Love Story - One Direction
3 Capítulo 3
Notas iniciais
— Quando é que chegamos? – pergunta pela septuagésima vez a Sam à minha mãe.
O comboio vai rápido e sei que faltam apenas 10 minutos para chegarmos ao destino pretendido, porém estou ansioso com apenas uma coisa: o campo. Apenas me lembro de que o ar é fresco e sente-se num estado livre. A sensação de que tanto ando à espera.
— Está quase! – responde a minha mãe já quase sem paciência.
— E como é que vai ser? Vamos ficar a dormir onde em 2 meses? – pergunto, curiosa com a resposta.
— Vamos ficar na casa da Anne. – a minha mãe remexe-se no assento do comboio e suspira – Já não estava a ver o dia em que passávamos cá umas férias.
A Sam resmunga e diz num tom baixo e desanimado de que vai ser uma seca, o que me faz rir.
Toda a viajem fiquei a pensar em duas pessoas: a Jen e o Bill. Bastante no Bill. Aqueles olhos azuis protectores, aquelas mãos seguras e firmes e aquele seu sorriso encantador. As borboletas voltaram ao meu estômago, mas desta vez tinham vontade de perfurar todos os meus órgãos e voltar para a natureza. Mas como não faz qualquer lógica tento evitar o assunto e concentro-me nas mensagens lamentáveis da Jen ao propósito que o Bill não responde.
— Hoje a direcção da escola vai telefonar-me para me avisarem sobre quem vai ser o director este ano. – diz o meu pai mais para a minha mãe do que para mim ou a minha irmã.
Olho para a janela e colo a cara ao vidro embaciado ao ver a bela paisagem verde. Completamente diferente de Londres. Completamente diferente do meu estilo do dia-a-dia. Gosto.
— E o que pudemos fazer de interessante em Holme Chapel? – pergunta a Sam sem mostrar qualquer interesse da parte dela.
— Pode-se fazer várias coisas interessantes … — mas a minha mãe interrompe o meu pai.
— Sim, querida, há lojas!
A minha irmã revira os olhos mas antes de conseguir voltar a colocar os fones do seu mp3 nas orelhas o comboio começa a parar lentamente.
— Chegamos! – anuncia a minha mãe que aparentemente aflorou um sorriso nos lábios.
Levantámo-nos os quatro dos assentos forrados com um tecido macio, pegámos em toda a bagagem – fiquei com uma mochila e a mala com rodinhas com a minha roupa – e dirigimo-nos através da confusão dos passageiros para as portas automáticas. Fui a última a sair do compartimento e quando os meus pés assentaram no chão terrestre inpirei fundo e fechei os olhos. Holmes Chapel é sem dúvida a minha casa.
— Ali estão eles! – indicou a minha mãe para a extremidade da estação, mas não consegui ver nada devido às pessoas que passavam de canto a canto.
Eles?, penso. Não me lembro de os meus pais me dizerem que a Anne nos vinha buscar com companhia. Dificilmente a minha família atravessa a multidão e chegamos não à Anne mas também perto de uma rapariga bastante semelhante à Anne e a um rapaz com o cabelo grande e bastante encaracolado. Mas o mais assustador foi que aquelas duas caras me são familiares de qualquer lado.
A minha mãe inclina-se para cumprimentar a Anne bastante eufórica e o meu pai fica a cumprimentar a rapariga quando a Sam dá um grito:
— Oh céus, não pode ser! Mãe, o que é que o Harry Styles está a fazer à minha espera? – a cara dela semelhava-se a uma criança ao ver o seu ídolo a cantar na sua festa de aniversário.
— Querida, estes são os filhos da Anne, o Harry e a Gemma. – apresenta a minha mãe não só à Sam mas também a mim, enquanto se ri com a família toda da Anne. Mas o mais perturbador de tudo é que não conheço o tal Harry Styles e que os meus olhos cruzam-se com os dele. Aqueles olhos verdes fascinantes penetraram nos meus olhos verdes-esmeralda e foi como se dois mundos se unissem. Como se tudo começasse a não fazer sentido e ao mesmo tempo estivessem bem, sem me importar.
— Olá – cumprimenta-me com um sorriso sedutor – Ainda te lembras do “ Mouses´s Show”?
— Não… Era suposto lembrar-me? – respondo num tom ignorante e distante. O sorriso some-se e um olhar triste preencheu o seu rosto puro. Fico bastante incomodada mas acho que não escolho as palavras certas para o recompor – Eu sou a Vivian.
Ele começa-se a rir: — Eu sei.
A minha mãe e o meu pai estão entretidos a falar com a Anne e a Gemma põe-se a meu lado e da Sam, mas antes de dizer alguma coisa a minha irmã mais nova abraça o Harry. Peloa expressão dele ele não estava nada à espera de uma situação destas.
— Sou a Gemma – diz a filha da Anne e apertamos as mãos – Lembras-te de mim, certo? Lembras-te das nossas brincadeiras com o Harry, não é?
Aceno afirmativamente com a melhor convicção que consigo encontrar. Vejo que os resultados foram positivos.
— Uff, ainda bem! – e sem mais nem menos a Gemma abraça-me como se não houvesse amanhã Durante o que me pareceu uma eternidade sufocada pelo abraço vejo o tal rapaz a sorrir para nós — ou mais para mim do que devia – enquanto a Sam tentava falar com ele ou mandar piropos e os meus pais falavam com a Anne.
Por fim a Gemma liberta-me e sorri. Fez-me lembrar bastante a Anne nas fotografias com a minha mãe no liceu.
Todos começamos a andar em direcção provavelmente ao carro. Todos estão misturados: Em frente vai a Anne e os meus pais todos contente e ao meio vai o Harry – que não para de olhar para mim – a Gemma e a Sam bastante ansiosa por contar às amigas que esteve … pois, com os filhos da melhor amiga da mãe … não há lógica nenhuma … enfim, raparigas de 12 anos. Não sei o que é ter 12 anos desde que as aulas têm sido bastante exaustivas e o meu horário é bastante preenchido e o mais perturbador é que nem sequer falo literalmente. Não me lembro de nada desde os meus 10 anos. Mesmo nada.
Quando dou por mim miro o Harry a abrandar e por fim está ao meu lado.
— Então, Viv!
— Sou Vivian. – corrijo-o,
— Ok … Vicky!
— Sou Vivian! – digo num tom mais severo mas quase parece um sussurro. Não sei porquê mas o este rapaz já me começa a irritar!
— Então já não insisto mais, Vivian, mas sabes gostava mais quando te chamava Viv… — ele chamava-me Viv? , penso. Se o nunca tinha visto antes como é que me pode ter chamado Viv? Nem sequer gosto de nick names em mim! O Bill e a Jen já tentaram dar-me uma alcunha porém nunca liguei. Se me chamarem por um nome qualquer não respondo, apenas por Vivian.
— Não te lembras dos “ Mouses´s Show” pois não? – ele solta uma risada disfarçada e olha-me nos olhos e quando percebo estamos os dois parados a olhar um para o outro.
— Não … — respondo embaraçada. Levanto a mão até ao cabelo e coço a cabeça, confusa – O que é o “Mouses´s Show” e porque é que a Sam te vê como um deus?
— Não sabes? – pergunta o Harry com uma expressão incriminatória e triste – Não te lembras mesmo de nada? Tu vieste a Holmes Chapel umas 5 vezes – desta não sabia – e brincávamos sempre juntos! O “ Mouses´s Show” era um espectáculo que criámos onde nos vestíamos de ratos e cantávamos para a nossa família! Fazíamos sempre que vinhas para cá nas férias! Depois batiam palmas e davam umas gorjetas! E a tua irmã abraçou-me porque sou um dos membros dos One Direction.
— One Direction? O que é? Um grupo de moda? Eu passei aqui 5 vezes férias?
— Não sabes mesmo? São uma banda! E acho que foram mais de 5 vezes que passas-te aqui férias! – o Harry não estava a gritar comigo e muito menos a ser mal-educado, mas sentia uma voz triste e desesperada. – Olha, fica aqui que eu já volto.
O Harry dá meia volta e desaparece pela multidão. Fico imóvel, tal como ele me mandou. Se fosse um estranho eu fazería completamente o contrário, mas sinto nele algo que deva confiar. Uma ponta de esperança de que ele me possa contar mais do que não saiba, … ou de que não me lembre.
Dois minutos depois aparece-me o Harry à minha frente. Segura nas minhas mãos e encaminha-me para a outra extremidade da estação que nos leva à estação dos táxis. Não hesito e deixo-me levar pelas aquelas mãos sedosas e macias. Enfiamo-nos num táxi e o Harry indica uma morada e sem nada nem menos estamos numa estrada desconhecida.
— O que fizes-te? – pergunto. Desta vez não estou desinteressada. Sinto-me curiosa e sem problemas. Nunca antes tinha sentido algo semelhante.
— Vamos a um sítio. Pode ser que te lembres de alguma coisa quando lá chegarmos. – ele sorri.
— E os nossos pais?
— Já os avisei. Não te preocupes, nós já temos autoridade para sair sozinhos.
Digeri bem as suas palavras. Autoridade. Sair sozinhos. Nós. Afinal o que estou eu a fazer? A deixar-me levar? Eu nem sei quem ele é ou quem devia ser! Eu nem sequer me lembro de o ter visto durante a minha vida. Nem me lembro daquele “ Mouses´s Show”! Ou de qualquer pessoa de Holmes Chapel! A única coisa de que me lembro é dos meus horários extenuantes – as explicações que dou à Sam, o Bill e a Jen, a escola, todas as responsabilidades em casa… e do campo. Já não sei quem sou ou quem fui. Será normal? Serei de facto a pessoa que penso ser ou tudo é uma fachada? Já nem me lembro da minha infância ou sequer inicio da adolescência e sei que não tem lógica nenhuma! Para mim a lógica é tudo! Tudo tem de ter um sentido e uma explicação.
De repente o táxi pára e o Harry olha para mim com uma expressão ansiosa. Curioso, só vi este tipo de expressões nas pessoas que me pretendem surpreender. Ele paga ao taxista e saímos.
Parecia como uma miragem ou uma ilusão. O Harry dá-me a mão e eu não me importo. Á minha frente encontra-se o campo.
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