Notas iniciais
One Shot - Espero que gostem!

Hoje completava um ano de seu diagnóstico. Um ano de luta.

Flashback
08 de Janeiro de 2003
–Leucemia.
No momento em que Eduardo me falou seu diagnóstico, eu senti minhas pernas bambas, como se não tivesse mais alguém para me sustentar. Lágrimas insistiam em rolar pelo meu rosto, mas tinha que me mostrar forte para ele. Iria ajudá-lo em todas as formas possíveis.
–Vai ficar tudo bem, amor. Vai dar tudo certo. — disse e o abracei com todas as forças que tinha.
Repetia as palavras ditas anteriormente na minha cabeça, porque por mais que ele tivesse que acreditar em si mesmo e sair dessa, eu tinha que ficar bem. E perder mais alguém na minha vida não estava nos meus planos. Depois que minha mãe morreu de um câncer no pulmão, eu fiquei desolada. Eduardo foi o único que ficou comigo e que me apoiou em tudo que precisasse. Sempre me lembro de suas últimas palavras. "Onde esta minha filha?" Não estive lá quando ela mais precisou de mim e agora passaria todo o tempo do mundo com Eduardo. O amor da minha vida.


8 de Janeiro de 2004
Eduardo vem fazendo Quimioterapia, está até ajudando, mas no momento está tendo muitas recaídas. Estava internado no hospital desde agosto e as coisas não estão tão bem quanto deveriam estar. Passava todas as noites lá, sem sair um segundo de seu lado. Pela manhã, seus pais chegavam e ficavam lá durante o dia, esperando por mim até a noite. Por mais que eu não quisesse ir embora, eles me obrigavam.

Flashback
17 de Agosto de 2003
Cheguei em casa somente a noite, estava muito cansada pois havia passado a noite em claro segurando a mão de Eduardo enquanto ele dormia calmamente. Parecia difícil para ele respirar mesmo com a ajuda de aparelhos.Ver ele daquele jeito me lembrava minha mãe, ela morreu ha 2 anos. Comecei a chorar calma e silenciosamente, mas por dentro, meus pensamentos estavam a mil. Preferia estar em seu lugar, não aguentava ver ele passar por tudo isso. Os pais de Eduardo só puderam ir a noite no hospital, quando chegaram nos abraçamos e não trocamos muitas palavras, não havia o que se dizer. Beijei a testa do meu namorado que ainda dormia tranquilo e saí do hospital.
Comecei a correr sem rumo, só queria fugir dos meus pensamentos e foi aí que comecei a chorar desesperadamente. Não havia chorado desse jeito desde a morte da minha mãe. Não queria ter que passar por isso de novo, por que isso tinha que acontecer com ele? Eduardo era a pessoa mais doce que eu já conheci na minha vida. Isso não era justo.

Os dias iam se passando e Eduardo estava ficando melhor. As vezes voltava para sua casa para ficar com os pais, mas não era fácil ele ficar confortável estando em algum lugar fora o hospital, já estava acostumado e lá era tudo acessível para ele.
End of Flashback

Flashback
12 de Novembro de 2003
–Sabe que eu te amo, não sabe, Helena?
–Eduardo, não diga assim.
–Te amo com todas as forças que me restam, te amo de todas as maneiras. Você foi a melhor coisa que já me aconteceu, quando você apareceu para mim, minha vida ganhou um novo sentido. Eu te amo, eu te amo muito!
Eduardo lutava para não chorar, mas as lágrimas acabavam saindo, por mais que fosse um momento triste, ele sorria. Eu chorava e sorria de volta, eu sorria porque sabia que nosso amor era verdadeiro, sabia que ele foi a pessoa que esteve lá para mim quando eu mais precisei, eu amava ele, eu amo ele mais do que eu amo qualquer coisa.
–Eu te amo Eduardo, e eu quero que saiba que...
–Não, não fala nada — ele disse colocando seu dedo indicador sobre meus lábios pedindo para que fizesse silêncio, eu o fiz.
Eduardo passava seus dedos levemente em meu rosto e limpava minhas lágrimas, mas continuava me olhando nos olhos, em nenhum momento desviamos o olhar. Ele se remexeu em cima da cama do hospital, se espremendo no canto direito dela. Deitei-me ao seu lado e ficamos lá abraçados sem dizer mais nenhuma palavra.
End of Flashback

17 de março de 2004
–Oi, Anna. Estou te ligando pra dizer que hoje eu não vou conseguir ir no hospital ficar com Eduardo hoje. Está tudo muito corrido, tenho muitas coisas a fazer.
–Tudo bem, Helena. Quando chegar do trabalho tente descansar um pouco. Você têm estado muito tensa nos últimos meses. Tente relaxar um pouco.
–É, tem estado difícil relaxar com tudo isso acontecendo. Peça desculpas a Eduardo, por não poder ir hoje e diga a ele que eu o amo.
–Pode deixar, querida.

Meus dias ultimamente tem sido super corridos. Tento dar o melhor de mim no meu trabalho e ainda tento conseguir um tempo para ver Eduardo. Está muito difícil aguentar tudo isso.
Chego em casa querendo somente dormir. Ficar mais um minuto de pé era algo incogitavel para meus pés. Deito-me no sofá. Assim que o faço, sinto todas as partes de meu corpo relaxarem e em algum momento, pego no sono.

Acoro desnorteada e ainda no sofá. Pego meu celular que ainda se encontrava em minha bolsa desde a noite anterior. Estava atrasada. Precisava ir ao hospital. A partir de hoje, Eduardo iria passar um tempo em casa, para ver como se saía. Saio do meu apartamento esbaforida. Tentava ligar para Anna, mãe de Eduardo, precisava saber se ele ainda estava lá, ou se já havia partido para casa, mas só ia para a caixa postal.
Corri para o ponto de táxi, do outro lado da avenida. Mesmo impaciente esperei o sinal fechar. Assim que passou do amarelo para o vermelho corri o mais rápido que pude. Olhei para minha esquerda e vi um carro preto vindo numa rapidez indescritível.
Senti a batida em todo meu corpo, rolei por cima do carro e caí com tudo no chão e a última visão que tive foi de dezenas de pessoas desconhecidas se juntando em volta de mim, e meu celular caido ao longe.

Todos nós sabiamos que quem morreria antes seria Eduardo. Era o que deduziamos, devido a seu estado, mas cá estou. Lágrimas escorrem pelo meu rosto caem no asfalto e o que mais sinto dolorido não é meu corpo, e ossos que podem estar quebrados. O que mais doi no momento é meu coração. Um filme se passa em minha cabeça de toda minha vida. A última imagem que me vem a cabeça é de Eduardo, penso como vai ser para ele agora, com certeza será mais difícil do que estava sendo para mim. Como era ira lutar sem alguem para ficar junto com ele todas as noites? Não, ele precisa ser forte, ele vai sair dessa. Sorrio a pensar nele saindo bem depois de tudo isso. Ouço sirenes. Ambulância. Dou o máximo de mim para conseguir respirar e conseguir continuar respirando, quem sabe ainda exista alguma luz no fim do túnel. Mas não, não conseguia enxergar muito mais então lutei para fechar meus olhos e finalmente toda a dor e angustia do meu peito acaba. Assim como a minha vida.

Notas finais
Deixem comentário e reviews! :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!