Love is Redemption
6 Something To Believe In
Notas iniciais
– Swan está aqui.
Regina mal tivera tempo para repreendê-lo por entrar em seu quarto sem se anunciar. A notícia a pegou de surpresa, as sobrancelhas foram engatilhadas para cima e a boca entreaberta já pronta para lançar ofensas ao pirata não fez nenhum som.
– O que? – Ela se inclinou para frente, franzindo as sobrancelhas convencida de aquilo ser um mero erro de dicção do pirata.
– Ela está aqui. Emma Swan está subindo. – Confirmou com um sorriso otimista enfeitando o rosto enquanto gesticulava a cabeça e voltava para a sala onde Regina já podia ver Tinkerbell de esfregando os braços com expectativa próxima a porta.
A morena ainda permaneceu alguns segundos imóveis tentando entender com clareza o que acontecia, tendo a impressão de que havia se perdido dentro daquela história. Logo depois se levantou ainda confusa, indo se juntar aos outros dois companheiros de quarto. Estava tão submersa em seus questionamentos que nem se deu ao trabalho de debochar quando Hook tentou arduamente parecer mais apresentável ajeitando seu cabelo, ou quando checava o próprio hálito com a mão em concha sobre a boca. Tinkerbell revirou os olhos e deu um longo suspiro ao ver a cena, enquanto Regina enrolava melhor o nó que pendia frouxo do robe vinho que cobria seu pijama.
Pela janela as sombras crepusculares de um céu de tons de azuis gradientes combinadas com os últimos raios de um sol alaranjado projetavam sombras disformes sobre o tapete. Regina cruzou os braços, preferindo se concentrar nestas e no astro rei que anunciava o fim de mais um dia e o início da noite. Era uma cena bonita de se admirar; nem dia nem noite, um céu tão incerto quanto os sentimentos que lhe imperavam desde a noite anterior. Ponderou pela primeira vez desde que tivera aflita se aquilo não era nada mais do que coisa da sua cabeça. O fato de Emma Swan estar batendo em sua porta era um bom sinal, mas ainda assim era dominada por uma angústia indescritível.
Quando a campainha tocou Regina voltou-se para a porta, Tinkerbell se alinhou ao seu lado lhe dando um sorriso confiante que ela não se sentiu segura o suficiente para retribuir. Hook se adiantou até a maçaneta, abrindo-lhe caminho, ansioso para recepciona-la, mas foi surpreendido, quando Emma Swan o tirou de seu caminho com brutalidade e atravessou direto por ele como um raio. Fora tão rápido e inesperado que Regina só conseguiu ver seu rosto claramente e as marcas vermelhas que apresentavam quando o rosto de Emma Swan estava há poucos centímetros do seu, seus lábios lhe cuspiam palavras trêmulas.
– Onde está ele? O que você fez com ele? – Gritou desesperada. Regina tentou se livrar das mãos da loira que a imobilizavam contra a parede, mas a outra mulher tinha vantagem quando se tratava de força física. – Fala!
– O-oque você está falando? – Indagou no mesmo tom de Swan. Podia ver pelo canto dos olhos Tinkerbell e Hook cercando-as, mas estava nervosa e envolvida demais para perceber as reações que esboçavam, principalmente quando foi prensada com mais força e o aperto sobre seus pulsos ainda mais dolorosos.
– Onde está o meu filho? Se alguma coisa acontecer com ele, eu juro... – Hook e Tinkerbell puxaram o corpo de Swan para trás e ela em uma tentativa de se defender se virou para ambos. Regina foi deixada para lidar com o peso da informação que havia sido jogada sobre ela. As palavras de Emma Swan combinada com o desespero em que ela se debatia lhe trouxeram a confirmação do pressentimento que sentira.
Seu cérebro parecia estar adormecido. A possibilidade de perder Henry ou que algo o machucasse seu precioso filho mais uma vez a alcançou, abrindo portas para que o desespero e a fúria lhe consumissem. Enquanto Emma Swan se livrava dos dois pares de mãos que a tentavam deter e passou a invadir os quartos procurando por seu filho ausente, Regina quase podia sentir a ira se espalhando, quase como um veneno injetado diretamente em sua corrente sanguínea. Henry estava em perigo e era tudo culpa dos três idiotas que a cercavam. Hook duvidara dela, Tinkerbell e seu maldito otimismo e por fim Emma Swan e seu ceticismo cego ignorando seus avisos. A Rainha Má, a aura vingativa e impulsiva veio como trazida pelo vento, tomando controle sobre ela.
Swan passou diante dela depois de ter verificado a suíte que a fada e o pirata dividiam indo em direção ao seu quarto, mas não conseguiu chegar lá. Regina irrompeu a pequena sala e se jogou contra o corpo da ex-xerife que teve o corpo encurralado contra a parede: Emma Swan a olhou surpresa se revirando em suas mãos, tentando livrar-se dela, mas nem sua vantagem em força física fora o suficiente para parar a ira de Regina. A morena sentia a magia correr por seu corpo, evaporando por seus poros, a sensação de poder e controle anestesiando o pânico que sentia ao ter seu filho nas mãos de alguém como Elphaba.
– Isto é tudo culpa sua! – Cuspiu-lhe as palavras. – Se você tivesse me ouvido, se você tivesse acreditado em mim meu filho estaria a salvo!
– Regina...
– Cale a boca, fada! Você estava errada... Todos vocês estavam errados! – Sua cabeça virou-se olhando para a fada verde e o pirata ao seu lado que preferiram fitar o chão ao sustentar seu olhar fuzilante. — E agora o meu filho quem está pagando o preço por isso!
– Ele é meu filho. – Retrucou a loira, Regina voltou sua atenção novamente para ela. As mãos apertaram-se ainda mais em volta do ombro da loira a imprensando contra a parede. Incrível como mesmo em desvantagem ela ainda conseguia soar imponente. – E se não fosse por você e sua gente ele estaria seguro comigo!
– Eu lhe entreguei o meu bem mais precioso, e confiei em você para protegê-lo! – As lágrimas chegaram sem serem anunciadas, vacilando sua voz e enchendo-lhe os olhos — Sua negligência pôs Henry em perigo, sua teimosia o pôs nas mãos de algo que sua cabeça medíocre é incapaz de imaginar!
– Pare com isso! – Lhe respondeu ela ofegante, olhos verde esmeralda também marejados. – Pare com esta história sem sentido, pare com essas mentiras...
– Não ouse! Henry foi a coisa mais real, e mais verdadeira em toda a minha vida! – Rugiu como um animal ferido, uma lágrima teimosa manchou a tez dourada, as mãos tremiam compulsivamente quando a parede foi esmurrada ao lado da bochecha direita de Swan, fazendo a loira sobressair-se.
– Regina já chega! – O pirata se adiantou sobre as duas, mas sua exibição de ato heroico diante sua amada princesa Swan durou apenas até Regina virar a cabeça em sua direção e a mão direita fez um amplo gesto que foi o suficiente para seu corpo ser impulsionada para trás, fazendo-o ricochetear sobre uma das poltronas que tombou de costas junto com seu corpo.
Tinkerbell logo correu ao seu resgate, guinchando o nome do pirata. Quando Regina voltou-se novamente para a loira seus olhos verdes estavam arregalados. Abalada pelo ocorrido, mas não com medo. Sustentou seu olhar; o queixo erguido e o olhar desafiador diretamente em sua direção. Talvez tenha sido isto que a quebrou: A semelhança incontestável com seu menino, a coragem com a qual ela a enfrentou, mesmo intimidada, a fizeram refletir sobre a situação em que Henry poderia se encontrar naquele momento.
A sensação de perda e desespero mais uma vez tomaram conta de si, e a ira como uma fogueira foi abafada, restando apenas cinzas de aflição. Culpá-los e agredi-los não melhoraria sua situação, nem traria seu filho de volta, e apesar de sentir a necessidade de transferir toda a dor que sentia, de nomear culpados pelo fato, nada disso funcionaria. Sentiu-se perdida e só mais uma vez. Como quase sempre se sentiu, e nem mesmo Emma Swan que sempre pudera contar – mesmo a contragosto – não era de muita serventia sem suas memórias ou credulidade.
– Pode não acreditar em nada do que eu digo Miss. Swan, mas eu vou lhe dar algo no que acreditar: Eu vou encontrar meu filho e vou salvá-lo, custe o que custar. – Disse após um longo silêncio, erguendo a cabeça que estivera voltada para o piso até o momento. As lágrimas teimosas demais para serem contidas. – Então sugiro que se não vai me ajudar a recuperá-lo, saia do meu caminho.
Soltou o seu aperto já frouxo sobre a mulher e seguiu passos vacilantes em direção ao seu quarto. Não podia ver, mas não sentiu nenhum movimento sequer de Swan às suas costas. Pelo jeito, a mulher permanecera imóvel deixada com suas palavras.
– Nós ainda somos um time. Estamos fazendo isso juntos, não importa o que aconteça. – A voz da fada soou fraca, há poucos metros de distância, ainda ajudando o pirata a se recompor. – Apenas... Diga o que precisamos fazer e nós faremos sem contestar, Regina.
Como sempre Tinkerbell fazia sua tentativa de melhorar as coisas, desde que estavam ali. Era sua maneira de tentar aliviar o peso que Regina sentia, de fazê-la se sentir parte de toda a coisa, se sentir envolvida mais do que com si própria. Era uma pena que Regina não acreditava em seu altruísmo; no fundo ela ainda sabia que não havia como esconder nem negar quem ela realmente era. Hook estava certo afinal: Ela era e sempre seria a Rainha Má. Uma vilã que havia perdido tudo, uma mulher sozinha que não merecia um final feliz, mas ainda assim, que faria tudo o que pudesse para garantir que seu filho tivesse um.
– Se querem ajudar só não me atrapalhem. – Foi a última coisa que disse antes de bater a porta firmemente.
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Emma apertou as mãos suadas em torno do volante e tomou um longo suspiro tentando mais uma vez sua técnica de oxigenação cerebral para tentar diminuir a pressão em sua cabeça quando tinha mais problemas dos quais se sentia capaz de lidar ao mesmo tempo. Involuntariamente, mais uma vez seus olhos esgueiraram-se para a morena sentada no banco de carona ao seu lado: Regina tinha os olhos furiosos, mas contidos como uma fera acorrentada, na direção da janela. Os lábios eram uma linha fina comprimida, e as mãos apertavam-se e remexiam-se sobre seu colo. No banco traseiro a garota loira mal se mexia, com um olhar desconfortável e desconfiado que mantivera desde que entrara em seu carro.
Depois que Regina havia entrado em seu quarto a sala havia sido deixada em um silêncio incômodo. Aquelas pessoas com olhares tão familiares e cheios de expectativas em sua direção, como se a conhecessem bem mais do que os breves minutos em que ela irrompera por sua porta e fizera aquele escândalo. Emma não se atreveu a encará-los, uma parte sua envergonhada pela cena de que fizera, a outra era um redemoinho de ideias com a perda de Henry e as palavras de Regina se mesclando em sua cabeça. Emma sabia que deveria partir – principalmente depois de agir precipitadamente e ter ido até ali para acusar Regina, sem ter nenhuma prova concreta além do modo de tratamento -, deveria rondar mais uma vez o caminho percorrido por seu filho desde a escola e procurar provas, mesmo que não tivesse lhe rendido nenhum resultado das duas vezes que fizera antes de se dirigir até o hotel, deveria fazer como sempre fizera e tomar todas as responsabilidades para si, sem a ajuda de ninguém. Era seu filho, sua responsabilidade.
Mas não foi isso o que fez. Em vez disso, Emma cruzou os braços em volta de si, inibida, e manteve o olhar na sola dos próprios sapatos esperando escorada na porta pela reaparição de Regina. Não sabia exatamente o porquê tomara aquela decisão. Talvez pelo tom determinado e firme de Regina que inegavelmente lhe dava uma maior segurança, era como se aquela mulher fosse capaz de fazer qualquer coisa. Mas principalmente pela maneira como seus olhos brilharam e a emoção transbordara ao falar de Henry. Mais uma vez, a sensação de companhia e compreensão que parecia flutuar entre elas; por mais delirante que poderia estar sendo Regina parecia ser a única no mundo capaz de entendê-la, de dividir aquele fardo e dor com ela. Porque apesar de não acreditar em nenhuma sílaba da história mirabolante de Regina ela não podia duvidar do amor que aquela desconhecida sentia por seu filho, e mesmo que Emma não pudesse encontrar alguma explicação lógica para aquilo – assim como não conseguia explicar o arremesso do sujeito de couro pela sala -, sua intuição lhe dizia que a melhor chance que tinha de recuperar seu filho era ao lado de Regina.
Quando a morena voltou do quarto rapidamente, já totalmente vestida, ela e os outros dois tiveram uma breve conversa com poucas palavras onde concordaram que o tal Hook ficaria em casa lidando com um tal mapa. Emma não entendeu, nem fez questão de fazê-lo enquanto seu peito ardia com a urgência de ter seu filho de volta, de sair logo e revirar cada lugar de toda a cidade em busca de seu bem mais precioso. Quando Regina e a garota loira saíram pela porta ela as acompanhou em silêncio, nem Regina nem a moça objetaram sua presença, nem ela tentou se desculpar com Regina pois se descobriu incapaz de verbalizar um pedido de desculpas para aquela mulher imponente que mesmo com olhos repletos de medos e dúvidas – assim como a própria Emma se sentia – manteve sua postura inatingível.
As únicas palavras que trocaram foi antes de entrarem no bug mal estacionado às pressas em frente ao hotel, quando Regina lhe disse para leva-la por onde Henry teria passado da escola até ali.
– O que disseram a você exatamente? – A morena a surpreendeu. Emma piscou algumas vezes, a lembrança fazendo-a se remexer desconfortavelmente no assento
– Disse que estava com meu filho.
– Só? – Confirmou Regina, e Emma pode ver pelo canto dos olhos que a morena a encarava com um olhar desprovido de qualquer emoção que ela poderia traduzir.Emma olhava em seus olhos quando acenou a cabeça, antes de voltar atenção para a rua e pisar um pouco mais fundo no acelerador.
A escola estava escura e completamente fechada quando ela estacionou em frente, o carro mal encostou na calçada quando Regina irrompeu pela porta se adiantando até a fachada da construção. Emma não tardou a segui-la com passos largos se postando ao seu lado onde ela estava parada com as mãos erguidas, olhos fechados e sobrancelhas franzidas de modo concentrado.
– Eu não sinto nada. – Anunciou fazendo Emma olhar seu semblante. – Ela não está, nem esteve aqui.
– Ela quem?
– Elphaba. – Emma cometeu o erro de por costume ao ouvir a maioria das histórias duvidosas e fantasiosas de Regina deixar um rolar de olhos e um suspiro pesado lhe escapar. Isto foi o suficiente para inflamar a ira da morena mais uma vez.
– Escute Miss Swan, não estou aqui para aturar seu ceticismo e intolerância, se mesmo depois de tudo o que aconteceu ainda não acredita em mim, o que ainda está fazendo aqui?
– Eu só quero meu filho de volta...
– Assim como eu. – Concluiu ela, seus olhos castanhos fixos nos seus. – Então em vez de questionar e duvidar dos meus métodos, talvez você deva fazer algo de útil e me ajudar.
Emma deu um longo suspiro, cansada daquela discussão sem fim. Observou a garota loira se esgueirar até uma das laterais da escola, enquanto seguiu Regina subindo os poucos degraus que levavam até a grande porta de madeira da entrada do lugar.
– Eu acho que tenho algumas ferramentas no carro que podem me ajudar a abrir isto aqui, me dê um instante... – Murmurou virando-se em direção ao veículo, mas não chegou ao primeiro degrau quando ouviu o suave clic da fechadura sendo aberta, seguido do suave ranger da porta sendo empurrada.
Olhou para trás impressionada onde a morena já se adiantava para dentro do lugar sem olhar para trás. Bem, aquilo havia sido uma surpresa. Não esperava tal habilidade vinda da mulher, ela não parecia do tipo que praticava tais atos ilícitos como arrombamento de fechaduras, ainda mais realizando com tanta rapidez e habilidade.
Caminhou lado a lado com a mulher pelos largos corredores da escola. Regina manteve o braço estendido passando a ponta dos dedos sobre a superfície de paredes e portas pelas quais iam passando. Seus olhos estavam estreitos em uma expressão concentrada estampada em seu rosto.
– Você não acha que devemos entrar nas salas e procurar pistas? – Emma andava com passos largos para acompanhar a outra mulher lado a lado.
– É o que estou tentando fazer, Ms. Swan. E terei maior chance de sucesso caso a senhorita não me atrapalhe.
– Um olhar mais apurado poderia ser mais eficaz...
– Pensei que já havíamos passado dessa fase, Ms. Swan. – Disse a morena parando sua caminhada para encará-la de frente. Emma respirou fundo, encarando o olhar profundo que se fixava nela. – Se não concorda com meus métodos, nem acredita em mim não sei o que ainda faz aqui.
Rolou os olhos, cansada dos embates que pareciam se desenrolar tão facilmente entre elas. Não poderia dar a Regina uma resposta já que ela mesma não conseguiria responder para si mesma sua relutância em ficar longe da mulher desde que se conheceram. Nem a estranha sensação de segurança ou o quanto se sentia mais forte e confiante ao seu lado em sua busca por seu filho. Emma apoiou as mãos na cintura e seus olhos se desviaram vagando pelo resto do corredor que ainda não haviam percorrido. As sombras dançaram de maneira estranha na altura em que o corredor apresentava uma curva para a esquerda, fazendo-a franzir a sobrancelha intrigada.
– Tenho prioridades maiores em encontrar meu filho do que tentar convencê-la do...
– Shhhhh. – Disse ainda encarando a luz suave que surgia no piso, Regina se aprumou ao seu lado; Emma não a encarava mas podia sentir a fúria se apoderando do corpo ao seu lado.
–Não faça esse gesto para mim Ms. Swan! Quem você pensa que é para... – A voz de Regina ecoou pelo corredor, o ponto luminoso aproximava-se. Emma agiu rápido: Adiantou-se sobre a morena invadindo seu espaço pessoal, a mão em concha cobriu os lábios ainda em movimento de Regina, e seu corpo encostou o dela na porta na qual estavam em frente.
O corpo de Regina estava tenso sobre o seu, e foi só depois de seus olhos se encontrarem que Emma pareceu se dar conta do que havia acabado de fazer, e a cascata de sensações e emoções atingi-la de uma forma avassaladora; Suas respirações convergiam, e ela sentia o ar expirado pela morena lhe fazer cócegas entre os dedos. O peito de Regina subia e descia no ritmo de sua respiração pressionando seu próprio corpo, e os olhos amendoados estavam encravados nos seus em um misto de emoções que ela não conseguia traduzir, assim como não conseguia traduzir as próprias emoções que faziam seu estômago contorcer-se naquele momento. O momento de intimidade compartilhado a encheu de sensações que quebraram a apatia em que se via mergulhada há um bom tempo; Emma não entendeu como o peito pareceu se encher de uma sensação agridoce, como uma saudade de algo que nunca tivera, de um tempo que ainda não havia acontecido, de algo que não sentia ou uma lembrança que não tinha.
Estava tão envolvida naquele momento que quase se esqueceu do motivo que a levou até ali, até os sons suaves de passos desperta-la do fascínio que a morena despertava em si. Sentiu quase câimbra nos dedos quando estes abandonaram os lábios carnudos e macios de Regina e deslizaram pela lateral de seu corpo até a superfície sólida de madeira. Os olhos desceram inconscientemente do castanho de seus olhos para o vermelho profundo que pintava sua boca, a cicatriz que até ali havia escapado de sua atenção foi notada sobre o lábio entreaberto. Por mais inusitado que aquilo era para Emma, que nunca sentira este tipo de atração por uma mulher antes, era inegável sua vontade de tocá-los novamente, desta vez com os próprios lábios, prova-los com mais de um sentido que lhe pertencia. E a vontade só cresceu quando ela se aproximou ainda mais, a cabeça sobre o pescoço da morena, e seu cheiro invadiu lhe as narinas, tornando o ato de girar a maçaneta algo atrapalhado e bem mais complicado do que deveria ser.
Empurrou suavemente a porta guiando Regina para dentro da sala. A morena não lhe fez perguntas e se permitiu ser conduzida por ela sem soltar um som além da respiração pesada que era audível. Dentro da sala seus corpos foram separados; Regina se esgueirou até o quadro negro onde se apoiou e pareceu se esforçar o máximo para evitar o olhar de Emma que também se ocupou em esgueirar-se na porta e espiar o vigia noturno que passava pelo corredor percorrendo o chão e as paredes com sua lanterna, torcendo para que o motivo de seu coração bater tão descontroladamente fosse a adrenalina do medo de ser descoberta e não a presença daquela mulher.
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Regina tentou em vão controlar a onda de ansiedade que tomou conta de seu corpo após a abordagem da loira momentos antes. Seu coração batia forte contra suas costelas, retumbando como um tambor que Regina suspeitava que pudesse até mesmo ser ouvido por Emma há alguns metros de distância. Seus joelhos tremiam e ela se sentia insegura de ficar em pé sem apoio. Sua cabeça estava um turbilhão de pensamentos e dúvidas, afinal o que havia sido aquilo?
Por um momento ela achou que... Não era possível, era no mínimo um absurdo, mas... A maneira como Emma Swan a olhara era quase como se... Por muito poucos centímetros a salvadora quase a tinha beijado. Ao considerar esta ideia em sua cabeça Regina sentiu um frio na barriga incontrolável, ao mesmo tempo que os lábios superiores foram mordidos. Era quase impossível encarar a figura da loira, mesmo que de costas, sem ser tomada pela súbita vontade de retribuir o gesto, de termina-lo.
Oque infernos está acontecendo com você, Regina?! Ela é Emma Swan, a Salvadora, a filha de Snow White, a outra mãe de seu filho! Fosse o que fosse aquilo tinha que ser controlado, tinha que ser ignorado. Henry era sua prioridade, era só ele que importava, sua razão de viver. Emma Swan era apenas a consequência, o preço a ser pago para estar com seu filho, não era?
– Ele já foi. – Murmurou a loira atraindo sua atenção. Tinha as mãos nos bolsos e parecia quase tão desconfortável quanto Regina em ter que encará-la. A ex-rainha balançou a cabeça debilmente, desviando o olhar o quanto antes, assim como a própria Emma pareceu achar mais interessante encarar os próprios sapatos. – Você pode continuar hm, o que estava fazendo antes, só... hm, tente fazer menos barulho, ok?
– Certo. – Regina caminhou até a porta da sala, onde Emma Swan aguardava segurando-a aberta e a seguiu de perto logo atrás. Quando ergueu os braços e tentou canalizar sua energia na ponta dos dedos, descobriu-se com mais dificuldade do que o normal em invocar sua magia neste mundo. Suas mãos ainda tremiam levemente e concentração era algo que não existia, não quando sentia a presença de Emma tão próxima de si.
– Regina, está tudo bem? Eu posso... – Os dedos de Swan roçando mesmo sobre o casaco, foi quase como um choque percorrendo seu corpo. Regina desvencilhou-se quase como se o toque em seu braço queimasse. Suas células pareciam trabalhar freneticamente, a magia parecia evaporar por seus poros, incontrolável. Emma Swan continuava poderosa, mas não era só isso; sua própria magia parecia incontrolável, percorrendo em suas veias. Regina sabia o princípio da magia, as palavras de Rumple vieram com facilidade à sua mente: Magia é sobre emoções. E não podia negar que Emma Swan lhe causava uma onda de sentimentos fortes e conflitantes.
– ...
– Me dê um momento Ms. Swan, e-eu só pr-preciso...
– Regina... – Sua voz deixou seus lábios de maneira tão suave que foi impossível não encarar as duas esmeraldas e afogar-se nelas mais uma vez. Era quase como um magnetismo entre elas, impossível fugir do contato. Emma balançou as pernas trocando o apoio de seu peso, por um momento Regina pensou que ela iria se aproximar mais uma vez; seu próprio corpo parecia ter vontade própria se inclinando ligeiramente para frente ansioso por mais um contato, mas o momento foi quebrado pelo som de seu nome sendo dito mais uma vez.
Os passos apressados da outra loira de aparência mais jovem ecoaram pelo corredor enquanto a distância entre as duas aumentava, e mais uma vez olhares constrangidos eram desviados e evitados. Tinkerbell arfava quando as alcançou, trazia consigo um objeto escuro abraçado em seu peito que Regina não conseguiu distinguir na escuridão.
– Eu... Eu achei isto na lateral da escola, jogado no chão. – Quando estendeu a bolsa negra para frente a respiração de Emma cessou. Regina pode sentir o ar em torno de si mais denso também, quando as palavras de Emma vieram fracas e entrecortadas com o nervosismo.
– Is-isto é do Henry. É a mochila dele.
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