Love comes softly
7 Johan
O suspiro que deixou seus lábios era algo acusador.
Suas sobrancelhas estavam unidas e havia uma veia em sua testa indicando o tamanho de sua irritação. Eu nunca mais vou acreditar nesse filho da...
“Tio Johan, tio Johan, vamos brincar!” O pequeno garoto pulou em seu colo, quase fazendo-o derrubar a comida.
“Richard, não pule no seu tio. Ele está comendo.” A voz feminina chamou a atenção do garoto e ele resmungou baixinho.
“Não tem problema Lana.” Johan abriu um sorriso forçado, mas colocou o sobrinho no chão. “Rick, por que você não vai brincar um pouco até eu ir para lá?”
“Tá bom...” Richard abaixou os olhos e saiu da cozinha, visivelmente desanimado.
Johan respirou fundo novamente, sentindo a irritação voltar a dominá-lo. Mas que merda.
Há exatamente uma hora, Josh ligara para o irmão mais novo, parecendo extremamente preocupado. Sua voz tremia e ele implorava pela ajuda de Johan. ‘O Richard está passando mal e eu não sei o que fazer! Ele fica chamando seu nome, Johan. Por favor, venha para cá!’, foi o que esse desgraçado disse.
O homem de cabelos castanhos não pensou duas vezes antes de trocar de camiseta, colocar um casaco e sair de casa.
O carro deslizou em alta velocidade pelas ruas, até ele estacionar de qualquer jeito em frente à casa do irmão e correr para dentro, batendo na porta inúmeras vezes até ser atendido. Mas quem me atendeu foi o Rick e ele estava muito bem.
Antes que pudesse perguntar ao sobrinho o que estava acontecendo, Josh apareceu logo em seguida, rindo e dizendo que tudo havia sido uma mentira para que Johan fosse ao almoço de família. E por família ele também quis dizer nossa mãe e nosso pai.
O homem de cabelos castanhos se levantou para xingar o irmão e ir embora, mas Richard se agarrou às suas pernas e implorou para que ele ficasse. Maldito coração mole!
“Que ótimo poder reunir a família toda para um almoço!” A voz de Josh quebrou o silêncio da mesa, fazendo todos olharem para ele. “A comida da minha esposa é a melhor.”
“Deixe de ser bobo Josh.” Lana riu e corou levemente.
“Lana, você está sendo muito delicada.” Johan encarou o irmão nos olhos e sorriu. “Deixe de ser esse grandessíssimo babaca que você é, Josh. Eu estou indo embora.”
“Johan, não fale assim com o seu irmão.” Sua mãe falou por fim, fazendo o segundo comentário a seu respeito. O primeiro foi para dizer que eu emagreci e depois ficamos em silêncio.
“Eu falo como eu quiser com ele.” O homem de cabelos castanhos murmurou, desviando o rosto para o lado. “Se eu soubesse, nem teria vindo para esse almoço.”
“Eu também não sabia que seria assim, estou tão feliz quanto você.” Ela respondeu, limpando os lábios com o guardanapo. “Na verdade, não sei por que seu irmão convidou seu pai.”
Johan suspirou. Porque o Josh é um babaca e esqueceu que meu pai não gosta de você!
Seu pai e sua mãe eram separados desde que ele estava na quinta série e isso fez com que um sorriso debochado tomasse conta dos lábios de Johan. Eu teria ido viver com meu pai desde o começo, se soubesse que seria expulso de casa no segundo ano do ensino médio.
Na verdade, assim que ficou sabendo que o filho havia sido expulso de casa, o pai de Johan não pensou duas vezes ante de ir bater na porta da casa da namorada do filho. Eu ia ficar um tempo na casa da minha namorada, pelo menos até pensar em algo, mas não cheguei a ficar nem um dia. Meu pai me achou e me levou com ele.
No meio do caminho, Vinicius – seu pai – desligou a música que tocava no rádio e perguntou por que Johan não havia ido direito para a sua casa, quando foi expulso pela mãe. ‘Porque eu pensei que você me expulsaria também. Achei que você apoiasse ela na escolha do que eu tenho que fazer com o meu futuro.’, foi a minha resposta.
Vinicius parou o carro no acostamento mais próximo e começou a rir. Seus olhos lacrimejavam e aquela era a primeira vez que ele via o pai gargalhar daquela forma.
“Johan, eu não me importo com o que você vai escolher para o futuro. Se você quiser virar striper então você vai virar striper. É a sua vida, não sou eu quem vai vivê-la para você. É por isso que você tem que escolher algo que agrade a si mesmo. Não eu, nem a sua mãe, mas você.” A resposta de seu pai foi se fixando lentamente em sua cabeça, até ele sentir um gentil toque em seus cabelos. “É por isso que eu e sua mãe nos separamos. Ela é controladora demais. Tudo tem que ser como ela quer.”
Lágrima se juntaram nos cantos dos olhos de Johan e ele abraçou o pai, sendo correspondido no mesmo instante.
“Vamos. Você vai morar comigo até entrar na faculdade que quer. Depois disso podemos procurar um lugar melhor para você ter mais privacidade.” Seu pai sorria enquanto acariciava seus cabelos e isso fez Johan se sentir protegido.
“Johan, eu estou falando com você!” A voz de sua mãe p acordou das lembranças. “Não me ignore, seu mal educado!”
“Foi você quem criou ele durante um bom tempo.” Vinicius se levantou da cadeira e colocou o guardanapo sobre a mesa. “Se não gostou do resultado, então culpe a si mesma.”
“Pai...” Josh pigarreou e fez um sinal com a cabeça para Richard, que voltara para a cozinha.
“Rick, eu e seu tio estamos indo embora. Lana, o almoço estava delicioso.” Vinicius passou a mão nos cabelos do neto e colocou a outra sobre o ombro de Johan. “Vamos?”
“Com certeza! Obrigado pela comida. Tchau Rick, se cuide.” O homem de cabelos castanhos também passou a mão pelos cabelos ruivos do garoto e saiu da casa sem dar tchau para mais ninguém.
Seu pai veio logo em seguida e ambos entraram no carro, suspirando assim que as portas se fecharam.
Antes que pudesse dizer algo, o celular de Johan tocou e Vinicius fez sinal para que o filho atendesse.
“Sim?” Ele respondeu no quarto toque.
“Oi cidadão.” Aquele comentário veio seguido de uma risada brincalhona. “Posso ir te buscar?”
“Eu preciso levar meu pai para casa. Por que não me encontra lá e vamos juntos?”
“Claro. Me passe o endereço e eu chego lá em cinco minutos.”
Johan passou o endereço para o policial e ele riu um pouco antes de responder:
“Johan, seu pai é meu vizinho.”
“O que?!” Seu comentário saiu alto demais, fazendo seu pai se assustar.
“Pois é. Que mundo pequeno! Eu vou te esperar lá na frente então. Até logo!” A chamada foi encerrada antes que Johan pudesse protestar.
Johan suspirou e guardou o celular, passando a mão pelos cabelos castanhos.
“Namorada?” Seu pai perguntou.
“Uhm... Quem sabe.” Ele sorriu e deu partida no carro. “Vamos para casa.”
X
Durante o caminho, Vinicius deixou o filho a par de todas as coisas boas que estavam acontecendo.
Como engravidou a mãe de Johan quando ambos tinham 18 anos, Vinicius estava com 41 anos atualmente e estava muito bem conservado, mantendo uma aparência de quem não havia passado dos 35 ainda. Por isso, era normal Johan ouvir o pai falar que estava namorando. Às vezes até eu esqueço a idade que ele tem.
“Ponto pai, chegamos.” O carro foi devidamente estacionado e Johan viu quando alguém se levantou da calçado e acenou para ele. Davi...
“Filho, por que esse policial está acenando para você?” Vinicius perguntou enquanto tirava o cinto de segurança.
“Uhm? Como você sabe que ele é policial?” O homem de cabelos castanhos olhou para Davi, constatando que ele não estava de uniforme.
“Ele é meu vizinho.” Seu pai arqueou uma sobrancelha. “Você o conhece?”
“Sim. É uma longa história, mas o que importa é que combinamos de ver um filme na casa dele hoje.”
“Filho... Esse homem é gay.” Vinicius franziu o cenho e fez um sinal com a cabeça na direção do policial. “Eu já o vi beijando um rapaz ali na frente.”
“Eu...” Johan respirou fundo e mordeu o lábio inferior. “Eu sei que ele é gay.”
O silêncio que se instalou no carro foi um tanto incomodo e Johan não sabia o que fazer enquanto suas bochechas coravam. Agora sim, meu pai vai me odiar. Merda, você não podia ser mais discreto Davi?
No entanto, ouvir a risada de seu pai fez com que o peso em suas costas fosse diminuindo aos poucos. O que...?
“Bom, eu vou entrar em casa então.” Vinicius levou a mão para abrir a porta, mas se deteve um instante. “Filho, você tem camisinha? Se quiser eu te dou uma.”
“Pai!” A palavra saiu um tom mais alta e levemente fina. Johan sentia suas bochechas arderem e só piorou quando o pai passou a mão em seus cabelos e riu de novo.
“É brincadeira” A porta foi aberta e ele saiu, virando-se para o filho mais uma vez. “Bom, divirtam-se.”
“Tchau pai!”
Vinicius saiu gargalhando e acenou para Davi antes de entrar em casa. O policial retribuiu o cumprimento, mas desviou os olhos azuis para Johan, que começava a sair do carro.
“Nem pergunte.” Foi seu primeiro comentário, assim que chegou perto de Davi.
X
Sentado no chão, tentando afastar o focinho da pastora alemã e rindo como se não houvesse amanhã, Davi parecia extremamente feliz.
Seus olhos estavam fechados, com lágrimas nos cantos, mas ele não conseguia se controlar, puxando o ar algumas vezes, apenas para continuar com a crise de risos.
“Eu vou morrer! Eu vou morrer! Duquesa, sai de cima de mim!” Davi empurrou a pastora alemã mais uma vez, mas sem obter sucesso. Ele estava completamente sem forças por conta da crise de riso.
“Pare de rir! Não foi você que teve que ouvir seu pai falando aquelas coisas!” Johan se arrependia a cada segundo por ter contado a Davi sobre o que seu pai comentou no carro.
“Desculpa, é só que...” O polical abraçou o animal e limpou as lágrimas, respirando fundo. “Sua expressão foi muito engraçada.”
“Eu fiquei com vergonha!”
“Eu sei, eu sei.” Davi apontou para a cozinha e pediu para que Duquesa voltasse para a casinha. “De qualquer maneira, obrigado por vir.”
“Nós já tínhamos isso combinado e eu não faço nada da vida. É claro que eu viria.” Johan coçou a nuca enquanto o vermelho de suas bochechas começava a sumir. “O que nós vamos assistir?”
“Você quem escolhe.” Davi deu de ombros e se sentou ao lado de Johan, no sofá.
“Eu não sei quais filmes você tem.”
“Aquela caixa ali está cheia de filmes.” O policial apontou para uma caixa de sapatos, que estava em baixo de um livro, ao lado da TV.
Johan fez um sinal positivo com a cabeça e se sentou no chão, pegando a caixa no colo e começando a mexer nos filmes.
“Irônico é um policial ter uma caixa cheia de filmes piratas.”
“Sou policial, mas não sou rico. Não tenho dinheiro para comprar filmes originais.” Davi se levantou e pegou Duquesa pela coleira, colocando-a para fora.
“Por que o nome da sua pastora alemã é Duquesa?” Johan perguntou enquanto lia a sinopse de um filme.
“Porque eu achei que combinava com ela. Além de ser um nome criativo.” O policial se sentou ao lado de Johan, no chão, e começou a ligar o DVD. “Escolheu o filme?”
“Pode ser esse aqui.” O filme de ação e aventura foi entregue nas mãos de Davi e o homem de cabelos castanhos foi um pouco para trás, dando espaço para que o aparelho fosse corretamente arrumado.
O policial pegou o filme e se inclinou para frente, mordendo o lábio inferior enquanto colocava o filme.
Sua camiseta estava levemente erguida na cintura, revelando a pele de seu abdome. Sua calça e estava um pouco abaixada, deixando à mostra a covinha que seguia direto para seu baixo ventre. Johan engoliu em seco. O que eu estou pensando?
Seus olhos subiram pelo corpo de Davi, demorando-se naqueles lábios levemente avermelhados. Meu pai disse que viu ele beijando outro homem... Será que era o Liam?
Uma pontada de ciúme apertou seu coração e ele só percebeu o que estava fazendo quando seus dedos tocaram a mão de Davi, que estava apoiada no chão.
“Johan? Algo errado?” O policial se virou no mesmo instante, encontrando o rapaz de cabelos castanhos, extremamente inclinado em sua direção, com o rosto exageradamente próximo. “Johan...?”
“Você já teve outros namorados, Davi? Mais alguém o beijou?” A pergunta saiu aos poucos, sussurrada, enquanto seus rostos se aproximavam ainda mais.
“Eu já... Já tive outros dois namorados.” Johan viu quando Davi engoliu em seco e mordeu o lábio inferior novamente.
“Diga Davi...” O homem de cabelos castanhos deixava que seus olhos vagassem pelo rosto de Davi, mas demorava-se nos lábios do policial. “Você sente vontade de fazer outras coisas comigo?”
A resposta não veio. Davi permaneceu em silêncio, observando enquanto Johan se aproximava cada vez mais.
Quando seus lábios estavam a milímetros de distância, Davi sorriu e se afastou, beijando a testa de Johan.
“Eu sinto vontade de fazer muitas coisas com você, Johan.” O policial deixou que o sorriso crescesse quando viu o olhar irritado de Johan. “Mas acho melhor ficarmos quietinhos e assistirmos ao filme agora.”
Davi se levantou e sentou no sofá, pegando o controle e selecionando as preferências de áudio e legenda do filme.
“Você ainda pensa nele, não é? No Liam.” O homem de cabelos castanhos ficou em pé e parou de frente para Davi, deixando que seus joelhos se encostassem. “Você ainda pensa nele. Você com certeza não quer gastar seu tempo comigo, sem nem saber se eu vou chegar a corresponder ao que você sente. É por isso que você me evita!”
“Eu disse ontem para você que pedi para o Liam sair de perto de mim porque eu quero você. Qual parte disso você está ignorando para ter essa crise de ciúme?” Havia um olhar incrédulo no rosto de Davi, mas ele parecia se controlar para não rir. “Por acaso isso é crise de insegurança? Você acha que eu não relo em você porque não te quero?”
Johan ficou em silêncio.
“Pois saiba que eu tenho precisado de muito autocontrole para não fazer nada com você. E eu só estou fazendo porque te respeito. Estou te dando tempo para decidir se você quer mesmo fazer esse teste ou não. Sinceramente? Eu tenho medo de você não gostar e me afastar. Aí sim, eu vou ficar em sérios problemas.” Davi finalizou, se inclinando um pouco para frente, olhando fixamente nos olhos de Johan.
“Ótimo. Então tudo bem. Eu quero fazer o teste. Prove que você vai realmente me fazer mudar de ideia.”
Sem precisar dizer mais nenhuma palavra, Johan teve a barra do casaco puxada para baixo, fazendo-o se desequilibrar e cair no colo de Davi.
O policial colocou a mão na nuca de Johan, puxando-o para perto e beijando seus lábios.
O toque levou uma onda de arrepios para o corpo do homem de cabelos castanhos e tudo o que ele fez foi retribuir a caricia, se inclinando mais um pouco contra o corpo de Davi e abrindo a boca para que o policial pudesse deslizar sua língua para dentro.
O beijo foi afoito e extremamente necessitado, causando todos os tipos de sensações em Johan que ele não sentira antes. Eu não senti esse tipo de coisa nem quando fui beijado pelo Rafael.
O braço direito de Davi estava firmemente entrelaçado na cintura do homem de cabelos castanhos, puxando-o para perto e apertando-o com destreza.
Os lábios só se separaram quando ar se mostrou necessário.
Davi estava ofegante, assim como Johan, mas eles não se afastaram. Os olhares se sustentavam e as testas estavam encostadas, então o homem de cabelos castanhos viu corretamente quando o policial sorriu.
“Ótimo. Agora você me deixou em um grande dilema.” Foi seu comentário depois do beijo.
“Dilema?” Johan perguntou em meio à respiração ofegante.
“Se você não tiver gostado da experiência, eu não sei o que vou fazer.” O sorriso de Davi ficou um pouco maior e ele deu um selinho em Johan antes de finalizar. “Porque estou completamente viciado em você.”
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