— Harry, tu estás … — mas não consigo completar a frase devido à repugnância. Fecho os olhos e não tenciono voltar a abri-los.

— É assim tão chocante ver um gajo em boxers? Bem, a maioria das raparigas não acha isso, mas… Vivian, está tudo bem. Faz de conta que estamos todos com fatos de banho. – tento digerir as palavras. Ok, imaginar que as pessoas estão normais, penso. Abro os olhos e juro que tento, mas está complicado.

— Anda, estamos aqui para divertirmo-nos. – ele agarra-me na mão e leva-me mais para fundo.

— Hei, Vivian, Harry, estamos a jogar ao marco pólo! – disse a Gemma lá mais para a frente.

Programei o meu cérebro para pensar que tudo isto é normal, não na parte racional que já não funciona a algum tempo, mas noutra parte qualquer.

Vamos para o pé de todos eles (não deixei de reparar que a Sam está bastante entusiasmada, talvez até mais entusiasmada do que o normal) e jogamos ao marco pólo bastantes vezes. Ainda fizemos uma competição de cavalitas aquáticas (como é obvio o meu par foi o Harry na maioria das vezes e algumas foi o Niall).

Com o passar do tempo o céu escurece e o ambiente torna-se mais frio. Saímos da água, vestimo-nos (fecho os olhos quando fazemos isto tudo) e cavalgamos para a casa dos Styles.

Quando lá chegámos já havia uns senhores à espera de recolher os cavalos. Paramos ( tive ajuda de um dos senhores a descer e reparei que o Harry não estava assim tão contente quanto isso). Os cavalos ficaram entregues e fomos todos para casa:

— O que acharam? – pergunta a Gemma entusiasmada.

— Foi brutal. – responde o Liam.

— Pois é, foi fantástico! Devemos repetir! – comenta o Zayn.

— Mas desta vez todos com fatos de banho. – digo. Não sei porquê toda a gente se ri.

Entramos em casa e deparamo-nos com os meus pais e a Anne a prepararem o jantar.

— Olá rapazes! Muitos rapazes! – diz o meu pai, surpreendido. Todos eles se apresentaram ao meu pai ( ele quase fez um relatório sobre a vida deles) e olha para mim e sobretudo para a Sam com um olhar matador.

— Então, divertiram-se? – pergunta a minha mãe enquanto tempera a salada.

— Divertimo-nos à grande! – responde o Niall. – Podemos ajudar em qualquer coisa?

— És muito simpático, Niall, mas não precisamos de ajuda nenhuma. Agora vão mas é tomar banho e vestir-se que depois vamos comer! – ordena a Anne apressadamente. – Gemma, Harry, Vivian, Sam, esperem um bocadinho.

Eu e a minha irmã olhámos com um ar de desentendimento ao Harry e a Gemma mas eles limitam-se a encolher os ombros. Por fim, quando todos abandonam a cozinha, a Anne dirige-nos a palavra.

— Os Clark´s voltaram.

— Quem? – perguntamos eu e a Sam ao mesmo tempo. Olho para a cara do Harry e vejo uma expressão de desagrado e medo.

-Os Clark´s são uma família cuja há a existência de dois irmãos, a Tracy e o Mark, ah, como hei de dizer, fora do normal…

— Á quanto tempo é que eles voltaram? – pergunta a Gemma.

— Para ai a umas duas horas atrás, calculo.

— Mas eles são maus? – pergunta a Sam, ainda sem perceber nada. Mas quando olho para a cara do Harry percebo logo.

— A Tracy o Mark são dois irmãos que vêem passar as suas férias de Verão aqui às vezes na sua casa de férias e tem tendência em chatear a mona às pessoas que querem viver em paz. Houve um ano em que se eu fosse ao cinema a Tracy ia atrás e assim adiante e o Mark é aquele estúpido que se mete com tudo o que é sexo oposto.

— Ya, tem cuidado com ele Vivian. Ele é um tarado que só diz piropos. Pode parecer muito encantador e charmoso, mas atrás daquela cara bonita há uma pessoa horrível e aproveitadora. Digo isto por experiencia própria. – avisa-me a Gemma. O que será que o Mark lhe terá feito?

— E eu? Ninguém me avisa para ter cuidado? Eu sou bastante atraente, sabem? – diz a Sam. Todos sem desmancham a rir menos a Sam, sem saber o que se estava a passar.

— Tu só tens 12 anos, querida. – diz a minha mãe. Por breves momentos pensei que ela e a Anne lá não estivessem com esta conversa toda.

— Mas sim, Sam, tem muito cuidado que o máximo que ele pode fazer é beijar-te. – diz a Gemma a rir-se.

— Mas isso não vai acontecer nem a ti nem a tua irmã porque eu não vou deixar. E este ano ninguém daquela família vos vai tocar com um dedinho agora que cá estou! – garante o meu pai com uma voz firme e protectora que associo sempre a um de um lobo a proteger as suas crias.

— Obrigada, Mr. Collins, à muito tempo que não sei o que é ter pai. – e faz um olhar triste. Vou direita a ela e abraço-a. É uma reacção mecânica.

— Mana, o pai não está aqui agora porque não lhe dá jeito. – diz a Anne.

— De qualquer das maneiras está aqui o meu marido – tenta animar a minha mãe.

— Sabes, não importa o quanto distante está o teu pai, o mais importante é que ele te ama a ti e ao Harry. – digo. É o instinto que me conduz a estas palavras de reconforto. E fazem surtido. A Gemma anima-se tão rapidamente quanto uma lágrima caí dos olhos de uma pessoa chorona.

Olho para o Harry, não sei bem porque, e vejo que ele está mais bem disposto e com uma expressão orgulhosa. Orgulhosa por a irmã estar animada? Talvez.

— Meninos, adivinhem quem vai ser o novo director do ciclo? – pergunta o meu pai, presume que seja para animar o ambiente. – Eu!!

— Não!!!!!! – grita a Sam.

— Siiim!!!! – tenta dizer o meu pai com uma expressão alegre.

— Não, pai!!!!!!! Acabas-te de destruir a minha reputação! – insiste a Sam.

— Querida, vai ser igual à excepção de que sou eu quem manda.

— Mesmo assim! – e ela faz uma cara zangada e sai da cozinha.

— Ela só está a fazer um drama. Não se preocupem. – assegura a minha mãe.

— Vão mas é tomar banho que o jantar está quase servido. – ordena a Anne. Acenamos que sim e vamos todos para os quartos prepararmo-nos.

Quando lá chegamos alguém está na casa de banho, por isso presumo que a Sam já se antecipou a lavar-se.

— Então, falta dois dias para o teu aniversário, ansiosa? – pergunta o Harry. Com toda esta confusão toda já nem me lembrava de que fazia anos.

— Eh, nem por isso.

— Então? Vais fazer 18 anos rapariga! Não é todos os dias que se faz 18 anos! – afirma a Gemma.

Mas evito o assunto. É o meu aniversário e só de pensar que vou estar longe da Jen e do Bill (O BILL!!!!) é doloroso.

A Sam sai da casa de banho só com uma toalha enrolado no seu corpo e com o cabelo todo molhado, mas quando ela vê o Harry dá um grito e larga os cremes que segurava nas mãos.

— Harry! Que surpresa agradável!

— Pois, eu estava já se saída…

— Não! Então eu sei que vocês estavam todos a falar!

— Sam, não faças figura de parva e volta para dentro da casa de banho. – digo, furiosa. Não sei porquê mas o facto de ver a minha irmã a mandar piropos ao Harry e a agir desta maneira irritava-me bastante! Mas porquê?

— Afinal não és tu que vais ter de aturar o pai durante o ano lectivo inteiro sendo ele o director da escola! – grita para mim. – Mas está bem, eu vou para a casa de banho, o único sítio onde me posso expressar sem ser julgada! – e volta para a casa de banho e bate com a porta.

— O que é que fiz? – digo, a segurar as minhas mãos na cabeça e sento-me em cima da cama da Gemma.

— Querida, tu não fizeste nada. – diz-me. Mas o que sei é que com o inicio da obsessão de tudo isto que me está a acontecer eu perdi toda a inocência.

Notas finais
Desculpem estar muito pequeno mas não tive quase tempo nenhum.