Love The Shadows
7 Meu pequeno familiar
Notas iniciais
–Mas como isso é possível?
Ezarel me olhava incrédulo. Se nem eu consigo acreditar que eu sou uma Faelienne, imagina ele. Eu olhava minha mão ainda não acreditando no que acabara de acontecer, a chama acendeu, tal como disse Valkyon. Eu sou Faelienne, eu sou desse mundo...
–Espera Miiko. –diz Kero- A chama, ela estava numa cor mais clara do que o normal...
–Quer dizer que ela é Mestiça? –perguntou Miiko.
–Não estou afirmando, mas por via das duvidas. –Kero olhou para Valkyon e depois para Ezarel como se estivesse pedindo uma explicação.
–Kero tem razão. –diz Ezarel- A chama estava mais clara do que o normal, então á grandes possibilidades dela ser Mestiça.
–E ela viveu a maior parte da vida no mundo dos humanos. –completa Valkyon. –Você não tem idéia de quem da sua família possa ser Faelienne?
Eu voltei a olhar a minha mão e busquei no mais fundo das minhas memórias. A primeira pessoa na que pensei foi na minha mãe, ela não aparenta ter sinais de ser uma criatura mágica. Pensei em meu pai, eu nunca prestei muita atenção nele, pois ele ficava o dia inteiro no trabalho, mas ele também não tem muitos traços de ser um Faelienne. Um avô talvez?
–Não. –digo olhando para outra direção- Não faço idéia. Mas, como vocês sabem que eu sou Mestiça? Já aconteceu alguma vez?
–Valkyon também é mestiço. –diz Ezarel.
–Sim, porém eu sou mais Faelienne que humano. –diz Valkyon.
Miiko começou a dizer alguma coisa e eles rapidamente se esqueceram de mim. Aproveitei essa chance e sai do Laboratório. Preciso de ar! Não tenho idéia pra onde eu estou indo, mas não quero parar. Quando decidi ver para onde eu estava indo, vi que estava na Vila de Eel. A vila é incrivelmente tranqüila, pessoas caminhavam sem presa alguma, crianças brincavam e riam.
Em um grupo de cinco crianças se encontrava Mery. Eles pareciam estar brincando com seus familiares. Fiquei parada observando-o, senti que meus lábios formavam um pequeno sorriso. Eu gosto de Mery!
Quando ele me viu, venho correndo para minha direção com um grande sorriso.
–Olá de novo, Samantha! –diz Mery.
–Oi, Mery... –minha voz saiu falha por alguma razão.
–Aconteceu alguma coisa? Você não parece bem. –parecia que ele estava preocupado.
–Não, eu estou bem...
Mery me encarou por alguns segundos, pegou minha mão e me levou para um lugar afastado, mas ainda dentro da Vila. Ele soltou minha mão e me olhou diretamente nos olhos.
–Samantha, você sabe que pode confiar em mim. –diz Mery. Suspirei e me sentei na grama mesmo. Mery se sentou do meu lado.
–Acabei de descobrir que eu sou uma Faelienne. –digo sem hesitar.
–Acaba de descobrir? –ele me olhou com certa curiosidade.
–Eu nunca te contei, né? –digo- Eu sou do Mundo Humano.
–Mas se você é do mundo humano, como é que chegou aqui?
–É o que eu também quero entender...
–Isso é demais! –ele pula de alegria me deixando confusa. –Eu nunca conheci um humano antes. É verdade que vocês já enviaram pessoas pra lua?
–Bem, sim... –seus olhos brilhavam de admiração, mas parece que ele lembrou-se do assunto.
–Oh, mas isso não é legal? –ele pergunta- Digo, descobrir que você é de uma espécie diferente dos outros humanos.
–... É, é bem legal –abracei meus joelhos e olhei pra baixo- Mas, não é isso que me deixa assim, é a minha família. Não sei como eles estão, se estão preocupados ou coisa do tipo. E só de pensar que isso aconteceu por causa de uma briga desnecessária.
–Vocês brigaram? Por quê?
Comecei a contar a ele os problemas que eu tinha com a minha família. Minha mãe praticamente me odiando, meu pai me ignorando e minhas birras diárias do Mike. Ele escutava tudo atentamente. É incrível como eu consigo falar desse tipo de coisa para um garotinho.
–Sabe... –digo- Você me lembra muito o meu irmão Mike.
Os cabelos loiros bagunçados e os olhos verdes me lembram muito a Mike. Uma lembrança venho como um flash a minha mente: Dois anos atrás, eu estava no banheiro buscando alguns curativos quando sem querer deixei cair uma caixinha que continha lentes de contato verdes. Eu guardei a caixinha sem dar a menor importância. Meus pais tinham olhos verdes e Mike também, somente eu tinha os olhos roxos.
–Samantha? –uma voz me tirou dos meus pensamentos. Era Kero. –Desculpa interromper, mas eu preciso que você me acompanhe. Preciso fazer um teste com você.
–Outro teste? –digo.
–Sim, mas esse pode te agradar. –ele sorri. –Vamos?
Levanto-me, limpo minhas roupas e olho para Mery.
–Obrigada Mery!
–Não precisa agradecer. É bom você ser desse mundo, assim vamos poder passar mais tempos juntos.
Nos despedimos e acompanhei Kero até o corredor das guardas. Ele me explicou que, como eu já era parte de uma Guarda e agora com a descoberta, Miiko permitiu-me ter um familiar. É a primeira boa ação do ano dela, como diz Kero. Ele pediu para que eu o esperasse, enquanto ele busca pelo teste.
Uns minutos e nada de Kero chegar. Pensei em ir buscar ele, mas eu nem sei onde ele está. Senti uma mão fria passar por minha cintura causando-me um arrepio. Fui levemente jogada na parede e dois braços bloquearam minha escapatória.
–Rainha da Beleza, o que faz aqui sozinha? –é Nevra quem me mantém prisioneira.
–Nevra, nunca mais faça isso! –digo irritada- Você me deu um baita susto.
Ele da uma risadinha debochada e levanta meu queixo.
–Você fica tão bonitinha irritada. –diz ele sorrindo de lado- Acho que vou te irritar mais vezes. –bufei e revirei os olhos.
–Já não me basta o Ezarel, agora vem você? –pergunto fingindo indignação. –Estou começando a pensar que vocês passam muito tempo juntos.
–Isso por acaso é ciúmes? –pergunta Nevra se aproximando mais de mim.
–Sinceramente, estou começando a duvidar dessa “amizade” de vocês. –fiz aspas com os dedos.
–Então você diz que Ezarel e eu podemos ter um caso? –ele pergunta incrédulo e dou de ombros. –Quer que eu te prove que eu gosto de garotas?
Antes mesmo de ele deixar-me responder, ele se aproximou violentamente ao meu rosto. Conseguia sentir sua respiração no meu rosto. Ele era duas palmas de mão mais alto que eu. Ele apenas encostou seus lábios nos meus sem juntar-los. Minhas bochechas ficaram quentes e sentia como se meu coração estivesse preste a sair do meu peito. Ele foi descendo devagar para o meu pescoço, sua respiração era gélida para uma pessoa normal.
–Caham! –alguém chamou a nossa atenção. Empurrei Nevra rapidamente e com o canto do olho vi que Kero nos olhava incomodado. –Atrapalho?
–Sim. –diz Nevra.
–Não. –digo vermelha como um tomate.
–Eu preciso fazer um teste com Samantha. –Kero olhava Nevra como se tentasse dizer “Vai embora logo!”.
Nevra não disse nenhuma palavra e ai indo embora quando Kero pegou o ombro dele e dedicando um olhar reprovador. Ele soltou o ombro de Nevra, deixando o mesmo ir embora. Não conseguia amenizar o rubor do meu rosto, Nevra ia mesmo me beijar?
–O Nevra é sempre assim com todas as garotas. –diz Kero- Você está bem?
–Sim, estou! –digo.
–Bem, vamos começar com o teste.
Igual como no teste das Guardas, Kero foi de dizendo as perguntas e eu dando as respostas. Pelo o que ele tinha me contado, havia somente três familiares disponíveis: Um Becola, um Sabali e um Corko. Não tinha nenhuma idéia de como eles eram, mas eu tinha muita curiosidade.
Kero estava fazendo as contas do resultado, mas ele parou fazenda uma expressão de confuso. Ele refez a conta e a expressão confusa permanecia.
–Aconteceu algo? –pergunto.
–Isso é estranho. –diz ele- Nenhuma das respostas te leva a um familiar em especifico.
–Como?
–O teste deveria informar com qual familiar você se levaria melhor, mas o resultado da em empate entre os três familiares. –ele folheou algumas paginas e fechou o livro. –Bom, isso nunca aconteceu antes, mas o mais apropriado será você ficar com um Becola.
–Becola?
–Sim, ele é um familiar perfeito para membros recentes da Guarda das Sombras. –diz Kero. –Venha, vou te mostrar o Becola.
Kero me levou para uma tal loja dos Familiares. O local era idêntico ao um Pet Shop, porém com criaturinhas de todas as formar, cores e tamanhos em vez de cachorros e gatos. Numa parte mais afastada da loja havia uma mesa com três Familiares.
DEVEM SER OS FAMILIARES QE KERO ME FALOU, pensei.
Kero pegou uma criaturinha que estava tranquilamente dormindo. O Becola me lembrava um Pokémon. Com a cor negra acinzentada, pico e um rabo que parecia uma folha. Era realmente fofo.
–Este é o Becola. –diz Kero entregando-me o pequeno- Ele geralmente gostar de passear a noite, por isso é considerado um familiar para a Guarda das Sombras.
O pequeno Becola bocejou se ajeitando em meus braços. Sorri com tal ação. Em uma mesa um pouco mais afastada, havia um ovo cheio de escamas negras e a ponta vermelha.
–Kero, que ovo é aquele? –pergunto.
–Ah, esses dias mandei o meu familiar de exploração e quando ele voltou, ele trouxe esse ovo com ele. Não sabemos de que familiar ou criatura é.
x-x-x
Já era de noite quando Ykhar me empurrou de volta para o quarto dela. Desde a tarde eu não a vejo, mas ela parecia bem ansiosa. Alajea já estava deitada, quase dormindo. Ykhar se sentou em sua cama olhando ansiosa pra mim.
–Então você é uma Faelienne? Isso é demais! Me pergunto de que espécie você é. –Ykhar falava tudo muito rápido, tive que pedir pra ela parar pra respirar.
–Sim, nem eu acredito. –digo- Existe algum teste para saber isso? –ela balança a cabeça negativamente.
–Onde você estava o dia todo Ykhar? –perguntou Alajea sonolenta.
–Er... Eu? Eu estava... Numa missão... –ela parecia nervosa. –E que nome você vai dar para o seu familiar, Samantha?
–Não sei ainda. –digo olhando para a criaturinha dormindo ao meu lado. Escutamos um ronco e olhamos diretamente para Alajea.
Ykhar riu e apagou a luz indo dormir também. Me deitei na cama improvisada olhando diretamente pro teto. Até o sono me dominar.
x-x-x
Deveria ser umas duas da noite quando acordei com um Becola me olhando preocupado.
–O que foi pequeno? –pergunto esfregando os olhos.
Ele abre as asinhas e sai voando pra fora do quarto. Começo a seguir ele pra fora do Q.G. O que aconteceu pra ele estar assim tão desesperado?
Bem na porta do Q.G. estava uma sombra grande. Quando me aproximei para ver melhor vi que era a criatura que ajudei na floresta quando fui pegar a seiva. Ele se aproximou devagar de mim. O pequeno Becola tentava se esconder no meu ombro.
A criatura se sentou a alguns pés de mim. Eu deveria estar com muito sono para não notar que eu estava acariciando a cabeça do animal. Ele não parecia se incomodar com aquilo. Seu pelo era macio e um pouco espetado.
–O que você faz aqui? –digo- Sabe que não pode estar aqui! Se te encontrarem não quero saber o que vai acontecer com você.
Não sei o que deu em mim para estar falando com ele.
Fale com o autor