Love Story
217 CSI:Vegas ❥ Martin Kline e a Fazenda de Corpos
Notas iniciais
Já era o décimo quinto dia. Assim que acordaram lá pelas 10h, Gil pediu café e eles tomaram conversando sobre o suspeito e as pistas que tinham, revisaram todas as informações pra poder passar pra chefe.
Trocaram de roupa e rumaram para o laboratório direto para a sala de Maxine.
— Bom dia, Max!- eles a cumprimentaram com um sorriso entrando na sala.
— Bom dia!- ela quase cantarolou para eles. — Estão animados. Ou fizeram progresso ou vieram me pedir alguma coisa.- o casal sorriu, surpresos com a fala.
— Fizemos progresso.- disse Sara.
— Com a ajuda de Nora.
— Sem ela saber.- concluiu a morena com um sorriso cínico.
— Ah, vocês estão muito ferrados.
Gil e Sara tentaram não rir e resolveram falar sério. Lhe entregaram a pasta com a foto do dito cujo suspeito.
— Esse é o nosso homem.
— Martin Kline.- leu Max. — Acreditam que esse é o cara que incriminou David Hodges. Que queria que ele parecesse um perito desonesto.
— É uma teoria.
— Assim como a evolução.- Sara falou depois do marido. — Kline corresponde ao fenótipo do homem que procuramos. E ele tem as habilidades técnicas para fazer isso.
— Ele é um ex-legista.
— Atualmente…- continuou Sara. —... Kline trabalha como testemunha especializada, assim como Hodges.
— Então, 8.000 criminosos podem ser soltos pelo que ele fez. Por quê? Ele está disputando o osso com algum cachorro?
— Ah, ele está mesmo pegando muitos ossos.- respondeu Gil. — Por isso achamos que precisa de uma maior análise.
— Certo, ainda não tomei meu café. Podemos parar com as charadas?
— A detetive Cross me mostrou um caso que Hodges supostamente consertou. Gira em torno de um pedaço de fêmur quebrado, com DNA lixiviado.
— Tínhamos 10 suspeitos. Apenas Kline saberia fazer isso. Mas ele pegou esse fêmur de algum lugar.
— Kline faz autópsias particulares.
— Roubar partes de cadáveres geralmente não é bem visto.- Max disse depois de ouvi-los.
— O cara enviou alguém para matar Jim Brass apenas para chamar atenção.- concluiu Gil. — Não acho que uma cara feia vai impedi-lo.
O celular de Max vibrou anunciando uma mensagem.
— Há um problema no aeroporto. Gostei das teorias, mas a Assuntos Internos está vigiando vocês.- ela levantou e foi saindo da sala. — Continuem discretamente.
O casal se olhou e Sara resolveu ligar para o legista pra perguntar quais casos Kline consultou ultimamente. Com a resposta, ela e Gil foram até os arquivos buscar a pasta.
— Aqui está.- disse ela abrindo a pasta em seguida. — Riley Jones, fatalidade no trânsito. O CSI considerou como acidente. Martin Kline conduziu uma segunda autópsia a pedido da família há dois meses.
— Isso parece inofensivo.
— Kline fez duas autópsias esse ano. O primeiro foi enterrado em um mausoléu.
— Não seria minha escolha se eu fosse um ladrão de ossos.
— A sra. Jones é uma escolha melhor. A família doou o corpo para a ciência. Está vendo?- entregou a ele a pasta.
Gil colocou os óculos e se animou dando até uma risadinha.
— Que ótimo! Temos que ir para a fazenda de corpos!- sorriu e bobo voltou a olhar pra pasta.
Sara sorriu sem mostrar os dentes e balançou a cabeça pegando a pasta da mão dele.
— Que foi?- ele achou sua reação engraçada, e sabia o motivo, perguntou só pra ver o que ela diria.
— Parece criança indo pra Disney.
Gil não aguentou e deu risada dando um beijo em sua bochecha logo em seguida.
— É a mesma vibe.
— "Mesma vibe"?- Sara quis gargalhar. — Por que está usando gíria jovem?
— Ah.- ele fez cara de perdido. — Porque é legal.- deu de ombros.
— Qual é! Isso é coisa da Abby.
— Esses dias você falou "irado" e eu não critiquei.
E esse foi o assunto enquanto saíam daquela sala com a pasta do caso em mãos.
— "Irado" não é de jovem.
— Ah, é sim.
— Não é não.
— É sim.
Foram então se preparar para irem até a famosa fazenda de corpos que Gil tanto adorava. Sara tinha ido apenas uma vez, já que lá pros anos 2000 ela queria muito conhecer.
Assim que chegaram, o responsável os conduziu pra dentro.
Sara já tinha se acostumado com cheiro de decomposição, mas não significa que gostava dele. Já seu marido…
— Que lugar maravilhoso você tem aqui, dr. Abbas.
— Obrigado. Eu não ouço muito isso. As pessoas acham que essas fazendas são macabras. Como se houvesse outra maneira de estudar a decomposição.
— Ah, esse cheiro!- Gil suspirou, como se estivesse maravilhado. Sara franziu o cenho e olhou pra ele enquanto andavam. — Tantas lembranças.
Sara quis rir.
Chegaram ao local do corpo e pararam.
— Sei que está interessado em um de nossos corpos. Por que está tão curioso sobre Riley Jones?
Sara quem respondeu.
— Não temos certeza se você recebeu um cadáver intacto.
— Oh! Bem, eu sinto muito então. Pode ser muito difícil saber nesse momento. A sra. Jones tem a Grade 17 só pra ela, então, aqui está ela. E ali. E lá também, e… Bem, fiquem à vontade com tudo o que encontrarem. Boa sorte.
Sara agradeceu e eles começaram o trabalho. Sempre que Gil ia chamá-la, ele se referia a ela como “Watson”. Sara achou uma graça.
Passaram um tempinho recolhendo todos os ossos e montaram uma tenda com maca para montarem ele.
— Nada melhor como esse cheiro para aproveitar por algumas horas.
— Você é completamente maluco, sabia?- ele fez uma expressão engraçada com a frase da esposa. — As vezes eu fico pensando “Sério que eu me casei com um entomologista que ama cheiro de decomposição, come gafanhotos, tem baratas corredoras de estimação e tem dó de matar cupins que comem a casa dele?”
Grissom não aguentou e deu risada.
— Ah, esqueci de mencionar que em cena de crime você costumava lamber qualquer coisa do chão.
— Está bem, está bem, eu sou um pouco estranho.
— “Um pouco”?- ela riu.
Não demorou para o dr. Abbas voltar pra ver o progresso deles.
— Estou impressionado. Colocaram todos os ossos quebrados em ordem.
— Temos alguma prática.- Grissom sorriu.
— Sim.- concordou Sara. — Ainda faltam três ossos. Não há costela esquerda número quatro, tíbia direita e tálus direito.
— Uma autópsia privada foi feita por um homem que pode ter pego algumas lembranças.
— Não foi Martin Kline, foi?
Gil e Sara ficaram surpresos, pois foram lá sem mencionar Kline.
— O… o que te faz pensar isso?
— A comunidade patológica de Nevada é um ensino médio. Ninguém quer sentar com o Marty no recreio. Se fosse adivinhar quem é o ladrão de ossos…- ele fez sinal para que Sara terminasse a frase.
—... Esse seria um bom palpite.- e ela disse trocando um olhar com Gil. Estavam no caminho certo.
— Vamos dar uma olhada e ver o que o esquisito levou.
Dr. Abbas disse que a tíbia e tálus foram para um coiote, talvez um lince. Mas a costela foi retirada por um humano.
Passaram mais um tempo colocando os ossos de volta com tudo já documentado em fotos e anotações, e voltaram pro laboratório. Tomaram um banho lá mesmo, pegaram roupas extras no armário que Max deixou que eles usassem e quando escureceu, se prepararam pra ir embora. O laboratório já estava completamente vazio, Sara esperava Gil no saguão e trocava mensagem com ele. Ficaram um tempinho separados lá dentro.
“Acho que vou olhar a geladeira. Quer que eu pegue alguma coisa para você?”
“Já comi, mas obrigado. Max disse pra irmos encontrar com ela”
“Saímos em 5 minutos? Te espero nos elevadores. Beijo”
Do nada, alguém apareceu atrás dela.
— Senhorita Sidle?
Quando Sara se virou, deu de cara com Martin Kline. Gelou, mas fingiu nunca tê-lo visto.
— Desculpe, nos conhecemos?
— Não, mas temos um conhecido mútuo. Dr. Abbas, da fazenda de corpos.- ele sorriu e estendeu a mão pra ela, que aceitou mesmo surpresa dele estar ali. Grissom chegou na hora em que eles soltaram as mãos. Sara até ficou aliviada. — E aí está seu marido. Agora temos o grupo alinhado.
— Está tudo bem aqui?
— Absolutamente. Eu só queria me apresentar. Sou Martin Kline.- ele sorriu e estendeu a mão para Grissom também. Sara observou enquanto eles apertavam as mãos, que Kline usava um relógio prateado. Disfarçou e voltou a olhá-lo. — Soube que estavam verificando meu trabalho.- Grissom franziu o cenho. — Não se preocupe, não estou ofendido.- sorriu mais uma vez. Ele fingia bem ser simpático. — Sua reputação o procede. Eu sei tudo sobre vocês. Por isso eu queria conversar.
— Sobre o quê?- Grissom indagou.
— A causa da morte de Riley Jones. Adoraria ver se concordamos.
— Sim, bem, eu adoraria conversar, mas…- ele olhou no relógio. — Estamos atrasados. Temos que encontrar alguém.
Ele pareceu meio assustado, mas só por um segundo enquanto Gil falava. Abriu um sorriso e se despediu.
— É claro. Tenham uma boa noite. Volto em um outro momento.
Sara sorriu sem mostrar os dentes, como agradecimento e ele foi para o elevador.
— Que diabos foi isso?- ela falou bem baixinho.
— Uma pescaria.
— Ele sabe que suspeitamos dele.- conversavam enquanto o observavam pegar o elevador.
— Não acho que ele voltará. Não iria querer que suspeitássemos mais.
— Não vai deixar rastros também. Vai limpar tudo o que conseguir. Não podemos mais esconder, Gil. Precisamos de um mandato.
Martin entrou no elevador e eles não o viram fazer uma ligação nem dizer “eles sabem” pra pessoa que atendeu.
— Bom, vamos ver a Max e contar sobre isso, depois vamos pro hotel.
— Essa conversa me deu arrepios.- Sara comentou enquanto eles caminhavam pra sala de Max, que esperava por eles.
— É mesmo?- ele a abraçou pela cintura, afastou seu cabelo e lhe deu um beijo no pescoço. — Melhorou ou só arrepiou mais?
Sara riu e lhe deu um tapa.
— Bobo!
Relataram para Max o que houve e foram pro Eclipse.
~ ♥ ~
Las Vegas estava quente naquela noite, mas o ar condicionado do quarto do hotel fazia com que eles não sentissem.
Mesmo assim, Sara se revirava na cama sem conseguir dormir. Tinha perdido o costume de ficar acordada à noite, então falta de sono não era o motivo. Podia ser sua cabeça com pensamentos a mil, ou a falta do marido na cama.
Inclinou um pouco a cabeça tirando-a do travesseiro para ver onde ele estava. Sentado na mesinha, de olho no notebook. De novo!
Sara suspirou.
— Amor?- ela resmungou. — Vem dormir.
— Um segundo, honey…
— Você disse isso meia hora atrás. Sabe que forçar não adianta, e só vamos avançar quando olharmos a casa do Kline. A gente pensa melhor quando está descansado.
Era a bronca mais fofa do mundo, Sara mantinha o tom de voz suave apesar da teimosia do marido lhe irritar.
— Vem deitar…
Grissom sorriu ao suspirar. Não tinha como não acatar esse pedido preocupado, fofo e até autoritário.
Fechou o notebook, levantou, pegou a xícara de café que tinha esvaziado e levou pra pia. Guardou tudo aos olhares da esposa e foi pra cama. Enquanto tirava os chinelos para subir na cama, brincou.
— Você é muito chata, sra. Grissom.
Sara abriu a boca indignada com a petulância e sorriu.
— Eu estou cuidando de você e ainda me chama de chata.
Grissom riu, lhe deu um beijo e a aconchegou em seus braços.
Não tiveram dificuldade pra dormir até a madrugada, quando Sara acordou de novo pela falta dele e o viu sentado na cama. Devia ser mais um episódio do Mal de Débarquement.
— Hey…- engatinhou até onde ele estava e ficou de joelhos atrás dele. — Relaxa.- massageou seus ombros, sentindo a tensão nos mesmos, depois tocou a testa dele fazendo-o apoiar a cabeça em seu peito inclinando-a pra trás. — Respira fundo…- Gil fechou os olhos com o toque de fada de sua esposa e sentiu-a beijar o topo de sua cabeça. — Isso…- Sara sentiu que ele ficou mais calmo e acariciou seu peito com a mão livre. — Vai ficar tudo bem, nós vamos resolver.
Ele suspirou mais tranquilo e tocou a mão dela sobre seu peito.
— Eu sei…
O quarto parou de girar, a voz dela não estava mais longe, tudo voltou ao normal de novo.
Sara mais uma vez beijou o topo da cabeça do marido e pegou a mão dele que estava sobre a sua.
— Vem…volta pra cama…- pediu com carinho e um sorriso no canto dos lábios, ele não conseguiu recusar.
Voltou pra debaixo das cobertas e dessa vez ela que o aninhou nos braços fazendo carinho em seus cabelos brancos. O colo dela era seu abrigo, nada podia fazer mal a ele ali, nem mesmo uma doença chata.
~ ♥ ~
Décimo sexto dia e eles precisavam muito daquele mandato, então recorreram a Max de novo. Mas era complicado, porque estavam em dúvida de por qual motivo pedir o mandato e se iam aceitá-lo. Eles não eram tecnicamente CSI’s mesmo estando contratados como tais. Eram próximos de Hodges, provavelmente iam barrá-los. Mas a preocupação de Max era se Kline não fosse culpado e aquilo acabasse piorando as coisas.
Sara disse que ela não precisava se preocupar, porque se eles não pudessem pedir o mandato da forma convencional, dariam outro jeito, sem envolvê-la.
— Não.- Max foi firme. — Esse é o meu trabalho. Se David Hodges for culpado, a reputação desse laboratório nunca se recuperará. Eu vou conseguir o mandado para a busca na casa do Kline.
Gil e Sara a viram se afastar e suspiraram.
— Eu adoro ela. Mesmo ela me dando uma cortada.
Grissom sorriu.
— Gosto do pulso firme dela. Você é impulsiva. Tenta ficar calma, honey.
— Mas eu estou calma.
Grissom fez cara de “que seja” e voltou pro notebook. O celular de Sara tocou e era seu pimpolho.
— Oi amor da mamãe!
Grissom sorriu. Nada como ouvir a voz do filho para derretê-la inteira.
— Mamãe, eu tô com saudade.
— Eu também, filho. Mas eu prometo que a gente vai se ver logo. Tá bom?
Grissom observou eles conversarem por uns minutos e depois pegou o telefone pra também conversar com o filho. Ele disse que Maggie foi andar de bicicleta com Morgan e ele ficou com Abby e Greg em casa.
O mandado demorou pra sair, só conseguiram de madrugada e quando chegaram lá, os bombeiros tinham acabado de apagar o fogo. Uma granada tinha explodido dentro da casa, e o corpo de Martin Kline estava lá dentro quase todo carbonizado, com a cabeça explodida. Sara soube que era ele quando notou o mesmo relógio no pulso, de quando ele cumprimentou Gil.
Praticamente tudo tinha sido destruído, alguém não queria que eles achassem nada. Felizmente, tiveram um descuido com uma das paredes.
Max enviou Chris Park para ajudar Gil e Sara na cena. Quando ele chegou, já havia amanhecido.
— Seu suspeito, esse Martin Kline, está morto. Os indícios que provam a armação de David Hodges foram destruídas. Mas estamos incomodados porque o luminol não mostra nada nessa parede?- confuso, Chris quis entender o que eles procuravam naquela parede.
— Às vezes, a falta de indícios pode ser tão reveladora quanto o próprio indício.- Grissom respondeu. — Nenhum de nós usou esse luminol.
Foi aí que ele ficou surpreso.
— Achamos que o assassino limpou com alvejante e usou o luminol para confirmar que não deixou rastros.- disse Sara.
— Então, a teoria é que Kline trabalhava para alguém. Se certificaram que ele não diria nada. Por que limpar logo aqui?
— Achamos que que fez isso se protegeu aqui na explosão.- Sara continuou. — Mas os estilhaços atravessaram a parede.
— Então o novo suspeito foi atingido. Teve que limpar o próprio sangue para não acharmos DNA.- concluiu Chris.
— A polícia está procurando em hospitais, mas achamos que o luminol é uma pista melhor.
— O grande poeta Ovid disse…
“Lá vem ele” Sara pensou
—... “Quando uma rosa morre, um espinho é deixado para trás”.
Chris olhou para Sara quando ele terminou a citação apontando a lanterna pra parede.
— Ele é assim mesmo. Uma hora você se acostuma.
To Be Continued…
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