Love RB
1 Somewhere
Aquela foi uma noite memorável, e eu gostava de vos contar um pouco como ela aconteceu. Vou sintetizar e não vou perder muito tempo com pormenores, eles normalmente servem para encher histórias e esse não é o meu objectivo de maneira nenhuma. Estava o céu limpo e o clica ameno, eram cerca de 1 hora da manhã quando todos os membros do NEW DIRECTIONS já tinham perdido a conta à quantidade álcool de que ingeriram, bem como a quantidade de jogos que jogaram, ou até talvez, a quantidade de sítios que visitaram. Aquela noite vai ficar marcada para a história de cada um, mas como em todas as histórias, existem aqueles que são os protagonistas. Na tarde anterior a essa noite, o clube Glee ND foi o grande vencedor da competição de corais a nível nacional, e sim, admito que é por isso que eles estavam tão contentes essa noite, mas se juntar-mos a felicidade deles, o álcool e o facto de as Nacionais do último ano de secundário serem em Las Vegas, a mistura é no mínimo: bombástica!
Embora todos se achem muito adultos pois estão a dois dias de se graduarem, isso não significa que o sejam, e como tal, a resistência ao álcool não dura sempre. É certo que aqueles que estão habituados a ingerir álcool regularmente têm tendência para se lembrar das coisas que fazem enquanto embriagados, mas isso não significa que se controlem. Santana sem dúvida nenhuma é um desses casos. A latina habitou-se cedo à ingestão de álcool e como tal, embora não tenha controlo dos seus actos, no dia seguinte recorda-se minimamente do que fez. E como eu só sei que essa noite aconteceu porque li um bocadinho do diário da latina, vou deixar-vos ter o prazer de perceber esta história com um tempo cronologicamente correcto e não andar a saltar para a frente e para trás. Enjoy!
Cheguei hoje de Las Vegas, amanhã é a graduação. Nem sei que dia é hoje, vou saltar a data. Eu vou saltar a data? Antes a data do que saltar para cima do hobbit. Que raio foi aquilo? Acreditas que a Quinn casou com a Rachel? Eu acho que elas foram raptadas por extraterrestres e eles deram as verdadeiras Quinn e Rachel de comer aos patos da Britt-Britt. Bom… se eu parar para pensar bem, eu sou a pessoa mais inteligente daquele colégio, é normal que eu tivesse reparado em alguma coisa de diferente na Quinn ultimamente, mas esta historia toda do "assumir a deus e ao mundo a minha sexualidade" distraiu-me um bocado. Será que elas sabem que casaram? É que eu sinceramente não as ouvi a falar de anulação.
Eu gostava que tu fosses como o diário do Harry Potter, assim ficavas chocado com a informação e eu sentia que te tinha dado uma novidade. Para que raio serve esta merda de caderno afinal? Mais vale prevenir e escrever aqui tudo, já sei que um dia posso ter Alzheimer e ainda me esqueço destas bombas, que no fundo são inesquecíveis, tinha de ser Alzheimer terminal. Agora é Quinn Fabray Berry? AHAHAHAH adoro! Mas duvido que seja assim. MAS QUE RAIO! EU SOU A MADRINHA! Eu não consigo mesmo controlar os meus actos quando estou bêbada! O que vale é que aquilo mal elas fiquem a saber é anulado e pronto, eu nunca tive nada a ver com isso! Enfim, isto vai para aqui uma trapalhada, então foi assim: ganhamos as nacionais, em LAS VEGAS! E adivinha? Fomos festejar! Embebedamo-nos todos, e em vez do hobbit casar com o Finnocence, casou com a rainha do gelo! Não é lindo e romântico? Profundo! Só lhes faltavam as tatuagens na cara e era quase como aquele filme do chinês que morre mas não morre. Enfim, passando à frente… elas casaram no "Romeu e Julietta", AHAHAHAHA o hobbit vestiu uma fantasia de halloween. Não sei! Não perguntes onde ela desencantou aquela merda, o certo é que vestiu. A Quinn mais um bocadinho e ia vestida de enfermeira, mas eu consegui convencê-la a vestir-se de carpideira, sabes? Aquelas que são pagas para chorar nos funerais? Pois, é que eu estava bêbada mas não perdi a noção da realidade. Então, elas casaram, beijaram-se, e quase fizeram sexo na capela. Eu tinha-as deixado lá se não fosse a Britt obrigar-me a levá-las para um quarto. Nojo! Enfim, eu não volto aquele hotel, ainda me calham aqueles lençóis e eu tenho alguma aversão a anões com pelos debaixo dos braços. Não sei como a Quinn consegue, mas enfim. Já estou farta disto, mas falta uma parte importante. Na manhã seguinte, eu tenho pena da Quinn, ela deve ter apanhado um susto quando acordou nua ao lado da Berry, mas estava eu a dizer, na manhã seguinte eu bati à porta da suite e elas saíram as duas super vermelhas lá de dentro. AHAHAHAH foi tão bonito ver o facto de que nenhuma das duas se lembrava de nada. Agora de certeza que já lhes contaram. Pagava para ver a cara do Finn ao saber que a namoradinha dele está casada com a ex-namorada. Eu sempre disse que ele era muito mau na cama, mas nunca ninguém acredita em mim. Depois é o que está à vista, elas desiludem-se e experimentam o meu lado. Se não fosse porque é a Berry, que admito que tem umas pernas absolutamente magníficas, mas só aqui entre nós, eu ia jurar que a Quinn tinha deslizado pelo arco-iris e já não quer voltar. Apanhamos o avião no aeroporto, eu ainda tentei convencê-los de que viéssemos a pé, mas ninguém me ligou nenhuma, e elas não se falaram uma única vez. AHAHAHA eu gostava de ter visto a cara do hobbit a saber que quando for uma actriz da Broadway o que as revistas vão dizer é que ela se casou antes de se graduar, e com uma mulher! Amanhã é a graduação, estou ansiosa para saber o que a Britt vai fazer…
Bom, creio que a partir daqui já não vos interessa o que Santana escreveu.
O pavilhão do colégio estava absolutamente lotado de pessoas, os chapéus azuis marcavam presença nas primeiras filas perto do palco e o director estava, como habitualmente, a discursar acerca de não alimentar os discursantes ou fazer qualquer tipo de necessidades fisiológicas em frente aos convidados daquele dia. Rachel Berry estava extremamente ansiosa, pode-se dizer que ela lidava relativamente bem com os nervos, mas quanto à ansiedade, ela gostava de estar sempre um passo à frente e esse passo estava a demorar para acontecer. O director no entanto chamou o nome dela, ela subiu ao palco e pela primeira vez em todos os anos que frequentou aquele colégio, ela foi aplaudida de pé por todos os seus colegas e familiares ali presentes. Os olhos dela encheram-se de lágrimas e ela recebeu o diploma, após as palmas acalmarem ela tirou o chapéu e com um gesto efusivo disse: "estamos oficialmente graduados", e fez o chapéu voar pelo ar. Todos imitaram o gesto e festejaram com abraços e fotografias com familiares.
Os ânimos estavam mais calmos quando Quinn avistou Rachel perto da porta de emergência a falar com Kurt. A loira aproximou-se e Kurt sorriu com algum sarcasmo e despediu-se de uma Rachel que ficou confusa com aquele sorriso. Quinn então respirou fundo e permitiu-se conversar com a morena acerca do que se lembrava ter acontecido em Las Vegas. E o que ela se lembrava era exactamente o mesmo de que se lembrava Rachel: de pouca coisa.
- Parabéns! – disse Quinn com um sorriso sincero.
- Obrigada. Acho que foi um discurso muito inteligente da minha parte. Eu sei que parece pouco modesto, mas finalmente os alunos deste colégio deram valor à minha capacidade argumentativa e ao meu notório talento para a comunicação. Eu não comunico bem somente a cantar, eu sou muito boa comunicadora quando as pessoas me dão oportunidade para isso. – Quinn tinha uma sobrancelha franzida e um desenho de um sorriso irónico no rosto, mas ao notar o olhar de intimidação de Rachel, rapidamente se mostrou séria.
- Temos de conversar acerca de Las Vegas. – disse a loira num só fôlego.
- Olha Quinn, eu acredito que nós consumimos uma quantidade exagerada de álcool naquela noite, eu nem acredito sinceramente que nós tenhamos feito algo, devíamos estar cansadas e quando íamos, pronto… tu percebes… fazer alguma coisa… adormecemos!
- Comunicadora, hã?
- O quê? – disse Rachel ofendida.
- Nada, não vamos discutir. Sim, eu acho que deve ser isso. Então estamos bem?
- Sim, claro que sim. Eu fico lisonjeada por que tu tivesses posto a hipótese de ter acontecido alguma coisa mais, mas honestamente não creio que tenha acontecido.
- Quem disse que eu pus essa hipótese?
- Oh Quinn, é notável que vieste ter comigo… — mas Quinn interrompeu a morena.
- Pronto Rachel. Estamos entendidas, certo?
- Sim, até porque eu viajo amanhã para Nova Iorque e não pretendo voltar a Lima tão cedo! Não te preocupes, não vai ser desconfortável, nós provavelmente nunca mais nos vamos ver. – a morena baixou a cabeça enquanto proferia essas palavras, um nó no estômago fê-la sentir-se desconfortável, mas como Rachel Berry tem sempre explicação para tudo, pensou para si mesma que estaria com fome. Já Quinn inspirou com força e sentiu todo o seu chão fugir-lhe dos pés. Mas como diria Santana, Quinn é a rainha do gelo e por isso nada a abala.
- Então boa viagem. E boa sorte.
- Obrigada Quinn. Eu também te desejo tudo de bom, espero sinceramente que tu consigas alcançar uma vida muito boa. E espero que deixes entrar mais pessoas na tua vida.
- Pois! E o Finn? Se não for indiscrição.
- O Finn sabia que este dia ia chegar. O ano passado depois das nacionais em Nova Iorque eu avisei-o que não ia abdicar do meu sonho por ele. Porque o meu sonho é o amor da minha vida.
- Fazes bem.
- Eu sei. Então por isso mesmo, nós terminamos a nossa longa e turbulenta história de amor ontem ao final da tarde.
- Então, adeus? – disse Quinn sem saber como se despedir da morena. Rachel sorriu e abraçou-a rapidamente, foi um abraço curto que terminou dois segundos depois de começar e Quinn nem tempo teve para retribuir. A morena dirigiu-lhe um sorriso "à lá Rachel Berry" e foi ter com os seus pais que andariam perdidos entre os outros familiares.
Dois dias passaram desde que Rachel embarcou rumo a Nova Iorque. Quinn estava deprimida no seu quarto, o facto de não ter nada que fazer e nenhum tipo de planos futuros, faziam com que a loira se fechasse no seu mundo e não exprimisse aquilo que sentia. A ex-cherioo prometeu a si mesma que dessa noite não passaria ter uma conversa com a sua mãe acerca do assunto, mas ela sabia perfeitamente que na hora da verdade não conseguiria exprimir tudo o que lhe passava pela alma. Estava deitada na sua cama e ouviu o telemóvel vibrar. Pegou no aparelho e viu no ecrã o símbolo de uma mensagem nova.
"O que estás a fazer? – S"
A sua disposição para aturar Santana não era das melhores, mas após alguns segundos chegou à conclusão que Santana era das poucas pessoas que lhe restavam. Decidiu então responder-lhe.
"Nada. – Q"
"Vamos ao café! Temos de conversar acerca de algumas coisas que ainda não tivemos tempo de meter em dia. Estou curiosa e tu vais contar-me TUDO! – S"
Quinn estranhou aquela mensagem, mas decidiu aceitar encontrar-se com Santana meia hora depois na cafetaria ao lado da escola. Levantou-se da cama, tomou o seu banho e vestiu alguma coisa confortável, estava sem qualquer tipo de disposição para se arranjar em vão. Saiu de casa e dez minutos depois chegou à cafetaria onde já estava Santana à sua espera.
- Demoraste uma eternidade! – disse a latina com o seu feitio do costume.
- Desculpa, tive de tomar banho que ainda estava na cama quando me mandaste as mensagens.
- A fazer o quê? Bom, eu também estaria deprimida! – Quinn pensou que a latina lhe tinha dito aquilo pelo facto de que a loira não sabia o que ia fazer da sua vida.
- Escusas de ser tão directa. Já sei que todos têm planos, mas eu vou arranjar um também. Eu tenho de arranjar ou dou em doida!
- Quais planos? Eu estava a referir-me à Berry.
- O que tem? – de repente Quinn lembrou-se que foi Santana quem as acordou em Las Vegas. – Oh S, por favor! Não me apetece ouvir-te com piadinhas acerca daquela noite.
- É impossível. Como é que conseguiste enrolar-te com o hobbit? Que nojo!
- Pára com isso. Não tem piada. Além disso estás a exagerar. Eu não me lembro de nada do que aconteceu naquela noite.
- Ou não te dá jeito. Bom, eu também preferiria esquecer. E o que é que vão fazer agora?
- Nada. Ela foi-se embora para Nova Iorque e disse que provavelmente não nos vamos ver mais, por isso não corremos o risco de ser desconfortável. Eu não me lembro, eu nem sei se efectivamente fizemos alguma coisa ou não naquela noite.
- Bom, se não fizeram é bem estranho.
- Porquê?
- Vocês quase que faziam na capela! Se eu não vos tivesse levado para o quarto, alguém tinha gravado e hoje estava no youtube. Vês? Eu sou uma boa amiga. Devias agradecer-me!
- Ei espera, espera… retrocede. Capela? – perguntou Quinn confusa.
- Sim, capela. "Romeu e Julietta", com dois "t's", como dizia o gajo que vos casou.
- O quê? – se Quinn ficou sem chão quando Rachel a abraçou, neste momento a loira sentiu-se levitar no universo com a falta do seu planeta em toda a sua volta. – Casou? Quem casou? Santana, pára com isso. Não tens piada nenhuma.
- O quê? Mas ninguém vos contou? Vocês casaram-se em Las Vegas Quinn. – o semblante sério de Santana fez Quinn sentir-se em queda livre. As palavras da latina ecoavam no cérebro da loira como se ela nunca tivesse ouvido mais nada na sua vida. A latina preocupou-se ao ver Quinn completamente em choque e adoptou uma postura mais simpática e compreensiva. – Tem calma. Se não sabias, tudo se resolve. Eu ajudo-te.
- Eu não posso estar casada. Eu… eu nem sequer…
- Calma Quinn. – disse Santana enquanto pousava uma mão em cima da mão das mãos da amiga que descansavam em cima da mesa mas que não paravam de tremer. – Então se tu não sabias, significa que a Berry também não?
- Ela, eu não sei, ela supostamente… ela… eu não sei, ela não pode saber senão ela dizia-me. Não é? – disse a loira enquanto a sua mente tentava formular alguma frase coerente.
- E como é que lhe vais dizer? – Quinn olhou desesperadamente para Santana e susteve a respiração. Passados poucos segundos ela disse de um só fôlego.
- Eu não vou!
5 anos depois
Rachel Berry estava sentada na primeira fila do teatro Eugene O'neill, o teatro estava vazio e ela estava a olhar para o palco com um semblante pesado. Há três noites que repetia aquele processo após o final da peça. Sendo uma fã absoluta de Funny Girl, aquele procedimento nos dias em que estava triste, que era a réplica da primeira cena do musical protagonizado por Barbra Streisand, traziam-lhe alguma paz e uma pontinha de esperança numa vida nova. Ela adorava aquilo que fazia, adorava o sucesso que a sua peça "Spring Awakening" tinha no público, e adorava o facto de ser uma das mais famosas actrizes da Broadway na actualidade, mas faltava-lhe aquilo que para ela neste momento seria o mais importante. Rachel pensou muitas vezes que conseguia lidar com a solidão emocional caso se dedicasse aquele que era o seu amor pela música e pela Broadway, mas enganou-se. Quando as pessoas alcançam os seus sonhos, novos sonhos se criam, novas metas e objectivos, e Rachel não era diferente de "todas as pessoas". Ela precisava, mais do que ansiava, de ter alguém na vida dela em quem ela confiasse, com quem ela acordasse, que a elogiasse e criticasse da maneira mais sincera possível, mas principalmente, ela precisava de alguém que gostasse verdadeiramente dela e por quem ela se apaixonasse. Rachel Berry queria viver um romance épico, daqueles que inspiram pessoas, daqueles que fazem chorar de felicidade, daqueles que te fazem sentir livre e ao mesmo tempo completa.
Notas finais
Eu preferi fazer a nota de autor no fim da história em vez de no inicio. Eu tenho pela primeira vez um rascunho de toda a história e como ela vai desenvolver-se, por isso espero não abandoná-la. No entanto a vossa colaboração a nível de opiniões é importante.
Não prometo que todas as semanas consiga postar um capitulo, no entanto, esta história vai ter somente 10 capitulos, e por muito que os tenha todos rascunhados, falta-me evidentemente escrevê-los. Eu sou extremamente prefeccionista e normalmente quando tento aprefeiçoar a coisa sai-me ao contrário. Por isso peço desde já desculpa caso não fique bom algum dos 10 capitulos.
Muito obrigada desde já pelo tempo que dedicaram a ler este primeiro e espero o feedback para saber se vocês querem ou não que eu continue!
Sou portuguesa de Portugal, posso tentar moldar algumas coisas ao português do Brasil, mas deixo desde já claro que vou escrever no meu idioma, ou seja, só em casos formais é que o "tu" vai desaparecer. Eu sei que é complicado para vocês lerem deste modo, mas também é para mim ler do vosso e não é por isso que não o faço. Faço e com muito gosto!
(sei que tenho uma história por aí perdida, mas a ideia não funcionou, de todos os modos talvez um dia a continue)
Um beijinho a todos!
Twitter: R_Che
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