Love Stories
4 D
Notas iniciais
É difícil de esquecer a famosa festa de inverno do ensino médio. Eu estava tão animada que não poderia estar mais envolvida em cada detalhe. Organizei tudo de forma perfeita, o baile, a festa, o tema, os pares e as músicas: tudo ficaria impecável e eu finalmente teria algum reconhecimento por algo.
Toda essa ideia parecia realmente ótima até sete dias antes da data esperada, é claro. Comecei a me sentir mal logo após terminar totalmente a organização, o que, com a minha sorte, parecia perfeitamente normal. Não era nervosismo ou ansiedade – apenas uma grande e terrível gripe. Eu continuava doente, dia após dia.
Sabe, a vida pode ser bem difícil de entender.
– Você está doente – disse Dean, parado no parapeito da porta do meu quarto. Eu não sabia como ele havia entrado na minha casa, mas não me importei muito no momento.
– Não me diga, gênio. – respondi, minha voz ridiculamente fanha devido ao entupimento do meu nariz e as minhas poucas condições para falar, já que a minha garganta doía demais pelo esforço.
– Não me diga, gênio – Dean fez uma péssima imitação de minha voz distorcida tapando o nariz. Revirei os olhos. – Então, quem você vai levar para o baile?
– Eu não vou levar ninguém. – ri, balançando a cabeça em reprovação – Mas espero que alguém me leve. – continuei. Ele apenas arqueou as sobrancelhas e assentiu, submerso em sua própria lerdeza de entender indiretas femininas. Eu não tinha certeza qual garota ele estava pensando em levar, mas não teria problemas em aceitar ir com ele. Quero dizer, não era nada tão especial assim, não significaria nada.
– Fiquei sabendo que Michael iria convidar você. – ele disse, fazendo pouco caso, então parou por um minuto, talvez por ter percebido meu olhar ligeiramente confuso – Espera aí, ele não convidou ainda, não é? Merda. Eu não deveria ter contado.
– Ah, Dean, você estragou tudo – eu disse, mantendo o mesmo nível de preocupação que ele estava tendo: praticamente nenhuma. – Agora vou ter que fingir surpresa. Ele contou os planos? Vai me dar flores ou comida extra no almoço?
– Você não parece preocupada.
– Você também não, capitão óbvio.
– Acho que você deveria parar com os apelidos. – ele disse, mas ainda não parecia preocupado sobre o baile. Então me perguntei se Michael iria mesmo me convidar e se eu aceitaria. A resposta era duvidosa. – Eu pensei em convidar Michele. Ou Alice, mas duvido que ela fosse querer.
– Michele com certeza vai querer – eu disse, fazendo um sinal positivo com meus dedos. Porém, antes de revirar os olhos e ser sarcástica, pensei nas primeiras coisas que pensei quando Dean entrou na escola e nós começamos nossa amizade. Eu não iria interferir. Comprometi-me a isso, e sei que isso poderá comprometê-lo, então respirei fundo e fiz o favor de engolir qualquer que seja o sentimento que estava me dominando. – Porque não tenta?
A situação não me agradava, de fato. Faltar às aulas não era o problema, a grande questão era que meu estado de saúde não estava melhorando em nada. Só o que eu sentia eram pioras drásticas, náuseas e vômitos constantes, o que não era nada bom na véspera da festa que eu havia tido tanto trabalho para organizar. Os medicamentos não faziam efeito tão rápido quanto eu imaginava e, acredite, a coisa que eu mais queria no momento era ir à festa.
Porém, estava mais que claro que eu não conseguiria.
A realidade? Eu não queria que o baile acontecesse. Eu queria que ficassem todos em suas casas, vendo a droga da maratona de reprises de Dawson’s Creek na TV e comendo pipoca. Mas é claro, eu não disse isso à Alice quando liguei para ela, pois não parecia uma opção. Eu apenas avisei que não poderia ir, já que eu me encontrava terrivelmente doente e ela mandou melhoras.
Mais uma realidade? Poucas pessoas vão realmente fazer algo por você. E não é culpa dessas pessoas, a culpa é de pessoas como eu, que acham que os outros nos devem atitudes. E para a nossa própria segurança sentimental, não devemos esperar atitudes desse tipo de ninguém. Pois, no final, todos estarão no baile se divertindo e você, bom, você estará vendo Dawson’s Creek.
Essa é a verdade: aquela pessoa que você espera que esteja lá para você não-
– Ei, gênia, eu já vi esse episódio. – uma voz conhecida começou, interrompendo meus pensamentos sobre a decadência dos humanos – Ainda não acredito como Joey e Pacey foram capazes de esconder o namoro. Na verdade, eu nunca gostei desse Joey.
– Dean... – comecei, mas não pude discutir quando olhei para ele, parado em frente a porta, totalmente arrumado vestindo um terno preto sobre uma camiseta social. E entre tantas coisas que eu poderia ter dito, como ‘’porque você não está no baile?’’, ‘’o quê você está fazendo aqui?’’ ou ‘’muito obrigado por estar aqui recitando o episodio’’, eu percebi que não precisava. Meus olhos, meu sorriso e a forma como respondi já diziam tudo – Não existe a palavra gênia, gênio. É um substantivo de um gênero só.
Acho que, lá no fundo, algo acontece. Não sabemos quem vai ser ou quando, mas um dia algo vai acontecer. Alguém vai ser especial, vai ajudá-lo a passar por algo, grande ou pequeno, e irá provar seu valor, pelo menos no momento, decepcionando nossas expectativas para com as pessoas.
– Ok. Então... Vamos começar a festa. Qual é o próximo episódio?
Fale com o autor