Love Will Light The Day

1 Esse amor poderia ser grande


Notas iniciais
Olá... Tenham calma que eu vou mostrar todos os núcleos até o capítulo 3... O nome dos capítulos são em referência à música "Love Will Light The Day" de Mariana e Matt. Enjoy :)

Em algum lugar do Mato Grosso, 1869.

O som das rodas da carroça não deixavam Mariana dormir. Sua mãe, Ana, se contorcia no aconchego do marido, enquanto Jesus roncava ao seu lado. Como ele poderia dormir em uma situação dessa? Algumas horas antes a menina tinha sido arrancada de sua cama sem explicações e colocada com suas roupas de dormir em uma carroceria, como se fosse uma bagagem qualquer. Sabia o que estava acontecendo. Desde que a guerra começara o vilarejo em que morava, cuja sua família possuía grande parte das terras, fora arruinado. Aos poucos as pessoas começaram a adoecer e morrer de fome, pois a comida não chegava mais. Seus pais então começaram a mudar para locais onde a comida era mais farta, mas não havia lugar assim no Paraguai. Era evidente que eles iriam morrer se continuassem ali. O Brasil iria dominar o território, mais cedo ou mais tarde.

— Para onde vamos, mama?

— Não está dormindo carinho? — Perguntou Ana abalada.

— Não consigo. A carroça balança muito.

— Esse país desagradável não tem estradas muito boas, não é?

— Então por que vamos morar aqui?

— Porque é aqui que tem comida e segurança carinho. Teremos que aguentar esses bárbaros, mas pelo menos não morreremos de fome. E seu pai tem posses no Rio de Janeiro.

— Mas...

— Volte a dormir Mariana. — repreende Ana cansada — Irá acordar seu irmão. Logo, logo chegaremos.

As duas afirmações de sua mãe estavam erradas. Jesus dormia um sono pesado e a viagem durou intermináveis dias. Chegaram à capital do império desalinhados e malcheirosos.

Um banho e comida fresca resolveu o problema inicial, mas não o maior deles. Ao longo do tempo da estadia da família Gutierrez no RJ, Mariana pode perceber os olhares tortos e as especulações sobre o seu país. E ela tinha que atura-los até nos eventos sociais, pois sua mãe insistia que a família comparecesse e se portasse com superioridade aos cachorros brasileiros.

Rio de Janeiro, 1875.

— Nós realmente precisamos ir mama? Já participamos de três saraus só essa semana!

— Saraus não são eventos que atraem pretendentes. Bailes são os melhores eventos. Sabe que o senhor Thomas estará presente e essa é uma oportunidade perfeita!

— Mama! Eu só tenho 17 anos. Não quero me casar com um inglês que nem a minha língua fala.

— Na sua idade eu já te tinha Mariana. — a mãe se senta exausta. — O senhor Thomas será um bom marido. Possui terras na Inglaterra e nos Estados Unidos, além de ter influência política em ambos. Sobre a língua, é sempre bom aprender novas.

— Como se fosse fácil aprender uma nova língua. — resmungou.

— O que disse? Ah não importa! Onde está seu irmão? Ele fugiu da aula particular novamente. Eu não sei mais o que fazer com esse bribón¹.

Eu gostaria de ter nascido homem para poder fugir do mesmo modo.

Santo Dios², Mariana!

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Eram 10 da manhã, mas Jesus já estava na quinta dose de cerveja. Não entendia o ódio de sua família pelos brasileiros e principalmente as brasileiras, pelo menos com aquela que sentava em seu colo.

— Você é um tanto novo para estar bebendo a essa hora não meu bom rapaz?

— Mas não é melhor fazer as coisas boas primeiro?

Ele se inclina e beija a clavícula da mulher e depois o decote revelador.

— Vejo que não é deste lugar, de onde vens?

— Se eu lhe pagar, você pode fazer o que eu quiser e sem perguntas?

— Se você me pagar eu até caso com você meu senhor. — ele ri.

— Pra isso o pagador sera você moça.

Os dois se levantam e partem para a saída da taverna, mas aquele que Jesus não gostaria de ver hoje aparece como um demônio enraivecido.

— Mas que diabos, como me encontraste Mozart? — pergunta Jesus divertido.

— Sabes que não me chamo assim. Não iriei ir atrás de você como a tua mamãe. Vim para beber com meu amigo que chegou de Portugal recentemente.

— Mas oras, tens amigos Chopin? Pensei que ficasse o dia todo debruçado sobre aquele instrumento que minha mãe insista que eu aprenda.

— Pois tenho Jesus. E nisto concordamos, sua mãe está completamente enganada se pensa que tú tens a capacidade de tocar algo com mais de três teclas.

— Oras seu...

Risadas ao fundo interrompem a rajada de raiva que Jesus despejaria no professor de piano, o tirando de sua fúria e o deixando curioso sobre o possível amigo de Brandon.

— Veja se não é um lugar medonho que tu me trouxeste Brandon. Lisboa nunca me pareceu mais bonita agora.

Jesus avaliou o homem. Não devia ser muito mais velho que ele. Seu cabelo grande era escuro e seus olhos repuxados. Não era branco e isso o intrigou. Parecia ter uma forte ascendência indígena dos pés a cabeça.

— Então amigo, não irá me apresentar ao cavaleiro?

— Jesus esse é Mateus Vasconcelos, filho do general Vasconcelos, ao qual o próprio imperador tem grande estima.

Mateus olhou para o garoto e se divertiu. Parecia profundamente enfurecido com Brandon e agora mais ainda quando descobriu quem ele era.

— Muito prazer senhor... — esticou a mão para cumprimentar.

— Gutierrez. — ele despensa o comprimento. — Se me dão licença, a dama me aguarda.

Matt e Brandon olham abismados um pro outro e como se o tempo não tivesse passado caem na gargalhada com a situação bizarra.

— O que fizeste ao pobre rapaz para tamanha consternação, meu amigo?

— Pode ter certeza que não é nem uma parcela da raiva que já passei.

— Parece ser um gentil moçoilo.

— Mas não o é! Me faz de idiota todas as vezes que tenho aulas marcadas com ele. Sua mãe insiste em me solicitar, mas não o segura em casa e faço eu papel de palerma.

Matt ri da situação do amigo, mas abafa a risada quando o olhar penetrante de Brandon o atravessa.

— Digo... — Matt limpa a garganta — que moleque horrível e mal educado. Mas por que ainda dá aulas de piano? O seu pai ainda não recuperou as finanças?

— Recuperou, mas não é para minha pessoa o dinheiro.

— Se não é para ti, então para quem é?

Brandon olha para o rosto do amigo e lembra dos segredos que dividiam, mas faz muito tempo e não consegue ver como ele lidaria com o seu segredo.

— Preciso beber primeiro. — diz Brandon.

— Pois eu também. — Os dois se sentam nas cadeiras empoeiradas do bar. — Alguém me traga uma cerveja brasileira porque da portuguesa já estou farto!

Continua...

bribón¹: Patife

Notas finais
Não se esqueça de deixar um comentário! tchau! xoxo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.