Notas iniciais
Este capítulo foi ajudado a escrever com uma grande amiga, a Cristiana Semião que sempre apoiou os One Direction - e as minhas Fic´s - incondicionalmente em qualquer momento e situação. Por isso este capítulo é lhe dedicado.

Toco no tronco enraizado de uma árvore e contorno as irregularidades. É exactamente como sempre pensei: uma erva tão verde e fresca como a Primavera, árvores enormes com cheiro a pinheiro e a Natal e os pássaros, cantando livremente. É como se ninguém estivesse perto de mim. Só eu e a natureza

Deslizo os meus pequenos dedos de fadas mais para baixo e encontro umas iniciais familiares : H+V. O que quererá dizer? Sinto o Harry baixar-se para ver também.

Oh não! Não pode ser! Impossível! A memória voltou!

— Foi aqui que … — tenta dizer o Harry, mas interrompo.

— … demos o primeiro beijo.

Recuo 6 anos atrás, e eu com 11 anos. Lá estava eu, encostada precisamente nesta árvore a remexer nas ervas. Mas não estava sozinha. O Harry, com 12, estava também encostado à árvore a olhar para o chão, mesmo a meu lado. Reviro os olhos para ele e ele para mim, mas desvio o olhar para o fundo do campo. As borboletas nervosas invadem o meu estômago. Ele vira-se para mim e eu para ele. E como se fosse uma espécie de magia, os nossos lábios unem-se num só. Uma explosão eminente surte do meu coração a mil à hora e ficamos ali uns 2 minutos.

— Amo-te. – murmura o Harry quando os nossos lábios se afastam mas as nossas faces ficam intactas e olhamo-nos nos olhos.

— Amo-te também. – remato em concordância e afloro um sorriso alegre. Beijamo-nos outra vez com mais intensidade e paixão. Depois afastamo-nos, ambos corados, e escrevemos as iniciais na árvore. E claro, beijamo-nos outra vez.

Volto à realidade quando me apercebo que estou de joelhos perante a árvore e ao meu lado o Harry sussurra:

— Depois disso encontrávamo-nos sempre aqui e contámos à Gemma dois dias depois. Os nossos pais nunca souberam. Ainda te lembras disso? – pergunta com uma expressão triste sem tirar os olhos das iniciais.

— Sim. – afirmo. Percebo que o campo era uma palavra chave para pensar no Harry e nas coisas boas, mas ao longo dos tempos fui-me esquecendo por causa do meu horário… e do Bill. Oh não, o Bill. Estou a rever memórias e o Bill e a Jen continuam as férias sem mim.

Depois remexo na erva onde à 6 anos remexi. Continua suave e fresca. Viro-me e encosto-me
à árvore como quando tinha 11 anos. O Harry faz o mesmo.

— E agora? – pergunta-me.

Não lhe respondo de imediato. Ainda digiro que já dei o primeiro beijo e nem sequer me lembro de nada. Nem sei se a sensação é artificial e o medo apodera-se de mim. Não só o medo mas também a curiosidade.

Olho para aqueles olhos verdes enigmáticos e para os lábios. Sobretudo para os lábios. E a curiosidade é maior.

Inclino-me para ele e quando os nossos lábios se aproximam hesito. Talvez por medo, talvez por que estou a errar. Mas ele foi mais rápido. Os nossos lábios unem-se e um calafrio passa por mim e as borboletas invadem novamente não só o meu estômago mas também os outros órgãos. Depois vem a parte complicada de explicar. Enquanto ele agarra o meu pescoço quente com as suas grandes mãos cuidadosas sinto um sentimento de traição. Que estou a trair o Bill por uma razão impenetrável.

Então paro. Ele percebe isso segundos depois e para também.

— Está tudo bem? -pergunta-me, preocupado. Afasto-me, viro-me de costas e apoio a minha cabeça já tonta nas minhas mãos. Este beijo não foi nada igual ao outro. Porque será que me senti assim? Porque foi toda aquela intensidade inexplicável possível?

— Quero saber mais coisas. – digo. Viro-me para ele e dou-lhe as mãos. – Como amigo.

Ele tenta evitar o olhar triste mas esforça-se por aplicar um sorriso na cara: — Então já sei onde vamos, até porque está a escurecer.

Ele agarra-me com força as mãos e do táxi leva-me a sua casa. Quando abro a porta vejo a cara de felizes dos meus pais, da Anne e da Gemma e claro, a expressão ciumenta da Sam.

— Então, onde foram? – pergunta a Anne.

— Pois, demoraram muito! – confirma a Sam num tom de repulsa.

— Fomos só passear e recordar os velhos tempos. – o Harry escolhe as palavras certas.

A minha mãe consegue sorrir e o meu pai tenta sorrir e saí qualquer coisinha parecida com um sorriso.

— Gemma, anda com a gente. – indica o Harry num murmuro.

Ela segue-nos até a ao quarto do Harry (vejo pelas coisas dele). Enquanto ele vasculha qualquer coisa numa gaveta a Gemma olha para mim bastante contente.

— Sabes, na estação estava mesmo preocupada, querida. Olha o que fui buscar hoje ao meu quarto. – e do bolso mostra-me um papel dobrado. Desdobra-o e vejo o meu nome e o da Gemma e por baixo dois macacos do nariz bastante reservados para o meu gosto. Rio-me e recuo 10 anos atrás. Estava no quarto da Gemma e fizemos aquilo como comprovação de que seriamos as melhores amigas para sempre. Foi um daqueles dias felizes. Como me poderia esquecer?

Depois olho para o Harry que nas mãos traz um fato de Mickey e no outro um fato de Minnie. E lembro-me de quando tinha 8 anos e ele 9 anos e na sala de estar cantávamos para toda a gente.

— É verdade, tens treinado? – pergunta a Gemma com uma expressão esperançosa. Como não percebo o que ela quer dizer olho para o Harry que me salva (mais ou menos).

— Ela esteve a cantar para mim. – talvez não ajudou mesmo nada.

— Então vá, cantem os dois! – pede a Gemma.

Como é óbvio fico envergonhada. Eu nem sei cantar! Só me lembrei disto agora!

O Harry agarra na minha mãe e como nunca soube explicar ele penetra o seu olhar protector e calmante no meu. Como se me estivesse a dizer que iria correr tudo bem, mas sem utilizar palavras para o expressar. Ele sorri e pergunta que música quero cantar.

— Bem… haa… e que tal a Love Story da Taylor Swift? – não tenho hipótese nenhuma.

— Ok, então fazemos assim, tu cantas primeiro e depois canto eu. – propõe o Harry. Fico logo aflita.

— Tem de ser mesmo assim? – pergunto.

— Siiim, Vivian! Não te preocupes. – assegura-me a Gemma.

As minhas observações são de que isto está tudo fora dos limites! Mas o meu pai diz sempre que vale a pena tentar, mas o problema é o medo. Mas,… o que é que há a perder?

Recomponho-me e começo a cantar as primeiras letras quando vejo a boca do Harry e da Gemma a abrir-se. Parei de imediato, assustada com as feições deles.

— Oh céus, desculpem se rompi algum dos vossos tímpanos ou seja lá o quê, oh deus Harry desculpa e agora não vais poder ouvir a tua banda – e tapo a boca com as mãos bastante aflita – oh Gemma desculpa se ficas-te muda, eu não queria nada disto!

E eles começam-se a rir bastante. Estranho. Pensei que romper tímpanos era uma coisa má.

— Vivian, tu só melhoras-te estes anos todos! – comenta a Gemma quase a chorar de rir.

— A tua voz é brilhante! Tu até podias ir ao X-Factor e ganhavas logo! Num piscar e abrir de olhos! – e inesperadamente abraça-me. Quando se afasta sei que a minha cara se parece a um macaco todo babado sem saber o que está a acontecer.

E como se nada fosse o Harry começa a cantar uma das músicas dele, segundo a Gemma. É brilhante a música. Aliás, genial! Quando termina eu digo:

— Uau, como é que eu nunca ouvi isso antes. – e ele lança-me um sorriso sem avisar.

Quando a Gemma ia prestes a falar ouvimos todos um barulho esquecido. Não vinha da janela ou dos pássaros lá do exterior. Aproximo-me da porta e quando a abro está a Sam a escutar atentamente.

Notas finais
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