Love Story

2 Capítulo 2 - Vingança?


Prova.

Segunda-feira.

Deus, por que você me odeia tanto? Provas, segundas-feiras e matemática realmente não combinam.

Eu andava em direção à escola, passando na frente de várias lojas. Eu ia passando na frente de uma sapataria, e olhando os modelos enquanto andava. Avistei um sapato vermelho com salto agulha ma-ra-vi-lho-so.

— Será que eles aceitam cartão de créd... — E então eu tropecei numa parte quebrada da calçada e caí de cara no chão.

Já era de se esperar. Eu catei minhas coisas e reclamei sobre as calçadas brasileiras, quando passei em frente a um beco. POR QUE, meu Deus, por que eu fui olhar para ver o que tinha ali?!

No meio do beco, perto da porta da sapataria, estavam dois garotos se beijando apaixonadamente.

E um deles era o tal de Luke, de sábado.

Parece que ele fez isso só para se vingar de mim. Descobrira minha fraqueza. A minha única, iminente, terrível fraqueza. Eu não me aguentei.

-KAAAAAAAAWAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!! — Eu soltei um grito desesperado e saí correndo, feliz e furiosa, antes que os dois me vissem.

Durante a prova, eu não conseguia pensar em mais nada. \"Então quer dizer que o Luke é gay?\", \"Deve ser bi, aquele idiota me chamou de gostosa\" e \"OMGGGG, KAWAII DESUUUU!!!\" me passavam na cabeça o tempo todo. Ele tinha planejado tudo aquilo, eu tinha certeza.

— Restam 30 minutos de avaliação, se apressem. — Escutei a voz do professor vindo do fundo da sala, e todos esses pensamentos me fugiram da cabeça na hora. Vejamos... a distância focal da elipse 2x²+y²=2 é...

— Fudeu.

Eu saí da sala, furiosa com a prova e com o fato de Luke ter sido um dos fatores fundamentais para o meu fracasso. Então, quem me aparece na saída da escola?

— Como foi a prova? — Perguntou, aparentemente esquecido do que acontecera no sábado.

Mas ele não podia ter feito essa pergunta.

— Ah, quer ser cínico agora? Pois bem, sua vingança definitivamente funcionou. Feliz? — E andei cerca de três passos, virada de costas para ele, me segurando para não arrancar os cabelos ali. Quando eu simplesmente ouço:

— Você viu, não é?- E uns cinco segundos depois, está Luke na minha frente. Mais dois segundos, e ele estava me beijando, com a mão em minha cintura, abraçado fortemente em mim.

Eu fiquei o \"processo\" inteiro com os olhos abertos, em estado de choque demais para pensar em dar um (outro) tapão na cara dele.

— E então? — Ele pergunta, com o rosto a uns dois centímetros do meu, com a expressão séria. Ele tinha perfume de... eu não sei explicar, mas era muito bom. — Vai ser nosso segredo?

Então... tudo isso era...

— E-eu não planejava contar para ninguém. — Não consegui manter meus olhos fixos nele nessa primeira frase, mas então recuperei minha compostura. — Mas o que o seu namorado vai achar disso? — Disse, numa tentativa de atenuar o clima. Ele continuava com o rosto colado ao meu.

— Não se preocupe com isso. — Então ele me deu um selinho e simplesmente saiu andando. Eu fiquei ali, parada, processando o que havia acontecido. Uma raiva começou a brotar no meu peito, quando ele me aparece de novo. Eu estava pensando, \"desde quando ele fala desse jeito sério? Da última vez estava tão descontraído\", enquanto observava ele chegando.

— A propósito, me dá seu celular? O Victor me pediu ontem, depois que você foi embora. Antes de me agredir, pensa na situação do cara: ele gosta de você, só quer teu telefone. E eu já falei com ele pra não te chatear, beleza? E então, me passa.

Eu não acredito que ele simplesmente estava falando como se nada tivesse acontecido.

— Sinceramente... eu não estou nem aí para a situação do seu amigo, agora me deixa ir que eu preciso fazer o almoço para a minha irmã. — Desta vez eu não estava provocando, estava sinceramente indignada com ele. — Tenha um bom dia.

Tantas coisas me rodeavam a cabeça, que eu até me esqueci do sapato. \"O que será que se passava na cabeça daquele garoto?\", era minha maior dúvida.