Love in the army
2 A Caminho do Exercito
Notas iniciais
Melissa
— Você vai conseguir, você vai conseguir — Eu dizia para mim.
Já fazia 10 minutos que eu estava em frente ao espelho dizendo a mesma coisa. Hoje era a etapa 2 do meu alistamento, teria de ir na base e passar por uma série de atividades, que iam desde uma prova de conhecimentos gerais até um treino de tiro. Ia ser um dia cansativo, mas ele era necessário afinal de contas não se pode deixar qualquer um entrar no exército.
Sou tirada dos meus devaneios pela voz estridente de Abby que invade meu quarto.
— Melissa Parker preparada para conhecer os homens mais lindos do mundo?
Me viro para ver a figura sorridente de Abby.
— Não estamos entrando no exército para conhecer homens Abby!
Ela ri e se joga em minha cama.
Abby Dawson era minha prima, mas diferente de mim que tinha olhos verdes e cabelos castanhos, ela era a Barbie em tamanho real, com longos cabelos loiros e alegres olhos azuis. Crescemos juntas, ela não era simplesmente minha prima, era como se fosse minha irmã.
— Mel, as vezes você é uma mala sem alça, sabia?
Ela diz ainda deitada na minha cama.
— Eu não sou uma mala sem alça, entrei no exército com proposito e tenho certeza que não foi para conhecer homens!
Digo cruzando os braços em frente ao meu corpo, com uma expressão irritada em meu rosto.
— Tá bom, não precisa se estressar.
Abby de repente fecha sua expressão sorridente de antes e fica com um olhar vago, agora sentada em minha cama.
Descruzo os braços e me sento na cama ao lado dela.
— Será que vamos conseguir Mel?
No olhar dela consigo ver certo medo afinal ela entrará no exército comigo. Seu pai quase teve um infarto quando Abby contou a novidade, a mãe dela me olhava agora como se eu fosse uma praga, ela achava que eu estava levando a filha dela para a morte certa. Eu não chamei Abby para ir comigo, apenas falei que iria me alistar como médica, no primeiro momento ela me olhou como se eu fosse um alien, mas logo depois ela sorriu para mim e disse que também iria se alistar.
Ela médica assim como eu, nos trabalhávamos no hospital Mercy no centro de Dallas desde que voltamos da faculdade em Nova York, somos médicas do ponto socorro com planos de ir para a traumatologia.
— Eu sei que parece assustador Abby, eu também tenho medo, mas é isso que eu quero, então não vou desistir!
Abby suspira e volta sorrir.
— Porque a grande Melissa nunca desisti.
É a minha vez de sorrir.
— Vamos Abby já está na hora de ir.
Quando descemos as escadas tinha uma comitiva nos esperando na sala de estar. Minha mãe, os pais de Abby, minha avó e minha prima Emma, essa última que fez meu sorriso diminuir.
— Nossa que grande comitiva, até parece que já estamos embarcando!
— Não é isso filha, é uma última tentativa de vocês desistirem dessa ideia.
Minha mãe disse com uma voz triste, para ela o exército era a pior coisa do mundo, era o que tinha tirado a vida do pai e agora levaria a minha.
— Se não bastasse você querer ir para o campo de morte, quer levar minha filha!
Minha tia Stela praticamente gritou para mim.
— Mãe pare com isso, não estamos indo para o campo de morte e eu já sou bem grandinha para tomar minhas próprias decisões, a Mel não está me obrigando a nada!
Depois desta fala de Abby a sala ficou em clima pesado, porque por mais que Tia Stela tentasse me culpar, ela sabia que a filha só fazia o que queria e que quando colocava algo cabeça ninguém a fazia mudar de ideia. Clima tenso foi cortado pela voz irritante de Emma.
— Sempre a doce Mel tentando ser o centro das atenções.
Aquilo me fez bufar, nos nunca nos demos bem, Emma era a típica patricinha que queria ser o centro do universo e isso me fazia a odiar. Tanto que uma vez acabamos trocando alguns tapas.
— Já chega disso, é minha decisão e eu vou servir e em momento algum obriguei Abby a ir comigo, nos duas vamos por conta própria.
— É isso Mel, nós já somos bem crescidas e podemos muito bem fazer nossas próprias escolhas.
— Vocês duas são tão parecidas com meu Adam.- vovó disse rindo.
Adam Dawson era meu avô, pai de minha mãe Coraline e do pai de Abby, meu tio Arthur. Era um advogado brilhante e muito teimoso, mamãe sempre disse que eu e Abby eramos sua cópia fiel em personalidade.
— Eu não vou dizer o que vocês duas devem fazer, pois acredito que cada um é o dono do seu destino, se quiserem entrar no exército, entrem e sejam as melhores.
Eu e Abby sorrimos e fomos abraçar nossa avó, ela sempre dava ótimos conselhos, pode-se dizer que era a voz da razão.
— Bom acho ninguém vai conseguir fazer vocês mudarem de ideia, então vamos eu levo vocês para o quartel.
Abby deu grito e foi abraçar o pai, depois de uma rápida despedida partimos rumo ao quartel, onde sei que nossa vida mudara para sempre, pelo menos eu espero.
Jonathan
Meu despertador toca ao fundo, desnecessário! Já estou acordado a horas, para falar a verdade nem dormi direito a noite. Hoje é a 2 º fase do meu alistamento, onde segundo meu pai se separa os bons dos medíocres. Ou seja, caso aconteça algo e eu não seja aprovado, posso esquecer minha família. É um pouco dramático, mas eu sei que caso eu fosse rejeitado pelo exército também seria pela minha família.
Ajeito minha jaqueta e desço para tomar o café, meus pais e minha irmã já estão a mesa.
— Bom dia a todos!
— Bom dia irmãozinho.
— acho que eu sou o mais velho Chloe.
Chloe tem 17 anos, é mais nova da família. Sempre fomos muitos próximos, mesmo com tendo 6 anos de diferença de idade.
— Espero que esteja preparado Jonathan, está na hora de você para de enrolação e se transformar em homem de verdade.
Meu pai ruge na mesa, acabando com momento com Chloe, que assim como eu desfaz seu sorriso.
— Richard pare com isso, Jon já é um homem.
Minha mãe olha para mim com um sorriso afetuoso no rosto, ela sempre foi mais carinhosa comigo.
— Deveria ter entrado no exército com 18 anos, não ter ficado perdendo tempo com coisas que não irão ter serventia nenhuma.
Meu pai se referia a minha faculdade, quando eu era criança devido aos meus problemas de saúde tinha certeza que não iria entrar no exército, então comecei a pensar em outras áreas para seguir. Sempre me interessei por montar coisas, bem como gostava também de motores, então foi inevitável me aproximar de engenharia mecânica.
Quando terminei o ensino médio ganhei uma bolsa para estudar engenharia, meu pai achou aquilo desnecessário, afinal de contas eu seria um soldado. Ele jamais aceitaria que eu entrasse para o exército pela parte técnica, pois isso seria o 2º lugar, e os Saunders sempre ficam em 1º.
Entretanto minha mãe acabou convencendo meu pai a deixar eu a fazer a universidade e ele mesmo a contragosto aceitou. Mas agora já estou formado e para ele já está mais do que na hora de eu me alistar. O café da manhã passou em um clima pesado, era isso que meu pai fazia deixava o clima tenso.
— Bom já está hora de eu ir, até mais tarde.
Antes que eu pudesse pôr os pés para fora de casa meu pai grita ao fundo.
— Lembre-se Jonathan, os Saunders sempre ficam em primeiro lugar jamais em segundo.
Com essa última fala já saio de casa, antes que ele resolva dar algum sermão. Na calçada de casa encontro Mike sentado.
— Ei, o que está fazendo aí?
— Me alistei também lembra?
Ele diz rindo como um idiota. Michael Cooper era meu amigo desde a infância, acretido que o fato de sermos vizinhos sempre nos aproximou. Quando eu o avisei que tinha me alistado, ele disse que também se alistaria. Pensei que fosse uma brincadeira, Mike era do tipo brincalhão e detestava seguir ordens, ou seja não tinha muito bem todas as características de um soldado.
— Vai continuar com essa ideia? Você um soldado?
— É isso ai, eu um soldado , ou melhor super mega soldado.
Ele diz rindo e gesticulando.
— Tá bem grande soldado, vamos antes que fiquemos atrasados.
De repente o sorriso de Mike dimunui.
— Claro, mas Jon você realmente está preparado para isso?
— Eu tenho que estar Mike, eu tenho de estar.
Ele dá um sorriso fraco e entramos em meu carro. Preparado 100% acho que não estou, mas não tenho escolha, está na hora de servir e ser um grande soldado pois os Saunders sempre os são primeiros, jamais os segundos. E com esse pensamento parto junto com Mike para o quartel, para se tudo der certo começar uma nova fase da minha vida.
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