P.O.V. Isabella Black .

Percebi que todos tinham saído e fiquei no máximo de silêncio que pude.

– Eu sei que está acordada, pra mim você não precisa fingir. Sou seu irmão, te conheço melhor do que ninguém.

– Se você veio aqui pra brigar comigo, eu vou voltar a dormir.

– Não vou brigar com você, só quero conversar. Tentar entender o porque você não ficou no quarto.

– Porque eu não quis, não aguentava mais ficar trancada lá, com toda a vida lá fora.

– Não precisa ser grossa comigo, você tinha que ficar no quarto, desse jeito você nunca vai melhorar.

– Mas eu já estou melhor, vocês é que não acreditam em mim.

– Você é muito teimosa. Porque não tem comido?

– Eu ando sem fome.

– Sei. Você nunca foi de ficar sem comer, o que tá acontecendo?

– Nada, só não tenho fome.

– Pode falar.

Nós ficamos nisso durante um tempo, até que eu decidi que era melhor desabafar com ele do que com outra pessoa.

– É que... – relutei em falar. – Eu tenho medo do Malfoy me deixar se eu estiver gorda. – resmunguei tudo de uma vez, e ele não entendeu nada.

– Você pode falar direito? Eu agradeço.

– Eu tenho medo.

– De que?

– Do Sco terminar comigo... – resmunguei. – Se eu engordar. – abaixei a cabeça e comecei a chorar.

– Como assim? – ele quase gritou. – Me explica isso direito.

– Desde que nós começamos a ficar eu não tenho comido muito, até que ontem ele me levou um pacote de doce e eu comi tudo quase de uma vez, tentando matar minha fome. Acabei de comer e me senti culpada, mas dois minutos depois meu corpo já recusava, queria colocar tudo pra fora. – ele só ficou me encarando, sem falar nada. — E então a noite quando Sco me levou comida, eu queria comer, até tava com fome, mas tive medo de comer e acabar vomitando na frente dele, ele sentir nojo e terminar comigo. Imagina se eu fico gorda, ou vomito nele. – fiquei encarando o nada e ele só me encarando. — Ele pode ter a garota que ele quiser, ficar ou transar com quem ele quiser, porque ele iria ficar comigo se eu estivesse gorda e cheia de vomito?

Ele começou a rir e eu fiquei sem entender nada.

– Ai irmãzinha, você é louca não é? Ele te ama, e não é pela sua aparência e sim pela sua personalidade, o seu jeito de ser. Eu sei como é isso, ás vezes fico com medo da Ro terminar comigo, mas sei que não vai, porque ela me ama, assim como ele te ama, não vai te deixar porque você engordou, ou porque passou mal, ficou feia e chata, mal humorada, teimosa e birrenta. – ele zombou. – Ele vai te aguentar, tentar te animar e consolar. Você está crescendo, passando por algumas fases que ele já passou, ele entende isso, sabe como é, você vai mudar de opinião muitas vezes, e se ele te ama mesmo como eu sei que sim, vai aguentar. Você tem que entender que está crescendo.

– Ah, Pett. – choraminguei, abracei-o, ele me deu um beijo na testa e foi indo até a porta.

– Onde vai?

– Chamar o Scorpius, vocês tem muito o que conversar.

– Não quero falar com ele, vai brigar comigo.

– Não vai nada, pode ficar calma.

Ele saiu, um pouco depois Scorpius entrou, rindo. Como assim rindo? Ele estava mesmo rindo da minha cara? Ou de que? Eu achei que ele estaria furioso comigo.

– Está rindo de que?

– De você sua boba.

– De mim? Porque?

– Por achar que eu terminaria com você, por estar comendo, acha que se comer vai ficar gorda? E que se engordar eu não vou mais te amar? Não é assim que funciona, eu te amo pelo o que você é, Isa. É minha pequena, teimosa, sabe tudo, nerd, minha chata, minha gostosa, só minha. – ele falou e nós começamos a rir. – Eu te amo por tudo o que nós passamos juntos, eu te amo por causa desse seu jeito meigo e seu ar de sabe tudo, te amo por milhares de motivos, te amo por ser quem é, sem nunca mudar sua essência.

– Sco, eu tive medo que com tantas meninas por ai querendo você, você acabasse não me querendo mais.

– Ah, como você é bobinha. Eu amo você, Isa, e eu sou só seu, de mais ninguém e você também é só minha, só minha tá? – ele riu.

– Bobo. – brinquei e nós nos abraçamos.

Ele se deitou ao meu lado, madame Patil me trouxe comida e depois de eu comer tudo ela me liberou para voltar ao dormitório, mas não podia ir a aula amanhã de jeito nenhum. Scorpius ficou desconfiado de mim, por ter fugido hoje, então não iria para cuidar de mim.

No dia seguinte, eu já me sentia melhor. Era sexta, e amanhã seria nossa primeira ida a Hogsmead depois das férias de inverno. Queria ir a aula, mas não podia, então me contentei em passar o dia agarrada com Sco.

– Sco – lhe dei um selinho. – eu preciso – mais um – respirar – e um grande beijo.

Ele deu risada e me soltou.

– Eu não aguento passar o dia todo assim com você.

– Porque mocinho? – gritei indignada

– Você é muito gostosa, me deixa louco. – ele falou e eu comecei a rir, cai da cama de tanto rir.

Ele pulou em cima de mim e voltou a me beijar, me beijava como na primeira vez, aquele beijo urgente, cheio de desejo. Foi descendo os beijos, beijava meu pescoço e dava mordidinhas na minha orelha, me sentia arrepiada, estava começando a perder a paciência com ele. Comecei a arranhar suas costas, ele já estava sem camisa, porque eu a tinha tirado dele para colocá-la.

Ele foi desabotoando a camisa, botão por botão, e eu comecei a me revoltar, mas se ele queria jogar, eu entraria no joguinho dele, peguei em sua calça e desfiz o laço que havia ali. Eu e ele na cama, só de roupas intimas, quando alguém resolve entrar sem bater. Olhamos revoltados.

– Estou atrapalhando alguma coisa? – James perguntou, ele cobria os olhos com as mãos.

– Está. – gritamos, os dois juntos.

– Desculpa, queria ver como você estava. – ele disse, para mim.

– Ótima, antes de você interromper. – resmunguei.

– Não seja grossa. – ele retrucou, tirando a mão dos olhos e rapidamente a colocando de volta.

– Sai James. – Scorpius berrou.

– Que horror! Tranquem a porta da próxima vez, e usem um Abaffiato! Por Merlin. – ele resmungou e saiu do quarto, Sco se jogou ao meu lado, bufando.

– Estragou o clima né? – perguntei irritada.

– Totalmente. – ele resmungou. – Filho de trasgo, só por Merlin.

Não falei nada, Scorpius e eu voltamos para a cama, ele se cobriu e pegou no sono. Fiquei pensando no que James disse, e comecei a achar aquilo muito estranho, ele parecia saber o que estava acontecendo, e mesmo assim entrou, sem bater, nem nada, e o pior, com uma desculpa nada convincente.

Fiquei repetindo suas palavras mentalmente, e cheguei a conclusão de que ele realmente sabia o que eu e Sco estávamos fazendo e entrou exatamente para atrapalhar. Se não, nem teria como pedir para nós usarmos o Abaffiato, ele ouviu algo e entrou, mas porque? Só queria conseguir entender isso, me levantei e fui perguntar, mas com cuidado para não acordar Sco.

– Jay. – chamei-o, enquanto batia na porta de seu quarto.

– Oi. – ele resmungou.

– Quero conversar com você. – falei, ainda do lado de fora.

– Pode entrar.

– Melhor não, vem aqui. – pedi.

– Tá bem – segundos depois ele apareceu na porta. – O que foi?

– Você sabia o que tava rolando lá, porque entrou? – perguntei na lata.

– É claro que eu não sabia.

– Claro que sabia, se não soubesse não teria dito para usarmos o Abaffiato, disse isso porque escutou algo antes de entrar, alguma coisa que o fez entrar.

– Claro que não, eu disse isso porque vocês iriam fazer barulho, e eu não queria ouvir. Qualquer um que passasse poderia ouvir vocês, por isso disse para usarem o Abaffiato da próxima vez. – ele deu ênfase no “próxima vez”.

– Hum... – o olhei com meu olhar mortal. – Suspeito, mas tá bem, é melhor eu ir dormir.

James voltou para seu quarto e eu fiquei no sofá pensando, ele mentiu, sei quando ele mente, ele se segurou para não gaguejar e se embaralhou na hora de organizar as palavras, mas porque? Porque mentir? E porque entrou no quarto? Será que ele estava afim de me ver transando com o Sco? Ele é gay agora ou o que? Ninfomaníaco? Que horror.

Me levantei do sofá e achei melhor ir dormir e parar de pensar nisso, Sco estava dormindo feito um anjo, me deitei mesmo sabendo que não conseguiria dormir tão cedo, dormi quase o dia todo tentando fugir das pessoas. Me deitei e me cobri, fiquei olhando para Scorpius, pensando em como eu tinha sorte de ter ele ali comigo, e pensando em tudo o que tínhamos passado juntos, de todas as brigas, trapaças, beijos e mentiras. Acabei pegando no sono, e tive um sonho bem estranho.

Estava na Toca, e tinha alguém ao meu lado, Petter e Rose estavam na porta de entrada, e gritavam por um menino.

– Andrew, vem até aqui, a tia tem um presente pra você, afinal hoje é seu aniversario. – Rose dizia ao garotinho.

– Brigadu ti. – o garoto respondeu, e veio correndo em minha direção, era um garoto lindo, com cabelos castanhos compridos e olhos verdes.

– Mama, presente! – ele disse contente, e soltando um sorriso em seguida.

– Vem cá filhão, eu te ajudo a abrir, mamãe está ajudando sua irmãzinha com o dela. – a voz de um homem soou ao meu lado. Mas não conseguia ver seu rosto, mas sua voz me acalmava.

– Filha, cuidado, assim vai rasgar. Dá aqui pra mamãe abrir. – exclamei, ajudando-a.

Então os dois correram pelo jardim e foram agradecer a Rose, e chamar alguém. O homem se aproximou de mim e me deu um beijo, assim que o beijo parou, eu abri os olhos.

– Eu te amo!

Então acordei, suando e com Sco perto de mim perguntando se eu estava bem.

– Amor, o que foi? Pesadelo?

– To ótima Sco, foi só um sonho. – falei e voltei a dormir, pensando no sonho.

Fiquei pensando naquele sonho a semana toda, e tive o mesmo sonho várias vezes, e sempre acordava na mesma hora e assustada, se passaram mais dois meses e aquilo estava acabando comigo, porque eu não parava de sonhar com aquilo? Será que era só um sonho?

– Ei meu amor, aquele sonho ruim outra vez? – Scorpius me perguntou.

– Sim, não sei porque sonho com isso todas as noites, não aguento mais.

– Amor, pode por favor me contar esse sonho? Quero saber porque acorda todas as noites, tão assustada.

Contei o sonho pra ele, todos os detalhes, e ele ficou em choque, não sabia o que dizer, mas sorriu.

– É só um sonho amor, vai parar. – ele disse, mas não acreditei.

Estava a dois meses sonhando exatamente a mesma coisa, e mesmo sonhando sempre a mesma coisa eu sempre acordava assustada , com medo de que isso realmente acontecesse? Eu parecia tão jovem no sonho? E já tinha dois filhos?

– Amor, vai tomar banho. Temos aula de poções juntos hoje. – ele comentou.

– Tudo bem. – peguei minhas coisas e fui para o banheiro.

Enquanto tomava banho, não conseguia parar de pensar no bendito sonho, era só nisso que conseguia pensar nas últimas semanas.

– Amor, anda logo, se não a gente vai se atrasar, eu to morrendo de fome.

– To indo. – sai do banho, coloquei a roupa, me arrumei e sai do banheiro.

– Tá linda. – ele disse, e me deu um selinho.

Perguntamos pro Jay se ele não iria descer, disse que já estava indo, então nós fomos sozinhos para o salão principal. Minha fase de insegurança tinha passado, e a fase faminta voltado.

– Que barulho é esse?

– Provavelmente a minha barriga, clamando por comida, vamos logo, eu estou com fome Sco. – gritei e ele começou a rir.

– Minha nossa, quem é essa? Não estou reconhecendo.

Sai correndo e o arrastando até o salão principal, sentamos e eu comecei a comer, comia muito, mas não como Jay, muito menos como o tio Ron. Eu ainda era uma dama.

– Oi bruxinhos. – zombou Fred.

– Isa? – Petter me chamou e Scorpius riu. – Ela tá bem?

– Nunca vi ela comer tanto, tá comendo por dois amiga? – Rose brincou.

– Vai devagar, menina. – Albus comentou, fazendo todos rirem.

– Também quero, deixe um pouco de comida pra mim. – resmungou Jay.

– Como assim comendo por dois? Claro que não Rose. – Scorpius resmungou, nervoso.

– É, Ro. Claro que não. – falei rápido e de boca cheia, provavelmente ninguém entendeu, porque todos começaram a rir.

Devia mesmo ter sido engraçado, porque até o James parou de comer para rir, e isso é um fato muito raro de se ver.

– To quase morrendo aqui, os N.O.M.S já estão chegando, e eu não paro de estudar. – comentou Albus.

– Não reclame, tenho que estudar para os N.I.E.M.S e ainda ajudar na organização do baile de final de ano para toda a escola. – reclamou Petter.

– Nem me fale, eu preciso de ajuda com os estudos, estou organizando o baile todo sozinho, porque esses dois só sabem namorar e ainda to na detenção. – Jay falou enquanto comia.

– Não se preocupe Jay, eu te ajudo a estudar. – respondi.

– Não, não vai ajudar não. Você também tem que estudar. – resmungou Scorp.

– Mas eu vou mesmo ter que ficar com ele e outros alunos na detenção, posso ajudar ele lá, e os outros é claro. – respondi.

– Porque vai ficar na detenção? – Albus perguntou.

– Por causa dos dias em que eu faltei as aulas, pedi um trabalho extra para McGonagall na semana passada e ela disse que eu podia cuidar da detenção nesse final de semana, já que eu também preciso revisar umas coisas, pensei em ajudar o pessoal com os exames. – respondi.

– Ah, mas que linda essa minha amiga. Acho que vou pra detenção também. – zombou Rose.

– Como se você precisasse de ajuda, Rose. – brincou Petter.

– Como se a sua opinião contasse, você é namorado dela, mas é verdade Ro, você não precisa de ajuda. – comentou Albus.

E todos nós rimos, Jay quase cuspiu a comida e eu tive que engolir todo o suco me segurando para não rir.

Acho que esse foi um dos únicos dias dessas ultimas semanas em que eu não fiquei pensando naquele sonho, mas quando pensei nisso o sonho voltou para os meus pensamentos.

– Ei Isa, vamos? Nós temos aula. – Albus me chamou, tirando-me de meus devaneios.

– Amor? Vamos? – Scorpius me chamou, puxando minha mão.

– Hã? Vamos. – respondi, levantando-me.

– No que estava pensando? – Fred perguntou.

– Sonho. – respondi.

– De novo? – Scorpius resmungou.

– Que sonho, Scorpius? – Albus perguntou.

– Conta tudo. – zombou Fred.

Depois disso não ouvi mais nada, fiquei pensando se aquele sonho podia tornar-se realidade e passei a aula do Slughorn toda pensando nisso, eu e Sco sempre sentamos juntos na aula de poções, eu tenho poções avançadas junto com a sala dele, então ele percebeu que eu estava pensando no sonho.

– Senhorita Black, pode nos dizer do que é composta a poção polissuco? – o professor perguntou.

Sco tinha acabado de me acordar do transe, e em seguida o professor fez a pergunta, dei muita sorte.

– Claro professor, ela é composta de Hemeróbios, Sanguessuga, Descurainia, Sanguinária, Pó de chifre de bicórnio, Pele de ararambóia picada, algo da pessoa que se pretende transformar. Algo como um fio de cabelo, um pedaço de unha, pelos, etc. Não pode ser usada com pelos ou partes de animais, pois a poção acaba tendo um efeito nada gratificante. – respondi.

– Esplendido senhorita Black. Brilhante! Mais vinte pontos para a Grifinória

A aula foi passando e quando percebi o dia já tinha chego ao final, precisava preparar as coisas para a detenção de amanhã, mas eu não conseguia parar de pensar naquele maldito sonho. Maldita hora em que fui sonhar aqui, como é que eu pude sonhar aquilo?

Como é que eu estava realmente pensando nisso o tempo todo, pensando que eu estava casada e feliz, tinha dois filhos com o James?

E foi assim que voltei para meu quarto com Sco, tomei banho, vesti um pijama e fui deitar. Quando Sco saiu do banho me viu deitada e pensando.

– Será que dá pra parar de pensar nesse sonho? Faz quase duas semanas que você mal fala comigo, Isa. Foi só um sonho, nada demais. – ele resmungou.

– Não foi só um sonho. – gritei. – É sempre o mesmo sonho, Scorpius. Não aguento mais sonhar com isso. – resmunguei.

– Acho que se você parasse de pensar nisso, pararia de sonhar a mesma coisa.

– Pode ser, boa noite! – falei e me virei na cama.

Não sei, acho que Scorpius está com ciúme, ele vive dizendo que é só um sonho, mas ele não parece achar isso, não está feliz e ele é meu namorado, aquilo era só um sonho e ele estava aqui, tinha que cuidar dele para não perde-lo por culpa de um sonho idiota. O final do ano letivo já estava chegando e no próximo ano não verei mais o Jay, então, tenho certeza que não terei mais sonhos, vou passar as férias de verão em casa com meu irmão e meus pais. Esses sonhos vão parar, tenho certeza.

– Boa noite meu amor, e vê se para de pensar nisso, tá legal?

– Pode deixar, loiro. – falei e ele me deu um beijo, e ficamos ali um olhando para o outro e dando selinhos antes de pegar no sono.

Acordei no meio da noite, mas dessa vez, gritando.

– Isa, pelo amor de Merlin, acorda! – Sco disse me sacudindo.

– Ah, não... me larga... me deixa ir. – gritei – Você só me faz sofrer.

– Isa, meu amor, sou eu Scorp, acorda por favor!

Acordei assustada, e percebi as lágrimas escorrendo pelo meu rosto.

– Amor, com o que você sonhou dessa vez? — ele perguntou, olhei em seu rosto e suas feições estavam pesadas, estava preocupado.

– Sco, por que? Por que eu sonho com ele? Eu amo você, e não ele.

– Eu sei amor. Vem cá. – ele falou, e me puxou pelo braço para me abraçar, me aconcheguei em seu peito e continuei a chorar. – Vai ficar tudo bem, são só sonhos.

– Mas, eles parecem tão reais. – argumentei soluçando e respirando fundo para conseguir terminar as palavras. – Dessa vez eu estava com você, e gritava comigo. Estava bravo por alguma coisa, e eu disse pra você soltar e me deixar ir, e que estava cansada de sofrer. Mas você não queria me soltar, disse que eu não iria embora, James apareceu e azarou você, e então eu acordei.

– Amor, você tem que ficar calma, nada vai acontecer com a gente. Esses sonhos devem ser por causa da sua ansiedade com os N.O.M.S, tenho certeza que assim que eles acabarem semana que vem, você vai parar de sonhar com essas coisas.

– Será? – perguntei, meio apreensiva, mas ele parecia tão convencido daquilo que quase me convencia também.

– Claro que sim linda, agora vou tomar um banho. Eu preciso ir a Hogsmead e você precisa cuidar da tal detenção.

– Tudo bem.

Ele pegou suas coisas e foi tomar banho, fiquei o esperando, enquanto terminava de organizar o que teria de passar na detenção. Quando ele saiu do banho eu entrei, tomei banho rápido pois não daria tempo de comer. Sai do banho e fomos até o salão principal, tomamos um café da manhã normal e o levei até o salão de entrada.

Nos despedimos e ele saiu com o resto do pessoal para ir até Hogsmead, ele e Albus estavam conversando sobre uma garota, fingi não me importar e entrei. Fui até as masmorras e procurei a sala em que seria feita a detenção.

– Olá, pessoal. – cumprimentei-os e fiquei olhando em volta para ver quem estava por ali.

– Black? – perguntou uma voz mais aguda ao fundo da sala. – Como está bonita em, Malfoy que se cuide. – olhei para ver quem estava falando e avistei Jordan, com uma camisa cinza e seus olhos me analisando de cima a baixo. Quando olhei para o lado percebi a expressão furiosa de James.

– Vejamos quem está por aqui hoje. – comentei e a expressão de James se acalmou, percebendo que eu nem havia me importado com o comentário de Jordan. – Potter, Weasleys, Jordan, Thomas, Finnigan, McLaggen, Zabini, Higgs, Jacobs, Stewart, Zeller e Abott. São muitos para ensinar, mas creio que consigo.

– Ensinar? – Higgs perguntou, me encarando como se eu fosse uma ameba.

– Sim senhorita Higgs, ensinar. Creio que a maioria de vocês aqui vai prestar N.O.M.S. ou N.I.E.M.S ainda este ano, estou certa? – perguntei e todos responderam prontamente, sim. – Ajudarei vocês com as dúvidas que tiverem quanto a qualquer matéria. – falei e todos murmuraram coisas.

– Mas você está no quinto ano, como poderá ajudar alguém do sétimo? – perguntou Melanie Higgs, com seu hábil tom de insatisfação e superioridade.

– Ela pode estar no quinto ano, mas é mil vezes mais inteligente que qualquer um de nós, sabe qualquer matéria, desde o primeiro até o quinto ano. Deixe de ser invejosa Melanie. – esbravejou James, o encarei sem entender nada, e Fred que estava ao seu lado começou a gargalhar, e foi então que Jay percebeu o que tinha dito e abaixou a cabeça, corado.

Passei todo o tempo ajudando um de cada vez, passando em todas as mesas e vendo suas dúvidas e dificuldades em cada matéria. Jordan, James e Melanie eram os que mais me chamavam.

Esperava ter conseguido ajuda-los, principalmente em poções, pois já era um treino para mim. Quando a detenção finalmente acabou, fui ver a diretora McGonagall, para avisá-la que tudo correu bem. Ela me deu os parabéns e escreveu algo em um pergaminho que tinha meu nome. Sai de sua sala, e fui em direção ao meu dormitório, precisava tomar um banho, e queria ver o Scorpius.

Ao chegar no dormitório, vi a porta do banheiro fechada e percebi que alguém estava no banho, bati na porta e Jay respondeu.

– Calma, já to indo.

– Anda logo, eu quero tomar banho, estou cansada. – resmunguei e ouvi sua risada maliciosa.

– Então vem aqui e toma banho comigo. – zombou.

– Ele tem que parar já com essas gracinhas. – resmungou Scorpius, enquanto saia de nosso quarto, parecia irritado e duvidava muito que fosse só por causa das gracinhas de James.

– Muito engraçado James, agora anda logo com isso. – gritei e ele continuou a rir lá dentro.

– Tá bem, já vou.

Fui me sentar no sofá junto com Scorpius e fiquei contando para ele como tinha sido na detenção, e disse que agora tinha certeza que realmente era isso o que eu queria fazer para o resto da minha vida, ensinar. Conversamos sobre Hogsmead e até sobre a tal garota que ele e Albus conversavam quando saíram, ele me contou que era uma paquerinha de Albus, mas nada demais. E começamos a nos beijar.

Mais ou menos dez minutos depois, James saiu do banho e pegou eu e Sco nos beijando no sofá.

– Pode ir, beijoqueira. – zombou, fazendo barulhinhos de beijo com a boca.

– Obrigada, lentinho. – retruquei e ele riu.

– Amor, vê se não demora muito em, se não serei obrigado a ir tomar banho com você. – brincou Scorp.

– Se quiser, eu não vejo problema algum. – respondi, mordendo o lábio e ele fez uma cara de safado que eu nunca tinha visto, e eu logicamente, cai na gargalhada.

– Ah, no banheiro não né. Que nojo. – James falou, fazendo barulho de vomito com a língua pra fora.

– Fica quieto James, vai pro seu quarto, vai. – berrou Scorpius.

– Tá, tá. – resmungou o moreno, e foi para seu quarto, nos deixando a sós na sala.

Mas logo entrei no banheiro, tomei um banho de uns quinze minutos, e fiquei entre devaneios de como o meu dia tinha sido ótimo. Sai do banheiro e Scorpius entrou, fiquei no sofá o esperando sair do banho.

– Você não se cansa? – James perguntou, e eu o encarei sem entender a pergunta.

– Cansar? Cansar de que?

– Não se faça de boba, porque de boba não tem nada. Não se cansa dele? – ele perguntou e eu me segurei para não rir.

– Cansar dele? Eu o amo, Jay.

– Pode até ser que você o ame, mas já parou pra pensar se ele realmente te ama? – ele questionou e eu fiquei o encarando me perguntando onde ele queria chegar com aquilo tudo. – Não se cansa de ser traída? – agora sabia onde ele queria chegar com aquele papinho. Nunca pensei que James fosse capaz de inventar uma mentira dessas só para me separar do Scorpius.

– Chifruda? Ah, Potter isso não vai colar comigo. Não achei que você fosse tão baixo a ponto de inventar uma coisa assim.

– Acredite no que quiser, mas depois não diga que eu não avisei, Black.

Me virei, peguei uma almofada e joguei nele, ele revidou e começamos uma guerra, eu estava realmente irritada por ele ter dito algo daquele tipo. Até que ele acertou minha cabeça e eu realmente me irritei.

– Eu te odeio Potter! – gritei e ele ficou me encarando esperando que eu fizesse algo, mas eu não fiz.

– E eu te amo, Black. – ele retrucou e eu fiquei pasma, não sabia o que responder, como responder, travei.

– Você o que?

– Não se finja de surda. – ele falou, se levantou do chão e foi para seu quarto.

– Volta aqui Potter, me explica isso direito! – gritei, batendo com toda a força na porta de seu quarto.

– Explicar o que amor? – Scorpius perguntou, me pegando pela cintura.

– Ex... explicar como ele... – de uma pausa para pensar em algo. – conseguiu pegar os exercícios do Fred hoje, eu estava de olho em tudo, é um ladrãozinho mesmo. – inventei e ele pareceu ter acreditado.

– Ah... depois vocês resolvem isso, vamos dormir? – ele perguntou e eu assenti, ainda meio chocada com todas aquelas revelações.

Passei a noite toda deitada, pensando no que ele tinha me dito, será que tudo aquilo era verdade, ou será que ele só disse para me irritar?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.