Love Portal

11 Capítulo 11 - Target acquired.


Notas iniciais
CHEGUEI, CHEGUEI -q
Não sei o que dá em mim, sério. Dias sem escrever e de repente o capítulo inteiro sai de uma vez '-'
ENTÃO, antes de tudo.. :D Eu ganhei mais uma recomendação :D
Dirty Little Rabbit, adorei, você foi tão fofa quanto sempre é nos reviews e, AWWWWWN *abraça* Obrigado, mesmo ♥
Espero que gostem desse aqui. Tem video pra quem quiser entender melhor a dificuldade que eles vão passar: http://www.youtube.com/watch?v=AGL4h5yBWWk
Vocês não acreditariam quantas vezes eu morri pra fazer essa merda de teste avançado :)
Enjoy -q

Chegamos em frente a uma porta que se abriu de imediato. Frank entrou destemido, mas eu estava cauteloso. Já conhecia aquele lugar e queria ver o que GLaDOS fizera para deixá-lo mais perigoso.

Quando descobri, xinguei-a mentalmente com tanta vontade que não sei como minha raiva não transpareceu. Ou talvez tenha transparecido, pois ela se pronunciou:

— Você fez um belo estrago em meus andróides quando passou por aqui, Gerard. Achei justo dá-los uma chance a mais dessa vez.

E como deu. Os andróides não estavam mais livres para que eu pudesse chutá-los e desativá-los; estavam em jaulas, completamente inacessíveis a mim ou a Frank.

— São esses os que Mikey subestimou? — Frank perguntou, a voz um pouco tremida.

— Sim — GLaDOS confirmou e se calou.

Eu não podia acreditar. Como poderíamos sobreviver se não pudéssemos desativá-los? Não parecia haver chance alguma de escaparmos.

Trinquei os dentes e observei o lugar. Só passar para o próximo corredor já era difícil, já que um andróide enjaulado estava bloqueando nosso caminho. Tive que fazer uma pequena acrobacia com os portais para conseguir, correndo desesperado para me proteger quando passei em frente a um dos andróides, que se preparou para atirar. Rezei para que Frank tivesse entendido que era para esperar eu ir primeiro; se ele me seguisse de uma vez, o andróide que iria disparar contra mim já estaria pronto para acabar com ele. Felizmente, Frank entendeu isso e me seguiu depois de dar um tempo seguro.

A questão toda ali era velocidade: tínhamos de passar por portais rápido o bastante para escaparmos dos tiros, já que não conseguíamos desativá-los. Eles levavam apenas dois segundos para nos localizar e matar, então quando eu digo rápido, quero dizer rápido.

Passamos voando por mais dois e conseguimos nos esconder da linha de fogo. Chegamos no lugar onde havia uma passagem para a manutenção, aquela onde eu havia lido pela primeira vez que o “bolo é uma mentira”. Guiei Frank para lá, que observou as paredes com o mesmo assombro com que eu as observara inicialmente. Deixei-o admirar o terror da Aperture Science e procurei mais atentamente um lugar para escapar, mas, assim como na primeira vez, não havia nenhum.

— Fiquem aí o tempo que quiserem — GLaDOS anunciou, sua voz um pouco afastada. — Não tenho pressa.

Frank percebeu o que eu fazia e tentou me ajudar, mas realmente não tinha jeito de fugir por ali. A única saída era continuar com o teste. Lançamos um olhar significativo um ao outro, suspiramos e fomos de volta para a câmara.

Através de um portal no teto, eu e Frank caímos atrás de um dos andróides. Usamos dois cubos para nos proteger dos outros que conseguiram nos ver enquanto caíamos. Eles atiravam sem hesitar.

— Meu Deus — Frank sussurrou ao meu lado, quando eles finalmente pararam. Os cubos continuavam na nossa frente. — É pra matar mesmo, não é?

Assenti, o coração na boca. Não há como descrever realmente o terror de estar agachado atrás de uma proteção tosca, recebendo saraivadas de tiros e sabendo que um deles pode pegar em você a qualquer momento. Pela respiração ofegante de Frank, soube que ele sentia a mesma coisa.

Coloquei a minha mão sobre a dele, sem ter certeza se era para acalmar a ele ou a mim, mas o efeito foi duplo de qualquer jeito. Respirei fundo e me levantei, jogando um portal atrás de mais um andróide e outro à nossa frente. Eu e Frank teríamos de correr para chegar no outro ponto, e sinceramente parecia impossível que não levássemos ao menos um tiro no caminho.

Incrivelmente, não levamos. Acho que até GLaDOS ficou desapontada. Mas o teste ainda não terminara; faltava mais uma parte, onde precisaríamos colocar um cubo sobre um botão e abrir uma porta com isso. Felizmente, nossa sorte começou a mudar; encontramos um pilha de cubos em uma salinha protegida, e eu e Frank vimos logo o que precisávamos fazer.

Através de portais, passamos todos os cubos para a próxima sala, usando-os como proteção. Foi um trabalho chato e lento, mas o perigo em que nos encontrávamos não nos deixou ficar entediados.

Basicamente, criamos uma parede móvel. Nos movemos muito devagar, levando uns dez cubos à nossa frente o tempo todo, sempre colocando-os um passo a frente e só depois andando. Finalmente, chegamos no lugar com o botão e eu pude jogar um portal do outro lado da porta quando ela se abriu.

Havia mais dois andróides pelos quais teríamos de passar antes de chegar ao elevador. Depois de tudo aquilo, não achei que eles seriam um problema, mas me enganei. Pelo menos parcialmente.

Eu não fui rápido o bastante e uma das balas pegou em meu ombro. Havia feito Frank ir na minha frente pelo último portal do teste, e cambaleei atrás dele, por sorte não levando mais um tiro. Olhei de esguelha para a parede atrás de onde eu estava e vi meu sangue espalhado. Lágrimas de dor subiram aos meus olhos, mas não parei; somente quando chegamos ao elevador é que eu me permiti gemer, soltar a arma e colocar a mão sobre meu ombro.

— Que foi...? — só agora Frank via o que aconteceu. — AH, Gerard, você... ah, meu Deus, quanto sangue... o que eu faço, o que eu faço?

Balancei a cabeça negativamente, dizendo que ele não tinha o que fazer. Apertei meus lábios; aquilo doía demais. Na calmaria do elevador fechado, eu senti a dor me atingindo completamente, o que não acontecera antes por causa da adrenalina. Se eu pudesse gritar, estaria estourando os tímpanos de Frank.

— Vai passar — GLaDOS falou friamente, mas eu mal absorvi o que ela disse.

Frank, porém, ouviu bem.

— Como assim, vai passar?

— Enquanto vocês estavam em sono criogênico, seus corpos foram condicionados a se curarem rapidamente. Recuperação biológica acelerada fazia parte dos testes da Aperture Science, e outros sujeitos de teste já comprovaram sua eficácia.

— Mas, espera... então por que...?

— Michael morreu — GLaDOS o interrompeu, já adivinhando o que ele perguntaria. — porque sofreu uma avalanche de tiros. Nenhum corpo humano sobrevive à isso.

Frank suspirou e voltou a se concentrar em mim. A dor diminuíra um pouco, mas ainda era terrível. Ele olhava horrorizado para o sangue empapando minha blusa, claramente tentando pensar em algo para me ajudar.

— Querem que eu continue a história — GLaDOS falou novamente. —, ou sua análise médica exageradamente preocupada é mais interessante?

Frank corou de leve antes de responder.

— Continue a história — resmungou.

— Segundo nossos registros — a robô prosseguiu calmamente. —, Gerard e seu irmão foram vistos invariavelmente com Frank e Raymond nos meses seguintes. Considerando o fato de estarem todos pobres, é seguro supor que os primeiros continuaram morando na rua com somente uma ajuda dos amigos. Depois de algum tempo, porém, Frank saiu de casa e alugou um apartamento minúsculo no centro da cidade. Gerard e Michael foram morar com ele.

A cada palavra que GLaDOS falava, minha mente clareava. Eu conseguia visualizar Frank e Ray vagamente, indo me visitar no canto da área 07 onde eu me instalara. Conseguia lembrar de Mikey, tão drogado quanto eu, rindo de tudo que eles falavam... e conseguia lembrar de Frank chegando afobado um dia e dizendo que ia nos tirar de lá. Eu não entendia o que ele queria dizer, mas me deixei levar, e eu e Mikey o seguimos para o que seria nossa nova casa.

— Não é difícil ver o que aconteceu a partir daí — GLaDOS continuou. — Vocês descobriram em conjunto suas inspirações musicais e formaram a tal banda.

— É... — Frank murmurou, também se lembrando. — Ray tinha uma guitarra, e eu tinha um violão. Mikey pegava meu violão e ficava tocando o baixo de todas as músicas que ouvia...

Ele sorriu e eu o acompanhei, mas seu sorriso morreu tão rápido quanto apareceu.

— Isso é... — ele falou mais baixo. — Quando ele estava sóbrio.

— E então entramos na próxima parte — GLaDOS interrompeu, mal me dando tempo para ficar triste com a lembrança. — Tudo daria certo para vocês quatro, se Gerard e Michael não fossem fortes dependentes químicos quando Frank os abrigou. Estou tentando entender... essas substâncias são usadas como fonte de alegria para os humanos, não são?

— Ou como escapatória — Frank disse. — Gerard e Mikey só usaram pra aguentar o peso de terem sido expulsos de casa.

— E como consequência, não puderam melhorar de vida quando tiveram a chance. Inteligente, muito inteligente.

— Ah, cala a boca — Frank retrucou. — Você é uma robô, não sabe nada além de construir esses testes idiotas.

— Já é mais do que vocês — GLaDOS falava presunçosamente. — Eu não abro uma câmara de teste se não for ao menos minimamente possível chegar ao fim dela. Seres humanos, por outro lado, não parecem conseguir ver dois palmos à frente de seus narizes. A propósito, tenho quase certeza de que narizes são uma piada da natureza. Sério, já notou como são ridículos?

Frank bufou. Eu estava agradecido em estar sendo distraído, pois meu ombro ainda doía. Mas o sangue parara de sair, o que já era muito bom. Por outro lado, eu não sabia se gostaria de lembrar de tudo que GLaDOS estava falando.

— Encontramos então, em nossa pesquisa — ela continuou, como se não tivesse parado com a história. —, entradas diversas de Gerard e Michael Way em clínicas de reabilitação. Nunca passavam mais de uma semana lá, antes de fugirem ou conseguirem convencer Frank ou Raymond de os levarem para casa.

Clínicas de...?

Eu abaixei o olhar, sentindo uma súbita vergonha queimar em me peito. Não era bem vergonha atual, mas sim a lembrança do que eu sentia toda vez que Frank ia me buscar na clínica. Consegui vê-lo entrando cabisbaixo pela porta do meu quarto, começando a dizer que eu deveria ficar lá, que era melhor para mim. Eu negava, falava que conseguiria melhorar sozinho, que só precisava dele e de Ray e tudo daria certo. Ele sempre acabava concordando e autorizando minha saída, só para me encontrar novamente drogado dois dias depois...

— Não se culpe — Frank murmurou para mim, assustando-me. Ele estava bem próximo. — Tá na cara que você também está lembrando, mas não se culpe. Era um vício, não era culpa sua. Eu que devia ter sido forte e deixado você e Mikey lá à força.

Senti meus olhos marejarem de novo, mas dessa vez não era por dor. Aquela expressão no rosto de Frank, eu já vira aquilo mais vezes do que deveria. Era culpa, misturada com tristeza, misturada com desesperança. Caramba, ele tentou me salvar tantas vezes... e eu não o permitia...

— Várias semanas se passaram nessa situação — a voz de GLaDOS penetrou minha mente de uma forma quase surreal. O rosto de Frank na minha frente ainda prendia a maior parte da minha atenção. — Os irmãos Way entravam e saiam de diferentes clínicas, todas gratuitas e, portanto, não tão eficazes quanto as pagas seriam. Só é possível imaginar a relação entre vocês quatro durante todo esse tempo, mas, considerando que não se separaram, é possível afirmar que vocês continuaram ligados pelo o que vocês chamam de “amor”.

— Ahn... você não quer dizer amizade? — Frank perguntou timidamente, desviando o olhar que até então estava grudado em mim, e se afastando um pouco.

— É a mesma coisa.

Eu e Frank sorrimos. Enfim, GLaDOS falara uma verdade simples e inegável.

Frank abriu a boca para dizer mais alguma coisa, mas o elevador começou a subir e ele se distraiu.

— Depois disso — a robô disse. —, mais um registro a que tivemos acesso nos contou a próxima parte da história. E foi quando Michael e Gerard foram parar em um hospital.

Franzi a testa. O que pode ter acontecido para que...

— Podem continuar — GLaDOS falou rapidamente, e a porta do elevador se abriu.

Suspirei. É, só saberíamos do resto depois de mais um teste.

Tirei pela primeira vez a mão do ombro e me abaixei para pegar minha arma, gemendo baixinho de dor com isso. Frank tentou me ajudar e bateu de leve a cabeça na minha. Rimos suavemente e ele deu atenção ao ferimento em meu ombro.

— Ainda tá doendo? — perguntou, passando um dedo gentilmente, o que fez com que eu me retesasse. — Ah, desculpa. Acho que isso quer dizer sim. Não acha melhor eu ficar com os portais dessa vez?

Assenti e o entreguei a arma. Acho que ele ficou feliz por eu não ter hesitado, o que foi minha intenção. Eu estava me sentindo ligeiramente culpado e ainda envergonhado por tudo que ouvimos; por mais que eu estivesse agindo em consequência de um vício, e por mais que agora nos encontrássemos em uma situação completamente diferente, eu ainda assim me senti mal ao lembrar que ele fez tanto por mim e eu sempre o decepcionei. Portanto, agora estava na hora de eu confiar plenamente nele, e fazê-lo entender isso. Eu estava nas mãos dele... talvez em mais formas do que eu quisesse admitir.

Notas finais
Curiosos? ÓTIMO :D
Aí você me diz "não, não estou curioso" e eu fico com a cara no chão '-'
Então, é, ok, até o próximo, espero não demorar T-T
E Dirty Little Rabbit (nome comprido, hein? -q), THAAANKS again ♥