Love Poison

4 Anjo Corrosivo


Notas iniciais
OLÁÁÁ, PESSOAS! Que sdds de vocês ;-; Não sei explicar meu sumiço, acho que tive uma espécie de bloqueio criativo, porque eu simplesmente olhava para a tela em branco do word e nada saía. NADA. Além do que achei melhor prosseguir nas férias por causa do colégio e pá, mas cá estou eu, de férias e decidida a postar um capítulo diário, ou um por semana, no mínimo. Mil desculpas pelos meses em vão! Não acontecerá mais. Boa leitura!

Três dias haviam-se passado desde aquele incidente; setenta e duas horas exatas sem uma única sílaba trocada com o loiro hiperativo. E isso estava deixando Sasuke maluco – não, maluco, não... Possesso seria o mais próximo do sentimento que revirava-se em seu estômago nos últimos dias. O que, visto de um modo racional, fazia pouco ou nenhum sentido, já que não passavam de meros amigos. Não, nem sequer amigos eram! Não passavam de colegas, de conhecidos. Conhecidos que partilhavam uma inapropriada química, mas ainda conhecidos.

Logo, não deveria importar-se com o sumiço de Naruto. Certo?

“É claro que não! Ele faz o que bem entender, não é da minha conta se ele some ou não.”

Portanto balançou a cabeça e respirou fundo, esticando os longos braços atrás da cabeleira negra enquanto andava nos corredores do colégio. Não pensaria mais nisso. O que ganharia com preocupar-se, de qualquer forma? Tampouco se irritaria, não havia por quê. Naruto provavelmente estava viajando, ou talvez estivesse doente. É, com certeza era isso.

Mas... Adoecer logo após aquilo seria muita coincidência, não?

Suspirou, depositando as mãos nos bolsos de sua calça. Apesar de não havê-los tocado, lembrava-se com exímia exatidão de cada detalhe dos lábios do outro, especialmente de como seu rosto encontrava-se: suas bochechas marcadas e bronzeadas estavam tingidas de um leve vermelho, e seus lábios fartos reluziam à luz do entardecer, incitando-o a tomá-los para si e a jamais abandoná-los. Lembrava-se do jeito como os dedos finos do menor acariciavam-lhe a nuca, como seus imensos orbes celestes brilhavam... Droga, lembrava-se até da sensação de circundar-lhe a maldita cintura! Ah, e como ele era quente! Tão distinto de sua própria existência, Naruto parecia literalmente um anjo travesso, tamanha era a pureza e o calor que emanava. Logo, nada podia fazer senão indagar-se sobre qual seria o sabor de seus lábios.

Novamente, contudo, assustou-se com as próprias análises, sentindo o corpo inteiro esquentar de imediato. Estaria cedendo à loucura? Obviamente estava enfeitiçado por aquele corrosivo anjo, certamente. Ah, mas o que não daria por...

– Sasuke-kun! – Uma esganiçada voz feminina fizera-o chocar contra a realidade, forçando sua respiração a acalmar-se. Não queria ser visto nesse estado por alguém, muito menos pela namorada. Soltando o ar dos pulmões, retornou à sua impassível expressão e fitou a rosada à sua frente, erguendo uma das finas sobrancelhas em irritação.

– Sakura. – Torceu o nariz, em seguida suavizando o rosto. Embora sua presença em sua vida o irritasse profundamente, sabia que a menina nutria sentimentos por si e que ambos estavam presos naquela relação; não só pela covardia, como também pelo desejo interno de agradar os pais, estes sendo aqueles que anunciaram seu futuro noivado há alguns meses. Era aceitar isso ou arcar as consequências e fugir de casa e, honestamente, Sasuke não desejava fazê-lo.

Não agora, pelo menos.

– Hm, ‘tá tudo bem? Você anda estranho ultimamente, Sasuke-kun... – Comentou a moça ao retomar seu lugar ao lado do namorado e franzindo o cenho, preocupada.

– Ando como sempre, Sakura. – Sasuke retrucou com rapidez, dando a entender de que não pretendia estabelecer uma conversa completa, sinal este que Sakura compreendeu sem demora. Então ela abaixou a cabeça, profundamente constrangida ao sentir um nó na garganta. O rapaz não abria-lhe nenhuma porta em sua impenetrável fortaleza, e a Haruno sabia que nunca o faria. Aquele era um amor não correspondido que chegava ao nível de ser platônico, até, e o fato de que Sasuke terminaria consigo no momento em que seus pais aceitassem a apavorava.

Ele podia não amá-la, mas Sakura sonhava com o dia em que seu coração seria respondido – pois esse dia chegaria e, até lá, recusava-se a soltá-lo.

...

Na hora do almoço, Sasuke estava à beira de arrancar-se os cabelos: estava ansioso, nervoso e irritava-se pelas mínimas coisas. Agora, sentado no refeitório em uma mesa afastada com Sakura e outros dois colegas, as risadas juvenis mal chegavam a atravessar seus ouvidos. O hambúrguer e a caixinha de suco de maçã permaneciam intocados na bandeja, contrastando bastante com os bentos repletos dos outros alunos. O motivo era simples: não sentia fome. E, mesmo que estivesse faminto, não havia comida que conseguisse agradá-lo. Capricho ou não, sua mente vagava para muito além daquele fato.

Queria vê-lo. Precisava vê-lo, para assim dar um fim àquela sensação estranha.

Foi então que, graças a um suspiro exaurido, seus olhos escuros fixaram-se em uma figura loira próxima à máquina de salgados que conversava animadamente com outro jovem. Nesse instante, sua respiração, seu coração, tudo parou – ele viera!

O que ocorreu em seguida pareceu ser rápido demais para seu cérebro entender; levantou-se às pressas de seu assento e serpenteou entre a abafada colmeia de estudantes até seu destino, ignorando esbarrões e o olhar confuso de alguns. Quase tropeçara em uma lata vazia de refrigerante quando finalmente alcançou o loirinho, esticando o braço para apertar seu ombro e poder aproximar-se, ofegante e inimaginavelmente aliviado. Este, ao sentir seu toque, fitou-o com uma expressão que beirava a surpresa e o choque, e o moreno pôde jurar ver uma fisgada de alegria dentro daqueles dois pares de safiras. O encontrara, enfim.

Por um momento pareceu não haver mais ninguém ali a não ser os dois adolescentes que encaravam-se em uma conversa silenciosa, mas trocando muito mais do que meras palavras poderiam dizer. Sasuke, por sua vez, sequer atrevia-se a piscar, pois temia de que, se o fizesse, a imagem do outro desapareceria ante seu nariz. Toda a perturbação que sentira nos últimos dias dissipara-se ao vê-lo, e seus recentes pensamentos giravam em sua memória. Apesar de pensar que ler o Uzumaki seria algo fácil, percebia agora o quanto estava enganado.

Embora suas irises demonstrassem muito, elas também escondiam infinitos pensamentos.

Talvez não fossem tão diferentes, afinal.

Logo uma tosse soou, quebrando a estranha ligação que os envolvia e fazendo o rosto de Sasuke automaticamente virar-se na direção da mesma, para só então notar que aquele que fazia companhia ao menor era alguém que, para seu desagrado eterno, conhecia muito bem – bem até demais, talvez –.

– Sem querer atrapalhar, mas já atrapalhando, poderiam parar com todo esse encara-encara e arrumar um quarto? Está ficando desconfortável para mim, senhoritas. – Disse Deidara, o artista plástico mais conhecido da KHS.

Não somente por sua habilidade “explosiva” – como ele mesmo denominava – com argila e pincéis, mas sim por sua aparência e pelo fato de ser um dos poucos... Homossexuais abertos dali, senão o único.

– N-Não é nada disso, Deidara! – Apressou-se em dizer um ruborizado Naruto, rapidamente estapeando a mão que repousava em seu ombro.

Sasuke, entretanto, permanecia em silêncio, limitando-se a observar com fúria o rosto inegavelmente bonito do colega do clube de artes. Assim como o dono de seus pensamentos, o estudante do segundo ano era loiro e possuía grandes e belos olhos azuis contornados por um delineador preto, porém seus cabelos eram longos e uma parte andava quase sempre presa em um rabo-de-cavalo alto, deixando que uma extensa franja cobrisse o lado esquerdo de sua face enquanto as madeixas livres desciam por suas costas, dando-lhe uma aparência um tanto feminina. O rapaz também era conhecido por seus misteriosos “relacionamentos abertos” e por nunca estar mais de uma semana com alguém, embora ultimamente hajam corrido boatos sobre sua nada discreta obsessão por Sasori, um ruivo de sua turma que tinha o estranho hábito de levar marionetes para o colégio. Independentemente disso, Deidara o perseguia como um lunático, chegando ao extremo de chamá-lo de “danna”.

O mencionado pigarreou, abriu um grande sorriso e estreitou os olhos para Naruto, alternando a visão entre este e o incomodado moreno.

– Você parece incomodado, Sasuke-chan. – Praticamente cantarolou, acentuando o “chan” e alargando o sorriso quando o Uchiha o fuzilou. Ah, como adorava incomodar seu kouhai!

– Descobriu isso sozinho, Capitão Óbvio? – Rosnou o outro, agarrando o braço de Naruto sem hesitação e em silêncio, imediatamente arrastando-o da presença daquele ser desprezível. Ser este que, como bom amigo que era, acenava alegremente para o loirinho enquanto o mesmo esperneava e berrava, tentando livrar-se do aperto forçado do mais velho. Outros alunos paravam para encará-los, curiosos e até temerosos pela vida do gentil Uzumaki.

No entanto, nada atreviam-se a fazer; a família Uchiha era muito poderosa.

– Sasuke, qual é o seu problema?! – Exclamou o pequeno ao ser jogado no armário de limpeza com pouca sutileza. Antes que pudesse escapar, contudo, Sasuke pôs-se de costas na porta do pequeno quartinho, repousando seu olhar irritado no enfurecido de Naruto.

– Meu problema? Não fui eu quem sumiu do mapa há três dias! – Sasuke gritou, agarrando o colarinho da camisa do mais baixo e prendendo-o contra os armários bambos, soltando a respiração quente e descompassada em seu rosto perplexo. – Você, por acaso, tem alguma ideia do que eu passei durante esse tempo todo?!

Não, espere...

– Hã? – Naruto murmurou, franzindo as sobrancelhas em extrema confusão. Não entendia sua atitude, por que fazia isso? – Do que você ‘tá falando, cara? – Tentou dar uma risada, a qual logo fora reprimida por um soco que fez os armários tremerem e seus ombros se encolherem.

– Estou falando do seu maldito sumiço, seu imbecil! – O timbre de sua voz intensificava-se com o passar dos minutos, acalorando a situação junto à indignação do mais novo.

No entanto, ao compreender do que tudo se tratava, Naruto estreitou os olhos e endireitou-se, fixando seu olhar no irado do rapaz.

– Não é da sua conta o que eu faço ou deixo de fazer, Sasuke. – Pronunciou lentamente com um toque de humor, curvando o canto dos lábios em um sorrisinho sarcástico. – E por que quer saber? Afinal, minha presença não muda nada em sua rotina, não?

Aquilo disparou algo dentro de Sasuke; algo sombrio e perverso que o pintor mal sabia ser dono de. Seu coração acelerou, sua raiva diminuiu e, em seu lugar, apareceu outro sentimento igualmente horrível.

Aflição.

Com um movimento de mão, Sasuke imobilizou os braços do pequeno e abaixou o rosto, dirigindo os gélidos lábios à curva do pescoço da vítima, onde pressionou-os e depositou um beijo na veia pulsante que ali destacava-se. Naruto estremeceu e tentou mover-se, chutá-lo, gritar, para logo ter o mesmo par de lábios sobrevoando os seus, paralisando cada músculo e nervo de seu corpo. Olhos de distintas cores fitavam-se, cada um tratando de ver que tipo de emoções e pensamentos refletiam-se neles mesmos. Como há pouco tempo, piscar estava fora de condição – a diferença era que, agora, neste segundo, a sensação era mútua. Os lábios não se tocavam, temerosos e trêmulos, até o moreno perder-se na imensidão do oceano cristalino que o observava com expectativa.

Era isso o que queria?

Por fim, engolindo em seco, o predador e a vítima juntaram os lábios em um gesto suave e delicado, porém transbordado de temor e intriga. Era um simples roçar que mal chegava a ser um toque, mas que deixou o coração de ambos tensionados, em especial o do mais novo. Naruto fechara os olhos, extremamente corado, e cedera a cada neurônio a tarefa de memorizar, de gravar a sensação daqueles lábios finos e frios, que tornavam-se cálidos em contato com os seus.

Nenhum dos dois queria saber se aquilo era errado ou não. Para eles, o que importava era que aquele simples roçar de lábios acendia uma chama no interior de cada um, arrastando para o fundo toda a raiva que permanecia no ar. O Uzumaki não desejava separar-se, desejava ficar desse jeito para sempre... Com esse pintor arrogante que, por algum motivo, fazia-o ter a impressão de que estavam destinados a ficar juntos.

Entretanto, tal pintor fora o primeiro a afastar-se, liberando seus braços e permitindo que se movesse, coisa que, contudo, não realizara. Abrindo um pequeno sorriso, Sasuke deslizou a ponta dos dedos pelos lábios carnudos e quentes de Naruto, deixando-o, de alguma forma, mais enrubescido do que estava.

– Agora passou a ser da minha conta, dobe.

E, com essas palavras ainda no ar, o maior abriu a porta e saiu.

Sem mais nem menos, simplesmente saiu.

E o anjo corrosivo de mechas douradas permaneceu ali, corado e de olhos arregalados, com mil e uma dúvidas rodopiando em sua mente nebulosa. Quando enfim saíra do quarto, o almoço havia terminado e as aulas iniciado, mas nem isso forçou-o a apressar os pés. Com o coração palpitando e de lábios apertados, parou no meio do hall vazio e encostou-se à parede, deslizando até poder repousar o corpo trêmulo no chão. Abraçando seus joelhos, o loirinho escondeu o rosto carmesim entre os braços e soltou um suspiro.

– Teme maldito...

Notas finais
Bem, espero que tenham gostado deste pequeno fanservice ~ *-* Sei que as coisas estão andando lentas, mas esse ritmo é necessário para o desenvolvimento de LP. Muito obrigada por ler, comentem suas opiniões, dicas, críticas, ameaças de morte e pá, que lerei tudo com carinho. See ya! ~