Love Story
199 Fechando Pontas Soltas
Notas iniciais
Fecharam a casa novamente, abrindo todas as janelas antes pro ar circular, e foram até o supermercado mais próximo — aquele que Sara foi assaltada uma vez.
O clima fresquinho do outono de Paris estava bem agradável. Compraram produtos de limpeza, espanador, panos, baldes, e voltaram pra casa.
— Quem diria que a primeira coisa que íamos fazer juntos depois de reatar o relacionamento seria uma faxina.- comentou ela.
— Na verdade, a primeira coisa foi a viagem.
— Ah, você entendeu.- ela deu um leve soco no braço dele e o viu, involuntariamente, recuar. — Que foi? Ficou com trauma?- brincou e riu quando ele disse:
— Engraçadinha!- em seguida pegou o alvejante do chão. — Vai ser uma boa segunda recordação.
Sara olhou pro alvejante e fez careta.
— Tem certeza?
Gil entendeu a piadinha e tapou o rosto com uma das mãos. Sara não resistiu e riu mais uma vez.
— Eu não sei como consegue fazer isso.- admitiu ele.
— Como assim?
— Depois de tudo o que aconteceu, você ainda me trata como antes. Consegue descontrair, consegue olhar pra mim e sorrir. Eu só consigo ficar sem graça perto de você como se tivéssemos voltado à estaca zero.- ele então coçou a nuca sem jeito voltando o alvejante pro chão. — Como você faz?
Sara deu seu sorriso de canto de boca mais doce e se aproximou dele.
— Somos muito diferentes, Gil. E… ao mesmo tempo tão iguais.- segurou sua mão livre e acariciou de leve. — Temos jeitos distintos de lidar com certas situações. Você vai voltar a ser como era, como fez da primeira vez.- tocou seu rosto com a outra mão. — Aos poucos.
Ele curvou os lábios num sorriso fofo e Sara lhe deu um beijo curto.
— Por onde quer começar?
— De cima pra baixo?- sugeriu ele.
— Boa!- Sara piscou e cada um pegou um balde com produto pra subir pra cobertura.
Assim que já estavam lá, Sara tratou de pegar o celular.
— Como nos velhos tempos?- sorriu ao sugerir faxina com música, como faziam. Ele nem precisou responder, só precisou olhá-la.
Sara ligou sua playlist no aleatório e começaram a limpeza. Na cobertura foi bem rápido, a suíte demorou um pouco mais por ser grande e ainda ter o banheiro. Passaram a maior parte do tempo no segundo andar com os dois quartos de hóspedes e o de Abby, mais o segundo banheiro e o escritório. Assim que chegaram na cozinha, fizeram uma pausa pra almoçar, uma e meia da tarde, pediram comida pronta mesmo e depois de alguns minutos, voltaram.
Sara escorregou no sabão umas duas vezes, e Grissom, mesmo preocupado, caiu na risada. Mesmo ambos achando meio estranho fazer essas coisas juntos de novo como se nada tivesse acontecido, foi bem divertido.
Quando acabaram, já eram quase quatro e meia da tarde. Estavam mais do que exaustos, estavam esgotados.
Sara resolveu tomar um banho enquanto Gil preparava um café. Algumas peças que ficaram no guarda-roupa, eles tiveram que colocar pra lavar por terem pegado um pouco de mofo, e outras se salvaram como a toalha que ela ia usar.
Quando saiu do banho, vestiu o pijama que tinha levado na bolsa — o mesmo que usou no Panamá — e foi até a cozinha. O café estava lá, com uma xícara já vazia, mas Gil não estava. Sara tomou um pouco do café e depois foi procurá-lo.
O encontrou na cobertura, apreciando o céu escurecer e ficar laranja atrás da Torre Eiffel. Ele parecia pensativo encostado na grade. E estava.
Gil pensava nos últimos três dias. A maneira de Sara de lidar com as coisas, o amor que ela sentia por ele. A frase de Jim passava por sua cabeça sempre que olhava pra ela e via o brilho em seu olhar. Ele não conseguia acreditar. Mesmo depois de lhe dar um tapa e lhe socar o peito várias vezes, foi de momento. Ela de fato não conseguia odiá-lo e o amava mais que qualquer coisa.
“Um dia você vai se dar conta de que não fez isso para proteger Sara, e sim para proteger a si mesmo. O coração dela lhe pertence, mas você é o único que não vê… E ela não consegue nem odiá-lo por isso.”
Sara se aproximou e o viu suspirar. Parou ao lado dele e também apreciou a vista apoiando as mãos na grade.
Gil percebeu sua presença e a olhou de relance. Não importava quantas vezes visse e quanto tempo passasse, ela sempre ficava fofa de pijama.
Sara acariciou a mão dele que também estava na grade e eles trocaram um sorriso de lado. Ela soube na mesma hora o que ainda estava incomodando ele. Sem dizer nada, Sara o fez desencostar da grade e o abraçou pela cintura com os dois braços, deitando a cabeça de lado em seu ombro.
Gil correspondeu fechando os olhos e tocou seu cabelo. Estar de volta aos braços de seu amor era tão satisfatório e aconchegante quanto ler um bom livro na rede num dia fresco de primavera com flores e árvores ao redor, ou, dormir com um edredom quentinho no inverno enquanto a chuva cai do lado de fora.
“Não é necessário dizer nada, basta um abraço
Leio em seus olhos tudo que o seu amor tem pra contar
Eu conheço todos os seus sinais, sabe meus defeitos
Jogo aberto, sem nenhum segredo, é o nosso modo de se dar
Eu amo, amo te amar” — Zé Henrique e Gabriel
Um vento gelado os fez arrepiar e Sara achou melhor entrar. Assim, em menos de dez minutos Gil conseguiu se banhar.
Antes de deitarem, um quadro na mesa de cabeceira lhes chamou a atenção, eram eles felizes abraçando seu amado cão.
Sara sentiu o coração doer, Gil tentou confortá-la dizendo que era assim que tinha que ser. Hank foi amado e lhes proporcionou momentos que nunca iriam esquecer. E a dor dessa perda era algo que eles jamais saberiam descrever.
~ ♥ ~
Nem conseguiram conversar, pois como estavam muito cansados, capotaram logo. Acordaram lá pelas duas da manhã morrendo de fome. Levantaram pra comer alguma coisa e foi aí que conversaram.
— Eu estava pensando em não vender a casa…- disse ela comendo uns biscoitos.
Gil pareceu surpreso, arqueou as sobrancelhas e ela continuou.
— Pensei em alugarmos. Eu acho que é melhor do que simplesmente nos livrarmos dela.
— Eu não tinha pensado nisso. É uma ótima ideia.
Sara sorriu e tomou um gole de café.
— E pensei em deixar a Rayle com a de Vegas.
— Outra ótima ideia.- ele bebeu um gole de café também. — Mas Sara… essa coisa de alugar a casa… Acha que vai ser mais fácil de achar alguém interessado, do que se vendermos?
— Eu não sei…- ela então pensou melhor. — Vamos testar. Se não der certo, a gente vende mesmo. Se conseguirmos vender, vai ajudar a comprar um barco maior.- Gil pareceu triste em se desfazer de seu barco para obter outro. — Vamos fazer o seguinte… Não precisamos trocar de barco, continuamos com esse. Dá pra duas pessoas morarem nele… eu acho.- ele sorriu por ela desistir da ideia que ELE deu só pra ele não se desfazer do Ishmael. — Colocamos a casa pra alugar e eu vou resolver esse problema com o Renê semana que vem. Enquanto isso, a gente se planeja.
— Tudo bem, Sara, podemos trocar de barco sim.- sorriu de lado. — Mais espaço e mais conforto pra gente, não precisamos ficar no aperto só por um apego. Não tem problema não.
— Tem certeza? Eu não me importo com aperto.
— Eu sei.- ele manteve o sorriso, chegou perto dela e beijou sua testa. — Tenho certeza sim.
~ ♥ ~
Dois dias se passaram, Gil e Sara colocaram a casa pra alugar, resolveram a papelada do casamento reafirmando compromisso e resolveram ir de barco pra Vegas novamente na manhã do dia seis para encontrarem Rayle lá na tarde do dia oito. Fariam o mesmo trajeto de volta. Deixariam o barco em San Diego e iriam de carro pra Las Vegas. Decidiram trocar as alianças novamente lá mesmo, agora com os amigos presentes.
Com tudo planejado, eles partiram.
Rayle chegou bem cedo no dia oito e como sabia o código da casa, esperou por seus amigos lá.
Gil e Sara chegaram quase à noite, demoraram um pouco, pois passaram no laboratório de San Diego pra ver Nick, que em vez de recepcionar Grissom com um abraço, foi só com um aperto de mão. E ele deixou claro que só fez isso pra não lhe dar um soco.
Gil não ficou surpreso, pois Greg fez o mesmo que ele. Não os julgava. Eles foram o suporte de Sara esses anos todos e depois do que Grissom fez, não esperava menos dos melhores amigos da morena.
Sara disse a ele que iria até Vegas, mas que voltaria a San Diego no domingo do dia onze, pois ela e Gil escolheram esse dia pra “se casarem” novamente e seria na praia perto dali, para já partir de barco ao terminarem. Uma coisa bem simples, só iam trocar as alianças, com os amigos presentes dessa vez pra não ser só os dois de novo. Assim, Rayle também estaria lá e podia apresentar todo mundo pra ela.
Logo que chegaram, Sara foi recepcionada por uma Rebecca de doze anos entusiasmada.
— Oi, tia Sara!
— Oi, minha princesa!
Grissom por um momento viu Abby menorzinha naquele momento e ficou nostálgico, já que a garotinha também era loira. Só depois que elas desfizeram o abraço Gil notou que era literalmente a cópia da mãe.
— Olha só quem temos aqui!- a fotógrafa se aproximou.
— Eu vou apanhar? Assim, só pra eu saber.
Rayle e Sara deram risada.
— Não, você se livrou. Sorte sua que estava longe quando eu estava no auge da minha ira, senão estaria no hospital.
Grissom arregalou os olhos e elas riram mais uma vez.
— Bom, já que a raiva passou, não se importaria de abraçar um amigo, não é?
Rayle sorriu e foi abraçá-lo forte.
— É bom te ver, Grissom.
— Igualmente. Não envelheceu nada.- desfez o abraço.
— Não posso dizer o mesmo, você está só o pó.- Sara gargalhou junto com Rebecca, e Grissom fez careta. Ela era cheia de gracinhas, mas não tinha mentido né. — Foi o divórcio que fez isso com você?
— Foi. Me descuidei bastante.
— Não está tão ruim assim, vocês estão exagerando.- Sara foi até ele e o abraçou pela cintura.
— Não é nem pelo ganho de peso, Sara, se tem saúde não tem problema. O negócio é que está na cara o quanto prejudicou a saúde dele. Olha essas olheiras, a barba mal feita, o relaxo...
— Pode bater mais, nem está doendo.- comentou Grissom com um sorriso irônico em brincadeira.
— Desculpa, Gil, de verdade. Eu estou falando isso porque a Sara também ficou assim, só que teve o efeito contrário, ela emagreceu muito. Vocês dois sofreram longe um do outro, por isso fiquei tão brava com você.
— Eu entendo, não tem problema, é verdade. Fico feliz que esteve aqui com ela, Rayle, pelo menos por um tempo. Ela sentiu muito sua falta.
As amigas trocaram um sorriso fofo e apertaram suas mãos.
— E essa deve ser Rebecca, não é?
— Finalmente se deram conta da minha presença.- os três adultos sorriram. — Você é o galã da tia Sara? Prazer em conhecer.- ela estendeu a mão pra ele que a olhava em total surpresa.
— Depois dos elogios da sua mãe, "galã" me deixou contente.- brincou fazendo Rayle e Sara rirem. — É um prazer conhecê-la também.- então olhou para Rayle. — Eu fiquei surpreso com a facilidade dela em falar com as pessoas, mas faz sentido.
— Minha filha né, Gil. Felizmente não puxou o pai em quase nada.
— Falando nele, tenho que contar meu plano. Se tudo der certo e ele de fato aparecer por aqui amanhã, no sábado a gente coloca o plano em prática.
E no dia nove, sexta feira, quem Rayle viu do outro lado da rua espreitando como se fosse um assassino prestes a botar fogo na casa? Renê. Ele de fato a seguiu até o aeroporto, pegou o mesmo voo que ela sem que ela percebesse e a seguiu até a casa de Sara. Foi pro hotel e voltou no dia seguinte.
Rayle fingiu que não o viu e avisou a amiga.
O plano de Sara era simples. Confrontar Renê do porquê de estar seguindo elas e ofendê-lo até ele ficar com raiva e partir pra cima dela. Sabia que, pelo histórico, não precisaria de muito.
Sara deixaria que ele lhe desse o primeiro golpe para que assim conseguisse provar que o que ela devolvesse fosse em legítima defesa. Com isso, conseguiria que ele fosse detido e o juíz daria a ordem de restrição que tinha negado a Eddie.
E com isso também, Renê não chegaria nem perto dela nem de Rayle, pois teria o testemunho dela e de Becca.
— Sara, tem certeza que isso vai dar certo? Você pode se machucar.
— Grissom também não gostou da ideia, mas relaxa, eu sei me cuidar. Já carreguei uma arma, lidei com serial killers, esse babaca doente vai ser o de menos.
~ ♥ ~
Sara observou Rayle e Rebecca o dia inteiro no sábado e viu Renê em todo lugar que elas iam. Filmou tudo enquanto mantinha Rayle atualizada por mensagem. A fotógrafa estava morrendo de medo, mas disfarçava e mantinha naturalidade, pois sabia que Sara estava por perto.
Sara registrou tudo e só agiu quando viu que ele estava chegando mais perto. Sara sabia que ele ia pegar as duas no estacionamento do shopping, que estava praticamente deserto — não havia muitas pessoas perto no momento — e faria Rayle ir com ele sem chamar atenção.
“Vai rápido pro elevador” Sara mandou para Rayle.
Renê quase conseguiu alcançá-la. Quando ele pensou em também pegar o elevador, Sara o encurralou.
— Onde pensa que está indo??
Ele se virou ao ouvir o timbre conhecido.
— Ah! Olá Sara! Faz tempo, não é? Bom te ver.
— Não vem com essa, Renê! Por que está seguindo elas?
— Não sei do que está falando. Eu deveria saber?
— Cara de pau! Seguiu Rayle e Rebecca o dia inteiro. Qual é a sua? Cansou de viver sozinho? A mamãe não apoia mais os seus caprichos? Ou sentiu falta de alguém pra controlar?
— Não é da sua conta!- Renê ficou nervoso. Seu plano estava dando certo.
— Ah claro que não, você se importa bem mais com elas do que eu! É isso que Rebecca diria? Um pai que nem sequer a quis??
— Eu me arrependi! Tenho o direito de ficar perto dela.
— Você não tem merda de direito nenhum! Fica seguindo as duas nas sombras como se fosse o bicho papão. Só esperou sair do México pra dar o bote, né? Pois saiba que as leis de lá são as mesmas daqui. Se chegar perto da Rebecca sem o consentimento dela ou da mãe dela, você vai se dar mal.
— É uma ameaça?
— E se fosse?- afrontou. — É tão covarde assim pra debater com uma mulher? Eu soube que você não aceita “não” como resposta.- Renê não se moveu, mas estava com os punhos cerrados. — Rayle me contou o que fazia com ela. É prazeroso obrigar uma mulher a fazer o que ela não quer? Ficar bravo com as amizades que ela tem? Você deve ser muito mal dotado pra ter que caçar qualquer vagabunda fora de casa porque Rayle disse “não” pra uma carícia. O quão baixa é a sua autoestima?
— Cala essa boca!- aumentou o tom de voz, irritado.
Ela continuou.
— É tão inseguro que nem casar de verdade você quis, tinha medo dela largar você?
— Passei mais tempo com ela do que você! Ela me amava!
Sara gargalhou e isso o deixou mais nervoso ainda.
— Ela achava que te amava. Ela foi enganada. Você só usou ela como objeto de prazer, você é tóxico, Renê! E você nunca mais vai chegar perto dela.
— Não vai me impedir, Sara.
— É? E por que não?- desafiou.
— Porque eu vou acabar com você!- ele mal terminou a frase e já pulou no pescoço de Sara tentando enforcá-la.
Sara, por um momento, achou que não conseguiria se soltar, mas com o treinamento que teve ela deu um jeito. Com um pouco de dificuldade, ela conseguiu acertar o joelho no estômago dele duas vezes, pois da primeira ele sentiu doer, mas não a soltou. Assim que acertou o segundo chute, sentiu ele afrouxar a mão de seu pescoço e acertou seus antebraços. Tossiu um pouco pela falta de ar, mas não deixou ele endireitar a postura, acertou o joelho em seu nariz e um soco em sua mandíbula.
Renê cambaleou pra trás e Sara viu a oportunidade de derrubá-lo no chão. Ficou por cima dele e acertou seu rosto mais quatro vezes. Renê tentou puxar seu cabelo e conseguiu acertar sua boca, apertando seu braço em seguida para tentar impedi-la de lhe dar mais golpes, mas Sara conseguiu se soltar e levantar. Chutou seu peito e o deixou encolhido no chão enquanto secava o sangue dos lábios.
Algumas pessoas ouviram a briga e foram olhar o que estava acontecendo, mas Sara já estava ligando pra polícia.
Akers chegou com Mitchell rapidinho… Renê não conseguiu fugir, pois Sara amarrou as mãos dele com um lenço.
Sara explicou aos amigos policiais toda a situação e que só o agrediu porque ele agarrou seu pescoço.
Akers prendeu Renê e, Mitch foi com Sara até Rayle e Rebecca na praça de alimentação.
— Que droga, Sara! Eu já ia descer pra te procurar.- Rayle bronqueou até ver o lábio da amiga. — Ele te bateu? Meu Deus, eu sabia! Eu sabia que ele ia te agredir.
— Está tudo bem, já prenderam ele. Tenho que ir até a delegacia pra dar queixa.
— É bom vocês irem também.- disse Mitch. — Sara disse que ele estava perseguindo vocês e disse que tem como provar. Mas mesmo assim preciso do depoimento de vocês. Ele tem dinheiro pra pagar a fiança, eu imagino.
— Tem.- disseram as duas.
— Provavelmente vai estar solto amanhã. O melhor a se fazer é levar pro tribunal.
Rebecca olhava assustada para os três adultos.
— Está tudo bem, meu amor.- Sara a abraçou. — Não precisa ter medo. Não vou deixar ninguém machucar vocês.
Becca retribuiu o abraço com força e chorou nos braços da tia.
Rayle engoliu a seco, estava nervosa. Nunca precisou pisar numa delegacia ou num tribunal de justiça.
~ ♥ ~
Depois de acalmar Rebecca e entregá-la pra mãe, Sara pegou o celular e respondeu as mais de quinze mensagens de Grissom. Disse que estava indo pra delegacia com as meninas e os policiais e que ele já podia encontrá-la lá. Gil estava tão preocupado que só não chegou primeiro que elas por conta do trânsito, pois claramente teria levado uma multa por velocidade.
Já na delegacia, depois de dar seu depoimento e prestar queixa contra Renê, Sara esperou do lado de fora da sala de Crawford onde Rayle também dava o seu. Foi quando Gil chegou.
— Sara!- chegou chamando por ela ao vê-la de costas do lado de fora da sala do detetive.
A morena se virou e o viu se aproximar já notando seus hematomas.
— Meu Deus, você está bem? Foi ele que fez isso?- Gil tocou seu rosto preocupado observando a marca roxa em seu pescoço e seu lábio ferido.
— Amor, calma, eu estou bem. Isso não foi nada.
— Como não, Sara? Ele te agrediu, eu sabia que isso era péssima ideia. Eu vou acabar com esse desgraçado!
— Está vendo? Foi por isso que não deixei você ir comigo, eu sabia que ia intervir e não ia deixar Renê encostar em mim. Isso foi preciso, Gil, ele vai ter o que merece.- o viu suspirar indignado. — Hey.- tocou seu rosto para que ele se acalmasse e olhasse pra ela. — Eu estou bem. Isso aqui vai sumir em uma semana.
— Nunca mais faça uma coisa dessas, podia ter sido sério.
— Eu sei, eu sei, está tudo bem.
Grissom suspirou mais uma vez e observou dentro da sala.
— Como ela está?
Sara direcionou o olhar pra onde ele estava observando e também suspirou.
— Meio em choque ainda. Ela nunca precisou entrar numa delegacia, ficou assustada. A Becca que o diga, pobrezinha.
Com as provas que tinham e as testemunhas, o juiz nem pensou duas vezes e deu a ordem de restrição sem nem precisar de audiência. Foi o mesmo que Basderic fez com Sara: mostrou que perseguiu, toma aqui o papel. O que importava pra morena é que suas amigas estavam mais seguras e Renê não podia se vingar dela por isso.
Era a hora perfeita pra comemorar, então Sara ligou para Catherine, Greg e Morgan e avisou do “casamento”. Catherine ficou tão histérica que deu um jeito de colocar alguém pra tapar o buraco de três investigadores só pra ir pra San Diego no domingo com Greg e Morgan.
"Eu perdi o primeiro casamento, não vou perder o segundo" disse ela por telefone fazendo o casal dar risada.
Os três se preparam, e como Sara contou que iam trocar as alianças na praia, Catherine baixou a lei de todos usarem branco, sem discussão. Então ela ajudou Greg e Morgan com os looks e em seguida foram direto encontrar Sara e Gil na casa deles.
Enquanto esperavam, Sara disse a Rayle seu desejo de deixar a casa com ela. Que não precisava que ela se mudasse, pois ela tinha uma carreira e uma vida em São Francisco e que ela não tinha que aceitar só pra ir morar em Vegas. Mas como ela estava pensando em tirar férias, seria um bom lugar pra ela ficar e descansar, e ela podia trazer Tom e Jerry quando quisesse. Além de que Abby ia adorar passar um tempo com Rebecca nas férias da escola.
Rayle hesitou, mas aceitou. Cuidaria da casa da amiga como se fosse realmente dela. Sabia que Sara um dia voltaria, mas que provavelmente demoraria, então a casa ia ficar abandonada. Com ela lá, não ficaria. Mesmo que fosse pra lá só nos fins de semana, pois de avião era só uma hora e meia e de carro umas oito horas.
A casa ficaria bem de qualquer forma.
Assim que Catherine chegou com Greg e Morgan, eles foram direto abraçá-la. Sara retribuiu o abraço que Morgan lhe deu primeiro, sorrindo.
— Eu quis te matar quando foi embora sem se despedir.
— Eu precisava ser rápida ou ele iria embora.- Sara riu.
— Meu pai me mostrou sua mensagem. Não é por nada, mas eu chorei.
Sara sorriu e a abraçou novamente. Viu Greg atrás dela e foi até ele.
— Ficou chateado?
Greg fingiu estar bravo, mas sorriu em seguida.
— Sua felicidade é o que importa.- lhe deu um abraço e olhou para Gil ao desfazê-lo. — Nick me contou que quase te deu um murro.
— Pois é, muitas pessoas tiveram essa vontade.- Gil deu de ombros.
— Eu dei por vocês, não se preocupem.
— Bateu nele??- Catherine perguntou de olhos arregalados assim como Morgan.
Sara riu, também deu de ombros e finalmente apresentou sua amiga pra eles.
— Ah! Essa é sua amiga fotógrafa?- indagou Morgan vendo Sara assentir em seguida. — Sara me mostrou as fotos que tirou dela. Você é muito boa!
— Que fofa! Muito obrigada.- Rayle sorriu com o elogio.
— Ah, eu lembro de Sara mencioná-la anos atrás, tinha perdido o contato com ela.- recordou-se Greg. — Que bom que se reencontraram.
— Prazer em conhecê-la, Rayle.- Catherine a abraçou como os outros também fizeram e cumprimentou Rebecca também que se apresentou por si só. — Prazer em conhecê-la também, Rebecca.- sorriu olhando para Sara. — Adorei elas.
Greg e Morgan também disseram o mesmo e os sete entraram pra almoçar. Conversaram bastante, Morgan ficou curiosa pra saber mais sobre o trabalho de Rayle e já quis marcar um ensaio com ela. Catherine também quis, mas queria um em família, e já aproveitou pra contar sobre como estava sendo o processo de adoção de Helena e Maria. Gil e Sara ficaram surpresos, mas felizes da ruiva querer acolher as meninas.
Ligaram para Jim, que já tinha se recuperado completamente das queimaduras que sofreu, e também o convidaram pra ir pra San Diego. Catherine foi buscá-lo e Sara foi buscar Abby.
Com tudo pronto, tudo preparado e todos juntos, Gil, Abby, Rayle e Becca foram no carro com Sara, e Jim, Greg e Morgan foram com Catherine pegar a estrada pra San Diego.
To Be Continued…
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