Love Psychology
4 Surrender Becomes Power
"Um homem não é nada sem um cigarro."
Em 1994, Jonny Marshall disse essa frase e Itachi, sentado numa cadeira, repensou sobre isso várias vezes. Então ele concluiu, depois de muito tempo, que na verdade, um homem pode ser muitas coisas. E que ele não é nada quando está dependente. E o cigarro era o que provocava dependência em Jonny. Ele morreu em agosto do mesmo ano. Mas foi em um acidente de carro. Embriagado.
A próxima vez em que Itachi iria sentir algo parecido com dor desde que Marshall morreu vai ser em Chicago, quando faz uma aposta e perde sua casa. Seria engraçado se não fosse trágico. Mas a vida dele sempre se tratou disso: viver como se não houvesse amanhã. Do que adianta fingir que se importa quando tudo que mais deseja está em suas mãos? Possui coisas que certas pessoas nem sonham em conseguir. Depois que Sasuke o ajudou em recuperar seus bens, ele voltou a fazer o que fazia de melhor: viver.
Itachi, no entanto, consegue ser dez vezes maior do que você imagina. Em todas as formas. Ele é o que você pode chamar de homem. De verdade, sem brincadeira.
Imagine o número de mulheres que ele já teve em sua vida. Ele é aquele tipo de homem. O que sabe muito bem o que faz com você quando pensas que ele caiu na tua conversa. Somente pelo fato de ser Uchiha já explica muita coisa.
Mas infelizmente, ele talvez tenha coisas demais. Tanto que pode até mesmo irritar o seu irmão mais novo.
Bom dia, sweetheart.
O consultório de Sasuke estava vazio. Mas o grande sorriso do rosto dele ainda não saía. Ela era tão doce... Aquela mulher o deixou louco. De todas as maneiras possíveis. A pele dela era extremamente macia e convidativa. Apenas tocar parecia céu. Quando sentiu que ela era realmente aquilo que ele queria, nada mais podia separá-los. Sasuke conseguia imaginar milhares formas de tocá-la. Como iria despí-la. Era a experiência mais deliciosamente proibida que ele já pôde sentir. Nada do que houve poderia ser comparado ao que fez antes.
Mas Sasuke tinha muito mais com o que se preocupar. Ele tinha uma esposa. Tinha uma vida escrita e perfeita. Perfeita demais. Poderia ser um doce sonho, mas era muito mais amargo que qualquer coisa.
Ela era seca e sem vida; ele, desejoso e jovem.
FLASHBACK
"Eu me pergunto que horas ele irá chegar." Ela suspira. E morde a boca dele.
"Você é muito..."
A risada de Ino é escandalosamente irritante.
"Você sabe que eu não vou contar ao Sasuke, não sabe?"
Ela estremeceu.
Eu queria dizer, que...
Independentemente do que ele diga, você é incrível.
E me desculpe por não ter ligado mais cedo.
Sakura olha no telefone a mensagem de Itachi assim que sai. É engraçado o fato de que ela conhece o irmão de Sasuke, mas ele não sabe que Sakura tem amizade com o seu próprio irmão.
Encara a outra mensagem, porém de Sasuke. Ele tinha muitas promessas e parecia ser o tipo de homem que ela não pode se envolver. Porque ele está perto demais. Ele tem uma mulher e uma vida. Está com uma pessoa há dois anos e sabe-se lá o que já fez com ela. As coisas que pessoas casadas podem fazer porque tem toda liberdade... Mas toda esta história de viver escondida da luz e andar no limite da lei é muito cansativa. Traz responsabilidades maiores que as sensações prazerosas de ter alguém somente seu. Isso era exatamente o que ela está vivendo agora. Não importa o quão lindo ele seja, estragar o casamento dele não é certo. Então, maior do que a vontade de ser dele, ela sai do local de cabeça baixa.
Os dois (Itachi e Sakura) se encontraram quando Sasuke tinha começado a atender em seu escritório, o que foi quase no mesmo período em que se casou. Era uma noite fria e muito promissória, pois começaram a se conhecer como dois amigos. Sakura sabia que Itachi tinha um irmão mais novo, porém nunca perguntou o nome. Sentia que seria indelicado de sua parte perguntar tanto a um cara que acabou de saber quem era. Eles passaram a frequentar cafeterias e shoppings, mas nunca foi nada além disso. Até que no começo deste ano eles se beijaram pela primeira vez. Ambos detestaram e riram muito: aquilo não poderia funcionar mesmo. A sensação era de que ela estava rejeitando Itachi, mas não: ele também não a via daquela maneira. Sentia-se muito a vontade com ela, mas nunca tiveram tamanha intensidade no relacionamento.
Sakura se desculpou e pensou sobre o assunto, mas nunca soube, de fato, dizer que não gostava dele daquela forma.
Itachi lembra que ela estava arrastando as mãos pelo cabelo rosa e respirando profundamente, quando se conheceram. Ele também sentiu uma silenciosa vontade de levá-la para casa e fingir que ela era apenas uma daquelas mulheres, mas ele se importava muito com ela para fazer isso.
Quando ela atravessa a rua, e vê uma boutique, pensa em passar lá. Mas decide ir para casa.
Café.
Ela sente um cheiro forte de café e assim que se vira, uma pessoa derruba um copo de café no chão. As pessoas param para ver quem era o que estava acontecendo.
O homem que havia derrubado pede desculpas, mas não olha para ela. Sakura sorri e diz que está tudo bem. Mesmo que o líquido tenha quase caído em sua roupa.
Naquele mesmo momento, um senhor no Canada acaba de fechar um álbum de fotografias. Ele sorri para a criança na fotografia que tira do álbum e pensa sobre seu passado. Ele fecha os olhos, respira lentamente e pega um copo de whisky no criado-mudo. Sua cama era muito luxuosa e suas roupas impecáveis. Tinha um sorriso amarelo e sem vida. Mesmo que fosse a milhares de dentistas, eles não poderiam resolver o problema daquele senhor. Porque as coisas estavam quebrando ao redor dele e os destroços atingiam seu coração.
"O que eu tenho hoje?" Ele pergunta a uma senhora mais velha do que ele poucos anos.
"Senhor, nós recebemos uma informação de Haruko. Ele disse que tinha avistado a moça perto de uma clínica, ou algo do tipo. Era de um homem rico da região. O nome dele é Uchiha Sasuke."
"Uchiha?" Seus olhos abrem um pouco.
A casa era muito luxuosa também. Tudo organizado, em seu devido lugar. O poder aquisitivo do homem mais velho era de se invejar. Ele senta em um sofá na sala de estar.
"Sim." Aika responde.
"Ele não tem importância, por enquanto. Mesmo que seja um Uchiha, ele não tem nada a ver com meus planos. Eu preciso que encontre aquela moça." Ele diz.
"Takashi-sama, o nosso informante também achou importante dizer que essa não é a primeira vez que ela vai àquele local. Hoje ela não estava lá por acaso. Há algum tempo ela vem entrando no prédio. Suspeitamos que ela esteja se consultando com o Uchiha. Ela sempre vai no mesmo dia e no mesmo horário."
Takashi olha incrédulo para Aika, sua assistente. Ele sente uma falta de ar imediata e Aika lamenta com o olhar.
"Eu quero ela fora da vista daquele Uchiha. Descubram a conexão que ela possui com ele. Agora."
Sasuke termina de atender ao último paciente. Retira suas coisas do consultório e fecha as luzes. Mas alguém abre a porta de imediato e surpreende Sasuke. Ele sabe que é seu irmão mais velho. Retorna as luzes e liga tudo novamente. Itachi ri um pouco.
"Devia ter visto a sua cara." O irmão mais novo da um sorriso irônico.
"Você." Ele suspira. "Não foi ontem mesmo que me disse que só iria chegar no sábado?"
"Mudei de ideia." Ele pegou uma cadeira e sentou. "Estava com saudades."
"O sentimento não é recíproco." Sasuke diz, bufando.
Eles conversam por algum tempo. Itachi fala sobre o quão animados estão seus pais deles para que eles venham visitá-los em Las Vegas. Sasuke balança a cabeça e quando diz que vai pensar sobre o assunto, ambos sabem que ele não quer ir. Os problemas que ele causou quando adolescentes tornaram-se muito desconfortáveis e embaraçosos. Mesmo depois dele ter se tornado um adulto casado.
Mikoto nunca deixou de pensar nele ou ligar. Ela entende os pensamentos de Sasuke então prefere que ele tome o tempo que for necessário.
"Ei, cara." Itachi pensa um pouco. "Eu tenho que te contar uma coisa: encontrei um mulher maravilhosa pra você." Ele sorri e acompanha a reação do irmão. Uma pessoa normal iria esperar que Sasuke ficasse surpreso por ele ter dito algo como isso, tendo em vista que ele é casado. Porém Sasuke ficou um pouco relaxado e diminuiu a velocidade da respiração, afinal, se a noticia fosse verídica ele poderia ficar sossegado, mas era apenas uma brincadeira de Itachi.
"Eu gosto dela, sério. Mas as coisas não dariam certo com a gente. Ela é muito longe do que eu quero." Itachi olha para o chão. "Mas acho que você vai adorar ela."
"Por mais que eu não esteja apaixonado por Ino, não é assim que as coisas funcionam." Sasuke pegou o paletó, fechou tudo e acompanhou o irmão até a saída. Disseram tchau para a recepcionista e rapidamente mudaram de assunto.
Chegando em casa, Sasuke percebeu as portas fechadas e presumiu que Ino estivesse dormindo. Entrou no quarto e viu a loira na cama caida em um sono profundo. Ele retirou sua roupa rapidamente e foi para seu escritório, mesmo sabendo que era tarde e se Ino descobrisse, ela iria acabar se irritando.
Mas algo atraiu a sua atenção quando chegou perto da estante de livros.
Havia uma mensagem. E seja de quem fosse, deixou bem claro que não poderia nunca mais respirar na direção de uma moça de cabelos muito extravagantes.
"Como a mensagem foi entregue?" Takashi pergunta. São quase nove horas da noite e o velho senhor está andando impaciente por uma resposta. Aika confirma que a mensagem foi entregue por uma pessoa que está ajudando com a localização de Sakura.
"Quero que conversem com o ex-namorado dela. Já é hora de termos uma conversa." Aika acena com a cabeça. Há alguns anos, Naruto trabalhou para Takashi, mas nenhum deles sabiam que ambos possuíam informações e conhecimento que quem era Haruno Sakura. Mas agora que o homem de cabelos grisalhos conhece o relacionamento que eles possuíram, será mais fácil de saber o que aquele Uchiha significa.
No dia seguinte...
O despertador está sendo cruel com Sasuke. Não basta e o telefone está tocando de maneira urgente, quase como se tivesse vida. Ele pisca os olhos lentamente, tenta se acostumar com a claridade e percebe que Ino ainda está dormindo.
Ela só pode estar em coma, ele pensou.
Ino murmura alguma coisa sobre o alarme e bate no peito de Sasuke para que ele desligue o maldito som. Ele pula da cama com urgência e aperta em apenas um botão para que a tranquilidade volte. Mas o celular ainda está insuportavelmente chamando-o.
"Venha pra cama." Ela pede, sonolenta.
"É do hospital." Seus olhos brilham em pânico por um momento. Não existe nada que o impeça de pensar em Sakura naquele momento. Suas mãos gelam e seu corpo treme.
"Alô?" Atende.
"O senhor é Uchiha Sasuke?" Uma mulher com a voz fina e gentil pergunta.
O tom dela é preocupante.
"Sim."
"Uma mulher chamada Haruno Sakura acabou de sofrer um acidente de carro. Nós apenas temos o cartão que estava em sua bolsa que continha seu nome e telefone. O senhor, por acaso, conhece esta mulher?" Ela pergunta.
Sasuke joga o telefone na cadeira e corre ao banheiro para tomar banho e vestir-se. Ino estranha os barulhos apressados, mas permanece deitada.
"Ontem as meninas estiveram aqui e nós bebemos além da conta. Você não iria chegar cedo então... Nossa, eu apaguei de vez, hein?" Ela ri um pouco e depois xinga um palavrão quando põe os pés no chão e sente o quão frio está.
Sasuke não responde nada e ela estranha um pouco. Ele não parecia tão mal-humorado quando acordou.
Ele sai do banheiro apenas com um toalha enrolada na cintura e logo vai ao closet para pegar seu paletó. Rapidamente se troca e Ino vai até ele.
"Você não prefere ficar em casa, comigo?" Ela faz beicinho. "Por favor." O sorriso dela foi uma agonia para Sasuke ele realmente não conseguia aguentá-la.
"Eu tenho algo muito urgente para resolver." Ele sai do abraço bem apertado que ela deu e beija os lábios dela secamente. Os olhos dele estão tomados por uma raiva e, ao mesmo tempo, fragilidade. Não é como se ele tivesse nenhuma certeza do quão grave a situação é. O carro logo sai da garagem até que ele se dá conta de que são dez e meia.
"Merda, Sakura."
Chegando no hospital, sua respiração acelera e seu coração acompanha o ritmo. Um médico leva Sasuke até o quarto onde Sakura está. Ela está dormindo, mas por um momento, ele pensa que a pele dela está fria, os pulmões não estão trabalhando e coração havia parado.
Milhares de vezes ele tenta tirar esse pensamento da cabeça.
"Ela não está em estado crítico ou nada do que você esteja pensando agora, Sasuke." O médico, Iruka, fala. O Uchiha balança a cabeça e tenta se concentrar nas palavras do médico antes que ele fique louco. Ela parece tão tranquila e tão atormentada ao mesmo tempo... Algumas marcas roxas estão sobre sua pele branca e macia. Cortes na bochecha e vários curativos nos braços.
"O que aconteceu, Iruka?" Ele pergunta enquanto põe os dedos no braço esquerdo dela suavemente.
"Ela estava em um táxi. Há poucos quilômetros daqui. O taxista disse que estavam a caminho de uma casa na House Street One. Ele não sabe de mais nada. O que aconteceu foi simples: um homem colidiu o carro com o que eles estavam e agora está respondendo por dirigir embriagado. Logo de manhã, acredita nisso?" Ele coloca suas mãos no ar, gesticulando. Sasuke agradece a Deus silenciosamente por nada demais ter acontecido. "Sakura, certo? Bem, ela ficou um pouco abalada e nós fizemos o possível para mantê-la calma e ela acabou dormindo."
"Posso ficar aqui?" Ele pergunta.
"Claro. Os pais dela estão sabendo de tudo, mas os voos estão sendo cancelados em New York devido o tempo. Disseram-me que tinham acabado de chegar lá quando ouviram a notícia."
"Eu ligo para os pais dela, não se preocupe." Sasuke fala.
Depois de trinta minutos sentado, com as mãos entrelaçadas com as dela, Sasuke escuta um profundo suspiro. Ela está acordando. Sakura olha ao redor e estranha o ambiente tão sem vida. Logo sente um aperto em suas mãos e quando vira seu rosto, encontra Sasuke olhando para ela ternamente. Ela sorri, suaviza o olhar, mas pergunta:
"Por quê..."
"Você esteve em um acidente. Não lembra?" Ele diz, deduzindo as dúvidas que ela poderia estar formando na própria cabeça.
"Sim, mas... Nossa, tudo está tão embaçado." Ela lamenta. "Eu queria saber por que você está aqui."
Sasuke pisca os olhos. Por que eu não estaria?
"Eles não sabiam quem chamar. Encontraram meu cartão na sua bolsa." O Uchiha corre os olhos até os curativos nos braços dela.
"Não está doendo." Ela sorri fracamente.
Ele limpa a garganta e desvia o olhar dela. "Seus pais já sabem, mas não podem sair de New York. O tempo não está bom lá." Sasuke consegue ver a tristeza nos olhos dela. "Vou trazer alguma coisa pra você comer."
"Fique aqui, por favor." Ela pede. Sasuke observa o quão doloroso seria para ela ficar sozinha naquele momento. A vontade de abraçá-la e dizer que tudo vai ficar bem está partindo o coração dele. Mas as coisas não funcionam assim com ele. Uchihas podem ser muito orgulhosos e presos à realidade e às regras. Ele está casado e ela é sua paciente. Ponto final.
FLASHBACK
"Ele vai descobrir que eu e você... estamos..." O homem fala, mas sua boca já está grudada em Ino.
Na noite passada, provavelmente Ino não estava mentindo quanto a bebidas, mas sua companhia, talvez. O rapaz segurou a blusa de Ino e puxou para cima.
"Não importa." Ela sussurrou no ouvido dele. Sasuke ficaria muito mais do que irritado com isso. Ele mataria aquele homem. Não que ele nunca tivesse sido um perfeito anjo, mas o que Ino fazia era muito mais cruel. Ela estava consciente de todos os seus atos e fazia aquilo sem um pingo de remorso. Não pensava no mal que poderia causar em seu relacionamento. Porém Sasuke vivia em conflitos internos. Preso eternamente na dúvida. No "se". O que poderia ter acontecido se ele simplesmente fizesse a mesma coisa que sua esposa?
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