Notas iniciais
Então, pessoal, como prometido aqui está mais um capítulo! Confesso que eu meio que me esqueço de atualizar essa fanfic, pois já a concluí há algum tempo e o arquivo do word dela já está meio esquecido por mim. Mas, gentttt, eu estava relendo o capítulo anterior e agora percebo o quanto ele é mesmo triste! Mas poxa vida! As minhas fanfics Faberry são tão tristes DDD: Mas vamos lá, aproveitem mais esse capítulo! Se não me engano é a penúltimo! Beijos!

XIII – What If This Storm Ends?

Enxergo um taxi. Faço sinal, mas ele não para. Com outros acontece a mesma coisa. Pareço ridícula aqui na calçada tentando encontrar um meio de sair daqui. Desisto disso.

Ando até o final o quarteirão em busca da cabine telefônica. Ainda tenho moedas, isso é ótimo. Ligo para a Santana, é o único número que sei. Seu celular toca incessante e cai na caixa postal. Bufo, colocando o telefone no gancho. Disco de novo, porque preciso dela. Tento ficar de olho na rua, mas sei que é inútil. Dessa vez, toca quatro vezes e, enfim, Santana o atende: “Alô?”.

“Santana! Oi, é a Rachel!”, tenho de gritar para ser ouvida, porque o trânsito está caótico. “Santana?!”, grito mais. “Rach? Rachel? É você?”, Santana está gritando do outro lado. “Sim, sou eu! Rachel!”, berro um pouco mais. “Finalmente, garota! O que aconteceu com você? Onde está, agora? Rachel? Rachel?”, Santana diz. A ligação está péssima, há muitos ruídos e ecos. Mas eu tenho de continuar, preciso terminar essa ligação, Santana tem que saber onde estou. Preciso dela. “SANTANA, ME ESCUTE, OK? ESTOU NA FLUSHING AVE COM A MORGAN AVE! ESTOU NA FRENTE DE UM PRÉDIO DE TIJOLOS VERMELHOS! SANTANA?”.

Por um momento, acho que a ligação cai. Há muito silêncio na linha em comparação às buzinas da rua. “SANTANA?”, tento mais uma vez.

“Hey, estou aqui! Flushing Ave com a Morgan? Chego aí em vinte minutos, ok? Que tipo de lugar é esse, afinal?”. Não respondo e desligo. Bingo, Santana sabe onde estou. Vou para casa em breve, muito breve. Vinte minutos. Em vinte minutos estarei em segurança, junto aos meus amigos. Parece ótimo.

Parece mesmo ótimo, mas não é bem assim que me sinto.

Estou... Como é que se diz? Como se estivesse faltando um pedaço de mim. Acho que é isso. Sinto que esqueci algo valioso lá dentro no loft de Quinn. Não é meu celular, ou minha carteira. Sei o que é, mas não quero ceder ao pensamento. Não posso, não quero voltar. Se voltar... Se voltar, acho que não vou conseguir mais sair de lá. Não terei forças para abrir a porta, ou para me despedir.

Nunca fui boa com despedidas.

Quando me mudei para cá, não permiti que meus pais se despedissem de mim na estação de trem. Deixei uma carta afetiva para eles, mas peguei o trem adiantado, justamente para que eles não pudessem me levar.

E eu ter saído do loft de Quinn sem um abraço e um ‘Foi muito bom conhecê-la’ apenas diz muito sobre mim. Não sei me separar das pessoas. A distância me aprisiona. Não quero ser aprisionada, sem Quinn para comandar meus dias.

A pele do meu ombro ainda arde. Evitei que a água a molhasse e troquei a película. Apliquei a pomada e depois tentei me lembrar que a tatuagem está lá. Não posso bater meu ombro, não posso correr o risco de me machucar. Notei que quando Quinn me beijou pela última vez tomou cuidado. Ela estava ansiosa, mas não deixou que suas mãos se depositassem em meus ombros; eles ficaram na minha cintura, puxando meu vestido com um pouco de agressividade.

Não sei lidar com nada disso: com seus beijos que me fazem sentir como se flutuasse, com seus sorrisos de princesa, com o modo como flerta comigo de propósito, com a despedida.

Não queria me despedir. Como poderia dizer adeus à tudo aquilo, à todas as memórias felizes? Não poderia.

Quando Santana aparece com seu carro, ainda penso nisso: na despedida ridícula que deixou a nossa amizade, entre mim e Quinn. “RACHEL BERRY!”, Santana grita quando abre a porta para que eu possa entrar.

“Olá”, é o que digo. Não quero dar explicações.

“Não dá pra acreditar! Você está aqui, bem na minha frente! Sabe quanta saudade eu senti todo esse fim de semana? Nunca mais faça isso comigo, Hobbit!”, ela começa a dizer, então diz algumas palavras em espanhol, acho que palavrões. Não entendo muito bem. Então para e me abraça. “Sua louca!”.

“Ai, cuidado! Sai pra lá!”, eu grito, me desvencilhando de seus braços. Meu ombro arde e reprimo o instinto de urrar de dor. “O quê?”, ela está olhando para mim com surpresa. Geralmente, ela não é propensa a abraços, nem nada assim, mas quando o faz eu os recebo de bom grado, porque é bom saber que Santana sabe se expressar como um ser normal. Então, quando eu a afasto isso meio que a indigna. Mostro os meus três pássaros. Ela solta um berro. “NÃO ACREDITO! RACHEL BERRY, QUEM É VOCÊ?”.

Começo a rir. Parece que há um pouquinho de vida agora. Meu riso, mesmo que baixo, abre a porta que preciso: fico um pouco menos aprisionada. Há ua lufada de ar, agora. De sol. De esperança. A despedida entre mim e Quinn fica meio distante, meio como um borrão.

“Bem, basicamente... Basicamente eu perdi a minha cabeça”, eu respondo.

“Isso é insano! Você é insana! Não me diga que você se drogou, também! Porque juro que...”, Santana diz, muito acelerado. “Claro que não! Foi apenas um tatuagem. É a minha liberdade”.

“Sei, a sua liberdade. De quê, posso saber?”, Santana parece inconformada. “Porque você a tinha muito antes de conhecer essa gente”, ela completou.

“Também não sei”.

“De que pode ter se libertado?”.

“Das regras estúpidas da sociedade? Quer dizer, essa gente é muito bacana. Os meninos não são nada como os que a gente espera. Eles são realmente amigos. E... E...”, de repente engulo com força, incapaz de pronunciar esse nome. “E?”, Santana está esperando. “E a vocalista... Bem, ela não é tão vadia assim. Sei que pareceu, naquela noite, mas ela não é”, finalizo. “Com aqueles cílios encharcados de rímel? Duvido. Mas fico feliz que você não tenha sido, sabe como é, drogada, ou raptada, ou estuprada”, Santana diz.

Lanço um olhar aborrecido a ela.

“Então, você se divertiu?”, Santana quer saber, como aquele costumeiro ar de sarcasmo.

“Sim”.

É uma resposta muito ampla para uma pergunta tão complexa.

“Agora vai ter que se reacostumar com a vida corrida, sem toda essa folga de rockstar vadia. Sabe que temos um relatório para entregarmos até o final da semana, não sabe?”, ela pergunta. Sim, até a noite de sexta-feira eu tinha ciência desse relatório, mas o fim de semana me varreu tudo que tinha a ver com responsabilidades do mundo real da minha mente. Mas aqui estou eu de volta à realidade. Nada de, como Santana disse, ‘folga de rockstar vadia’. Agora eu sou a Rachel Berry, a aluna que não se sobressai em quase nada, embora tenha uma paixão imensa pela música. Sou apenas mais uma na NYADA.

Tudo bem.

Sou essa Rachel Berry sem graça, mas com três pássaros despontando no meu ombro direito.

Tenho a minha liberdade.

Sou a minha liberdade.

XIV – This Isn’t Everything You Are

É tão estranho.

Perdi meu celular. Então parece que perdi a minha vida e tudo o que estava dentro dele. Não posso ligar para ninguém além da Santana. Não posso responder mensagens. Não posso jogar nada divertido no meio da noite enquanto estou acordada demais para me livrar de todo o meu evidente cansaço. Sim, estou tão cansada. Parece que, finalmente, meu corpo está tendo a reação de overdose de todo o fim de semana. Meus músculos meio que doem e minha tatuagem ainda arde. Santana e Brittany estão desmaiadas na cama de casal vizinha. O gato de Britt, Lord Tub, está em algum lugar debaixo da coberta. Ele ronca, posso ouvi-lo daqui. É como um ronronado, mas mais profundo. Afora isso, está tudo silencioso.

Desisto de ficar na cama e vou para a cozinha. Sento-me em um dos nossos banquinhos, depois de preencher uma tigela com leite e cereais. Não temos pasta de amendoim. Procurei. Fiquei meio chateada com isso. Fico sentada por longos minutos, ruminando meus pensamentos.

Estou chateada também por conta da minha despedida. Sei que não iremos mais nos ver, mas o que custava eu ter sido um pouco mais legal? Estou arrependida de não ter esperado os meninos para me trazerem aqui. Poderia ter passado mais tempo com Quinn. Mesmo que eu tivesse agido como uma louca no mercado. Mesmo que eu tivesse a empurrado depois que ela me prensou na parede. Não que eu não tivesse gostado do beijo – como o primeiro, Quinn sabia o que estava fazendo. Foi inexplicável: pareceu que ela sabia exatamente de modo eu gostava de ser beijada. Ainda que ela tivesse parecido estar um pouco desesperada, apreciei o gesto. Era o modo dela de se despedir de mim, eu sei. E eu retribuí empurrando-a na cama. Sou mesmo muito idiota.

Ela deve me odiar agora.

Seria justo. Seria o certo.

O que será que está fazendo? Cantando em algum bar decadente? Comendo cachorros-quentes? Transando com Puck? Encontrando novas garotas?

Eu não sei. Não sei, porque estou aqui, e ela lá. Talvez sozinha.

Espero que esteja sozinha. Pensando em mim. Naquela despedida ridícula entre nós. No nosso beijo. Na forma como seus dedos pareciam ansiosos para arrancar o meu vestido. E se ela o tivesse arrancado, o que eu teria feito? Como posso saber, agora? Agora, é tarde demais. Muitas horas já se passaram.

Por que disse aquelas coisas horríveis a ela? Aquilo não deveria ter terminado daquele modo. Parece traumático, analisando assim.

Tenho certeza de que ela não me julgou em hora alguma, além daquelas iniciais. E olhe só o que eu fiz: não parei de julgá-la um só instante! Mesmo quando estava cantando com ela, para seu vídeo. Mesmo quando ela estava me beijando com sabor de licor de chocolate na boca. Mesmo quando estava acariciando meu cabelo, numa forma pacata de sedução.

Mesmo assim. Mesmo assim eu a julguei.

Eu disse que não era como ela. Mas o que eu quis dizer, exatamente? De que modo não sou como ela? Alguém que poderia abdicar o fim de semana para vivenciar coisas incríveis? Alguém que poderia beijá-la mais uma vez? Alguém que poderia querer reivindica-la?

Sim, eu poderia.

Não foram por estes motivos implícitos – que rondavam a minha mente mesmo que eu não tivesse muita ciência – que, agora, há três pássaros negros marcados em mim, para todo o sempre? Afinal, essa é a minha liberdade.

Quinn tinha me dito. Repetiu exatamente o que eu lhe dissera.

Minha liberdade.

De forma que eu posso usá-la da forma que quiser.

Gastando mais um fim de semana em ruas desconhecidas, dentro de uma van.

Ouvindo uma banda grunge, daquelas que parecem mais decadentes que o próprio movimento grunge, de um backstage.

Cantando uma canção que até agora ressoa na minha mente para o mundo inteiro ao lado de uma garota de cabelos rosa.

Beijando uma garota que parece vadia, mas que é tão doce quando baunilha.

O que foi que eu fiz?

Fui covarde, imatura e ridícula.

Como concertar tudo? Se ao menos eu soubesse seu número...

Tudo bem, sei onde ela mora, mas como posso aparecer lá depois de tudo o que causei? Ela vai fechar a porta na minha cara. Sei que sim. Ela está aborrecida, mesmo que seu beijo não tivesse demonstrado isso.

“Você não vai dormir?”.

Assusto-me. Brittany está a alguns metros de mim, está vestida com um pijama com patinhas de gatos. Vejo Lord Tubb seguro em seus braços, ronronando feliz enquanto ela o acaricia. “Hey, Britt”, eu digo. “Você já tomou um chá? Quer um cupcake?”, Brittany pergunta. “Não obrigada. Só não consigo dormir”.

“Você quer conversar? Quando perco o sono faço a Sant acordar também, porque daí ela conversa comigo”, Brittany senta-se ao meu lado, pega a colher ao meu lado e a mergulha no leite com cereal. Fica remexendo o conteúdo como se dali pudesse surgir alguma resposta significativa para qualquer coisa. “Isso parece maldade”, eu digo. “Não é, ela não se importa”.

“Britt... Como você descobriu que estava apaixonada pela Santana?”.

Não acredito que estou fazendo essa pergunta. Justamente à Brittany, que tem o cérebro tão evoluído quando um elfo do Pólo Norte.

“Sempre fomos amigas, você sabe. Mas aí ela nunca queria conversar, dizia que não sabia expressar o que sentia”.

“Sei. E como você descobriu que precisava expressar o que estava sentindo?”.

Britt deu de ombros. “Acho que foi aos poucos. Sabe quando uma pessoa te conquista sem querer? Mesmo que você a veja todos os dias e mesmo que você jure que são amigas? Percebi que éramos mais do que amigas. Na verdade, bem, tiveram aqueles beijos. Ela dizia que não eram nada de mais. Então percebi que, se havia beijos, então não poderíamos ser tão amigas assim. Não estritamente amigas”.

“Você gostava de beijá-la?”.

“Como não gostar? Quer dizer, você nunca a beijou, eu sei. Mas beijar meninas é tão diferente. Você saberia, se tivesse beijado uma”, Brittany diz. Fico com isso entalado na garganta. Quero contar a ela. Preciso contar. “Eu sei”.

“Você sabe?”, ela está surpresa.

“Por que é tão estranho? Eu nunca desejei beijar uma garota antes, entendeu? Então agora... agora está tudo tão estranho!”, exclamo. “Nós meninas complicamos tudo, eu acho. É tudo muito complicado”, Brittany diz. Ela parece ter muita certeza de que fala. “Como descomplicar?”, pergunto, ansiosa. “Apenas diga a verdade”, ela me responde. “Pode complicar ainda mais”.

“Quando eu e Sant fomos verdadeiras uma com a outra, tudo ficou bem. Ela descobriu que ninguém se importava se ela gostava de me beijar e que não precisava ter vergonha disso”.

“Deve ser muito bom viver na Brittanylândia”, eu digo. Porque essa é a verdade. Deve ser muito bom ser tão boba assim e acreditar que tudo pode dar certo no final.

“Meio que é, sim”, Britt fala. Acabo sorrindo para ela. Não acredito que essa é a primeira conversa sensata que tenho com ela. É mesmo muito bom poder contar com alguém como Britt.

Ela retorna à cama. Fico na cozinha, na meia-luz, com meus pensamentos.

Notas finais
As canções utilizadas são do Snow Patrol (: Reviews? Beijos!