Love Sucks

4 4- Guiter Hero


Notas iniciais
Mais um.

“São as minhas costas.”

House fechou a porta atrás de si. Em suas mãos estava a ficha da paciente que ele não iria ler. Ele olhou para a garota de no máximo 30 anos sentada á maca. Tinha cabelo loiro e olhos verdes. House suspirou.

“Deixe-me ver.” Falou ele fingindo estar interessado.

A garota tirou a camisa revelando uma enorme mancha vermelha.

“Coça muito.” Falou ela. “Está feio, não é?”

A garota coçou um pouco e depois pôs sua mão sobre a cama em que estava sentada novamente.

“Ahm... Já pensou que se você parasse de coçar isso não continuaria vermelho?” Falou House.

Ela franziu o cenho.

“Mas... O que eu tenho? É algo muito grave?” Perguntou.

House não mudou a sua expressão. Ele estava se perguntando por que tinha que perder tempo com casos tão inúteis se ele poderia estar resolvendo seus próprios quebra-cabeças.

“É... É muito grave.” Falou ele.

Ele pegou um bloco de medicação e começou a escrever.

“Mas não se preocupe. Eu vou receitar um pouco de veneno e você ficará bem.”

A garota ficou assustada.

“Veneno?!” Ela exclamou. “Mas... Isso não vai me matar?”

“Infelizmente...” House puxou a folha de papel e entregou á ela. “Não. Mas vai adiantar contra os mosquitos.”

“Mosquitos...” Repetiu ela. “Puxa! Porque eu não pensei nisso?!”

House sorriu fingindo ser gentil.

“Pois é... Vai ver eu estou errado. Vai ver não notou porque os seus reflexos são mais lerdos que...”

Ele parou de falar e começou a encarar o nada com muita atenção. Um de suas típicas idéias estava surgindo. A garota, no entanto, não sabia disso.

“Os... Meus reflexos, você dizia.” Ela lembrou-o.

“Dê um jeito nos mosquitos, e vá incomodar outro médico.” Ele levantou e saiu mancando até o andar de cima.

“Obrigada.” Sorriu Taylor.

“De nada.” Disse John encolhendo os ombros. “O travesseiro precisava mesmo ser afofado.”

Taylor olhou para a parede de vidro do lado direito da sua cama. As persianas estavam fechadas, mas ela podia ver algumas sombras passando de um lado para o outro. Algumas mais apressadas, outras mais calmas.

“John...” Falou ela. “Posso te pedir um outro favor?”

“Mas é claro.” Falou ele. “O que você quer?”

Ela olhou para ele.

“É que eu estou com sede. Será que pode pegar um refrigerante para mim naquela máquina do final do corredor?”

John assentiu.

“Posso. Eu estava com sede também. Aproveito e pego uma para mim.” Ele se levantou e abriu a porta de vidro. “Eu volto em um instante.”

“Ok.” Respondeu Taylor.

Assim que ele saiu Taylor pode ver sua sombra indo embora pelo corredor. Ela olhou para a TV na sua frente. Estava desligada. Ela estava imaginando se teriam notícias sobre ela passando nos jornais.

Então a porta se abriu.

“Já voltou?” Perguntou Taylor, mas viu que não era o John.

“Sentiu a minha falta?” Perguntou House.

Ela riu.

“Não esperava que fosse você.” Disse. “O que veio fazer aqui? Descobriu o que eu tenho?”

“Tenho que te fazer uma pergunta antes.” Falou House. “Quero saber se você faz sexo.”

Taylor franziu o cenho.

“Eu sou uma cantora Country, não uma roqueira.” Falou ela.

“Cantoras Country não se divertem mais como antigamente.” Murmurou House fingindo estar desapontado. “Mas ainda não respondeu a minha pergunta.”

“Com quem você acha que eu faria...?” Antes que ela pudesse terminar a pergunta, John abriu a porta.

“Eu trousse uma Coca e um Kuat. Qual dos dois você...?” John viu House. “... Prefere.”

“Olá John!” Sorriu House. “Estávamos falando de sexo. Não é engraçado como você sempre chega na hora certa?”

John revirou os olhos.

“Eu não sou seu paciente.” Falou ele.

“Mas ela é.” Falou House apontando para Taylor. “Quero saber se vocês já dormiram juntos. Sabe... Curiosidade médica.”

“Nós não somos...” Eles falaram juntos, e pararam para rir.

House revirou os olhos.

“Não brinca... Ta... Isso foi divertido. Agora voltando a minha pergunta...” Ele foi interrompido.

“Você não é um médico muito legal, sabia?” Disse John. “Já disse. Nós nunca fizemos isso.”

House estava pronto para falar mais alguma coisa, quando a porta da sala se abriu. Nela entraram Taub, Kutner e Treze.

Ver House ali os pegou de surpresa.

“O que você está fazendo aqui?” Perguntou Taub.

“O que vocês estão fazendo aqui? Era para estarem fazendo os testes.” Ele revirou os olhos. “Também não se tem mais lacaios como antigamente.”

“Nós já fizemos.” Disse Treze. “Como ela disse... Não usa drogas. Exame toxicológico limpo.”

“Certo...” Murmurou House pensativo. “Diagnósticos diferenciados.”

“Carência de...” Taub estava pronto para falar a sua idéia, mas House o interrompeu.

“Aqui não!” Exclamou ele. “Não está vendo que os dois pombinhos estão bebendo refrigerante?”

Taylor e John se entreolharam por alguns segundos, mas depois voltaram sua atenção para House e os outros médicos.

“Diagnósticos diferenciados...” Repetiu Taylor. “Dize isso quando querem descobrir o que eu tenho?”

“Não se ache especial.” Falou House. “Dizemos isso quando queremos descobrir o que todo mundo tem.”

Ele saiu da sala e os outros o acompanharam.

“Não sabia que gostava de conversar com os pacientes.” Comentou Kutner.

“É que eu sou fã dela.” Respondeu House.

“Sério?” Perguntou Taub.

“Não.” Disse ele. “Agora voltando ao que importa...”

House abriu a porta de sua sala. Ele foi direto para o seu quadro branco, e os outros se sentaram. Foreman já estava lá.

“Falta de ar, falha nos reflexos e cataplexia.” Falou House enquanto escrevia no quadro. “Ela caiu no chão por causa da falta de ar, e ficou completamente imóvel. Não conseguia se mexer nem falar. Com certeza... Cataplexia.”

“Cataplexia não é um diagnóstico.” Disse Foreman.

“É claro que não.” Falou House. “Mas é mais um sintoma. Só que nenhum dos meus médicos brilhantes pareceu notar isso. Que decepção.”

“Como eu ia dizer antes...” Falou Taub. “Carência de potássio explicaria tudo.”

“Os neurônios não respondem como deveriam. Ela perde os reflexos.” Explciou Treze. “Mas isso não explica a falta de ar.”

“Medo de palco.” Sugeriu Foreman. “Olha aquela multidão toda te encarar deve dar um frio na barriga.”

“Mas aquilo não foi na barriga. Não foi tão simples assim.” Protestou Treze.

“Então vejamos...” House escreveu duas palavras no quadro.

“Potássio x Neurosífilis” Leu Kutner. “Neurosífilis?! Acha que ela...?”

“É sexualmente ativa? Não sei, mas os exames vão comprovar.” Falou ele. “Façam o teste. Se ela tem neurosífilis, houve danos no sitema nervoso. Ela não reage como deveria o que provocou a cataplexia.”

“Ainda não explica a falta de ar.” Falou Treze.

“Façam os testes.” Falou House.

“Mas...!”

“Ela tem medo do palco. Isso explica a falta de ar.” Repetiu ele.

“Ela teve falta de ar hoje mesmo! A traquéia dela quase ficou obstruída.” Falou Treze. “Não tinha nenhuma platéia na frente dela naquela hora.”

“Façam o teste.” Insistiu House.

“Não.” Falou Treze.

House olhou para ela. Não? Isso ele não costumava ouvir.

“Você só quer fazê-la sofrer.” Disse Treze. “Não vou fazer parte disso, só porque você tem um problema com a paciente. Ou com o trabalho dela.”

Taub, Kutner e Foreman podiam sentir faíscas vindas do olhar dos dois. House fora contrariado, e todos naquela sala sabiam que ele não iria desistir assim tão fácil.

Mas depois de um longo silêncio...

“Ótimo.” Sorriu House. “Tenho outros meios de me divertir.”

Ele saiu da sala mancando, e todos ficaram em dúvida se deviam segui-lo ou não.

“Você está bem?” Perguntou John.

“Sim.” Respondeu Taylor tomando um gole de refrigerante. “Está ficando escuro John. É melhor você voltar para a sua casa.”

“Não tem problema.” Falou ele. “Eu combinei com a sua mãe. Vou ficar aqui enquanto ela vai em casa e volta.”

Taylor sorriu. Adorava ter a companhia dele, mas não queria deixar isso transparecer tão facilmente. Seu coração batia mais forte quando estava perto dele, e isso ela podia sentir.

De repente, a porta do quarto se abre.

“Olá de novo!” Disse House entrando no quarto.

“House...?” Taylor ficou muda quando o viu empurrar para dentro do quarto uma enorme TV tela plana, encima de um REC.

“O que é isso?” Perguntou John.

“O exame dela.” Falou House. “Vou testar os seus reflexos.”

Ele pegou uma guitarra e a deu para Taylor.

“Guita hero?” Perguntou ela sem acreditar. “Esse é o meu exame?”

“Sim.” Respondeu House ligando a TV. “Eu já ouvi umas músicas suas, e vi você na TV ás vezes. Seu ritmo é perfeito, e não erra nenhuma nota. Se tirar menos de 99% no nível máximo, então você tem neurosífilis, pois o dano no seu cérebro foi permanente e não momentâneo. Agora, se você conseguir... Quer dizer que tem carência de potássio. O que tem cura.”

Taylor franziu o cenho sem entender.

“Não pense que foi um elogio.” Falou House.

“Mas... Você testa todos os pacientes assim?” Perguntou ela.

“Não.” Falou ele. “Mas infelizmente o hospital quer que eu te trate como um paciente especial.”

“Ahm... Acho que tudo bem.” Disse ela.

O jogo começou. Primeiro tocou a música “I love rock’n roll” das The Runaways. Taylor conseguiu acertar 100% no nível de dificuldade máxima. Ela continuou tocando várias outras músicas. Nenhuma delas foi abaixo de 100%.

House olhava para a tela sem perder nenhum movimento dela. Aquilo era impressionante. Ele esperava que seus moviementos e seus reflexos tivessem sido afetados, mas pelo visto Treze tinha razão. Não era neurosífilis.

Quando ela terminou de tocar uma música do Kiss, House desligou o videogame.

“Parabéns.” Falou ele. “Você tem carência de potássio. Vai ficar bem quando começar a comer. Vamos te dar alguns comprimidos e você estará livre.”

“Você descobriu isso pelo jogo?” Perguntou alguém na porta do quarto.

Lá estava Cuddy.

“Se você quer um autógrafo entre na fila.” Brincou House.

“Eu sou a chefe. Não entro em filas.” Falou Cuddy andando na direção dele. “Falei para você não...”

“Fique feliz. Ela vai ficar bem.” Disse ele.

“De onde você tirou essa TV?” Perguntou ela.

“Da pediatria.” Falou ele. “Tinha umas criançinhas vendo Barney, mas falndo sério... Quem é que realmente gosta daquele dinossauro roxo esquisitão?”

Cuddy revirou os olhos.

“Devolva e faça um teste decente.” Ordenou. “Sinto muito por isso Taylor.”

“Sem problemas.” Sorriu ela. “Será que eu posso tirar um cochilo ou ainda vou ter que...”?

“Chega de testes por hoje. Pode descansar.” Disse Cuddy delicadamente. “O Dr. House não vai mais te incomodar.”

House levou a TV para fora e Cuddy saiu junto dele.

“Que maluco, hein?” Comentou John.

“Acho que eles dois se gostam.” Comentou Taylor.

Os dois riram.

Notas finais
Como ficou?

Espero que tenham gostado, e com certeza aguardo por reviews!