Love Was My Alibi
3 Capítulo 3

Capítulo 3
Entrei no Banco e senti uma lufada de ar condicionado, olhei o ambiente ele me parecia familiar, mas ao contrário do normal não tive um sensação de déjà vu. Eu pensava que ia me senti deslocada como se nunca houvesse pisado nesse lugar, mas eu sabia exatamente a aonde ir e o que fazer.
Ao final do dia eu havia sobrevivido literalmente a tudo, eu sabia o que fazer que hora fazer como falar e aparentemente todos do Banco me conheciam. Sai e olhei o final de tarde, o céu estava de um laranja impressionante, me virei para voltar para casa quando olhei uma árvore alta e frondosa que havia do outro lado da rua, então veio de repente à sensação de déjàvu e embaixo dela sentado calmamente estava ele. Uma das coisas que eu sempre costumava fazer quando ‘’revivia’’ era seguir o ritmo do mundo, ter uma vida normal. Mesmo que eu morresse todo dia, mas hoje seria diferente eu não ia seguir o ritmo, eu ia confrontar tudo isso que está acontecendo.
Estava na hora por o plano em ação, corri rumo a ele sem me importar com nada.
-VOCÊ AÍ! – gritei e ele olhou para mim com os olhos arregalados.
Eu já estava no meio da rua quando ele se levantou com um pulo e veio correndo em minha direção, parei onde estava e fiquei paralisada com a sua nova reação.
-CUIDADO! SAÍ! – gritava ele.
Olhei pro lado e dois carros vinham em minha direção sem a menor intenção de parar, ordenei que minhas pernas se movessem e nada, olhei pra frente à procura de ajuda, mas só o que senti foi um par de braços ao meu redor me abraçando, e então eu gritei.
Eu passei um tempo gritando e tudo o que ouvia era o meu grito, em nenhum momento parei de sentir os braços fortes ao meu redor, aquele escudo protetor, eu só queria ficar ali sã e salva.
-Ei, abre os olhos.
Abri os olhos e a primeira coisa que vi foram um par de olhos azuis, olhos tão profundos e expressivos, era aquele cara, mas de perto ele não era tão estranho assim bem de pertinho ele transmitia uma paz desconhecida por mim há um tempo. Então eu olhei ao redor e tudo estava paralisado, os carros estavam parados, as pessoas estavam paradas, até os pássaros no céu estavam, era como se o mundo estivesse em pane, à paz que sentia logo foi substituída por medo, mexi na minha bolsa pronta para por o plano em ação. Me aproveitei que os braços dele ainda estavam em mim e fiz um movimento rápido, eu não ia ser boba dessa vez.
-Me conta o que está acontecendo, ou então não serei a única a morrer hoje! – falei para ele, eu estava com uma faca pressionada em seu pescoço ao menor movimento eu o mataria.
-Você realmente não mudou, mesmo sem memórias. – disse ele com certa nostalgia, ele parecia não ter medo de morrer.
-Como você sabe que estou sem memórias? — perguntei pressionando mais a faca em seu pescoço.
-Eu sei tudo sobre você.
-Como? O que você é? Por que sempre morro quando te vejo? Por que as sensações de déjà vu? Como você me conhece?
-Eu te conheço porque eu sou seu namorado – ele falou tranquilamente, eu não consegui registrar isso.
Enquanto isso, estávamos na mesma posição parados no meio da rua, abraçados um no outro enquanto o mundo estava em pane, e eu com uma faca apontada pra sua garganta, minha mão tremia. Ele percebeu o meu estado e continuou falando mesmo que eu não suportasse, seu olhar me dizia que ele ia falar acima de tudo.
-Seu nome é Juliet Dominic, você tem 22 anos e você é minha namorada – ele falou e depois fez uma pausa – Nós sofremos um acidente juntos.
— O quê? – meus olhos se encheram de lágrimas – Então eu estou morta? Isso é o inferno? Você está mentindo!
Deixei a faca cair e comecei a bater em seu peito com ódio.
-Você está mentindo! Você é louco! – gritava alto, ele segurou os meus braços com ternura me deixando extravasar – Acha que vou acreditar em você? Eu não sou idiota.
-Foi você quem perguntou, eu só respondi. Não tenho culpa se você não tem suas memorias e não consegue ver a verdade. – respondeu petulante.
Depois de um tempo parei de bater nele, simplesmente me acalmei e respirei fundo, eu tinha que tomar uma decisão.
-Eu continuo duvidando de você. Mas mesmo assim irá me contar tudo o que sabe – falei decidida, me abaixei e peguei a faca rápida e tentei o ameaçar – Me conta senão eu te mato.
-Claro, eu conto – falou ele observando as minhas mãos um pouco trêmulas – Como eu ia dizendo, nós sofremos um acidente juntos. No dia 3 de março de 2015 resolvemos viajar de carro da nossa cidade até a cidade de sua família, afinal você tinha que contá-los que estava noiva.
Prendi a respiração, era como se a cada palavra que ele falasse uma cena se desenrolasse. Eu vi a sua surpresa e o pedido, senti como meu peito se encheu de emoção e amor, senti a alegria do momento, eu senti tudo.
-Eu me lembro que você estava tão feliz e tão radiante, você não andava você dava pulinhos – ele riu amargo – Mas é claro que você não lembra e nem acredita... Bom, então fomos de carro até a cidade vizinha eram umas 4 horas de viagem, um tempo curto e rápido. Saímos no fim da tarde, você passou o caminho quase todo cantando músicas melosas e sem sentido e rindo igual a uma retardada e eu sorria simplesmente por apreciar sua alegria. Do nada um temporal caiu, eu disse pra você que era melhor pararmos e esperarmos passar, mas você disse: ‘’Não dá, preciso contar logo para a mamãe senão eu vou explodir!’’, concordei e segui caminho. Em um trecho ficou bastante escuro, e a chuva não deixava ver a estrada direito, meu peito estava apertado, mas não dei importância, até que a estrada ficou escorregadia e o carro não agüentou e capotou varias vezes. Pode parecer piegas ou até clichê, mas eu vi seu rosto bem devagar enquanto capotava, eu vi tudo eu não me importava comigo era só com você, você lá naquele carro com os cabelos bagunçados e sangue escorrendo pelo seu corpo e depois eu apaguei. Acordei aqui, nesse mundo estranho e sem sentido e mesmo depois de presenciar o acidente ainda vi a mulher que eu amo morrer seis vezes.
Eu sentia um aperto forte em meu peito, como se meu ar fosse sido roubado de mim, eu vi as cenas com clareza na minha frente, eu pulando enquanto ia pro carro, as músicas melosas e ele sorrindo pra mim. Lembro como ele tentou me convencer a parar e esperar a chuva passar, e eu recusei por simplesmente querer esfregar o meu noivado na cara das pessoas. E eu me lembro de o carro capotar, mas ao contrário dele eu não vi o seu rosto eu só senti as pancadas. Eu não me lembrava de mais nada, só me veio essas cenas, mesmo que poucas se tornaram preciosas para mim.
-Qual é o seu álibi? – perguntei.
-Álibi?
-Isso, seu álibi que prova que você não me mataria. Eu morri seis vezes e voltei e todas elas foram depois que eu vi você, eu quero saber se você tem um álibi.
-Sério? Depois de tudo que eu te contei você ainda acha que eu a mataria, eu vi você morrer várias vezes. Você sabe o que é ver alguém que ama morrer várias e várias vezes em sua frente?
-Eu quero um álibi, uma prova. – eu poderia estar sendo egoísta, mas eu não me lembro de nada e não serei enganada.
-O meu amor é o meu álibi. Eu não a mataria por que eu a amo Juliet.
Fiquei surpresa pela resposta e meu coração começou a bater rápido, eu sentia que ele não mentia, mas não posso ser enganada. Pois eu estou sem memorias e ainda por cima marcada para morrer.
-O que aconteceu com a gente depois do acidente? – mudei de assunto, seus olhos azuis estavam tão tristes que meu peito doía.
-Nós ficamos em coma, eu e você nesse momento estamos em um quarto de hospital. Isso tudo que você vê, é um mundo feito para nos enganar, um mundo feito para que nunca acordemos do coma.
Eu fiquei paralisada, eu me lembrei de primeira vez que acordei aqui, sem memórias e sem um rumo, eu nunca pensei estar e coma. Eu já até pensei em viagem entre mundos, mas nunca pensei em um coma, afinal além das mortes ele é um mundo normal com pessoas, um trabalho, apartamento, uma vida normal.
-Como você sabe disso?
-Eu consigo ouvir as vozes, às vezes é a minha mãe, às vezes a minha irmã até a sua mãe eu consigo ouvir. Eu as ouço falando que logo vamos sair do coma e vamos voltar pra elas, são elas que não me fazem desistir. Aparentemente esse mundo é criado para iludir uma só pessoa, mas como sofremos um acidente juntos acabamos compartilhando o coma, ou seja, o mundo tinha que ser refeito para duas pessoas. Eu acho que quando as pessoas vêm para cá, as memórias de seus acidentes são apagadas e elas pensam que simplesmente dormiram e acordaram e que estão no mundo normal, nunca mais acordando na vida real. Você e eu Juliet perdemos as nossas memórias para que não conhecêssemos um ao outro no mundo. Mas ao contrario de você eu ouvi as vozes e revi as minhas memórias. – ele fez uma pausa — Eu acho que Deus está brincando com a gente. Depois que tive minhas memórias de volta o mundo assumiu uma posição de defesa, toda vez que você me visse, eles te matariam antes que eu te contasse tudo e você se tornasse consciente de tudo isso.
-Mas, por que as sensações de déjà vu?
-As sensações são todas nos lugares em que você tem memórias fortes, ou em que há muitas memórias neles. Você me via neles porque eu gostava de ir nesses lugares e me recordar por mim e por você.
Mesmo não estando muito confiante na sua palavra, perguntei:
-E agora? – perguntei nervosa – Como vamos sair daqui e acordar?
-Eu não sei... – respondeu ele – Mas eu tenho uma suspeita, eu acho que só vamos voltar depois que você recuperar suas memórias.
-Mas mesmo você me contando tudo isso eu só me lembrei de algumas cenas, como vou ter minhas memórias de volta?
-Eu tenho outras suspeitas, na verdade eu acho que só tem um jeito.
Ele se aproximou e meu corpo ficou alerta, ele olhou bem fundo em meus olhos como se estivesse me avisando de algo, eu só não sabia o que. Ele puxou a minha cintura e me beijou, eu resisti por um tempo, mas depois me deixei levar, era como se nossos corpos e bocas se conhecessem e se encaixassem perfeitamente.
Depois de um tempo ele simplesmente parou de beijar e finalizou com alguns selinhos, meu rosto queimava de vergonha e meu coração estava acelerado.
-E então você lembrou Juliet? – perguntou ele com ternura, suas duas mãos estavam cada uma em um lado do meu rosto. Eu não havia lembrado nada, mas eu senti uma coisa diferente, eu senti amor por ele, mesmo que no momento ele fosse um completo estranho para mim.
-Não... Eu não me lem...
E antes que eu entendesse o que estava acontecendo elas voltaram.
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