina apenas encarou Neal e voltou a comer – Não tenho outro irmão.
— Okay, chega! – Exclamou Robert – Já estou cansado de vocês agindo como crianças. Vão conversar e acabar com isso.
— Não vou conversar com ninguém! – Negou Regina– Por culpa dele Emma foi embora! – Cuspiu as palavras.
— Chega Regina! – Gritou Neal ficando em pé- Você acha que só você sente falta dela? Acha que eu não fico todos os dias me perguntando onde ela está? Porque foi embora?– Perguntou com a voz alterada.
— Acho! – Revirou sem se abater – Você fez algo a ela, por sua culpa ela foi embora! – Se levantou também.
— Eu não fiz nada droga!
— Fez, eu sei que fez! Todos aqueles showzinhos, aquelas conversas, toda aquela merda, acha que sou idiota? Que não notava Emma se distanciando de mim... De nós... Quero saber o motivo daquilo! – Exigiu.
Neal ficou em silencio, não podia dizer que se deitou com Emma, que a amava mais tudo e estava com ciúmes de August, Regina o odiaria mais ainda, e não queria magoar Tamara.
—Fale! – Gritou Regina diante do silencio do irmão.
— Regina, chega! – Interveio Robert.
— Não pai! Eu quero saber por que minha melhor amiga se foi sem ao menos se despedir de mim – Disse irritada e magoada.
— Eu não sei Regina, eu não sei – Disse Neal cansado.
Regina o encarou por alguns segundos e abriu um sorriso sarcástico – Sua namoradinha deve estar muito contende não é?
— Não coloque Tamara no meio Regina, ela não tem nada a ver com isso – Declarou com um suspiro.
— Antes eu tinha pena de você com ela, hoje acho que se merecem – Cuspiu as palavras deixando a cozinha.
Neal soltou um suspiro voltando a se sentar.
— Isso tem que terminar. Ouviu Neal? – Disse sua mãe.
— Vou ver como Regina está – Disse Will se levantando e seguindo Regina.
— Você vai conversar com sua irmã e vão se acertar, não quero meus filhos agindo desse jeito – Disse seu pai serio.
Neal apenas balançou a cabeça.
—Regina, posso entrar? – Pediu Will com um leve bater na porta.
Não houve resposta, mas entrou mesmo assim.
Encontrou-a sentada na cama encarando um ponto qualquer.
— A mãe e o pai estão meio bravos – Comentou sentando-se na cama ao seu lado.
— Eu sei...
Ficaram alguns minutos em silencio ate Will quebrá-lo.
— Não devia pegar tão pesado com Neal.
— Vai ficar do lado dele agora? – Perguntou meio irritada.
— Não estou do lado de ninguém Regina – Disse na defensiva – Mas, isso vai durar ate quando? Já se passaram oito meses.
Regina soltou um leve suspiro – Eu só quero entender o que aconteceu... As coisas estavam bem e...
— Eu sei – Abraçou-a de lado – Também quero saber o que aconteceu. Não sei por que Emma se foi, mas imagino que ela tenha feito o que achava melhor para ela, e espero que um dia ela volte, mas isso tem que parar. Papais estão ficando realmente bravos – Tentou brincar.
Regina nada disse. Seus pais podiam ficar bravos o quanto quisessem, ela perdera uma amiga, uma irmã, e iria descobrir o porquê.
Will suspirou, não havia jeito de contrariar Regina, e sabia que a ausência de Emma estava sendo difícil para ela – Eu te amo baixinha — lhe deu um beijo na cabeça e deixou o quarto.
— Regina esta agindo como uma criança mimada, Emma foi embora há muito tempo, nem deviam se lembrar mais dela, e foi porque quis... Deve ter aprontado alguma por aqui e por vergonha foi embora – Ouviu a voz sarcástica de Tamara enquanto se aproximava da sala.
— Tamara vou lhe falar pela ultima vez. Não quero mais nada sobre Emma saindo de sua boca, ainda mais sendo essas merdas– Chegou á sala a tempo de ver a expressão irritada do irmão.
— Mas Ne... – Começou Tamara soando ofendida.
— Mas nada! – Levantou-se Neal – Emma Swan é um assunto vedado pra você, entendeu? – Disse serio.
— Até quando não esta aqui aquela idiota faz a gente brigar! – Exclamou levantando-se também.
Neal a encarou por alguns segundos e suspirou – Eu não estou brincando Tamara, minha paciência esta acabando, e não quero brigar com você.
Pegou suas coisas e caminhou ate a porta.
— Aonde vai?!
— Ao quartel, nós vemos de noite – virou-se para ela antes de sair – E não volte a chamar Regina de mimada, porque não vou mais te defender dela – E saiu.
— Que show! – Exclamou Will encostado na parede rindo.
— Seu irmão é um idiota – Exclamou Tamara irritada jogando-se no sofá.
— Isso tenho que concordar com você – Desencostou-se caminhando para a cozinha – Mas graças a Deus é um idiota em recuperação... –Comentou rindo enquanto sumia no corredor deixando-a ainda mais irritada.
Enquanto dirigia Neal pensava o que Emma estaria fazendo daquele momento, e como fazia nos últimos oito meses, passou em frente de sua casa, não sabia ao certo o porquê fazia isso, mas tinha a desconfiança que no mais fundo de seu ser ainda tinha esperança de encontrá-la no jardim com sua mãe ou lavando seu carro,
Ficaria feliz e mais tranquilo apenas com uma noticia dela, mas ninguém estava disposto a falar nada sobre ela. Sabia que Regina havia ido algumas vezes ate sua casa, mas seu pai nunca falava nada, a ultima noticia que tivera foi “Ela esta bem, sente sua falta e pede desculpas”, dada há muito tempo atrás por August a Regina.
Isso o deixou extremamente magoado, saber que August sabia onde Emma estava, que mantinha contato, que ela confiava nele e não em si.
As aulas passaram lentamente, se arrastando durando a tarde sem fim, e quando já não aguentava mais, finalmente a noite caiu.
Desmarcou com Tamara, alegando estar cansado, o que obviamente a deixou irritada, mas não estava com paciência ou com animo pra sair para qualquer lugar que fosse. Nem ao menos jantou, apenas se jogou na cama, se preparando para a pior hora do dia.
À hora que seu cérebro despejava sem nenhum aviso prévio todas as lembranças sobre si. Aniversários, dias na piscina, brigas estúpidas que sempre acabavam em risos, passeios, festas, as noites de filmes, sorriu com a lembrança. Como sentia falta desses momentos... A noite em que fizeram amor, a noite mais feliz de sua vida. Sentiu uma lagrima escorrendo, e outra, e mais uma, chorou tudo o que segurou nos últimos meses, chorou pelos erros que cometera, pelos momentos felizes que nunca mais teria, pelo covarde que era, pela amiga e o amor que perdera, e quando sentiu que não lhe restava mais nenhuma lagrima para derramar, respirou fundo.
Já havia ficado mais do que claro que Emma nunca poderia ser esquecida, que seu amor por ela nunca morreria mesmo que se passassem mil anos, e sua lembrança sempre faria parte do seu ser, estaria presente todos os dias de sua vida, em cada momento, mas por mais que doesse talvez Will estivesse certo e já estivesse na hora de aceitar que ela não voltaria e precisa tentar seguir em frente.
Não era uma escolha fácil, dizer adeus a uma parte tão importante de sua vida, provavelmente a mais feliz também, porém não podia continuar assim.
O silencio de Regina, seus pais já estavam realmente irritados e preocupados, as brigas com Tamara, as noites de insônia, isso tinha que parar.
Respirou fundo e se deixou sentir a dor excruciante que vinha rasgando seu peito uma ultima vez, e então a guardou no mais fundo do seu ser, um lugar intocável, onde latejaria sem causar grandes dados. Onde ficaria pelo resto de sua vida, ou assim imaginou.
Fechou os olhos por alguns segundos, e quando os abriu estava decidido a tentar seguir com sua vida.
New York
— Onde estamos indo? – Perguntou Emma enquanto Killian a arrastava pela doca cheia de barcos ancorados.
— Quero te mostrar algo... – Disse misterioso.
— Killian...
— Ande Swan!
Caminharam por mais alguns quilômetros ate pararem em frente a um pequeno navio que lembrava os grandes navios antigos — levemente tampado com algum tipo de lona ou pano.
— Então? – Perguntou Emma curiosa.
Killian soltou sua mão, que segurou ao longo de todo o caminho, subiu na embarcação, segurou a lona/pano dos dois lados, olhou para ela com entusiasmo e expectativa, e com um sorriso dançando nos lábios puxou o tecido revelando com letras grandes e bonitas o nome do barco.
Emma não pode evitar o riso divertido que se prolongou por vários segundos.
— Serio Killian? Jolly Roger? – Perguntou ainda rindo.
— Quando nos conhecemos você me perguntou se eu era um capitão como o Captain Hook. Bem, não posso ser ele sem meu navio – Brincou feliz.
— Sim, nada mais junto – Concordou Emma sorrindo.
— Então, gostou? – Perguntou em expectativa.
— Eu amei! É seu?
— Sim, comprei a algumas semanas. Quer dar um pequeno passeio?
— Claro – Sorriu.
Killian desceu, ajudou-a a subir e logo zarparam.
— Então capitão, aonde vamos? – Perguntou ao seu lado na cabine enquanto observava-o navegar.
— Para Neverland! – Brincou.
— Killian – Riu divertida.
— Okay okay, não vamos tão longe. Vamos apenas dar umas voltas. Quero que veja a vista que vejo sempre que volto de viagem – Olhou para ela – Quer pilotar?
— Hum...
— Vamos Swan, não seja covarde.
— Não sou covarde.
— Eu sei – Piscou – Venha, eu te ensino – Colocou-a atrás do timão e se posicionou atrás dela.
Navegaram por algum tempo, ele lhe ensinando tudo o que sabia sobre o oceano, lhe contando suas viagens, operações, historias que passou ao lado de seu irmão Liam em alto mar quando crianças. Conversaram perdidos no tempo.
Emma observava Killian da onde se sentara minutos atrás para descansar. Vê-lo em alto mar era uma experiência única, seu rosto se iluminava, era mais que visível o amor que ele possuía pela aquela imensidão interminável de água, Killian era o oceano, e o oceano era Killian, eram uma coisa só, em perfeita sincronia.
— Se continuar me olhando assim não respondo por mim, Swan – Ouviu Killian dizer ainda com o olhar fixo para frente, mas pode ver um pequeno sorriso brincando em seus lábios.
— Isso é uma ameaça? – Arqueou as sobrancelhas divertida.
— É uma promessa – Virou a cabeça em sua direção, a encarando.
— Talvez eu cobre... – Comentou simplesmente.
— Ficarei feliz em pagar – Piscou voltando sua atenção para frente.
— Você se sente em casa aqui não é – Comentou Emma após alguns minutos em silencio observando-o.
— Por muito tempo o oceano vem sendo minha casa. Eu lhe disse, passei muito tempo quando criança com Liam nessas águas. Mas não é mais o único lugar que me sinto em casa... – Voltou o olhar para ela ponderando se devia continuar ou não, não queria pressioná-la, mas optou por dizer a verdade, ela devia saber o quando significava para ele.
— Não? – Perguntou Emma diante da hesitação dele.
— Não – Sorriu- Quando estou com você me sinto em casa – Confessou olhando diretamente em seus olhos.
Emma não pode pensar em nada para dizer, seus olhos presos pelos brilhantes olhos azuis a sua frente.
— Venha, já estamos longe o suficiente – Killian quebrou o silencio, parando o barco.
Emma levantou-se e o seguiu ate a proa, onde se podia ter uma vista incrível da baia de New York, com a noite caindo e as luzes acesas refletindo nas águas escuras podia entender completamente porque Killian amava aquilo.
— É lindo – Comentou observando as ondulações das luzes sobre a água – Obrigada- Olhou para ele.
— Pelo que? – Perguntou franzindo as sobrancelhas.
— Por ter me trazido aqui – Sorriu.
— Bobagem love.
Emma lhe sorriu e voltou o olhar para a paisagem a sua frente. Ficaram assim por incontáveis minutos, ate Killian segurar sua mão e a levar através do convés e se sentar em uns dos decks a estibordo ajudando-a a se sentar ao seu lado.
— Você parece feliz – Observou Killian após alguns minutos.
— Eu me sinto feliz.
— Eu tenho esse efeito sobre a s pessoas – Comentou com um suspiro convencido.
Emma revirou os olhos de brincadeira e ganhou um piscar de olhos.
Killian entrelaçou suas mãos, apertando-a levemente e voltaram ao silencio. Não um silencio constrangedor ou desconfortável, apenas um silencio bom.
Emma aproveitava o leve barulho das ondas se quebrando ao se chocar com o navio, ate que o balançar lateral já estava se tornando desconfortável, a deixando levemente enjoada, podia sentir o suor úmido se agrupando sobre a pele.
— Tudo bem? – Perguntou Killian vendo sua pele um pouco mais pálida que o normal.
— Tudo, só estou um pouco enjoada...
— Acho que não foi uma boa idéia te trazer – Comentou franzindo cenho.
— Bobagem, já vai passar.
— Você esta branca Emma. Vem, vamos voltar – Informou levantando-se e ajudando-a.
— Talvez seja melhor – Concordou. Não queria vomitar em cima dele ou pior, ter seu filho em alto mar.
A viagem de volta foi um pouco mais rápida. Killian estava preocupado mesmo Emma lhe falando varias vezes que estava bem. Poucos minutos depois já estavam ancorados.
— Esta melhor? — Perguntou Killian enquanto faziam o caminho de volta pela doca.
— Sim, tudo bem – Garantiu.
— Você ainda quer ir jantar com as meninas ou prefere ir embora?
— Podemos ir jantar – Respondeu entrando no carro.
A viagem ate o restaurante foi rápida, e logo estacionavam.
—Oi – Cumprimentaram o pessoal sentando-se à mesa.
— Awn, vocês são tão bonitinhos juntos! – Comentou Tinker bobamente.
— Eu sou lindo por natureza – Disse Killian.
— E modesto também – Ruby revirou os olhos.
O jantar transcorreu animado, August observada a amiga com um leve sorriso no rosto, há tempos não a via assim, na verdade achava que nunca havia a visto assim, tão bem, feliz, iluminada.
Desde que resolvera revelar seus sentimentos por Killian, Emma sorria mais e falava cada vez menos em Neal, poderia contar nos dedos quantas vezes o assunto foi tocado no último mês. O que o deixava mais feliz eram seus olhos, aquele brilho de tristeza que carregava estava perdendo a intensidade, se transformando em apenas uma sombra.
Assim que terminou o jantar Killian levou Emma embora, os outros estenderiam a noite.
— Foi ótimo, me diverti muito – Comentou Emma sorrindo enquanto Killian a acompanhava ate seu quarto de mãos dadas.
— Fico feliz – Sorriu parando em frente sua porta – Nos vemos amanha.
Emma encarou-o por alguns segundos, podia estar louca, mas sempre que se despediam e ele dizia que se veriam em breve soava mais como uma promessa do que um comentário, e gostava disso. Sorriu o puxando para um beijo que durou menos tempo do que ambos queriam.
— Boa noite Killian.
— Boa noite Swan.
Deu-lhe mais um beijo e entrou.
Já se passava da meia noite quando Emma acordou suando frio e com um leve desconforto, revolveu tomar um banho para ver se melhorava e voltou a se deitar, mas o desconforto estava se transformando em fortes pontadas. Tentou se levantar para pedir ajuda, mas não conseguiu, então pegou o celular e ligou para August, mas ninguém atendeu. Desesperada voltou a discar, no terceiro toque atenderam.
— Killian – Arfou.
— Emma? – Perguntou preocupado se sentando na cama, meio sonolento.
— Eu acho que vai nascer – Gemeu com mais uma contração.
Ouve um segundo de silencio.
— Tudo bem, esta tudo bem. Preciso que fique calma. August está por ai? – Perguntou já se levantando e procurando uma roupa. Todo o sono sumindo.
— Não, acho que não chegou ainda, ninguém atende... – Choramingou com mais uma pontada.
— Tudo bem, eu estou indo pra ai. Respire fundo e fique calma, se conseguir tente destrancar a porta pra mim okay – Pediu pegando as chaves do carro e saindo – Chego ai em cinco minutos!
Emma fez o que ele pediu, respirou fundo algumas vezes e se levantou com dificuldade destrancando a porta e voltando a se deitar.
Enquanto sentia as contrações e respirava fundo como Killian mandara, se perguntou no meio do desespero se Neal não devia estar ali segurando sua mão, mas quando sentiu algo quente entre seus dedos pressionando-os levemente e levantou o olhar encontrando dois pares de olhos azuis, soube que não queria mais ninguém ali além de Killian.
— Esta tudo bem – Prometeu retirando o cabelo grudado em sua testa – Vou te levar pro hospital, já liguei e estão te esperando – Informou.
— Obrigada – Gemeu.
Killian sorriu e lhe deu um beijo na testa. – Onde estão suas coisas?
Pegou sua pequena mala e levou ate o carro voltando rapidamente.
— Vem, vamos – Abaixou-se a pegando no colo – Só fique calma... Eu leguei para Tinker e já devem estar lá.
O trajeto ate o hospital foi rápido, Killian mantinha uma mão no volante e outra segurava firmemente a mão de Emma.
Killian a pegou novamente ao saírem do carro e caminhou rapidamente ate a entrada onde seus amigos e uma maca a esperava.
— Você pode entrar com ela se quiser. Ou o pai talvez – Informou a medica.
O grupo se entreolhou.
— Killian! – Gritou levemente Emma.
— Eu vou – Informou Killian.
— Okay, então vamos.
No trajeto ate a sala de cirurgia Killian segurava fortemente a mão de Emma, passando toda a segurança que era possível com o pequeno toque.
— Calma, calma. Estou aqui — Tranquilizou-a Killian.
— Okay Emma, eu preciso que empurre com toda a força – Pediu a doutora posicionada á sua frente.
Emma apertou a mão de Killian e empurrou o mais forte que pode.
— Isso, esta indo bem, outra vez.
Emma respirou fundo e empurrou .
— Killian! – Arfou.
— Estou aqui, esta tudo bem, tudo bem – Disse intensificando o aperto em sua mão e retirando o cabelo de seu rosto.
— Mais uma vez Emma, com mais força – Pediu a medica.
Emma fez o procedimento de respirar fundo e empurrar mais três vezes antes do forte e vibrante choro preencher a sala.
— Nasceu! — Informou a medica sorrindo.
Emma deu um ultimo suspiro recostando-se na cama com um sorriso brincando nos lábios.
— Parabéns, Love – Killian lhe deu um leve beijo.
Emma apertou sua mão e fechou os olhos. Sentia-se exausta.
— Alguém quer te conhecer Emma – Ouviu a voz da doutora e abriu os olhos.
— Só pode ficar com ele por alguns segundos – Informou colocando em seus braços o pequeno embrulhou azul.
Emma assentiu sem desviar os olhos do pequeno em seus braços.
— Ele é forte – Comentou Killian brincando com seus pequenos dedos.
— É sim, e lindo — Concordou Emma acariciando suas bochechas.
Emma continuou suas caricias ate que o pequeno abriu os olhos curiosos e ela não pode evitar perceber como se pareciam com os olhos de Neal, não eram realmente iguais, mas muito semelhante. Suspirou, já sabia que alguns traços de Neal ele teria, e agradeceu por além dos olhos semelhantes e do cabelo, nada mais lembrava o pai.
Ergueu os olhos para Killian que observava os dois com um sorriso. Sabia que aquela criança não era sua, que não possuía seu sangue, mas já a amava independente de qualquer coisa.
Abaixou-se dando um beijo em Emma. Uma mão acariciando sua face e a outra sob Henry junto a sua.
— Agora tenho que levá-lo, mas logo o levaremos para o quarto – Comunicou a doutora assim que se separação.
Emma deu um pequeno beijo em sua testa e entregou-o. Sorriu para Killian antes de seus olhos pesarem e se fecharem lentamente.
— Ela vai dormi por algumas horas, se quiser avisar os familiares – Sugeriu a doutora — A transferiremos para o quarto e dentro de alguns minutos as visitas serão liberadas.
— Claro. Obrigada – Agradeceu deixando a sala e caminhando para a sala de espera.
— E então? – Perguntou Ruby em expectativa assim que o amigo se aproximou.
— Nasceu! – Informou sorrindo.
— Ai meu Deus! Eu preciso ver ele – Comentou Tinker animada.
— Acho que daqui a pouco o levam para o berçário – Virou-se para August – Talvez seja melhor avisar aos pais dela.
— Já liguei, vão pegar o primeiro vôo.
Killian assentiu.
— Eu vou ir ver se consigo ver o Henry – Disse Tinker sumindo no corredor sendo seguida por Ruby.
—E eu vou ver se já levaram a Emma para o quarto – Comentou se direcionando para o corredor.
Killian foi ate o carro pegar a bolsa de Emma e seu celular que esquecera, estava guardando-o no bolso quando sentiu vibrar.
— Vejo que está vivo – Ouviu ao atender.
— Liam! – Exclamou contente. Já fazia um tempo que não falava com o irmão.
— Como estão as coisas? – Perguntou Liam.
— Melhores impossível – Respondeu sorrindo – Emma acabou de dar a luz – Comunicou afetado.
Apesar de nunca terem conversado ou se visto, Killian contara sobre Emma ao irmão.
— Não brinca, isso é ótimo! E como estão? – Liam sabia pelas conversas que tivera com o irmão o quanto Emma e o bebê eram importantes para ele, e ficou realmente feliz ao saber que estava se dando uma chance.
— Estão ótimos. Acompanhei o parto – Comentou sorrindo. Isso fora importante para ele, que ela o quisesse ali junto dela em um momento tão importante para ela, sentia que fora um passo a mais em sua relação com Emma.
— Isso deve ter sido um pouco assustador – Brincou Liam.
— Não tanto quando achei que seria – Riu – Mas e por ai, como andam as coisas?
— Tudo tranquilo – Assegurou ao irmão mais velho – Acho que em breve consigo uns dias livres e vou por ai conhecer a famosa Emma e... Henry.
— Ficarei esperando. As meninas devem estar com saudades também.
— Aquelas loucas – Riu – Diga que mandei um beijo e em breve nos vemos.
— Claro.
— Agora tenho que desligar. Nos vemos
— Até!
Despediram-se e Killian retornou ás dependências do hospital, encontrando os amigos na porta.
— Ele é muito lindo Killian! – Exclamou Tinker.
— E tão pequeno... – Comentou Ruby.
— Emma ainda esta dormindo, resolvemos ir e voltar amanha – Disse August.
— Vou ver se consigo passar a noite aqui...
— Okay, ate amanha.
Despediram-se e Killian passou no consultório da doutora e após se informar que poderia passar a noite seguiu para o quarto de Emma encontrando-a dormindo tranquilamente. Sorriu sentando-se ao seu lado e após algum tempo velando seu sono adormeceu.
Emma acordou no meio da noite, demorou alguns segundos ate se lembrar de estava. Tentou se ajeitar na cama e foi impossibilitada por um pequeno peso ao lado de seu corpo, desceu o olhar e encontrou Killian sentado em uma cadeira com a cabeça apoiada ao seu lado, uma das mãos segurando a sua firmemente. Sorriu. Com a mão livre acariciou seus cabelos revoltos levemente para não acordá-lo.
Nunca imaginaria que ir a New York lhe traria tantas coisas boas, em especial Killian. Ele a conquistou pouco a pouco, e não era hipócrita de não perceber o quanto teve sorte de estar naquela praia, naquele momento. Lembrava-se de desejar em seu aniversario que o amor a encontrasse e talvez fosse cedo demais, mas... Amava aquele homem. Realmente amava. Se entregaria aquele sentimento e faria de tudo para esquecer Neal completamente para nunca machucar ou magoar Killian.
Ele havia se tornado uma das pessoas mais importantes e especiais de sua vida.
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