Love Story

219 CSI:Vegas ❥ A Afronta de Anna Wix


O décimo oitavo dia chegou, e com o suspeito certo na mira, Sara e Grissom foram deixar Hodges a par de quem estava fazendo aquilo com ele e como andava a investigação. Encontraram-se com ele no escritório de seu advogado. Colocaram Hodges a par de tudo e ele ficou horrorizado. O advogado disse que o que eles tinham, ele não podia usar no tribunal.

— Tem certeza disso?- Hodges indagou ao casal. — Logo o Anson Wix? Ele não é o tipo de cara que explodiria uma pessoa.

— O ataque ao Brass, que começou tudo isso, o cara que ele enviou para matá-lo foi pago com dinheiro de resgate de um sequestro de 1990.- contou Sara.

— E Wix era um associado júnior na empresa que defendeu o sequestrador.- continuou Gil.

— Também representou Bill Dwyer, o cara que nos mandou ao depósito. A testemunha especialista dele, Martin Kline, ajudou a armar pra você. Wix o matou pra esconder tudo.

— Achei que eu era o especialista dele.

— Já trabalhou pra ele?- indagou o advogado.

— Três ou quatro vezes.- ele respondeu. Gil olhou para Sara na hora. — Depois dos júris, íamos comer no food truck da rua. Ele sempre se interessou pela minha antiga carreira. Achei que ele estava sendo legal, mas…- ele lamentou. — Ele estava planejando isso.

— Você conhece bem esse cara, David.- falou Gil. — Que tipo de erros ele pode cometer?

— Ele não comete erros. Por isso tentei contratá-lo pra me defender.- ele olhou na hora pro advogado ao lado. — Sem ofensas.

O cara só sorriu sem se importar.

O celular de Hodges anunciou uma mensagem.

— Tenho que ir pra casa.- levantou-se. — Tenho pouco tempo para essas visitas. Emma ficará apavorada se eu me arriscar com a tornozeleira.

— Como ela está?- Sara quis saber.

— Descansando até o dia do parto. Claro, quando o bebê nascer, provavelmente não estarei em casa.

Sara tentou tranquilizá-lo.

— David, talvez ainda tenha algo do que tiramos da casa do Kline. Não vamos desistir.

Ele assentiu se segurando pra não chorar. Sara ficou com dó e se levantou para abraçá-lo.

Mesmo Gil discordando que Hodges era de fato parte da família como a esposa disse, era fofo demais ver como ela se importava com os amigos dela. Hodges não era bem um amigo, era mais um colega, mas mesmo assim, ela acreditava nele, ela confiava nele, e ia fazer o que estivesse em seu alcance para defendê-lo. Amava seu senso de justiça e em como ela era determinada. Ela era incrível.

~ ♥ ~

Já no laboratório, na sala de análises, Gil e Sara estavam dando mais uma olhada nas evidências do caso Kline, na companhia de Chris.

— Martin Kline tinha bons móveis, antes de serem explodidos.- Sara comentou. — Aqui tem outro pedaço da cadeira.- olhou com a lupa e viu uma pequena mancha. — Parece ter sangue aqui.

— Parece um dia ruim na IKEA.- comentou Gil.

— Vou testá-lo. Provavelmente é sangue do Kline, considerando a proximidade da explosão.- enquanto falava, Sara observava Chris, que estava quieto há um bom tempo. — Chris? Tudo bem? Parece um pouco…

— Puto?- ele concluiu a frase, meio nervoso. Não os culpava, eles só tinham seguido as evidências, mas ainda estava chateado por ter sido acusado. Não com eles, claro. — Esse cara pegou meu luminol para se livrar de assassinato. Quase custou meu emprego. E ainda está estragando trocentas condenações.

Grissom super entendeu a raiva dele, e concordava que era absurdo mesmo o que o cara estava fazendo.

— Fora isso, Sra. Lincoln, como quer agir?

Sara sorriu com a forma como ele o chamou.

— Fora isso, estou ótimo.

Voltaram a olhar pra mesa e Chris achou uma coisa.

— Isso é o pino de uma granada?- Grissom perguntou surpreso. — Onde estava?

— Preso embaixo desse pedaço de gesso.

— Como eu não vi isso?

Sara olhou pra ele na hora. Aquele instinto CSI de nunca perder nada, apareceu. Tudo bem passar por algo sem perceber, era só achar depois.

— Senhoras e senhores, temos uma fibra.

— Esqueça a granada.- disse a morena. — Esse fio pode ser o que de fato explodiu o Wix.

Gil gostou da fala e os três olharam juntos pra fibra que salvaria o caso. Enquanto Sara e Chris examinavam a fibra, Gil foi buscar uma encomenda. Na volta, ele passou na garagem, pois viu Folsom tentando reproduzir um padrão de respingo de sangue. Deu uma ajuda pra ele, foi tomar um café e depois voltou até sua esposa e Chris.

Quando chegou, viu que eles estavam com um rolo de lã verde em cima da mesa. Não resistiu e brincou com Sara.

— Awn, está fazendo um suéter de Natal pra mim?- sorriu.

Por dentro, ela riu, por fora, tentou ser profissional.

— Identificamos o tecido na granada. É híbrido. Lã Orlon e celulose. É um fio de mistura de bambu.

— Não parece o tipo de coisa usada em tecidos comerciais, não é?

— Mas não é tão raro assim. Procuramos lojas de artesanato que vendam fios do mesmo lote, isolando a tintura e…

— Aqui está.- Chris interrompeu sem querer.

— Encontrou outro vendedor?

— Bem melhor.- ele respondeu e os dois foram até ele, cada um de um lado. Pareciam mãe e pai indo ver o que o filho queria mostrar no computador. — Esta loja, “Nó Atado”, tem a nossa linha, e não vão acreditar em quem a segue.

— Não o Wix.

— Um Wix.- ele respondeu Sara. — Irmã de Anson. Anna. Parece que ela é uma das melhores clientes. Ela tem doença de Huntington. Parece que ele cuida dela. Se eles morarem juntos e houver mais história aí…

— Nenhum juiz emitirá o mandado de busca e apreensão que precisamos com base em quem ela segue.- Sara comentou e ele assentiu.

— Bom, vou aprender mais sobre essa Anna Wix.- ele pegou o notebook pra sair da sala. — Talvez ela esteja no instagram.

Quando Chris saiu que Sara percebeu o pacote na mão do marido.

— Recebeu sua prescrição. Você está bem?- preocupou-se. — O enjoo está piorando?

— Eu só preciso diminuir meus níveis de cortisol.

Isso a fez sorrir. O cortisol é o hormônio liberado para preparar nosso organismo quando estamos em perigo, só que o nosso corpo não sabe diferenciar situações de risco reais e imaginárias.

— Prefiro fazer isso resolvendo algo. Menos efeitos colaterais.- ela olhava pra ele com tanta ternura que era capaz de esmagá-lo num abraço fofo, mas não deu tempo, pois seu celular tocou enquanto ele terminava de falar. — Esta é a opção B, se precisar.- ele olhou pro pacote, depois pro celular tocando na mão dela.

O contato era de Emma Hodges. Sara atendeu.

— Oi Emma…- na mesma hora ficou preocupada, pois Emma parecia desesperada. — Calma, devagar.- ela falava com Emma enquanto olhava para Grissom. — Está tudo bem?... Como assim David sumiu?

Grissom na hora soube o que era.

— Emma, fica calma, tá? Você não pode ficar nervosa, faz mal pro bebê… Eu sei… Olha, eu acho que sei onde ele pode ter ido. Eu vou procurá-lo, tá? Vai ficar tudo bem… Ligo sim, fica tranquila… De nada, querida…

Quando Sara desligou, Grissom a olhava com aquele olhar.

— Food truck?

— Certeza.- ela balançou a cabeça. — Vou lá. Quer ir comigo?

— Não, eu vou pro hotel tomar um banho. Sem paciência pro Hodges querendo acabar com a investigação inteira.

— Gil, manera.

— Menti? Ele é impulsivo igual a você, sabia?- Sara olhou pra ela com a boca meio aberta.

— Se eu fosse você, evitaria me deixar brava enquanto estivermos longe dos nossos filhos.

— Ah é?- ele quis rir. — Por quê?

— Não vamos ter tanta privacidade assim quando voltarmos ao Ishmael, então sugiro que não desperdice isso me deixando furiosa.

Grissom sorriu e a puxou para um abraço, largando o pacote na mesa.

— Te amo, nervosinha.

Sara não resistiu ao sorriso.

— Impulsiva, você quis dizer.

Ele riu.

— Desculpa.

— Tá, deixa eu ir, antes que ele estrague tudo.- Sara desfez o abraço e recebeu um beijo antes de sair correndo atrás de Hodges.

E realmente, ele estava no food truck. Sara quis socar ele.

— David? O que está fazendo aqui?- ela sentou de frente pra ele na mesa de madeira e tirou os óculos escuros.

— Como sabia que…

— Moções do seu caso. Disse que Wix vem aqui pós tribunal. Sabe que está sendo monitorado. O que está fazendo??

— Por que? Por que eu? Quero que o Wix diga na minha cara exatamente o que eu fiz para merecer ter a vida destruída.

— Você acha mesmo que ele vai te dizer?- Hodges bufou. — Precisamos mantê-lo no escuro, arrogante, despreocupado, cometendo erros. Confrontá-lo só vai prejudicar o caso.

— O que devo fazer? Ficar em casa enquanto todo mundo cuida disso?- ele estava desesperado. — É o meu caso. É a minha vida.

— Você é nossa família.- enfatizou. — E eu disse que vamos cuidar disso. Mas não podemos se você der uma dica para o Wix, e se fizer isso… Todas as apostas acabam.

Hodges parecia um garotinho levando bronca da mãe e pareceu entender a gravidade de suas ações, mas sua atenção foi levada para além de Sara, uma viatura que estacionava.

— Sara…- ele falou preocupado, com os olhos grudados no policial descendo.

Sara virou pra olhar, e olhou de volta para Hodges, sem muita paciência. Conhecia o policial, já sabia que desculpa dar.

— Deixa que eu falo.

Ao ver essa reação dela, Hodges se sentiu mal.

— Está furiosa comigo né?!

— Mais essa pra eu te livrar. Vai ficar me devendo uma.

— Eu já te devo mil.- ele sorriu levemente. — Ele está chegando.- falou entre dentes.

— Acho bom ter trazido dinheiro.- murmurou de volta.

Assim que livrou Hodges e o fez ligar pra esposa pra dizer que estava tudo bem, Sara foi pro hotel encontrar Grissom e também tomar um banho. Já ia anoitecer mesmo, então já ficavam por ali.

Contou pra ele como foi enquanto jantavam.

— Quer dizer então que você foi a heroína dele hoje?!

— É. Me lembrou de quando eu tive que mentir pro Ecklie pra te livrar de uma bronca.

— Não foi só disso que me livrou. Me livrou de ter uma vida vazia e infeliz. Você é minha heroína também, sabia?

Se ele tinha a irritado naquele dia alguma vez, ela tinha acabado de esquecer. Sorriu da maneira mais fofa pra ele e beijou sua mão, em cima da aliança.

Assim que jantaram, tomaram um vinho e foram pra cama. Mas não pra dormir.

~ ♥ ~

O décimo nono dia veio e Grissom continuava contando.

Ele e Sara foram encontrar Chris para que ele pudesse atualizá-los sobre Anna Wix. E claro que ele quis saber como Sara livrou Hodges de explodir o limite da tornozeleira.

— Mandaram ele para casa só com um aviso?- Chris ficou chocado.

— O policial e a esposa acabaram de ter um bebê.- Sara explicou. — Falei que a esposa do Hodges estava com desejos…

— Mandou bem!- ele sorriu.

— Foi sorte.- oh falsa modéstia.

— Desviou de uma bala.- ele estava impressionado.

— É, mas apenas de uma.- Gil se pronunciou. — Violações de área são reportadas para todas as partes.

— Wix vai pensar que Hodges foi até lá para confrontá-lo. Eles se encontraram lá várias vezes. É um dos refúgios de Wix.

Chris suspirou e se debruçou na mesa.

— Não há motivos para não falar com Anna Wix sobre o fio que seu irmão deixou na granada.- Gil continuou.

— Acha que ela sabe de algo?- Chris indagou. — Deve ser culpada apenas de fazer cardigãs verdes.

— Não é fácil manter segredos quando se vive sob o mesmo teto com alguém.

— Eu nem tento mais.- Grissom soltou essa fazendo Chris sorrir e Sara o olhar de relance.

— Então, sem um mandado, estão pensando em uma visita amigável?

— Max não consegue nada do laboratório de Washoe. Precisamos de respostas.- Sara respondeu.

— Anna pode ter as respostas. Alguém tem que falar com ela cara a cara, para ela não sentir que estamos a atacando. Ganhei no cara ou coroa, então eu vou. Mas depois de você me dizer tudo o que descobriu sobre ela.

Chris fez uma cara de que quer rir. Como assim “ganhei no cara ou coroa e eu vou”? Ele e Sara decidiram no cara ou coroa? E o jeito que Grissom falava era engraçado também.

— Que foi?- Sara sorriu. — Somos um casal tão estranho assim?

— Vocês são irados!

— Viu?- ele olhou pra ela depois de sorrir. — Giria jovem.

Sara revirou os olhos.

Chris contou tudo o que sabia sobre Anna Wix. Assim que acabou, Grissom levantou pra ir falar com ela.

— Conta tudo pra gente quando chegar.

— Até porque ele nem tenta mais esconder as coisas né.- comentou Sara quando ele levantou, só pra zoar mesmo, mas com uma expressão falsa de séria.

Chris riu e Grissom tentou não fazer o mesmo.

— Eu estava brincando, meu amor.

— Hmm… engraçadinho.

Grissom não aguentou e riu.

— Nós nunca tivemos segredos… tivemos?

Sara parou um pouco pra pensar.

— Acho que não. Heather era um segredo?- provocou.

— Claro que não.- ele semicerrou os olhos fazendo-a sorrir. — Cuidado com ela, Chris. Sara é uma ciumenta rancorosa.

Sara abriu a boca chocada com a mentira e deu um tapa no braço dele enquanto Chris dava outra risada.

— Óh, para, senão dessa vez eu que peço o divórcio.

— Está vendo só, criança? Eu vivo de ameaças há seis anos! Ela fica jogando isso na minha cara.

— Vai logo ver a Anna Wix. Tomara que ela te bote pra fora.

Chris gargalhou dessa vez e Grissom deu um beijo na testa de Sara antes de sair, também rindo.

~ ♥ ~

— Gostaria de algo para beber?

Anna Wix, a mulher loira caprichada nas rugas, aparentemente mais velha do que a real idade — talvez por causa da doença, mas ela era mais nova que Sara pela data de nascimento que viu — perguntou a Gil enquanto ele olhava artigos de jornal sobre Anson Wix na geladeira. Grissom se virou, olhando levemente pra baixo já que Anna era cadeirante. Grissom sorriu.

— Gostaria, mas você pode estar prestes a me expulsar.

— Você disse que estava com os CSI’s. Presumo que se trate da Ação Coletiva de Anson?

— Sra. Wix, achamos que seu irmão envolveu alguns clientes em uma conspiração criminosa.- Gil foi cauteloso nas palavras. Ela pareceu surpresa. Só pareceu. — Tentamos impedir que um homem inocente vá para a prisão e que milhares de culpados saiam dela. Qualquer coisa que saiba que pode nos ajudar…

Ele não terminou, pois ela já tinha entendido. Toda a carinha de boazinha dela continuou ali, mas agora era apenas uma Anna cínica ao falar:

— Sei que meu irmãozinho odeia vocês.- quem ficou surpreso foi Gil. — Deveria haver muitos mais artigos naquela geladeira. Mas vocês do tipo CSI sempre estavam atrapalhando, contando suas histórias no tribunal.- Gil estava literalmente de boca aberta. Não estava esperando aquilo. — O nome dele deveria ser famoso. E será um dia.- ela sorriu abertamente, e aí olhou para Grissom com a maior cara de psicopata ainda sorrindo. — Estou feliz com isso.

— Então você acha o que ele faz justificável porque ele…

— É trágico ser esquecido.- ela o cortou. — É a maldição da nossa família. Você veio aqui achando que eu seria uma inválida sem noção?- olhou pra ele com desdém.

— Você sabe de tudo, não é?

— Gosto de assistir aos julgamentos de Anson. Ele usou muitas testemunhas especializadas. Acho que nenhum tão presunçoso quanto David Hodges.- e então ela zombou, imitando a frase deles. — “Nós apenas seguimos as provas. As provas nunca mentem”.- e riu.

É errado querer socar uma cadeirante?

Ela suspirou.

— Eu disse a Anson, que de todos do laboratório, David Hodges era o mais provável de suspeitarem de provas falsas.- cínica era apelido. Ela ergueu as sobrancelhas. — Você acreditou, dr. Grissom? Talvez só um pouco?

Ele caiu no jogo deles. “Nossa, que ódio”.

— Não importa o que as pessoas acreditam ser verdade. Importa o que é verdade.

Ela riu na cara dele.

— Não, não importa. Onde você esteve? Olhe para o mundo. A melhor história vence. É tudo o que importa.- ela então olhou pra porta. — Obrigada pela visita.- e num tom provocativo, continuou. — Você deveria voltar com sua esposa, e sua amiga, dra. Roby. Você pode revistar essa casa se quiser. Não encontrará nada.- e abrindo mais um sorrisão de louca, concluiu: — Vejo você no tribunal. Estou ansiosa para isso.

Mais uma cara de chocado e Gil saiu de lá. Com repulsa.

— Como foi?- sua mulher indagou.

— Surpreendente, chocante, repulsivo.

— Como assim?

— Ainda bem que você não foi. Teria ido parar na cadeia, e ela no hospital.

~ ♥ ~

No dia seguinte, o vigésimo sem estar nem perto do desfecho, Gil e Sara já estavam no laboratório logo pela manhã. Assistiam o noticiário que falava sobre o julgamento de Hodges, enquanto tomavam uma bebida.

Enquanto o jornalista falava, Sara observava Gil tomar um comprimido daquele remédio que era só o plano B. Ficou preocupada. Ele estava mal, desesperançoso, esgotado, chateado por não conseguirem provar a verdade.

Colocou sua mão sobre a dele que estava apoiada em cima da mesa e ficou acariciando enquanto conversavam.

— Vamos impedi-lo.

— O mundo enlouqueceu, Sara. As pessoas nem acreditam mais na verdade na frente delas.- ele falava enquanto olhava pra TV. — Fatos, evidentemente, em debate. Ciência empírica? Nhé, apenas a opinião de alguém.

Sara subiu um pouco a caricia pro pulso dele e depois voltou pra mão.

— Se a irmã do Wix estava tão confiante de que não encontraríamos nada na casa deles, talvez ele tenha armado tudo de algum outro lugar.

— Bem…- ele se desvencilhou da mão dela apenas para tampar o remédio e guardar. — Se essa é a toca de coelho que quer se jogar, querida, eu pulo com você.

Quem diria que esse era o mesmo homem que lhe dizia que se caçasse dois coelhos ia acabar sem nenhum. O clássico sorriso com biquinho reapareceu e ela quis tascar-lhe um beijo ali mesmo. Só não fez isso porque Folsom apareceu com uma evidência no plástico.

— Ah, alguém achou o que procurava.- disse Gil.

Quando foi até ele na garagem, ele estava tentando achar a ferramenta que pudesse ter causado o padrão de sangue que ele tinha.

— As vezes funciona ao contrário, não é?- ele sorriu. — Achar o criminoso, te leva à arma do crime.

— Ouvi que foi o filho da vítima.- disse Sara, antenada.

— Ele limpou antes de jogá-la na caçamba atrás do apartamento, mas o DNA no cabo ajudará a prendê-lo.

— E o cavalo?- sim, tinha um cavalo branco no meio da história, que foi encontrado com sangue no início do caso. — Espero que não volte para o dono.- Sara tinha apego aos animais, então não foi surpresa ela dizer isso.

— Então…- Folsom sorriu. — Limpei minhas economias e mexi alguns pauzinhos, mas ele é meu agora. Será divertido nos fins de semana.

Ficaram surpresos e sorriam.

— Por que não? Todo herói merece um cavalo branco.

Folsom riu e saiu da sala. Grissom sorriu com a frase dela.

— Você sabe como animar as pessoas.

Sara sorriu e eles voltaram a tomar a bebida das garrafinhas.

— Tive uma ideia.- ela falou assim que terminaram.

— E qual é?

— Vou fazer você se sentir melhor.- ela então pegou sua mão. — Vem.

Foi só o tempo dele guardar o remédio no bolso e ela o puxou pra fora do laboratório.

O fez ir no banco do carona e dirigiu calada.

— Não vai mesmo me dizer?

— Eu não vou precisar.- sorriu.

Conforme Sara ia fazendo a rota, ele ia reconhecendo o caminho. Sorriu por ela ter pensado naquele lugar. Há anos ele não pisava ali.

Deu para perceber que a mata foi vítima de fogo recentemente, o verde estava voltando a aparecer aos poucos e haviam menos árvores. Lamentaram a existência do ser humano naquele momento. Esperavam que a árvore deles não tivesse sofrido nenhum dano.

Subiram a montanha, metade com o carro e metade a pé como sempre fizeram, e lá estava ela.

— Caramba!- exclamou Gil. — Ela cresceu.

Sara chegou mais perto dela.

— Nossas marcas já sumiram.- ela tocou no tronco. — Mas dá pra ver que estiveram aqui em algum momento.

— Quando foi a última vez que esteve aqui?

— Um pouco depois do divórcio. Já tem muito tempo.- ela suspirou e virou pra apreciar a vista. — Senti falta daqui.- ele também suspirou e curvou bem pouco os lábios num sorriso nostálgico.

— Quando te vi meio pra baixo foi o primeiro lugar que me veio a cabeça.- ela então olhou pra ele e segurou sua mão. — Nosso cantinho sempre melhorava as coisas.

Sorriram um pro outro e Gil a abraçou forte.

Você sempre melhorou as coisas.- Sara sorriu com isso e acariciou a nuca dele. Adorava fazer aquilo quando o abraçava. — Eu poderia ficar aqui o dia inteiro.

— Na montanha?

— Não. Nos seus braços.

Sara sorriu mais uma vez e o abraçou mais forte beijando seu ombro antes.

Desfizeram o abraço e resolveram sentar para apreciar a vista. Sara encostou as costas no tronco da árvore e cruzou as pernas. Gil deitou em seu colo recebendo carinho no cabelo. Ah, como amava aquilo! Sentia-se um garotinho nos braços dela.

Nada disseram por um bom tempo, e nem precisava.

Sentiam saudade dos momentos do passado e orgulho do que estavam vivendo no presente.

Notas finais
Eu amo o "eu nem tento mais" que o Grissom soltou kkkk a cara da Sara é maravilhosa. E a cena final deles no episódio é muito fofa, ela acariciando a mãozinha dele ♥ Tava com saudade da árvore deles ♥