Love Story
204 Abby Fisher III
Notas iniciais
Com a chegada da segunda semana de janeiro, quando as aulas já voltaram ao normal, Grissom foi procurar vaga para professor nas universidades. Com seu currículo não foi muito dificil e alguns dias depois conseguiu como professor substituto na WLVU. E com o passar dos meses, foi convidado algumas vezes pra dar palestras em universidades específicas que davam cursos na área biológica e de ciência forense, já que eram especialidades dele, e que mesmo aposentado, ele tinha lugar de fala e credibilidade.
Durante todo esse período que deu aulas e palestras, Gil conseguiu estar presente na gravidez de Sara sem problema nenhum.
Ainda em janeiro, no final, quase entrando pro quinto mês de gestação, logo depois de voltar do supermercado, Grissom encontrou Sara em casa dando uma olhada na internet em móveis para quarto de bebê com a ajuda de Abby, que passou lá depois de uma das aulas de música para vê-la.
Como ela tinha acabado o ensino médio há pouco tempo, e ainda estava decidindo o que fazer depois, Abby testava algumas coisas. Geralmente quando acabam o ensino médio, a galera já vai direto pra faculdade, Abby não quis ir, mesmo tendo notas boas. Não tinha decidido ainda. Sara ajudava bastante na questão psicológica, porque sem ter um rumo ainda, Abby se sentia inferior algumas vezes e desanimava, e Sara sempre dizia que estava tudo bem ficar em dúvida, pois ela era jovem ainda e tinha tempo pra testar o que gostava ou não de fazer.
— Olha só, que visita maravilhosa!- Gil exclamou ao ver Abby na sala com Sara.
— Oi Gil!- respondeu feliz em vê-lo e foi abraçá-lo depois que ele depositou as pequenas compras na mesa.
— Oi princesa. Como você está?
— Bem. E acabo de descobrir que Sara também é indecisa.
— É mesmo?- o professor riu.
— Meia hora tentando decidir se é melhor cômoda ou guarda roupa.- sentou-se ao lado de Sara novamente. — Se coloca só o berço, ou se coloca já o berço e a cama.
— Ah, são dúvidas válidas.- ela se defendeu. — Por mim, eu colocaria tudo, mas não tem espaço.- sorriu.
— Verdade.- concordou Gil. — Eu acho melhor não colocar a cama, abelhinha, porque ele não vai usar.
— Ah é, tem razão. Então é bom comprarmos um berço fácil de desmontar e que caiba no Ishmael, não é?
— Perfeitamente.
— Tá, então… Cômoda ou guarda-roupa?
— Eu não sei. Quais você gostou?- sentou-se ao lado dela também pra olhar.
— Bom, vou deixar vocês decidirem juntos.- Abby se levantou e pegou a mochila.
— Já vai?- Grissom indagou. — Achei que ia ficar mais um pouco. Não avisou pra Joanna que viria?
— Avisei, eu… disse que ia passar aqui rapidinho.
— É, ela vai nos trocar pelo namorado.
— Sara!!- a menina ficou vermelha dos pés à cabeça.
— Namorado?? Que história é essa de namorado?- Grissom franziu o cenho.
— Ele não é meu namorado, a gente só saiu algumas vezes. Para, Sara!
A morena riu, mas o coração ficou quentinho, pois parecia uma cena de pai e filha quando o assunto era “garoto”.
— Olha, mesmo se não for, está aprovado, tá? Robert é uma graça.
— Sara!
— Você já o viu?- Grissom perguntou. — Já falou com ele?
— Já o vi algumas vezes voltando da escola com ela. Agora estão fazendo aula de música juntos. Só nos falamos uma vez, a cortesia de sempre, você sabe.
— Ah, tipo “oi, como vai?”.
— Exato. Mas deu pra ver, ele é um cavalheiro.
— Deve ser bonitão.
— Gente!!
Gil e Sara fingiam que não a escutavam, só de sacanagem.
— Espero que ele trate a Abby como uma princesa.- continuou o então professor.
— Ah, ele tem cara de ser romântico.- Sara completou.
— Pelo amor de Deus!
O casal gargalhou.
— Tudo bem, tudo bem.- Sara tentou parar de rir. — Desculpa.
Abby suspirou, mas também riu, sem graça, mas riu. E resolveu zoar com a cara deles também.
— Olha, se ele começar a deixar bilhetinhos como o Gil anda fazendo, quem sabe eu dê uma chance.
Abby então recitou "tirando sarro", pois Sara mostrou o último que recebeu e ela havia decorado.
— “Nem mesmo o céu, nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito... Não é maior que o meu amor, nem mais bonito”
Os dois sorriram.
— Está bem, você venceu.- ele levantou as mãos em rendição. — Mas tem que admitir que é fofo.
Abby sorriu assentindo e Sara deu um beijo na bochecha do marido.
Grissom desenvolveu um hábito que sua esposa adorou quando viu que ficou recorrente depois de sua primeira aprovação. Em seu primeiro dia de trabalho, antes de sair pela manhã, Gil preparou seu desjejum e escreveu um bilhetinho de amor, deixando o papel em cima da mesa pra ela ler quando acordasse.
“Meu amor, você é minha vida. Sua vida eu também sei que sou. Cada vez mais juntos, quem procura por você, sabe onde estou. Desejo sempre permanecer assim, cuidando de você, e você de mim”
Quando chegou, foi recepcionado com beijos alegres dizendo que ela tinha amado o bilhete, mesmo tendo mandado mensagem de texto na hora que viu. Depois disso, Gil passou a fazer isso sempre que era solicitado pra substituir alguém. Sempre que saía, deixava um bilhetinho de amor pra ela.
Sara acordou tarde naquele mesmo dia na semana seguinte, pois no dia anterior eles tinham, com tudo já decidido, saído pra comprar as tintas e os móveis pra reformarem o quarto de hóspedes pro bebê, e estando ansiosa, Sara simplesmente ficou acordada a noite toda planejando e pensando em ideias pras pinturas. Gil simplesmente apagou e nem percebeu que ela virou a noite acordada. O repouso e o descanso era necessário, mas as vezes Sara não conseguia evitar. Contanto que dormisse, não fazia diferença a hora, era o que ela dizia. Errado! Sono desregulado era péssimo e Gil lhe dava bronca muitas vezes.
Enfim, acordou quase onze da manhã e se deparou com mais um bilhetinho na cozinha.
“Pode o céu desabar e a terra toda tremer, que eu jamais vou deixar de te amar, te querer. Enquanto a lua brilhar e o sol aparecer, juro que o meu coração sempre seu vai ser”
Sorriu. Não sabia de onde ele tirava aquelas rimas, só sabia que amava ler o que ele escrevia.
Claro que contou a Rayle sobre aquilo, e a fotógrafa, depois de surtar de fofura, mencionou que Nick mandava mensagem pra ela as vezes, do nada, com frases românticas aleatórias e até engraçadas, e que ela amava aquilo e as vezes ficava até esperando uma mensagem dele chegar. Sem dúvida, as duas amigas estavam vivendo a melhor fase da vida delas, e amavam compartilhar com a outra o quanto estavam felizes.
Quando Gil chegou, começaram a tirar tudo o que tinha no quarto de hospedes. Greg e Catherine se ofereceram pra ajudar, mas eles não quiseram. Queriam fazer todo o quarto do neném sozinhos.
— Vamos pôr em prática nossos dons artísticos, senhor poeta?
Grissom sorriu com o que ela disse. Desde que leu o primeiro bilhete ela o chamava assim. A abraçou por trás pela cintura e tocou sua barriga com as duas mãos.
— Tenho certeza que passaria mais vergonha se continuássemos com a ideia do safari.
Sara riu. Ela tinha tido a ideia de pintar animais nas paredes, mas mudou de ideia e quis se inspirar no quarto do Andy de Toy Story, pintar de azul céu e desenhar nuvens. Ia ficar muito fofo.
— Eu mudei porque nem eu conseguiria fazer. Se não conseguirmos nem desenhar nuvens, o que nosso filho vai pensar de nós?
Grissom sorriu mais uma vez, mas de um jeito todo bobo.
— Nosso filho…- ele repetiu ainda todo bobo. — Ainda parece sonho.
Sara sorriu e o viu ficar de frente pra ela, ajoelhar e beijar sua barriga já de cinco meses. Sara tocou o cabelo dele e acariciou enquanto ele acariciava a lateral de sua barriga.
— Eu… pensei num nome pra ele.
— Sério?- ela o olhou surpresa, pois ela também tinha pensado.
— Sim.- ele olhou pra cima ainda sentindo a carícia suave dela. — Eu só… não sabia como sugerir, não sabia se você ia concordar.
— Em qual pensou?
— Warrick.- ela arqueou as sobrancelhas ainda mais surpresa. — Pensei em fazer uma homenagem pra ele.
— Não acredito que pensou no mesmo nome que eu.
— Está brincando?!
— Não, eu realmente pensei em homenagear o Warrick se fosse menino, e a Julie se fosse menina. Eu não sei por que não te contei antes.- sorriu sem graça. — Acho que tinha muita coisa na cabeça, eu simplesmente esqueci de discutirmos sobre o nome do bebê.
— Bem, de qualquer forma, se não fôssemos discutir sobre isso agora, teríamos ainda mais alguns meses pra isso.- levantou e sorriu fazendo-a sorrir também. — Então você acha uma boa ideia fazer isso.- mais afirmou do que perguntou.
— Acho ótima. E podemos chamar carinhosamente de Ricky. Eu acho um nome bonito, e não é tão comum.
— É verda…- foi interrompido por um suspiro de susto dela segurando a barriga. — O que foi?- ficou preocupado.
— Ele mexeu…- Sara o olhou em choque, mas feliz com o movimento. — Acho que ele gostou do nome.- sorriu olhando pra baixo novamente. — Né, filho?!- o bebê chutou novamente e ela abriu um sorriso bobo. — Tenta sentir.- Sara pegou a mão de Gil e a colocou sobre o volume. — Faz de novo, meu amor. Fala pro papai que você gostou do nome que ele escolheu.- demorou uns segundos, mas novamente o movimento veio e Grissom também deu aquele suspiro com um sorriso surpreso.
— Oi, garotão…- ele se ajoelhou novamente. — Isso é felicidade ou ansiedade?- Sara riu, mas achou super fofo ele falar com o bebê como se ele fosse mesmo responder igual ela fez. — Os dois, não é? Eu estou os dois também. Feliz e ansioso pra te ver.
Sara sorriu mais ainda com a fofura daquele momento.
— Dizem que eles reconhecem a voz dos pais já na barriga. Seria bom se passarmos a conversar com ele com mais frequência. Bater vários papos de madrugada.
— Não, senhora. De madrugada vocês vão estar dormindo.
Sara riu, pois falou isso só pra provocar já que costumava dormir um pouco tarde e Gil lhe repreendia.
— Estou brincando.
— Sei…- ele riu e se levantou novamente.
Sara enlaçou seu pescoço ainda sorrindo e chegou pertinho de seu rosto, sentindo as mãos dele em sua cintura.
— Eu te amo demais.
Grissom a beijou e disse o mesmo em seguida.
Foi um momento muito especial, e conforme iam começando a pintura do quarto e se divertindo com isso, vez ou outra falavam com o pequeno Warrick. O amigo já falecido com certeza ia gostar da homenagem que fizeram, e o pequeno Sidle Grissom, quando crescesse, sempre ia ouvir falar do quanto seu tio era um homem digno de homenagem.
Levaram mais ou menos duas semanas pra terminar o quarto por completo. Pintaram apenas duas paredes com o céu e as nuvens, e as outras duas apenas de azul. Móveis todos em branco, berço, cômoda, trocador e poltrona. Os lençóis de cama, o tapete e a cortina eram de um amarelinho bem clarinho.
Compraram pouca coisa pra ele, pois Catherine disse que ele ia ganhar muita coisa de presente dos padrinhos e dos amigos. Então compraram só algumas calças, blusinhas, dois macacões, duas touquinhas, dois pares de meia, mais um sapatinho e um elefantinho de pelúcia pra ele abraçar quando dormisse. Fora o urso que Betty deu e as pecinhas que Rayle e Rebecca levaram, era isso que Warrick já tinha.
Então pro fim de fevereiro, no final do quinto mês de Sara, eles conseguiram se reunir pra presentear o bebê com os mimos, e pra passarem um tempo juntos com o casal. Alguns estavam de plantão, mas não deixaram de ir, outros mandaram entregar por eles, no caso de Judy que estava trabalhando, e Abby que tinha viajado com a família adotiva.
Quando chegaram na casa de Catherine, foram surpreendidos com muitos abraços e presentes. Haviam espalhado várias bexigas verdes claras. Catherine e Lindsey também tinham feito uns petiscos e salgados com Lilly pra eles comerem enquanto estavam ali se divertindo.
— Vocês são uns amores mesmo.- exclamou Sara.
— Vocês merecem esse carinho, ok?- disse a ruiva sorrindo.
Depois de conversarem, botarem o papo em dia, beberem cerveja e Sara refrigerante, eles foram para os mimos.
— Henry e eu não sabíamos o que dar a ele.- começou Hodges. — Então cada um comprou um pacote enorme de fraldas, ou seja, nem precisam se preocupar com isso.
— Obrigada, Hodges.- Sara sorriu. — Nem lembramos disso.
— Começamos bem.- Grissom riu sem graça.
Catherine, Lind, Lilly, Morgan e Ecklie compraram roupas pra ele, Gil e Sara ficaram aliviados por terem comprado pouca coisa, pois receberam macacões, calças, shorts, camisetas, babador... Alguns macacões eram de animais, tinha um de panda, de leão, de urso, de gato e até de cachorrinho, todos tinham capuz com a carinha do animal. Fizeram a festa nas lojas, compararam muitas roupinhas para o novo membro da família.
— Esse é o meu preferido, Sara.- Catherine lhe mostrou o macacão de gato, toda boba.
— Que fofo! Eu adorei! Adorei todas. Ele vai ficar lindo as usando.
— Bom...- Crawford começou a falar. — Eu não tinha a mínima ideia do que comprar, então comprei dois bonés e um chocalho.
— Que amor. — Sara sorriu. — Obrigada, Crawford. São lindos! E eu aposto que ninguém pensou nisso.
— É verdade. — Gil concordou sorrindo.
— E são super estilosos, olha só. — mostrou-os a Grissom que sorriu concordando.
Um era xadrez em branco e azul bebê, e o outro era vermelho com alguns carrinhos desenhados.
— Eu peguei dois dias de folga de San Diego, me juntei com Jim, Robbins e David e fomos até a loja de brinquedos. Enchemos o carrinho de brinquedos pra ele!- os informou contente.
— Esse garotinho estará cercado de mimos.- Russell riu.
— Eu comprei de tudo um pouco. Sou um padrinho super legal!
— Metido.- Nick o empurrou de leve.
Riram.
— E você D.B.? O que trouxe pra ele?- Robbins quis saber.
— Bom, eu fico feliz que ninguém tenha pensado nisso. Comprei um kit que contém escova, pente, perfume, shampoo, condicionador, sabonete e toalha. Vem até com um patinho pra ele brincar na banheira.
— Poxa D.B., que bacana!- Gil ficou impressionado. — De fato, ninguém tinha pensado nisso também.
— Crawford e eu somos espertos.- riram e bateram as mãos fazendo os outros rirem também.
— Ah.- Lindsey lembrou. — Judy comprou uma pelúcia pro bebê. É um tigre.- entregou à Sara.
— Que lindo! Eu comecei a me apaixonar muito por pelúcia.- Sara sorriu. — Ah, gente, muito obrigada por tudo isso. Sério, não precisava.
— Que tal levarmos tudo isso pra casa, honey?- Gil propôs a Sara.
— Acho uma boa ideia. Querem ir junto? Vocês vão adorar o quarto que montamos.
— Ai eu estou ansiosa pra ver!- exclamou Morgan.
E lá foram todos eles rumo à casa dos Grissom. Foram bem paparicados, mas só o fato de terem os amigos ali com eles naquele momento tão especial de espera pelo bebê, era o que eles mais valorizavam. Não contaram do nome que escolheram, isso seria surpresa.
~ ♥ ~
Era uma manhã fria de quarta-feira. Grissom despertou e ao olhar pro lado, abriu um lindo sorriso.
Sara dormia profundamente de barriga pra cima, toda desajeitada e agasalhada. Os cabelos estavam espalhados no travesseiro e sua expressão era serena.
Chegou pertinho dela e acariciou seu rosto macio. Adorava fazer isso. Era sempre assim quando acordava primeiro que ela. Chegava pertinho, acariciava seu rosto e velava seu sono. Era muito bom!
Acariciou sua barriga e sorriu.
Ainda não acreditava que seria pai. Seu recente grande sonho se realizaria em breve. Logo, logo teria seu pequeno em seus braços. Ele e Sara estavam muito ansiosos. Era tanta ansiedade e emoção que mal cabiam em seus corações.
Levantou e fez o que sempre fazia. Ao terminar de preparar o café da manhã dela, pegou uma folha de papel branca e uma caneta. Mas resolveu não escrever apenas um bilhete como sempre fazia, e sim algo mais longo. Resolveu não só escrever sobre seus sentimentos por ela, mas também escrever sobre ela. Sem nenhum motivo, apenas sentiu vontade.
Sorriu satisfeito com o que havia escrito, pegou metade de uma sulfite rosa que encontrou no meio dos papéis, recortou dois coraçõezinhos e colocou em cima da folha, como ela fez para ele uma vez.
Deixou em cima da mesa, voltou ao quarto, deu um beijo em sua testa e em sua barriga sussurrando “Eu amo vocês”, pegou suas coisas e seguiu rumo ao trabalho.
~ ♥ ~
Sara acordou ainda sonolenta, sentou-se, espreguiçou-se e esfregou os olhos. Olhou ao redor e em seguida para sua barriga de seis meses.
Até aquele momento, tudo estava correndo bem, Sara não contrariou nenhum dos prognósticos médicos, não ingeriu álcool, estava cuidando da alimentação direitinho e sempre mantendo pensamentos positivos. A recomendação que deram foi fazer hidroginástica, pilates e drenagem linfática para evitar dores nas costas e retenção de líquido, mas Sara só chegou a fazer um pouco de pilates, ela felizmente sentiu poucos incômodos até o sexto mês. Durante todo esse tempo não teve mais enjoo, e nem sangramento ou ameaça de aborto, o bebê estava incrivelmente saudável, estava tudo certo.
Sara pousou as mãos sobre a barriga e sorriu.
— Mamãe está com tanto sono, meu amor… Parece que a preguiça resolveu tomar conta de todo o meu ser desde o terceiro mês de gravidez.- riu. — Mas estou com mais fome do que preguiça. Aposto que você também.- o bebê se mexeu em resposta e ela sorriu.
Levantou-se e foi até o banheiro fazer sua higiene matinal. Em seguida seguiu para a cozinha.
Viu a mesa linda como sempre e a folha sobre a mesma. Viu os coraçõezinhos e abriu um lindo sorriso. Ele era tão fofo! Lembrou-se de quando fez a mesma coisa alguns anos atrás. Sorriu mais uma vez. Pegou pra ler e se surpreendeu, tinha muita coisa. Normalmente era uma frase ou umas três linhas de palavras, esse era diferente. Começou a ler…
“A mulher que eu amo tem tudo que eu quero, e até mais do que espero encontrar em alguém.
A mulher que eu amo tem um lindo sorriso, é tudo que eu preciso para a minha alegria, além de seu beijo doce e irresistível.
A mulher que eu amo tem nos olhos a calma, ilumina minha alma, é o sol do meu dia e a lua da minha noite.
Seu amor é pra mim o que há de mais lindo. Se ela está sorrindo eu sorrio também. Tudo nela é bonito, tudo nela é verdade, e com ela eu acredito na felicidade.
A mulher que eu amo é o ar que eu respiro e nela eu me inspiro pra falar de amor. Quando vem pra mim é suave como a brisa, e o chão que ela pisa se enche de flor.
A mulher que eu amo enfeita minha vida, meus sonhos realiza, me faz tanto bem. Tem a luz das estrelas e a beleza da flor. Ela é minha vida, ela é o meu amor.
E eu tenho certeza que a mulher que eu amo está lendo isso com os olhos mais lindos do mundo cheios d’água, pois por mais que ela seja forte, ela tem o coração mais mole que Maria Mole. Mas as únicas lágrimas que eu quero ver em seus olhos são as de felicidade.
Eu te amo! Tenha um ótimo dia, abelhinha.”
Ele tinha razão, seus olhos estavam cheios d’água, mas as lágrimas já haviam caído no quarto parágrafo da leitura.
Emocionada, levou a mão até a boca e sorriu.
— Seu pai é o homem mais romântico desse mundo, filho.
O bebê chutou e ela sorriu mais uma vez. Secou as lágrimas, pegou seu celular e escreveu uma mensagem de texto pra ele com o sorriso no rosto.
Assim que enviou, colocou o celular sobre a mesa e sentou-se para poder tomar seu café.
Na universidade... Gil recebia a mensagem, mas não podia ver no momento, pois estava no meio da explicação. Assim que terminou de explicar, perguntou aos alunos se tinham alguma dúvida e recebeu vários não's em resposta. Sentou-se em sua mesa e pegou o celular em seu bolso para ver a mensagem.
“Eu sei que você adora esse coração mole, seu bobo! Chorei mesmo. Foi a coisa mais linda que já li em toda a minha vida.
Eu te amo muito, meu amor! Um ótimo dia pra você também.”
Um sorriso lindo brotou em seus lábios e uma de suas alunas comentou sobre.
— Olhem o sorriso bobo dele! Acho lindo ver o quanto é apaixonado pela sua esposa, Sr. Grissom.
Grissom sorriu com isso.
— Como sabe que a mensagem é dela, Susan?- questionou Ryan, outro aluno.
— Ele só sorri desse jeito quando se trata da Sara. Nunca reparou?
— Não.
— Você é homem. Nunca reparam em nada!
A turma deu risada.
Grissom os adorava. Eles eram muito inteligentes e bem brincalhões.
— Susan tem razão quando diz que eu só sorrio assim quando se trata de Sara. Ela é incrível.
— Awnn.- as meninas disseram ao mesmo tempo.
Falou pouco sobre Sara, mas bateu um papo sobre toda aquela coisa de ser observador ou não com os alunos. Os papos com eles eram sempre proveitosos e às vezes até esqueciam da matéria.
Só interromperam quando o sinal tocou.
~ ♥ ~
— Onde está a mulher mais linda do mundo?!- Gil disse após passar pela porta.
Sua adorável observadora estava sentada no sofá com uma panela de brigadeiro entre as pernas.
— Oi meu amor!!- ela se animou, mas esperou ele ir até ela.
Assim ele fez. Agachou-se na frente dela sorrindo e tocou seu rosto lhe dando um beijo.
— Você está bem?
— Eu estou. E o homem que eu amo, como está?
Ele sorriu.
— Melhor impossível.
Sara sorriu também.
Gil olhou pra panela de brigadeiro ao lado dela e em seguida a olhou.
— Sabia que já passou da hora de almoçar? Comendo besteira, você não vai querer comer a comida.- ele disse sentando-se ao lado dela e passando um braço por seu ombro.
— Sabia.- o beijou e apoiou a cabeça em seu ombro. — É que eu estava com taaanta vontade de comer que não resisti. Mas relaxa, eu como no almoço.
Grissom riu.
— Você não tem jeito.- deu um beijo na lateral de sua testa e decidiu levantar. — Bom, vou tomar um banho e aí eu preparo o almoço, tá?
— Uhum.- ele se levantou e ela perguntou: — Quer companhia no banho?
— Ah, eu vou adorar!
Sorriram.
~ ♥ ~
Enquanto isso, um acidente de carro ocorreu no centro de Vegas e a equipe de Catherine foi mandada ao local. Infelizmente, a família era conhecida. Dois corpos nos bancos da frente com óbito já declarado e o do banco de trás foi levado ao hospital, aparentemente sem ferimentos muito graves. Greg e Lindsey cuidaram da cena, Morgan foi ao necrotério e Catherine fez questão de ir ao Desert Palm. Henry e Hodges estavam em outro caso.
A ruiva chegou lá e de longe conseguiu ouvir Abby discutindo com a assistente social.
— Não! Eu não vou voltar pra lá!
— Abby, você não tem com quem ficar, seus pais adotivos morreram.
— Eu já tenho dezessete anos, vocês não podem me levar de volta, não podem!
— Eu sei que alguns estados consideram maioridade quem já terminou o ensino médio, mas querendo ou não a maioridade é dezoito, e ninguém sai de lá antes disso.
— Isso não é justo!
— Querida, logo você fará dezoito, não vai demorar.
— Seis meses! Eu não vou voltar pro orfanato, eu consigo me virar sozinha!
— Não depende de você, Abby.
— Com licença.- Catherine se aproximou delas entrando do quarto. — Eu sou Catherine Willows, da criminalística.
— Eu conheço você.- disse Abby secando as lágrimas.
— Conhece.- sorriu. Já tinha um tempinho que não a via. — Sou amiga da Sara.
— Por que ela não veio?
— Ela não sabe ainda, eu quis ver como você estava primeiro.
— Ah, eu esqueci que ela não está mais no CSI. Liga pra ela, Catherine? Por favor.
— Como eu disse, Abby…- a assistente insistiu. — Assim que você receber alta, vai ter que vir comigo.
— Eu não saio daqui sem a Sara!!
A mulher já ia tentar convencê-la novamente, mas a ruiva interveio.
— Eu vou ligar pra Sara e pedir pra ela vir o mais rápido possível enquanto eu pego seu depoimento, tabom? Vai ficar tudo bem, pode deitar e ficar calma.
— Está bem.- Abby respirou fundo e se deitou.
Catherine então fez a ligação. Sara não atendeu de imediato, pois estava no banho com o marido. Assim que viu a mensagem que Catherine deixou já que ela não atendia, retornou a ligação preocupada, já que na mensagem dizia que era urgente.
— Oi Cath.- disse a morena assim que a amiga atendeu. — Desculpe, estava no banho. O que houve?
— É a Abby.- Sara gelou na hora. — Ela e os pais sofreram um acidente de carro.
— Ai meu Deus…
— Calma, ela está bem.- Sara respirou mais aliviada e Catherine relatou todo o resto. — Ela quer você aqui, está muito nervosa.
— Está bem, eu vou agora mesmo.
— O que houve, abelhinha?- Gil perguntou ao ver a expressão de preocupação da esposa ao desligar o telefone.
Sara contou o que Catherine havia dito e Gil também se preocupou, saindo às pressas com ela para o hospital.
~ ♥ ~
Quando chegaram lá, Grissom foi falar com Catherine que estava do lado de fora do quarto depois de pegar o depoimento de Abby.
Sara foi direto até a menina, que se sentou quando a viu se aproximar.
— Sara!
— Meu amor, você está bem?- Sara a abraçou e com isso Abby apoiou a cabeça em seu peito, tomando cuidado com a barriga dela. — Se machucou?- a olhou desfazendo o abraço.
— Só uns arranhões.
— A enfermeira disse que ela bateu forte a cabeça, por isso a faixa.- disse a assistente. Sara pareceu voltar anos atrás ao ver a faixa. — Ela tem que ficar de repouso.
— A Joanna e o Bryan…- Abby mudou de assunto ignorando a assistente.
— Eu soube.- disse Sara com pesar. — Eu sinto muito.
Gil e Catherine apareceram na porta nesse momento.
— É a terceira família que eu perco.- Abby não se conteve e começou a chorar abraçando Sara novamente.
A morena olhou para Grissom e Catherine e ambos abaixaram o olhar lamentando.
— Eu… vou ver com os médicos quando ela terá alta.- Gil então saiu de lá.
Catherine tomou a palavra.
— Querem levá-la pro orfanato, Sara.
— Eu não quero ir.- disse ela aos prantos.
— Calma, meu amor, eu vou dar um jeito.- beijou o topo de sua cabeça e se dirigiu à assistente. — Quanto tempo leva para os papéis de adoção ficarem prontos?- as três se surpreenderam e a fitaram desacreditadas. — Olha, eu sou casada agora, tenho um bebê chegando, uma casa grande, e não trabalho mais no CSI. Eu tenho tempo e amor de sobra.
Catherine sorriu com isso.
— Você quer adotá-la? Qual seu parentesco com ela?
— Conheço a Abby desde que ela tinha cinco anos. Não podia adotá-la por causa do trabalho, eu mal parava em casa. Mas sempre cuidei dela, mesmo de longe. Eu a vi crescer, eu a amo. Abby já passou muito tempo no orfanato e agora eu posso evitar.
— Vai me adotar mesmo?- Abby não estava acreditando no que ouvia.
Finalmente Sara conseguiria ficar com ela. A parte ruim era que seus pais adotivos tiveram que morrer pra isso.
— Vou.- Sara sorriu ao responder. — Só tenho que falar com o Gil, mas tenho certeza que ele não vai recusar.
Abby sorriu e a abraçou novamente.
Catherine sorriu novamente e Grissom voltou.
— Disseram que Abby terá alta já pela manhã. Ela não sofreu nenhuma lesão grave então não tem porquê ficar em observação.
— Imaginei.- disse Catherine.
— Bom, suponho que tenhamos que ter uma conversa sobre pra onde ela vai amanhã e…- ela deu uma dica depois. —... por quanto tempo.
Grissom franziu o cenho e ela saiu do quarto. Sara deu um beijo na testa de Abby e a seguiu. Grissom fez o mesmo quando Sara pegou em sua mão. Catherine ficou com Abby.
Antes que Gil perguntasse, Sara já explicou:
— Querem levá-la de volta pro orfanato e eu disse que quero adotá-la.– ao ver a cara inexpressiva dele, ela insistiu. — Abby não merece voltar pra lá, Griss, e nós podemos ficar com ela agora.
Depois de alguns segundos, Gil se dirigiu à assistente.
— O que precisamos fazer para Abby ir pra casa?
Sara o olhou quase totalmente surpresa.
— Então vocês estão de acordo em adotá-la, certo? Desculpem, mas é muito conveniente.
— Só queremos o melhor pra nossa menina.
— As circunstâncias são horríveis.- Sara continuou entendendo a insinuação. — Fomos pegos totalmente de surpresa, mas não pensaríamos duas vezes em acolhê-la.
— Bom, antes de tudo, eu tenho que seguir o protocolo para garantir que serão bons tutores. Não que eu duvide, parecem amar a menina de verdade, mas vocês devem saber como é.
— Eu sei.- Sara respondeu e a assistente entendeu de imediato.
— Vamos garantir que ela continue tendo um lar confortável e amoroso.
Sara sorriu com isso e abraçou o marido pela cintura.
A mulher voltou ao quarto e disse a Abby como ia funcionar. Disse que ela ia voltar pro orfanato, mas apenas pelo período de burocracia, enquanto os papéis ficavam prontos e o casal preparava a casa para recebê-la.
Quando a assistente confirmou que começariam mesmo o processo de adoção, ouviu o resto que ela tinha a dizer, chorando. E ao ver Gil e Sara aparecerem na porta, correu até eles indo contra a orientação médica, e abraçou os dois.
— Tudo bem, meu amor.- Sara sorriu. — Volta pra cama, você tem que repousar.
— Você tem que ser forte, princesa.- Gil secou suas lágrimas e a acompanhou de volta pra cama. — Você vai ficar bem.
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