Love Story
4 Capítulo 4 - Irmã demoníaca
— Eu já disse que eu não estou interessada em nenhum cartão de crédito! Se vocês querem meu dinheiro, simplesmente mandem um de seus telefonistas para me assaltar na rua! — E então bati o telefone com força.
Se tinha uma coisa que me irritava era quando eu estava no meio de um processo importante — dormir — e tinha que acordar e andar meio corredor até o telefone para ouvir \"Boa tarde, a senhora gostaria de participar da nossa nova promoção do Visa Electron?\". Não!
Voltei para o quarto, bêbada de sono, e me joguei em cima da cama — dessa vez, sem nenhum carregador. Bem na hora em que ia fechar os olhos, um barulho estridente me tira a concentração.
Trovão?!
Fui correndo — em minha concepção — até a janela. Estava chovendo! Finalmente, depois de tanto tempo... Abri a janela para o cheiro da chuva entrar e voltei a dormir.
Acordei no meio da madrugada, com frio. Me levantei arduamente para fechar a janela, quando escorreguei na maior poça d\'água que eu já tinha visto na vida.
— AI, MAS QUE... — Engatinhei até a porta e só me levantei em terreno seco. Ia me dirigindo até a área de serviço, quando escutei um ruído vindo do quarto de minha irmã.
Naturalmente curiosa como sou, grudei o ouvido à sua porta e ouvi o que ela dizia.
— Adivinha qual a cor da minha calcinha. — Pausa. Continuei ouvindo. — Cê acha que eu tô usando? — Pausa. — Não dá, a minha irmã tá em casa. — Mais uma pausa. — Ela bem que podia arranjar um namorado também pra vazar daqui de vez em quando, né não?
Ótimo. Juliet estava namorando e ainda dava pitaco sobre MINHA vida amorosa para o namorado DELA.
Saí logo de perto da porta antes que eu fizesse algum ruído denunciador e fui pegar o rodo.
No dia seguinte, indo para a escola — desta vez por um caminho sem becos — avistei uma garota na calçada, catando alguns papéis que provavelmente deixara cair. Me pus logo a ajudar.
— Aqui está. — Entreguei as folhas para ela.
— Ah, obrigada. — Ela sorriu para mim. \"Que bonita\", pensei. — Olha, você estuda no mesmo colégio que eu. Qual sua série?
— Estou no terceiro ano — respondi, sorrindo. — E você?
— Segundo. Nem parece, né? — Ela riu. Realmente não parecia. Ela tinha provavelmente 1,58, 1,60 m de altura no máximo. Eu parecia uma giganta perto dela, com meu 1,72 m.
Andamos juntas até a escola, conversando e rindo. Descobri que seu nome era Sophia e que estudava na sala 5. Ela se parecia um pouco com Juliet, mas era mais baixa e tinha os olhos escuros.
Na hora do intervalo, nos encontramos de novo, e até chorei em seu ombro depois de descobri que tirei 3,4 na prova de matemática, valendo 10. Parece que eu tenho um jeito estranho de começar relacionamentos com as pessoas — bons ou ruins. Com Luke, um tapão na cara, com Sophia, uma choradeira. Falando nisso, eu ainda não tinha visto Luke naquele dia.
Depois da aula, fui até a sala 2 procurar por ele. Na verdade, eu estava arrependida por ter sido grossa com ele. Estava meio de chico, e só queria levar um papo legal com ele, esquecer o que aconteceu. E realmente, ele estava lá, conversando com um garoto. \"Outro?\", pensei, na hora.
— Luke! — Entrei na sala, chamando-o como se fôssemos velhos amigos. — Não vem? O sinal tocou tem 10 minutos! — Sentei-me ao seu lado, sorridente, esperando ele e o garoto se despedirem. Ele me encarou.
— Quer dizer que você arranjou uma amiga? — Ele me lançou um olhar desafiador e um sorriso sarcástico. Ótimo, estava tudo bem entre nós.
— Quer dizer que você esteve me observando? — Disse, com o mesmo tom.
— São coisas bonitas assim que merecem ser observadas. — Ele se aproximou, tocando na minha mão. Corei.
— Então, vamos? — Disse rapidamente, para quebrar o clima.
Luke me acompanhou até a frente de casa. Quando eu estava prestes a me despedir, ele perguntou:
— Posso almoçar com você? — Levantei as sobrancelhas, incrédula.
— O que disse? — Eu ouvi, mas queria confirmar se não era brincadeira.
— Qualé! Você sabe muito bem que eu gosto de você, então deixa eu tentar me aproximar? — Ele fez uma expressão emburrada. Mas na hora, não foi em seus gestos que prestei atenção.
— P-pode repetir isso? — Eu nem piscava.
— Você está surda hoje? — Eu o olhava, ainda incrédula, enquanto ele caminhava até a porta de minha casa. — Vamos, tô com fome.
Abri a porta e levei-o até a cozinha, sem dizer uma só palavra.
Então Juliet... tinha razão?
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