Love Never comes With a Price
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Quando Belle se levantou Gold estava se arrumando para sair. Ele disse que tinha pequenos detalhes para acertar e que no dia seguinte viajariam. Se o pirata tinha lhe dito era verdade ele estava em perigo. Ela precisava testar adaga de imediato. Esperou Rumple partir e de imediato pegou o objeto e chamou Rumpelstiltiskin para vir até ela. Se a adaga fosse verdadeira ele apareceria em segundos ao seu lado, mas não foi o que ocorreu.
Ela largou o objeto e levou a mão à boca na tentativa vã de calar seu choro. As lágrimas brotaram e a fraqueza se apossou de seu corpo a fazendo se sentar numa cadeira que ali estava. Aquilo era a gota d’água. Rumpelstiltskin a havia enganado, ela havia sido tola em achar que ele realmente a amava mais do que seu poder. Uma vez ela tinha visto o homem por detrás da besta, mas agora ela só via um homem corrompido. Ele nunca havia mudado. Aquela era a prova.
Belle nunca tinha exigido que ele lhe desse a adaga, nunca lhe pediu para abdicar do poder por ela, pois para ela o amor nunca vinha com um preço. Ela esperava que com o tempo ele visse que o amor importa mais do que qualquer coisa, mas agora ela enxergava claramente: Ele tentou comprar seu amor com uma joia falsa. Ele fingiu lhe dar o poder para tê-la sob controle. Para que ela nunca desconfiasse que ele ainda era o homem que escolhia o poder acima de tudo.
Estava procurando a adaga quando ouviu o sininho da loja tocar, olhou para entrada e viu que se tratava de Henry. O garoto a fez algumas perguntas e tentou ser simpático a chamando de “avó”, mas como naquele momento estava chateada com Gold falou para ele chama-la apenas de Belle. Ele perguntou o que ela estava fazendo, já que tinha percebido que ela parecia procurar algo, ela inventou a desculpa de que precisava de outra mala para a viajem com Gold. Na tentativa de pegar uma mala em cima de um armário Henry deixou cair algo que não era exatamente o que ela procurava, mas era o que ela precisava. O jovem falou mais algumas coisas sobre o livro e sobre nele conter sempre coisas rins para Regina, Belle disse para ele não se preocupar com aquilo, pois com o caminho que a Rainha estava seguindo agora ela provavelmente lhe renderia boas histórias no futuro. Tranquilizado o garoto saiu da loja.
Foi ele botar os pés para fora do local e ela pegou a luva que ela sabia bem o que fazia. Bastou uma pergunta para a luva leva-la até a adaga verdadeira. O objeto apontou para a torre do relógio, ela entrou no local e começou a procurar a adaga. Seu plano era dar um ultimato ao homem que amava. Ia lhe dar uma ultima chance, mas antes que pudesse procurar qualquer coisa ouviu a voz de Rumple e de Hook. Sem saber como sair do local acabou por se encolher e se esconder em um vão no topo da torre. Não que sua intenção fosse bisbilhotar, mas foi impossível não ver o que estava acontecendo. Rumple pegou a adaga de dentro do casaco e passou-a por cima daquela caixa que Hook havia lhe mostrado. Pior ainda, sua outra mão ele carregava um coração. Quando o viu colocar a adaga em cima de um caixote que havia no local, ela não hesitou. Pegou imediatamente o objeto mantendo-se em silêncio. Ela podia ter parado ele naquele momento, mas não havia mais ultimato para dar como ela havia planejado. Aquela ia ser a ultima chance de Gold. Se ele fizesse o que ela temia vê-lo fazer, não haveria mais esperança para eles.
Rumple fez o chapéu levitar e depois parecia que as constelações se abriram sobre suas cabeças. Ela viu Hook olhar amedrontado para o outro enquanto ele sorria de forma maquiavélica sentindo o poder invadir seu corpo. Chegou a ouvir vozes de pessoas tentando para-lo, mas viu pelo gesto que ele havia as paralisado. Foi então que ela viu o ato mais cruel de toda aquela cena. Hook com o olhar de súplica e Gold dizendo que realmente apreciaria a parte que vinha a seguir. Ela viu Rumple começar a esmagar o coração do pirata que caiu de joelhos e instantaneamente ela levantou a adaga o impedindo. Uma lágrima brotou nos olhos da jovem ao ver o capitão com a mão no peito sentindo a dor e Rumpelstitskin se perguntando por que não conseguia fazia aquele coração virar pó em suas mãos. Foi então que ela saiu das sombras e disse:
─Porque eu o ordenei a não fazer!
O primeiro impulso de Gold foi a encarar com raiva, depois mudou sua expressão para o temor. Hook a olhava com os olhos marejados e a boca entreaberta de surpresa.
─Me dê o coração. (Ela ordenou o encarando com raiva, mágoa, repulsa.)
Ele obedeceu. Ela segurou o coração do pirata e sentiu-o batendo em sua mão. Ela trocou um olhar com Killiam que lhe agradeceu com um breve aceno de cabeça.
─Agora libere todos os outros. (Ela disse com a voz mais fria, ao ver que ele só fazia por estar sendo comandado.)
Ele fez o que ela pediu novamente e o chapéu também se fechou. Ela se aproximou então de Gold e lhe disse:
─Agora nos leve até os limites da cidade. Precisamos ficar sozinhos para o que virá em seguida.
E assim os dois foram parar nos limites da cidade. Belle com o coração de Hook em uma mão, a adaga em outra. Rumple a encarou trêmulo, temeroso com o que estava por vir.
─Belle, o que está fazendo?
─Finalmente estou encarando a verdade.
─Por favor Belle, abaixe a adaga e me deixe explicar. (Ele suplicou.)
─Não. Agora é a minha vez de falar. Uma vez um homem me disse, que você era egoísta, mesquinho, que não amava nada além de si mesmo...
─Isso não é verdade... (Ele tentou a interromper.)
─Eu disse a esse homem que o seu coração era verdadeiro, porque eu acreditava no poder do amor que eu sentia por você, acreditava que se eu te amasse tanto como eu amava, eu era capaz de quebrar qualquer maldição que fizesse você ser aquela fera que a tantos amedrontava.
─E você conseguiu, eu fui melhor por você...
Ela nesse momento riu amargurada.
─Não Rumple. Você nunca foi melhor. Lembra quando demos nosso primeiro beijo? A sua maldição estava se quebrando quando você impediu. Você nunca quis deixar de ser a fera, você nunca quis deixar de ser temido. O nosso amor era para ser verdadeiro, mas você nunca o aceitou, você nunca escolheu o amor Rumple, você sempre escolheu e sempre escolherá o poder.
─Você não entende...
─Não! Você é que não entende. Esse mesmo homem de que eu estava lhe falando, naquela época tinha feito escolhas erradas e eu o depreciei quando recentemente ele me disse que havia mudado. Acontece que eu estou com o coração dele nesse momento em minha mão e eu vejo que o que ele me disse era verdade e eu não queria enxergar, porque no momento em que eu reconhecesse a mudança dele, eu veria que jamais houve mudança sua.
Gold balançava a cabeça em negação com os olhos lacrimejando. Ela então continuou:
─Você me disse que aquela luva, podia guia-lo até a fraqueza de alguém. Sabe para onde ela me levou Rumple? Para a sua verdadeira adaga.
Ele deixou uma lágrima escapar enquanto ela falava com a voz embargada pelo choro.
─Seu amor verdadeiro é o seu poder.
─Eu gosto do poder, mas não há nada errado com o poder! (Ele começou a tentar se desculpar em desespero.) Não quando significa que eu... Que nós... (Ele se corrigiu.) Que nós podemos ter tudo.
─Quem queria ter tudo era você, não eu. Tudo o que eu queria era amar e ser amada de volta. Se você não pôde me dar isso, você não pode me dar nada.
─Belle... (Ele tentou mais uma vez.)
─Rumpelstiltskin, eu o comando a sair de Storybrooke... (Ela disse decidida o ordenando com o poder da adaga.)
─Por favor, isso é permanente! Eu não poderei voltar! (Ele suplicou.)
─Eu sei. É exatamente por isso que estou mandando você ir e nunca mais voltar.
─Belle, eu não quero te perder... (Ele disse deixando cair as lágrimas.)
─Você já me perdeu. (Ela disse virando o rosto se permitindo por fim a chorar.) Amor nunca vem com um preço, mas o poder sim Rumple. Esse é o preço das suas escolhas.
Ele saiu por fim da barreira, mas ela nem olhou pra trás. Voltou até a cidade à pé derramando mais algumas lágrimas pelo caminho. A adaga ela acabou jogando em qualquer canto no meio do caminho com raiva. Já o coração que pulsava firme em sua mão, ela segurava com cuidado. Não demorou muito para chegar até a Granny, aonde imaginou que encontraria o pirata. Por algum acaso os dois chegaram no local ao mesmo tempo.
─Que alívio em te encontrar, já estava achando que ia jogar baseball usando meu coração de bolinha com o Crocodilo.
Ela ficou cabisbaixa ao ouvir à menção de Rumple. Percebendo ele imediatamente tratou de ser mais delicado:
─Desculpe pela piada, eu às vezes não sei como começar um assunto e apelo para algo idiota, mas não sou um idiota, pelo menos não mais, te juro.
Ela abriu um meio sorriso para ele que abriu um largo em resposta.
─Bem... Acho melhor eu te devolver isso. (Ela disse mostrando o órgão em sua mão.)
Hook acenou com a cabeça e estendeu-lhe a mão, mão ao invés de coloca-lo em sua mão ela o aproximou do peito do pirata.
─Já fez isso antes? (Ele perguntou com a voz aveludada arqueando a sobrancelha.)
─Não.
Ela respondeu sem ter a intenção de parar. Seus olhares se conectaram enquanto ela recolocava o coração em seu busto. Ele arfou puxando o ar quando sentiu o coração voltar a bater dentro de si. Eles continuaram se encarando como se estudassem um ao outro, até que Killiam quebrou o silêncio.
─Obrigado. (Ele disse de forma suave sem conseguir tirar os olhos dela.)
─Não foi nada. (Ela disse se recompondo, desviando o olhar e voltando para o seu caminho.) Até mais Hook.
Ela mal havia dado dois passos quando ele corrigiu:
─Killiam, pode me chamar de Killiam.
Ela olhou para trás abrindo para ele um sorriso genuíno e concordando com a cabeça:
─Até mais Killiam.
........................................................
Emma e Elsa não conseguiram conversar muito depois daquele dia, também eram tantas coisas acontecendo, Snow Queen para deter, Anna para encontrar... Depois que encontraram Anna aí sim tinha sido impossível ter uma conversa particular, a ruivinha não desgrudava da irmã, nem mesmo quando Kristoff aparecia. A xerife estava num bar com Elsa e sua imã quase siamesa, Anna, quando Hook a puxou pelo braço.
─O que houve? (Ela perguntou vendo que ele estava cabisbaixo.)
─Precisamos conversar.
Emma ficou nervosa com a situação vendo que Elsa estava os observando e já imaginando que o pirata ia ter alguma crise de ciúme ou de romantismo, mas depois de lançar um olhar cúmplice à Elsa ela o acompanhou até uma mesa da Granny’s para conversarem.
─Emma... Eu não sei bem como falar isso. Eu já fui bom com essas coisas, mas eu realmente perdi a pratica! (Ele disse sem jeito levando uma mão à testa.)
─Hook... Eu sei que você gosta de mim, mas vamos devagar. (Ela tentou corta-lo da forma mais gentil possível.)
─Eu acho que você está me entendendo mal. (Ele disse fazendo uma expressão engraçada entre a careta e a risada.)
─Não Hook, você que me entendeu mal, isso que nós dois temos sabe...
Ela começou a dizer, mas foi interrompida por ele:
─Não está funcionando. (Ele disse balançando a cabeça como um bonequinho cabeçudo.)
─Exatamente! (Emma concordou abrindo um sorriso aliviada.)
─Ainda bem que não sou só eu que pensa isso. (Ele disse suspirando mais tranquilo.)
─Então... Amigos? Sem remorso? (Ela perguntou franzindo o cenho, meio que não totalmente crédula na mudança repentina do pirata.)
─Com certeza Swan! (Ele disse lhe dando um beijo na bochecha e saindo da mesa e sentando no balcão para pedir uma dose de rum.)
A xerife olhou o rapaz ir um pouco confusa, mas genuinamente feliz por ter sido tão mais fácil do que ela pensava, voltou a se aproximar das duas irmãs quando a mais velha delas lhe perguntou tentando conter o ciúme:
─Tudo bem entre você e o bonitão?
─Sim, na verdade melhor do que nunca! (Ela disse abrindo um largo sorriso.) Hook terminou comigo!
Ela revelou com um largo sorriso depois enrugou a testa pensativa completando:
─Ou foi eu que terminei com ele?
Ela franziu o cenho tentando lembrar da ordem dos fatos, aquele havia sido o término de namoro mais rápido da vida dela.
─Peraí. (Anna interrompeu intrigada.) Ela está realmente, genuinamente feliz porque acabou de terminar com o namorado?
Elsa e Emma se entreolharam então e não conseguiram conter o riso. Elas não tinham conversado sobre o rumo do que estava acontecendo entre elas, mas nem precisavam, elas se entendiam só pelo olhar.
...............................
Hook se sentiu realmente aliviado por ter terminado com Emma. Não que ele não sentisse mais absolutamente nada pela loira, mas ele já tinha superado toda a obsessão que tinha por ela e já havia percebido há tempos que seu interesse era unilateral. Além do mais havia algo que o intrigava por aqueles dias. Desde que ela havia o salvado daquela forma , ele simplesmente não conseguia esquece-la. Talvez pelo fato de que ninguém nunca ter feito algo do tipo por ele. Ou talvez ela fosse só sua nova obsessão agora, quem vai saber? O fato é que ele, vira e mexe, se flagrava rondando perto da biblioteca ou do antiquário, na vontade involuntária de esbarrar com Belle. Por vezes ele trocou algumas palavras com a jovem usando essa tática.
Numa de suas rondas, distraído, quando deu por si, deu de cara com a mulher que lhe encarava com um olhar interrogativo.
─É um belo dia hoje não? (Ele disse com um sorriso divertido.)
─É impressão minha ou você tem me seguido? (Ela perguntou franzindo o cenho.)
─É impressão minha ou temos nos encontrado bastante pelas estradas do destino? (Ele rebateu com o olhar cafajeste.)
─Você costuma sempre Stalkear as garotas e usar essa cantada? Sério Hook, isso é péssimo. (Ela disse entrando na biblioteca.)
─Killiam. (Ele corrigiu.) Pode me chamar de Killiam, eu já disse.
Ela o encarou arqueando a sobrancelha e disse:
─Se parar de tratar as mulheres como um pirata trataria, quem sabe eu te chame pelo seu nome real.
Ele abriu a boca para responder a altura, mas acabou se contendo em fechar a boca e tamborilar no balcão da biblioteca. Belle começou a organizar os livros como se ele não estivesse presente. Ele somente a observava, até quedepois de arrumar umas cinco prateleiras a bibliotecária perdeu a paciência e perguntou:
─Deseja algum livro, Killiam?
Ela perguntou com tom irônico, mas ele não deixou de sorrir por ela lhe chamar pelo primeiro nome. Ele molhou os lábios satisfeito e disse:
─Confesso que não sou muito de ler, mas se tiver algo para me indicar, ficarei grato.
Ela sorriu e fez uma careta pensativa, foi então que ela respondeu:
─Coluna “I” e “J”, prateleiras de baixo.
Ele foi até as prateleiras já empolgado para ver a sessão que ela lhe recomendou, mas seu sorriso murchou ao ver que eram as prateleiras de livros infantis.
─Sério? (Ele questionou fazendo cara de poucos amigos.) Sou amador, mas não tenho três anos. Na verdade já devo ter uns 300.
Ela esboçou um sorriso , mas segurou o jogo falando:
─Qual é o problema? Contos infantis são ótimos, você mesmo está em um deles.
Ele a encarou com mais curiosidade dessa vez, lembrou que Emma uma vez lhe disse que ele aparecia em um filme.
─Mostre-me. (Ele pediu com interesse.)
Ela foi então com ele até a prateleira correta e pegou um exemplar do conto de Peter Pan clássico. Ele analisou as ilustrações da capa com um olhar nada convencido, mas abriu para ler. Já nas primeiras páginas ele começou a reclamar:
─Peter Pan bonzinho? O que vocês estão ensinando para as crianças? Tá explicado porque sempre tinha tantos garotos perdidos em Neverland.
A bibliotecária riu do pirata que continuava a ler enrugando a testa de desconforto a cada linha.
─Essa ilustração não parece nada comigo. Esse cara é feio de mais. (Ele disse apontando o capitão gancho do livro com cara de repulsa.) Esse desenhista devia ser demitido por isso.
─Tem razão, alguém deveria ensinar às crianças que caras maus podem ser atraentes, mas ainda assim continuam sendo caras maus. (A jovem disse bem humorada.)
─Eu nem sou tão mau assim, mas fico lisonjeado pelo “atraente”. (Ele disse dando uma breve piscadela.)
Ela riu em tom zombeteiro, ele então procurou entre os livros e achou por acaso “A Bela e a Fera”.
─Pelo menos te desenharam direito. (Ele disse se aproximando um pouco mais.) E “bela” é um adjetivo perfeito para você.
Ele tentou diminuir o espaço entre eles, mas a jovem se afastou voltando ao seu balcão e desviou o olhar do seu.
─Falei algo de errado? (Ele perguntou com seriedade.)
─Não é só... (Ela tentou, mas não sabia bem por onde começar.)
─Desculpe se meu jeito as vezes é inapropriado, eu sou um pirata, não me leve a sério.
Ele pediu desculpas de forma sincera, mas ela balançou a cabeça negativamente e tratou de explicar:
─Não foi você, foi o livro. (Ela disse num suspiro.)
─Como assim? (Ele perguntou.)
─Nos livros de princesas as coisas são mais parecidas com o nosso mundo. O príncipe encantado está com a Snow White, a Ariel com o Eric, Cinderela e o príncipe, a Aurora com o Phillip... E eu....Rumple...
Ela começou a se abrir lentamente para Killiam. Tudo o que ele fez foi levantar seu queixo e responder de forma simples:
─E daí se você não terminou com o primeiro besta que te apareceu na frente? Existem muitas outras bestas no mundo.
Belle não conseguiu conter o riso ao ouvir aquilo, mas agora que ele havia falado, nunca havia parado para pensar dessa forma.
─Eu mesmo seria considerado uma besta por muitos.
Ela o encarou e então seu sorriso se fechou aos poucos. Seus olhos azuis conectaram-se aos do capitão e ela questionou:
─Por que está fazendo isso?
─O que? (Ele perguntou confuso.)
─Sendo tão...
Ela ia dizer gentil, ou amável, mas não ele não estava sendo um cavalheiro, ele não estava escondendo seu lado piratesco, muito pelo contrário ele continuava a falar as mesmas besteiras de sempre, mas desse vez ele estava sendo...
─Diferente. (Ela completou assim que encontrou um termo para definir.)
Ele se aproximou de forma doce e disse olhando em seus olhos.
─Na verdade para você eu estou sendo totalmente quem eu sou. Tento não exagerar nas piratices, mas isso só porque a senhorita é uma dama. (Ele diz se distraindo com um dos livros do balcão.)
─E vem todos os dias atrás de mim por qual motivo, Killiam? (Ela perguntou enfatizando o nome.)
Os lábios do pirata se contraíram em um sorriso contido. Ele pensou um pouco na resposta e após morder levemente o lábio inferior, falou:
─Minha única amiga nessa cidade, além de você, é minha ex, não é como se eu tivesse muitas opções.
─Então eu sou sua ultima opção? (Ela pergunta fingindo irritação.)
─Na verdade, dentre as opções que tenho é a primeira e seguramente a única. (Ele disse dando mais uma piscadela e um sorriso.)
Depois daquilo ele saiu da loja deixando uma Belle pensativa para trás. Ela ainda não sabia se aquilo soava mais como um elogio ou insulto, mas acabou rindo de qualquer jeito. Era estranho aquele pirata era uma das poucas pessoas que lhe dava atenção desde que ela havia banido Gold. Até mesmo Ruby parecia ter coisas mais interessantes para fazer, Anna as vezes passava para lhe fazer companhia, mas ela estava recém casada então era de se esperar que não estivesse sempre disponível. Ela se sentia triste e solitária, Killiam era seguramente o único que a fazia sorrir genuinamente, mesmo quando suas cantadas eram um fiasco.
......................................
Gold tinha indicado um portal para que Anna Elsa e Kristoff fossem para Arendelle, mas por sorte antes que qualquer um entrasse pela porta Anna perguntou quem era o Mr. Gold na Terra Encantada e o desmascarou. Aquela não era uma porta para Arendelle, mas sim para uma dimensão onde eles ficariam presos. Assim sendo, sem terem descoberto uma forma de voltar Anna, Elsa e Kristoff iam passar a primeira noite com todos reunidos em Storybrooke.
Ao ver como ia ficar a situação do flat de Mary Margaret, Emma tratou de despachar Henry para a casa de Regina. Tinham muito pouco espaço no local, que antes já estava lotado com Elsa, Henry tinha dormido esses dias todos no sofá porque não queria dormir na cama da mamãe. Agora, porém, seria inviável acomodar todos na casa se o garoto também fosse dormir ali. O pequeno Neal, Mary e David se apertaram no próprio quarto. Kristoff tinha ficado com o sofá, Mary deu a sugestão de Emma dormir no quarto de Henry para as irmãs dormirem juntas. Elsa então praticamente arrastou a irmã pra fora da casa para lhe pedir para dormir com Emma.
─Elsa, mas não é justo! Eu agradeço ela por ter cuidado bem de você e tudo, mas eu não te vejo literalmente há décadas! Precisamos de tempo juntas!
─Anna é complicado, eu preciso de um momento só eu e Emma, nós precisamos muito, muito, muito mesmo conversar. Por favor, diz que sei lá, que você ronca muito e sugira que eu e Emma fiquemos com a cama de casal.
─Elsa isso não tá certo! Trocar a irmã pela amiga é muito feio. Se fosse um namorado eu até entendia...
Anna estava reclamando, mas de repente interrompeu a própria fala franzindo o cenho.
─Peraí, vocês duas mega felizes porque ela terminou o namoro, você querendo um momento de privacidade...
Ela arregalou os olhos e deixou o queixo cair para então perguntar empolgada:
─Espera, quer dizer que você está gostando dela?
A mais velha primeiro deu ombros em resposta, depois acabou confirmando com a cabeça sem jeito.
─Nossa isso é loucura, mas eu adoro loucura! (Ela disse rindo ainda surpresa com a revelação da irmã para segundos depois lhe bombardear de perguntas.) Me conta tudo, vocês já disseram que se amam? Vocês se beijaram ou algo assim? Não é estranho beijar uma mulher? Sei lá imagino que seja tipo beijar a sua irmã não?
─Te conto tudo, depois que fizer o que eu te pedi. (Elsa disse tentando garantir um momento a sós com Emma.)
─Tá bem! (A ruivinha disse cedendo.) mas eu vou querer saber de tudo, cada detalhe!
Em questão de segundos Anna resolveu a situação e colocou as duas no mesmo quarto, Emma não conseguiu deixar de se engasgar com a água que estava bebendo quando ouviu a sugestão, mas não recusou, ainda mais depois de Elsa lhe sorrir com os olhos.
Quando enfim estavam juntas no quarto, parecia que faltava oxigênio no local, porque nenhuma das duas parecia conseguir respirar. Emma sorria constrangida sem saber bem lidar com aquilo. Ela já tinha estado com garotas no passado, mas nunca com uma princesa, quem dirá rainha. Tudo bem que ela já tinha lidado com Regina antes, mas era bem diferente, nunca tinham dormido juntas. A única coisa que a xerife sabia era que não queria estragar nada. E com isso silêncio parecia ser eterno entre as duas. Ironicamente, foi Elsa quem quebrou o gelo:
─Eu não sei bem se você se sente a vontade de falar disso, mas... Aquele foi meu primeiro beijo.
Os olhos verdes da salvadora por fim tomaram coragem de fitar os azuis. Ela se aproximou um pouco e pegou na mão da outra e meio sem jeito confessou:
─O que eu posso dizer? Definitivamente não foi meu primeiro beijo, mas com certeza foi o melhor.
Elsa enlaçou seus dedos nos dela e disse:
─Nunca vi nenhuma história de uma rainha com uma princesa.
─Não é porque nunca houve antes, que não pode vir a ter. (Ela respondeu com um sorriso bobo.)
Elsa mordeu o lábio um tanto receosa da resposta que iria receber, mas arriscou perguntar.
─Isso quer dizer que você acredita que uma história como essa possa realmente dar certo?
Emma deu um meio sorriso e respondeu:
─Isso quer dizer que eu acredito que o amor verdadeiro é a magia mais poderosa de todas.
Elas se entreolharam e sorriram. Emma afagou os cabelos da outra e ambas se deitaram. Elas se estudaram com o olhar por um bom tempo. Seus rostos foram se aproximando devagar, assim como os olhos se fecharam lentamente, até que seus lábios se tocassem mais uma vez.
─Não sabia que o segundo beijo poderia ser melhor que o primeiro. (Elsa disse fazendo um carinho no rosto da loira.)
─Isso é porque você ainda não viu o terceiro. (Emma disse tomando seus lábios novamente.)
Trocaram beijos até que a Rainha de Arendelle perdesse as contas. E por fim Elsa delicadamente se aninhou abraçando a xerife e ambas adormeceram sentindo uma o perfume da outra.
Fale com o autor