Love is Redemption
8 There's a Storm Coming
Notas iniciais
Involuntariamente Emma se viu pelo que deveria ser a milésima vez, com as mãos dentro do bolso da calça jeans, certificando-se de que o papel ainda estava consigo. Era um pequeno rabisco, com letras apressadas e descuidadas com o endereço que a voz misteriosa – feminina ou masculina? Ela não se lembrava. Estivera muito atordoada e apressada em anotar a informação – que ditara. No bolso do casaco outro objeto parecia pesar mais de uma tonelada em seus bolsos: Uma pequena pistola que Emma guardava em uma caixa debaixo de sua cama, dos tempos que trabalhou em busca de foragidos e bandidos procurados como caçadora de recompensa.
Não estava mais familiarizada com essa sensação, o poder e a responsabilidade que portar aquela arma implicava. Garantiu que estivesse travada quando saiu de casa, e pretendia não usá-la ao menos que fosse extremamente necessário. Achou melhor levar apenas por precaução; afinal, não sabia o que esperar dos sequestradores de seu filho. Não haviam pedido nada além que ela mesma comparecesse no lugar que haviam endereçado, no horário marcado, sem se adiantar ou atrasar, sozinha.
Uma parte sua ainda se sentia culpada por ter mentido para Regina; logo agora que Emma resolvera parar de negar a conexão que sentia com a outra mulher, que elas haviam tido aquela conversa tão íntima no carro, onde Emma pode se sentir amparada e segura, mesmo que por um momento. Mas ela não podia arriscar a segurança de seu filho, não quando tinha tanto a perder. Além de tudo ainda era muito recente, por mais seduzida que se sentia pela ideia de confiar em Regina a morena era apenas uma desconhecida, e Emma trabalhava sozinha, sempre foi assim, não seria agora que as coisas mudariam.
Respirou fundo e encostou a testa no vidro. Pela janela do ônibus podia ver as movimentadas ruas do Brooklyn passarem vagarosamente através de seus olhos, tudo parecendo tão normal e simples e sua vida perecia como um grande furacão, em três dias tudo parecia ter mudado da água para o vinho. Emma se sentia como uma criança em um parque de diversões, onde ela havia pago o ingresso para um brinquedo, mas ao estar dentro do tal brinquedo havia percebido que tinha sido uma má ideia e queria sair mas não poderia sair até que o turno acabasse. Emma só esperava que como em um brinquedo, esse caos em sua vida também parasse e com ele todos os medos e dúvidas que sentia.
Não sabia onde isso iria terminar, nem como. Não sabia o que aconteceria consigo mesma, nem sabia quando deixara de se importar. Qualquer desfecho daquela história, ou motivo que levaram o sequestro de seu filho – talvez vingança, um acerto de contas pelos seus trabalhos passados – mas não conseguia se sentir otimista. Tinha uma certa angústia, quase formando um nó em seu estômago que fazia respirar parecer difícil, e até algumas lágrimas pareciam insistir em tentar escapar de seus olhos, uma delas até mesmo escorreu por sua bochecha antes de Emma captura-la com a manga do casaco. Gostaria de falar com alguém, na verdade apenas uma pessoa que parecia ter o dom de fazê-la se sentir mais tranquila e segura, alguém que não deveria passar de uma mera desconhecida.
Mas acima de tudo queria Henry seguro e feliz, queria poder ter lhe dado tudo o que sempre pareceu lhe faltar. Queria seu riso genuíno ecoando pela casa, mesmo não se lembrando mais da última vez que havia ouvido, seus olhos verdes brilhando de empolgação e emoção, e faria de tudo para ele ter tudo aquilo, para ele ser tudo aquilo novamente custasse o que fosse.
Regina tinha razão: Henry era tudo, e tudo seria o mínimo que Emma faria para tê-lo de volta.
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Hook podia não afirmar com certeza, mas tinha a impressão de ver fumaça saindo do crânio de Regina, enquanto ela andava com passos largos, derrubando tudo o que estivesse acima de qualquer superfície do chão e esbravejando xingamentos sem fim para Emma.
– Aquela estúpida! COMO ELA PÔDE?! MALDITA SEJA! SALVADORA DE M...
– O que vamos fazer? – Guinchou Tinkerbell. Até mesmo ela parecia ter abandonado sua postura otimista e pensamentos positivos e parecia perdida e desamparada. Hook também não tinha uma boa impressão sobre a situação; Emma havia agido como qualquer um já esperaria que agisse: Instintiva, impulsiva e inconsequente. Se antes não tinham nada, agora tinham menos ainda, pois Emma Swan andava por aquela cidade ainda sem suas memórias, não tendo menor ideia da criatura de outro mundo que iria enfrentar.
Por mais apreensivo que se sentisse Hook achou melhor se resguardar; Não era novidade e ele tinham algumas diferenças do passado, que parecia ainda somar-se com uma dose de rivalidade atual que ele não sabia identificar da onde partira, então decidiu-se por ficar calado antes que qualquer coisa que ele falasse pudesse lhe custar a outra mão que ainda tinha. No entanto nem seu silêncio pareceu ser o suficiente para poupá-lo de sua ira:
– E você?! – Disse ela encurralando-o contra a parede em que estava encostado. Seus olhos estavam arregalados e pupilas dilatadas. Hook não reagiu quando ela o empurrou com as mãos espalmadas em seu tórax. – Você sabia disso?! Você sabia disso? VOCÊS... ESTAVAM... NOS... ENGANANDO... O... TEMPO... TODO?!
– Regina... – Disse a loira segurando os ombros da descontrolada rainha. Hook viu seus lábios tremerem, mas ela logo camuflou seu vacilo com uma carranca ainda mais nervosa.
– Eu sei tanto quanto você sobre isso, Regina... – Começou em sua defesa.
– Mentiroso! Seu pirata asqueroso, você a apoiou... Ontem você estava do lado dela quando...
– Sim, eu concordei com ela na discussão. – Aumentou seu tom, já cansado de tantas acusações. – Isto é diferente em encobrir uma atitude sem qualquer planejamento ou precaução.
– Se alguma coisa acontecer com Henry ou com ela... – Disse apontando o dedo acusador, seus lábios mais uma vez tremeram e a voz lhe traiu, quando Regina desistiu de sua ameaça e desabou na poltrona logo atrás de si escondendo o rosto em suas mãos.
Tinkerbell o repreendeu com o olhar como se ele fosse realmente o culpado pela aflição de Regina, antes de se sentar ao lado da morena e amparar seus ombros de maneira solidária.
– Regina, acalme-se, por favor. Sei que não temos ideia onde Henry está, nem como encontra-lo, nem sabemos direito o que Elphaba quer, nem temos muitas chances de localizá-la, e agora Emma sumiu e não sabemos como encontra-la também...
– Serio, Bell. – Interrompeu Hook antes que Regina tivesse um colapso, não que ele se importasse com ela, mas o mais provável que aconteceria em uma eventual explosão da morena seria voar todas as partes mais radioativas e perigosas em sua direção, ele preferia evitar o momento. – Já entendemos.
– ... Mas tenho certeza que as coisas vão melhorar! – Disse por fim tentando soar confiante, mas nem ela mesma parecia muito convencida de suas palavras. – Qual é pessoal?! Nós estamos do lado certo dessa vez, o bem sempre vence o mal!
Regina e Hook se entreolharam ambos compartilhando o mesmo sentimento diante as palavras da fada verde: Eles não eram bonzinhos. Por eventuais circunstâncias – e ironia do destino – encontravam-se naquela situação como se tivessem saltado de paraquedas, e tinham que lidar com o que tinham em mãos. Cada um com seus próprios motivos egoístas, que coincidentemente eram os mesmos motivos que os fariam salvar todo um reino. Seu altruísmo, assim como acreditava ser o de Regina, era puramente acidental, mas não menos motivado por isso.
Hook percebeu os olhos intensos de Regina persistirem em sua direção, não ameaçadores como de costume, mas ainda sim intimidadores. Por algum motivo desconhecido ela não precisou falar para ele entender que aquilo era uma trégua, um pedido de ajuda da parte da imponente rainha que no momento parecia tão perdida e insegura, Hook apenas sustentou o olhar sabendo que no fundo ela entenderia que estavam juntos naquilo.
– Ai está a oportunidade de por seu plano em prática. – Regina se levantou se dirigindo à ele. – Se quiser começar a bater de porta em porta à procura de Emma Swan como queriam eu não irei me opor.
– Pra nossa sorte eu tenho planos melhores que esse. – Disse passando o dedo sobre o metal frio do gancho afiado, mais como costume do que por ter algum objetivo em particular. – Estive pensando...
– Está ai uma novidade! – Disse com seu sarcasmo, Hook já estava preparado, e continuou como se Regina não tivesse falado nada.
– O garoto foi tirado da escola, pelo jeito de dentro da própria escola... Não é estranho que não tenha gritado? Nem ninguém tenha estranhado a presença de algum estranho?
Regina franziu as sobrancelhas escuras, os olhos eram distantes e pensativos, pela primeira vez desde que estavam em NY parecia estar prestando atenção seriamente à alguma coisa que ele falava. Hook viu isso como um encorajamento, para que prosseguisse:
– Quero dizer, quem quer que o tenha pego, já estava familiarizado com o garoto. Elphaba não conhecia nem Emma nem o garoto quando veio para esse mundo, deve ter precisado de um tempo para encontra-los, se aproximar deles...
– Para que pudesse então agir. – Regina completou seu pensamento. Hook acenou positivamente com a cabeça para ela. – Devemos voltar lá então.
Regina seguiu para a porta como um foguete, Hook foi logo atrás seguido de Tinkerbell, mas antes que a loira atravessasse a porta ele voltou-se para a garota e a fez recuar:
– Acho melhor você ficar.
– Mas eu quero ajudar... – Contestou do jeito que já esperava que faria, mas ele continuou barrando sua passagem pela porta.
– Fique aqui e ajudará mais do que se fosse com a gente. Caso Swan volte ou dê sinal de vida... Você se lembra do que Regina lhe falou como usar o telefone, não?
A garota mordeu os lábios de forma nervosa, aparentando ser ainda mais jovem do que realmente era. Regina havia passado as instruções de como usar um telefone nos primeiros dias que estavam ali, para terem uma maneira como se comunicar enquanto ela estava fora buscando pistas sobre o paradeiro de Emma e Henry. Tinkerbell não havia tido uma chance de testar seu aprendizado, e ainda não tinha segurança em usar a aparelhagem moderna desta época.
– Eu... Eu não sei se consigo... — — Disse insegura evitando seu olhar.
– Você consegue, eu sei que consegue. – Disse de forma motivadora, a mão inteira amparando seu ombro, sem ele nem ao menos saber o porquê de ter feito tal gesto. – Tem o número ai com você?
A garota meneou a cabeça afirmativamente, descobrindo o pulso da camisa de manga comprida que usava lhe mostrando os números riscados com caneta em seu pulso que ela fizera como uma garantia para que não se esquecesse desde o dia em que Regina lhe designara esta função, e ela parecera assumir com a responsabilidade de um grande ato. Se a situação não fosse tão precária e urgente Hook poderia rir do quão era adorável era.
– Ótimo, se algo acontecer nos avise...
– Hei... – A loira chamou sua atenção, e antes que seguisse o mesmo caminho de Regina escadas à baixo a garota lançou os braços em volta de seu pescoço e a apertou em um abraço confortável que o pegou de surpresa. – Boa sorte. Tomem cuidado, eu sei que vão conseguir.
Nem mesmo a urgência e a pressa desta vez foram o suficiente para impedi-lo de sorrir, diante do ato da garota. Hook também não podia negar que se sentiu motivado, uma nova dose de coragem e heroísmo que ele não era familiarizado o dominando. A confiança e força que a garota pareceu transmitir em seu ato pareceu ter o poder de lhe revigorar, ter alguém que parecia acreditar nele. Hook sempre ignorou suas palavras otimistas, mas aquele abraço ele não parecia ser capaz de ignorar nem que quisesse.
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Regina sentia o peso do mundo em seus ombros. Provavelmente se Emma ainda estivesse viva quando a encontrassem ela mesma mataria a Salvadora por deixá-la naquele estado. Poderia mata-la duas vezes, uma por toda a preocupação e medo que estava sentindo, e outra pelo sentimento de traição que lhe dominava, de ter sido enganada pela loira, logo agora que ela estava finalmente... Regina já deveria saber, se sentia idiota por ainda não ter aprendido; quantas mais vezes teria que sofrer até aprender que não deveria ceder aos sentimentos que sentia? Nada daquilo era confiável, todas as situações parecidas sempre resultaram em dor, e perda... Daniel, seu pai, sua mãe... Qualquer um que Regina parecia reservar um pedaço de seu coração mesmo que apenas por um momento, como Emma Swan, parecia traí-la, ou abandoná-la.
O caminho até a escola de Henry não demorou. O prédio estava cheio de crianças e pré-adolescentes que encararam com estranheza enquanto ela e Hook cortavam caminho entre eles. Hook ao seu lado escondeu o gancho no bolso e parecia ainda mais desconfortável sob o olhar arrogante dos alunos. Assim que conseguiu identificar a porta de vidro onde se lia “Diretoria” Regina se dirigiu para lá, sua cabeça ainda cheia de angústias e medos para pensar no que diria ou o que faria, até finalmente se depararem com uma senhora que aparentava ter cerca de 50 anos, cabelos penteados rigorosamente para trás e óculos redondos que faziam seus olhos escuros parecerem ainda menores. Estava sentada em uma mesa, na antessala que antecipava a sala da diretora onde lia e rabiscava alguns papéis.
– Bom dia. – Disse Regina se esforçando o máximo para ser educada, quando na verdade queria gritar e amaldiçoar qualquer um que cruzasse seu caminho. Mas ali não era Storybrooke, ela não era rainha de nada, nem prefeita naquela cidade desconhecida, e seus poderes tinham que ser poupados para Elphaba que era bem mais merecedora de tal honra do que aquela mulher comum.
– Bom dia. – Respondeu a mulher olhando brevemente para Regina e demorando-se um pouco mais em Hook, parecendo intrigada. Este só lhe lançou um sorriso sem graça e acenou levemente com a cabeça. – Posso ajuda-los?
– Provavelmente. – Disse Regina sustentando sua postura simpática, quase diplomática como quando era prefeita, e ao mesmo tempo tentava pensar em alguma história que soasse convencível para que a mulher lhes dessem algumas informações. – Meu nome é Regina, Regina... Swan e eu sou... Irmã da mãe de um de seus alunos, eu e meu... outro irmão – Disse olhando brevemente para Hook, antes de continuar – Não somos daqui, e estamos tomando conta do meu sobrinho Henry, enquanto sua mãe está viajando à trabalho. E nós notamos o comportamento um pouco diferente do meu sobrinho nesses dois dias, e achamos melhor vir até aqui para nos informar se houve alguma mudança, ou problema na escola...
“Você já foi melhor nisso, Regina” foi a única coisa que conseguiu pensar, cruzando os braços em volta de seu próprio corpo e batendo o pé nervosamente no chão, esperando que a mulher tivesse alguma informação relevante que colaborasse com ela sem muitas complicações.
– Sinto muito, mas a escola não se responsabiliza pelo comportamento de nossos alunos. – Começou categoricamente – Se seu sobrinho se envolve com as pessoas erradas, e faz coisas erradas...
– Não, eu não acho que meu fi-sobrinho, esteja se envolvendo com más influências nem nada disso...
– A escola tem uma psicóloga, se a mãe do menino achar melhor nós podemos encaminhá-lo para conversar com ela.
– Não, na verdade não acho necessário... Eu só...
– Ms. Swan – Disse ela altiva, Regina demorou alguns segundos para Regina se lembrar que a mulher se dirigia à ela. – Muitos pais e parentes vem até a escola reclamarem de seus filhos como se fosse obrigação da escola cuidar da educação de seus alunos. Nós já temos muitos problemas com a nossa administração e organização...
– Eu sei, eu não...
– Temos muitos problemas para resolver aqui na escola...
– Eu imagino que sim...
– (...) reorganizando todo um horário escolar desde o sumiço a dois dias da professora substituta Nancy, que nem o trabalho de nos dar algumas satisfações...
– Eu não quis dizer... – As palavras morreram em seus lábios ao mesmo tempo em que as palavras da mulher eram absorvidas por seu cérebro. Hook pareceu levar o mesmo tempo para entender o que se passava e quando Regina olhou para ele, ele já tinha os olhos pousados sobre ela cheios de compreensão. – Espere. A professora substituta, a senhora disse?
– Sim, já fazem dois dias que ela não aparece para suas aulas de inglês, isso precisou de todo um reajuste de horário das classes...
– A senhora sabe como eu poderia encontra-la? – Sua voz soou mais ansiosa do que pretendia, mas estava lá: Tinham conseguido algo, era uma pista e o mais próximo que estivera de Henry – e Emma agora – desde seu sumiço. Regina não acreditava que aquilo era coincidência, na verdade podia sentir cada célula de seu corpo vibrar de certeza da ligação entre estes fatos.
– Gostaria de falar com essa professora, talvez ela saiba algo sobre meu filho que possa me ajudar. – As palavras saiam rápidas, incontroláveis. Regina podia sentir as mãos tremendo, a adrenalina tomando conta de seu corpo.
– A senhora ouviu o que eu acabei de dizer? Nem nós da escola estamos conseguindo falar com a senhorita Nancy. Ela não atende nossos telefonemas, nem tenta se explicar...
– Sabe o endereço dessa professora? Algum lugar que podemos encontra-la? – Regina se inclinou sobre a mesa da mulher, espalmando as mãos sobre a mesa olhando de cima para a mulher que a olhou através dos óculos fundo de garrafa, com o queixo apoiado nas mãos analisando sua reação considerada exagerada, mas Regina não pôde evitar.
– Sinto muito Ms. Swan, mas eu não posso passar informações pessoais de nosso corpo docente nem de qualquer um em nossos registros. – Disse já se levantando, juntando os papéis que antes analisava em um bloco. – Caso a professora entre em contato a senhorita e o seu irmão estão convidados a virem ambos conversarem com a professora, ou com qualquer outro de nosso corpo docente...
– Era realmente importante que eu falasse com essa professora, senhora. – Disse Regina pausadamente, entre os dentes, já cansada daquela mulher que agora parecia representar o único empecilho entre ela e seu filho.
– Ms. Swan, com todo o respeito trabalho aqui como vice-diretora há mais de 15 anos e o que mais vejo são pais querendo jogar a responsabilidade de seus filhos para cima da escola. Se a senhora tem problemas com seu sobrinho, ou filho eu a aconselho que os trate em sua própria casa. – Disse saindo detrás da mesa, parando ao lado de Regina com toda sua pose e palavras cheias de morais, que nada tinham a ver com seu problema. – A maioria das crianças só precisa de amor, disciplina e uma família atenciosa que esteja disposta a encarar e resolver seus problemas. Uma bom dia, para a senhorita.
Regina já tinha erguido a mão cansada de toda aquela burocracia, suas células mágicas vibravam em seu interior, podia sentir a energia irrompendo de seu ser canalizando-se em vibrações mágicas e poderosas, a mão quase alcançou a caixa torácica da senhora, quando Hook a impediu segurando seu antebraço com firmeza. Regina olhou para ele perplexa, as sobrancelhas franzidas e em seus olhos uma ameaça direta de que se ele ficasse em seu caminho o coração arrancado primeiro seria o seu, mas ele disse com a voz controlada:
– Poupe sua magia, Elphaba vai precisar dela do que essa mulher, eu posso garantir. – Sussurrou com os dentes cerrados.
– Não temos tempo a perder, cada minuto que passamos nessa brincadeira de detetive Emma e Henry... Eles podem... – Não conseguia completar o pensamento, só de falar no nome dos dois a voz já lhe traía. Pensar que algo pudesse acontecer à eles era uma dor que lhe atingia até a alma, roubava-lhe o ar.
– E se você estiver fraca você não vai poder fazer nada para ajuda-los. – A mulher acabara de sair pela porta. Regina sacudiu o braço livrando-se de seu aperto, mordendo os lábios que mais uma vez teimavam em tremer. Sabia que Hook estava certo, mas ao ouvir suas palavras só a fez lembrar o quanto ela era insuficiente perto de Elphaba. Como poderia a vida deles depender dela se Regina era tão fraca comparada à outra mulher? – Vamos tentar do meu jeito.
E foi assim que Regina viu a si mesma encostada em uma das laterais da escola, encoberta por um arbusto mediano que podia facilmente disfarçar sua presença. De longe ela observava Hook que havia acabado de abordar a secretária de alguns minutos atrás enquanto a mulher se preparava para atravessar a rua. Mesmo de longe ela podia identificar seu sorriso picareta e postura galante. Regina balançou a cabeça incrédula que havia se deixado convencer pelo plano do pirata. Aquilo provavelmente só estava os atrasando, além das chances da mulher ir embora e sumir de suas vistas eram grandes e mais uma vez sem ela, eles não teriam nada para seguir o próximo passo. ”Você já foi mais sensata, Regina.”
Demorou mais uns segundos onde nada de definitivo pareceu se desenrolar à sua frente: A mulher atravessou a rua com Hook ao seu lado, tropeçou quando estava à alguns centímetros de abrir a porta de seu carro, Hook a amparou com a mão boa, escondendo o tempo inteiro o gancho no bolso do casaco. Regina não aguentou mais a espera, quando a mulher já estava dentro do carro, o desespero tomou conta de si, e ela tentou chegar até o lugar o mais rápido que as pernas pareceram capazes de correr, tentando impedir que a mulher sumisse de sua vista. Mas quando ela chegou lá ofegante – não sabia pelo esforço ou de raiva – a mulher deixara apenas a fumaça do escapamento para trás com Hook observando tranquilamente sua partida.
– O QUE VOCÊ FEZ?! DEIXOU ELA IR!!! – Regina mal tinha forças para gritar, provavelmente se tivesse mais força bateria no pirata que continuava com a mesma expressão impenetrável de antes. – AGORA NÃO TEMOS MAIS NADA!!!
– Nós nunca precisamos dela. – Disse sem alterar seu tom de voz diante à sua histeria. Regina já estava pronta para gritar novamente, quando Hook estendeu um molho de chaves em sua direção, penduradas pelo gancho de prata. – Precisamos disso aqui.
Regina olhou perplexa para as chaves, piscou algumas vezes antes de pegá-las em suas mãos e fechar o punho sobre elas como se fossem o objeto mais precioso de todo o mundo. Quando encarou novamente Hook ele estava com seu conhecido sorriso insolente no sorriso torto que ela tanto odiava. Decidiu que só naquela ocasião ela não teria vontade de amaldiçoa-lo ao ver aquela expressão.
– Não fique tão convencido. Seu único mérito por isto se deve o fato de você ter um pênis. – Disse com seu habitual sarcasmo, fazendo toda sua petulância desmoronar e dar lugar à uma careta.
– Ingrata.
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Emma encarou a grande obra em construção à sua frente. Era mais um daqueles prédios residenciais de muitos andares que custavam uma fortuna e enchiam cada vez mais as ruas de Nova York. Checou o relógio de pulso, os dois ponteiros sobrepunham-se no mais alto número, estava no horário.
Ela pensou que teria alguma dificuldade em entrar na construção, mas o lugar parecia deserto. Provavelmente era a hora de almoço dos trabalhadores, deixando que aparentemente ela fosse a única alma viva no lugar. A expectativa da solidão não lhe trouxe nenhum consolo, normalmente em qualquer outra situação Emma sairia do lugar e tentaria uma nova negociação em algum lugar mais público ou conhecido que lhe desse alguma vantagem, mas não nesse caso. Era Henry, e por ele ela não media as consequências de seus próprios atos para garantir sua segurança, mesmo que isso custasse sua própria vida.
Emma subiu em um pequeno elevador improvisado muito pouco confiável, provavelmente usado pelos trabalhadores para terem acesso aos andares superiores da construção. Quando enfim chegou ao último andar as instruções ditas pareceram fazer mais sentido do que nunca “O mais próximo do céu que conseguir alcançar”. O lugar ainda estava inacabado, algumas vigas se erguiam anunciando que amis andares seriam construídos acima deste, o vento era forte provavelmente causado por um acomunado de nuvens que se formava perto dali.
Emma andou pelo lugar, relativamente aberto a não ser por grandes máquinas e equipamentos que não lhe permitiam ter uma visão livre de todo o lugar, procurando algum sinal de vida, ou de seu filho, seu coração martelava contra suas costelas que parecia estar a ponto de quebra-las, Emma apertou o passo, não se lembrava de estar com tanto medo ou ansiosa como naquele momento em toda sua vida. Já estava quase convencida de que era a única pessoa presente no local quando uma voz fria, mas levemente familiar soou às suas costas.
– Estou satisfeita em ver que seguiu as minhas ordens, Salvadora.
Emma se virou lentamente, e o que encontrou a deixou surpresa e confusa. Aquela mulher era nada menos do que a professora substituta de Henry, um pouco diferente do dia em que se encontraram na escola para discutirem o comportamento de seu filho, mas ainda assim era ela. A mulher tinha uma adaga em mãos pressionada contra a jugular do menino que ela cercava com o próprio corpo, como uma serpente pronta para dar o bote. Henry mantinha o queixo erguido e o rosto determinado mesmo naquelas circunstâncias, seu cabelo era puxado para trás deixando sua garganta ainda mais exposta e vulnerável à lamina. Emma nunca sentiu tanto medo em sua vida.
– Por favor – Arriscou alguns passos curtos à frente, com as mãos erguidas em frente ao seu corpo mas mais consciente do que nunca da arma em seu bolso. – eu não sei o que vocês procuram, mas eu não sou quem vocês estão pensando...
Uma sonora gargalhada rompeu da garganta da mulher, fazendo um arrepio percorrer lhe a espinha. E com tom de deboche em sua voz aguda ela mais uma vez se pronunciou:
– Você é muito mais do que pensa que é, Emma Swan. Você e seu filho são muito mais do que você sequer pode imaginar na sua cabeça mundana. – Inclinou seu rosto próximo ao rosto de Henry olhando do menino para Emma, que em cada movimento seu ficava mais desesperada e impaciente. – Tão especiais, tão poderosos...
– Escuta, eu não sei o que você quer, mas por favor só deixe o Henry ir. Eu faço qualquer coisa... Eu fiz o que você pediu, eu não falei com ninguém sobre o telefonema, nem onde estava indo...
– Mãe, não... – O apelo saiu da boca de Henry, mesmo encurralado por aquela mulher ainda tivera coragem de tentar resistir, ao que a mulher respondeu puxando ainda mais seu cabelo para cima. Emma sentiu um orgulho inflamar como nunca por seu filho tão novo e valente, contribuindo para que as lágrimas que se acumulavam em seus olhos fossem ainda amis abundantes.
– O que quer que seja, por favor, só o deixe ir... Eu faço qualquer coisa...
A mulher parecia satisfeita com seu desespero crescente, um riso sádico e sombrio espalhando-se largo por seu rosto à medida que depositava um suave beijo na bochecha esquerda de Henry que se encolheu ao seu toque olhando-a com desprezo pelo canto dos olhos verdes.
– Não podemos fechar nossos negócios ainda, Salvadora. Ainda falta uma pessoa... Uma pessoa que está muito ansiosa para conhece-la. – Sua frase terminou ao mesmo tempo em que um relâmpago rasgou o céu com um estampido ensurdecedor, caindo muito próximo dali, Emma arriscaria talvez em cima do próprio prédio.
Como reflexo ela protegeu os ouvidos e encolheu ligeiramente o corpo, sem tirar os olhos da mulher que se manteve inabalável e seu filho que permaneciam imóveis no lugar em que os vira desde que haviam surgido. O vento lambia seus cabelos loiros espalhando-os sobre seu rosto atrapalhando sua visão, ao olhar para o céu, as nuvens cinza pareciam ainda mais densas e mais próximas do que estiveram a apenas alguns minutos atrás.
Os cabelos escuros da mulher agitavam-se desgrenhados em volta de seu rosto, quando esta olhou na direção das nuvens que pareciam se aproximar cada vez mais em uma velocidade anormal, parecendo extremamente satisfeita com isto.
– Ela está vindo.
O vento aumentou ainda mais sua velocidade. Emma se ajoelhou no chão agarrando-se à uma viga temendo por seu filho, mas ele não parecia estar sofrendo com a mudança de tempo exceto pelos cabelos que voavam em seu rosto. Um tornado parecia estar se formando diretamente na direção deles: Emma tentou gritar o nome de Henry e se arrastar para mais perto de onde estavam, mas qualquer movimento que fizesse era amortecido pelos ventos violentos que os envolvia. Mais um raio cortou o céu mais próximo e claro que o outro, Emma protegeu os olhos em volta do braço, o zumbido dos ventos tornava incapaz de ouvir qualquer coisa. Era como o fim do muno, os finais dos filmes apocalípticos, as mãos não aguentariam por muito ais tempo mantê-la presa ao chão, era só uma questão de tempo para que saísse voando pelos céus e tudo estaria acabado. Era o fim.
Fixou a imagem de Henry em sua cabeça, se este fosse seu fim gostaria de partir com a imagem da melhor coisa que lhe acontecera. Seus sorrisos, suas lembranças de bebê, o garoto corajoso que estava ali há apenas alguns metros... Esperava que Henry tivesse conseguido escapar, que estivesse escorado em alguma outra viga espalhada pelo andar, que sobrevivesse e crescesse forte e justo... Que alguém cuidasse dele para ela... Regina. A morena surgiu teimosamente em sua cabeça, em meio a tantos pensamentos sobre Henry, lhe lembrando da sensação que ela fora responsável nos últimos dias. A sensação de estar... viva, o contato com sua pele, a conexão que sentiam, o peso na consciência por tê-la enganado, o pedido de desculpas que nunca seria pronunciado... E se foi. O mundo silenciou-se, os ventos cessaram. Emma demorou alguns segundos para reunir coragem para abrir os olhos, mas quando abriu não viu nada do que esperava.
Emma estava ainda em cima do grande prédio, encolhida contra a viga e os nodos dos dedos doloridos da força com que se segurara contra ela. Ao olhar mais adiante viu Henry, os braços ainda amarrados em suas costas, porém livre das mãos da mulher que antes o tinha em suas mãos. Há poucos metros dele a mulher estava com o rosto voltado para o chão, os cabelos longos e negros cobrindo sua face, e ao seu lado uma outra figura tão alta quanto ela coberta com um longo vestido de veludo escuro estava de costas, e um chapéu pontudo no topo de sua cabeça, olhando para a vista que o prédio alto lhe proporcionava da cidade à sua frente.
Emma levantou-se tentando fazer o mínimo barulho possível, dando passos ligeiros e leves em direção as três pessoas a uma distância considerável dela, tentando se aproximar o máximo que podia de seu filho quando viu algo que a paralisou: A professora de Henry ergueu o rosto, mas da professora nada restava ali. Sua pele antes clara normalmente fora substituída por uma pele branca acinzentada, com veias roxas espalhando-se por seu rosto; seus olhos azuis agora pareciam ainda mais claros e doentios, e na lateral de seu corpo as garras de longos centímetros se projetavam de suas mãos ossudas.
– Mas que merda...? – Disse quase sem fôlego, incapaz de acreditar no que seus olhos viam.
– Prazer em finalmente conhece-la, Salvadora. – Disse uma voz diferente, mas Emma não conseguia tirar os olhos da criatura à sua frente, que se deleitava com seu espanto sorrindo com os dentes podres em sua direção. – Eu venho procurando por você a um longo tempo.
Quando Emma achou que as coisas não poderiam ficar mais estranhas a figura alta se virou em sua direção mais rápida do que seus olhos puderam acompanhar, um sorriso tão diabólico e sombrio quanto a outra, e olhos tão parecidos com os da outra, mas conseguiam ser ainda mais cruéis e ameaçadores. A pele era a único detalhe mais destoante entre as duas, além do poder que pareciam transmitir, era dotado de um verde brilhante de aparência fria e úmida lhe lembrando estranhamente um anfíbio gigante, porém muito mais mortal.
– Acho que ainda não fomos adequadamente apresentadas. – Disse com um sorriso nos lábios finos ofídios. – Eu sou Elphaba.
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Tinkerbell se sentia impotente e inútil naquela casa. Arrependia-se de não ter insistido em ir com Hook e Regina à procura de pistas, deveria ter brigado por sua escolha, ela também fazia parte do time, deviam estar juntos, por mais que eles não acreditassem e viviam brigando, eles eram mais forte juntos. Mas o olhar de Hook sempre pareceu tão convincente para ela, era tão fácil deixar-se levar por suas palavras quando ele tirava a máscara de homem arrogante e assumia a aparência de um homem bem intencionado e correto, como no fundo ela sempre acreditou que ele fosse.
“Estúpida, estúpida!” Hook não era nada disso do que sua cabeça teimava em fantasia-lo. Talvez Regina tivesse razão, ele não era mais do que um pirata egoísta e asqueroso, que só queria saber de seus próprios interesses, sem nenhum altruísmo ou bondade. Ele estava ali por Emma Swan, não era? Somente por isso ele estava cooperando tão arduamente, não por um bem maior, não por ninguém além dele mesmo e sua preciosa Emma Swan.
Tinkerbell se sentiu culpada por tais pensamentos cobiçadores, aquilo era inveja? Não, ela não poderia, era uma fada, fadas não sentem inveja, fadas não se apaixonam, viviam apenas em pró do bem maior e das outras pessoas, viviam para servir e ajudar sem esperar nada em troca além de satisfação própria não era? Foi por isso que esperou tantos anos em Neverland, foi pra isso que tinha nascido. Nada mais importava. Não precisava dos agradecimentos de Regina, nem do reconhecimento de Hook, só precisava que trabalhassem juntos em prol de todo um reino. Quando tudo estivesse consertado e acabado ela, finalmente poderia voltar e ser só... A fada verde.
Tratou de não pensar nestas coisas, e preocupar-se mais com o fato de que Hook e Regina poderiam estar se matando em algum canto da cidade enquanto Emma e Henry precisavam de ajuda. A loira caminhou pela casa de Emma Swan, untando algumas coisas que Regina havia derrubado no auge de sua fúria, e parando em cima do balcão da cozinha balançando as pernas no ar e cruzando os braços sobre o tórax. Distraidamente olhou para o cristal negro de Regina que em algum momento tinha sido deixado esquecido ali, inútil, como ela própria se sentia. Bufou impaciente, jogando o cristal no chão em um impulso de frustração ouvindo o estilhaçar do objeto ao atingir o chão.
Tinkerbell arregalou os olhos em pânico. Em um pulo desceu do balcão e se ajoelhou ao lado do objeto fragmentado em dezenas, talvez centenas de pedacinhos. Passou as mãos nervosamente por seus cabelos, incapaz de acreditar no seu próprio azar: Vira aquele cristal ser arremessado inúmeras vezes por Regina e Hook sem nenhum dano, porque aquilo tinha que acontecer logo com ela? Tudo bem que não havia servido para porcaria nenhuma, mas duvidava que Regina ia ficar feliz em ver seu apetrecho mágico destruído por sua irresponsabilidade. Provavelmente ela faria um escândalo, talvez perdesse suas asas mais uma vez. Tinkerbell, a fada da idiotice provavelmente seria um título apropriado para ela, depois disso.
– Droga, droga... – Disse tentando juntas os pedaços maiores em uma esperança inútil que o objeto se restaurasse como mágica, se sentindo ainda mais estúpida por lembrar que a magia nesse mundo era muito fraca para qualquer expectativa.
Escondeu os olhos sobre as mãos, balançando negativamente a cabeça incapaz de acreditar em sua irresponsabilidade. Hook tinha razão em lhe atribuir uma tarefa tão inútil como ficar ali mofando como a inútil que era, nem para tal ela parecia ser capaz de fazer com sucesso...
O tintilar foi quem a despertou de seus pensamentos autodepreciativos. O som suave a fez tirar as mãos dos próprios olhos, para encarar os fragmentos espatifados no chão vibrarem descontroladamente. Até erguerem-se alguns centímetros do chão. Tinkerbell observou intrigada todos os pedaços escuros se aproximarem e ao que parece fundirem-se voltando à sua forma original antes da queda. A garota ergueu a mão como se para comprovar que aquilo era real, mas antes que o tivesse em sua posse, o cristal irrompeu como uma bala de arma usada pelos humanos neste mundo, na direção da sala de estar.
A garota seguiu, tropeçando nos próprios pés, ainda não acreditando no que estava acontecendo. Ao chegar ao cômodo, viu o cristal flutuando acima do mapa que Hook e Regina passaram dias debruçados tentando encontrar o paradeiro de Elphaba. Se aproximando ainda mais, o viu sobre uma região ainda mais específica do mapa. Depois do choque inicial, Tinkerbell sorriu incrédula, dando pulinhos de alegria pela sala. O cristal de Regina não era tão inútil afinal. Nem ela. Sabia exatamente o que tinha que fazer.
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