Love, Rock And Roll And Changes

1 Capítulo 1- Indo para Forks


Notas iniciais
DE NOVO ESTOU POSTANDO. CARAMBA HEIN NYAH

Smoke on the water. And Fire in the Sky...Smoke on the water...

Não! Por favor, não! Não pode ser meu celular despertando. Ainda é de madrugada, pelo amor de Deus!

Smoke on the water... Droga, sim era. Olhei sonolenta para o celular no criado mudo, o display mostrava ainda que eram seis da manhã. Eu tinha razão, ainda era de madrugada. Não me lembrava de ter colocado o celular para despertar, então quem colocou? Não importa. Tentei dormir de novo, eu estava acabada, cheguei tarde. Estava quase pegando no sono quando:

_ Bella!- gritou Renée, minha mãe- Acorde, já está na hora.

Na hora de quê? Eu não ia levantar dali nem fudendo Coloquei o travesseiro na cabeça para não ouvi-la chamar.

_ Bella? Você já acordou?

_Não!- gritei de volta. Em casa tudo era resolvido à base do grito.

_ Se não acordou, como pode me responder?

Coroa esperta.

_ Eu... eu falo dormindo.- Qualquer coisa para dormir de novo.

_ Ha- ha. Muito engraçado, mocinha. Anda, seu vôo sai em uma hora e meia.

Vôo... vôo... PUTA MERDA, é mesmo. Minha viagem para Forks. Eu tinha me esquecido completamente que iria passar as férias com Charlie, meu pai.

_ Já levantou?

_ Já mãe, calma.

Como se eu pudesse dormir com tanto barulho. Levantei- me parecendo um zumbi, peguei minha toalha e abri a porta, dando de cara com minha mãe. Ih, lá vem.

– Posso saber que horas você chegou ontem, aliás, hoje, mocinha?- Indagou cruzando os braços.

– Ah, sei lá, mãe. Eu não olhei no relógio. Devia ser umas duas ou três horas...

Ela balançou a cabeça e seu olhar me censurava.

– Bella, já pedi pra você chegar mais cedo. Você sabe o que Phil acha sobre isso.

Revirei os olhos.

– Olha a minha cara de preocupada com o que Phil acha, mãe. – Fiz minha melhor cara de “Dane-se”.

Renée suspirou.

– Não vamos discutir sobre isso agora, Phil está lá embaixo tomando café. Vá tomar seu banho e desça logo.

– Sabe, a Senhora tem que ser menos submissa a ele, caramba.

– Não sou submissa a ele... Vamos, se apresse.

– Claro, claro.

Dei de ombros e fui para o banheiro.

Liguei o chuveiro e deixei que a água quente aliviasse a recente tensão. Ai, merda. Ontem eu bebi demais, para comemorar o meu último dia de aula, tinha acabado de me formar. Escola, um problema a menos. Deve ser por isso que eu me esqueci da viagem.

Renée teve a brilhante ideia de me mandar para Forks, para passar as férias com o meu pai. Eu não estava feliz com isso, Forks parece uma cidade fantasma e faz um frio dos diabos. Porém, eu tinha que admitir que isso não era nada comparado a tortura de aturar Phil, o padrasto que eu tanto odeio. E eu realmente não gosto do cara. O cretino foi a pior merda que a minha mãe já fez. Ele é grosso com ela, é mandão e eu sei que vira e meche, ele a trai. Eu mesma já vi, mas Renée, para minha raiva, não acreditou. Ela achou que minhas atitudes eram implicâncias bobas de uma filha ciumenta. É por isso que eu nunca fiz questão de ser gentil com ele, muito pelo contrário, eu o infernizava o máximo possível. Fazia questão de trazer minha banda pra ensaiar em casa, só para ver a cara furiosa dele. Embora eu não quisesse deixar minha mãe sozinha com ele- eu a amava, ela não tem culpa de ser uma boba apaixonada- estava com saudade de Charlie. Já fazia dois anos que eu não o via. O coroa sim era um bom pai. Nunca entendi o motivo da separação deles.

Voltei para o quarto e vesti uma calça jeans velha, minha camiseta do Metallica e o coturno surrado que eu tanto uso. Como sempre, eu não estava a fim de arrumar o cabelo, então eu deixei como estava. Passei um pouco de delineador nos olhos e apanhei a jaqueta de couro no braço.

Minhas malas estavam todas prontas. Coloquei minha guitarra e o violão dentro de suas cases. Claro que eu ia levá-las, vai que o maluco se revolta e resolve ataca-las. Bem, esse seria o ultimo ato de sua vida, porque eu o mataria, óbvio. Além disso, minhas filhas vão comigo pra onde eu for. Lindo da minha parte né, eu sei.

Desci as escadas, morrendo de fome.

– Até para ver o pai, vai vestida como uma trombadinha. – Me provocou o ser mais indesejado do mundo.

– Minhas roupas não são da sua conta, imbecil. – rebati.

– Bella!- Renée logo me repreendeu.

– Deixe-a, Renée. O pai dela sabe a filha que tem.

Minha visão ficou vermelha.

– Não fale do meu pai, idiota. Ele é mil vezes mais homem que você.

Ele se levantou também. Seu rosto estava vermelho de raiva e eu sabia que lá vinha uma briga daquelas.

– O que foi que você disse, pirralha?

– Além de idiota é surdo? – Provoquei.

– Já chega. Parem vocês dois.

Minha mãe se colocou entre nós dois, querendo evitar uma possível agressão física. Se ele viesse pra cima, eu encararia sem medo.

– Menina insolente.

– Vai á merda.

– Bella, pare agora. Suba e pegue suas coisas. Vou te levar já para o aeroporto. No caminho você come alguma coisa.

– Isso, vá e não volte mais.

Bufei ao subir as escadas.

– Vai sonhando, babaca.

Olhei para o celular na cômoda e resolvi ligar para Angela para me despedir.

O telefone tocou, tocou e ela só foi atender no quinto toque.

– Alôô?- Beleza, acordei ela.

– Ang, mulher! – Saudei animada.

– Porra, Bella. Isso é hora de me acordar? Tá de sacanagem comigo, né.

– Cruzes. Bom dia pra você também. Só liguei pra me despedir.

– Vai fugir de novo, Bella?

Revirei os olhos. Angela+sono= lesada.

– Não, não. Caramba, Ang. Esqueceu que eu vou passar as férias com o meu pai?

Eu mesma tinha esquecido, mas isso não vem ao caso agora.

– Ah, é. Puts, é hoje. Eu tinha me esquecido completamente. Você já está indo?

– Sim, sim. Meu vôo sai daqui a pouco. E a Senhorita se cuide, ein. Não vai aprontar na minha ausência.

Angela sempre foi minha melhor amiga- ela é a baixista da minha banda. Ela é ótima pra arranjar confusões, desde porres e brigas no bar até viagens pra longe escondida. Eu, é claro, sempre a acoberto.

– Eu sempre me cuido, Bella.

– Sei, sei.

– Vou sentir sua falta. Vê se não se esquece da sua irmã aqui e nem resolve morar pra sempre lá ok.

– Fala sério. Depois das férias eu volto. Agora eu tenho que ir. Tchau.

– Tchau. Me liga, ein. Agora, eu vou voltar pro meu soninho. Cara, eu tava sonhando com o Bruce Dickinson. Meu Deus, ele é tão gostoso e...

Desliguei logo antes que ela começasse a se masturbar no telefone. Arg.

Peguei minhas coisas e desci parecendo uma velha hemática. O que tinha naquela mala, chumbo?

Próximos á porta, minha mãe e o inseto discutiam. Ouvi só o finalzinho.

–... não dá educação pra sua filha.

Hein?

– Não diga isso, querido. Se acalme, por favor. — Sim, minha mãe era massinha de modelar nas mãos dele.

– Anda mãe. Vamos embora. Antes que eu vomite.

Phil me olhou de cara feia e eu me limitei a lhe mostrar o dedo do meio.

– Até a volta, Paizinho.

– Oras, sua...

Gargalhei para a cara que ele fez e sai correndo, batendo a porta. Sempre que eu queria irritá-lo, o chamava de “Paizinho”.

...

– Mas você não tem jeito mesmo, Bella. – Minha mãe ainda estava me dando sermão pela discussão com o seu maridinho.

– É isso que dá, entre todos os homens do mundo, você escolher o mais imbecil pra se casar. – Discuti cravando os dentes no meu baguete.

– Não, Bella. Phil é um bom homem. Ele se esforça pra sermos uma família...

– Se esforça merda nenhuma. Aquele imbecil nunca vai ser da família pra mim. Prefiro um cão sarnento da rua.

– Você também não facilita.

– Não facilito pra quem? Pra senhora? Pra ter o seu conto- de- fadas de quinta?

– Vamos dar um tempo, ok? Não quero brigar com você antes da sua viagem, querida. Você sabe que eu amo você. Vou sentir muito a sua falta.

Me desarmei no mesmo segundo ao ver a expressão da minha mãe. Renée e Charlie eram os únicos parentes que eu tinha. E antes de Phil aparecer, éramos só ela e eu. Nós sempre fomos tão unidas.

– Também vou sentir sua falta, mãe.

– Mas são só três meses. As férias logo acabam.

– Eu sei.

– Charlie disse que tinha uma surpresa pra quando você chegasse. — Mudou de assunto.

Olhei pra ela desconfiada.

– Que surpresa?

Renée fez uma cara de inocente que não me enganou em nada.

– Não sei, ele não me disse.

– Haham, sei.

Claro que ela sabia, mas pelo visto eu ia ter que esperar o velho me mostrar.

Chegamos atrasadas no avião. Fiz meu chek. in ás pressas, e quase me ferrei quando os fiscais

acharam minhas pulseiras de tachinhas de metal na bagagem.

Minha mãe me abraçou durante todo o tempo. Ela quase ia entrando no avião comigo, quando o segurança a fez voltar. Não sei o que deu nela, ela nunca foi tão sentimental assim. Mas eu retribui, ia realmente sentir falta dela.

Eram quatro horas de avião até Seattle. Eu ainda estava cansada, então me aconcheguei na poltrona pra tirar uma soneca.

Era difícil conseguir me concentrar em dormir, já que na poltrona da minha frente tinha um garoto com estilo meio playboyzinho sem graça, que não tirava os olhos de mim. O imbecil nem disfarçava.

– Perdeu o cu aqui, otário?- Perguntei na lata pra ver se ele se tocava.

– Sabia que seus olhos são mais verdes que o mar?

Hein? Que brega.

– Que eu saiba, o céu é azul e não verde, seu tapado. Vai com essas cantadas nojentas pros quinto, vai.

– Ui, tão nervosinha. Adoro garotas assim. São ainda mais lindas.

Puta que pariu minha avó de calcinha.

– Cala a boca, idiota.

– Ah, não precisa se fazer de difícil, doçura. Eu conheço o seu tipo. Se faz de difícil, mas é louca pra dar uns amassos.

Basta!

– Vai pro inferno, seu idiota. Para de falar merda.

Me levantei e cerrei os punhos. Todos do avião olhavam pra mim

– O que está acontecendo aqui?- A aeromoça com cara de monga ouviu o barraco e logo veio apaziguar.

– Esse bosta tá me enchendo. Tô avisando, vou quebrar a cara dele. — Apontei para o lesado, que deu um sorriso malicioso e deu de ombros.

– Se acalme, senhorita. Não grite. – Ela estava calma demais pro meu gosto.

– Ei, gata. Porque não me disse que era lésbica? Eu teria entendido logo. — Zombou a futura vítima do meu punho.

–Como é? Vou te mostrar quem é lésbica aqui.

PUM!

...

Uma hora depois, eu estava sentada em outra poltrona, mais no fundo- a aeromoça me mudou de lugar, antes que eu jogasse o almofadinha pela janela do avião-, enquanto ele ainda estava com um gelo no nariz que eu, gentilmente, quebrei. Lindo da minha parte né, eu sei. Liguei meu Ipod e logo me animei com a primeira música que começou a tocar. Detroit Rock City do Kiss. Cantei junto.

“I feel uptight on a Saturday night Nine o'clock and the radio's the only light I hear my song and it pulls me trough Comes on strong, tells me what I gotta' do I got to”

– Senhorita, Senhorita.

Abri os olhos e me deparei com a monga de novo. Droga, ela me interrompeu bem na hora do refrão.

– Que é?- Perguntei ainda curtindo a música. Ela gesticulava nervosa e apontou para os outros passageiros.

– Que? Não ouvi nada.

– Tire os fones!- Agora sim, eu ouvi seus gritos.

– Tá, tá. Pronto, tirei.

– Quer, por favor, parar de cantar alto desse jeito? Você está incomodando os outros passageiros. Já te mudei de lugar uma vez, se comporte.

– Ah, qual é. Não posso nem ouvir música mais? – Reclamei em voz alta.

– Pode, mas não precisa cantar junto com a música.

Caramba, a mulher ia ter um derrame. Eu podia até ver a veia pulando em sua testa. Melhor obedecer né. Vai que ela tem um troço.

– Ok, ok. Não canto mais. Satisfeita?

Era óbvio que ela não estava. Bufou e saiu batendo o pé para atender uma senhora lá da frente.

– Fala sério, minha gente. Como alguém pode não gostar de Kiss? Vocês estão precisando de rock and roll em suas vidas! — Exclamei e todos se viraram zangados para me encarar.

Desviei o rosto e assoviei, fingindo que não era comigo.

Algumas horas depois, o avião pousou em Seattle. Ouvi a aeromoça suspirar de alívio, enquanto eu saia do avião. Nem ligo.

A viagem até Portland foi mais curta, então não deu tempo de ninguém implicar comigo e vice – versa.

No saguão do aeroporto, logo avistei Charlie acenando para mim freneticamente. O coroa ainda tinha aquele bigode bizarro. Eu sempre tirei uma com ele, dizendo que ele parecia Hercule Poirot, meu detetive favorito. Não que eu tenha muitos.

Tremi com o frio que fazia ali e caminhei até as minhas férias.

Notas finais
NEM TENHO O QUE FALAR...