Notas iniciais
Esse é o meu pedido mudo para te fazer minha.

Você se da conta de que tudo o que viveu até agora foi apenas pequenas participações em peças com desfechos muito mais interessantes que o seu, você se convence de que isso não é verdade, ou você tenta se convencer de que não é, mas lá no fundo, bem no fundo, você sabe que é verdade.

Você choca as mãos uma na outra e as aperta, você xinga em tom baixo e claro o quanto você é burra por estar se sentindo assim, o quanto idiota você foi em acreditar que alguém como ela poderia lhe dar algum tipo de atenção especial, que pudesse realmente a lhe amar. Sim, você estava convencida de que ela te amava, mesmo o seu consciente dizendo que aquilo era apenas uma grande farsa, o seu inconsciente ganhou e você achou que aquilo tudo era verdade. Os sorrisos, as palavras, os gestos, os abraços, tudo nunca passou de um mero sonho e você se amaldiçoa por ter acreditado que era real.

Uma lágrima escorre pelo lado esquerdo do seu rosto e para em seus lábios. Ela é salgada. Você ligaria para esse fato, você a secaria e impediria o que você sabe que vai acontecer em seguida, mas não, você apenas se deixa levar pelo turbilhão de lembranças que invadiram o seu ser sem permissão, você deixa se levar pelas lágrimas, por afinal de contas, se é verdade o que todos dizem hoje em dia, chorar lava a alma não é mesmo? Você é tomada por uma sensação incrivel de prazer. É doloroso? Sim, é, e muito, mas ao mesmo tempo é prazeroso. É algo que você deveria evitar, mas você simplesmente se deixa de levar, porque a final, você só vive se lembranças, e essas lembranças existem hoje porque em algum momento você as viveu, então, no final, tudo isso veio de alguma coisa que pelo menos foi um pouco real.

Ela está sorrindo para você e você está sorrindo para ela. Você cabelos dispostos pelo lençol branco que cobre o colchão e ela tem uma maquina nas mãos capturando cada momento em que vocês passam juntas. Cada momento em que você sorri ou faz uma careta, e até mesmo am alguns momentos do qual você está falando um de seus incrivelmente longos e, pelo menos para as outras pessoas, irritantes monólogos, mas do nada você para e fica encarando-a e ela lhe encara de novo, porque você sabe que ela iria fazer isso.

"Por que você faz isso?" Ela arqueia uma sobrancelha perguntando mudamente do que você está falando. "Tirar foto de tudo, ou pelo menos quando você está comigo você tira foto de tudo, mas eu sempre estou relacionada a esse tudo." Ela sorriu para mim divertida. Mas um flash, mas uma foto.

"Porque eu gosto de guardar o que é belo, e assim, com essas fotos, quando você estiver longe eu vou poder continuar lhe admirando." Sua voz sinuosa soou alegremente e decidida.

Flash e fotos. Risos e carinhos, abraços e beijos, amassos e sentimentos, aquela tarde tinha se passado daquela maneira e no final dela você tinha uma foto com a sua loira, uma foto em que ela lhe abraça por trás, escondia seu rosto da curvatura de seu pescoço e você está de olhos fechados totalmente entregue a ela, como sempre foi.

O céu se fecha em cima de sua cabeça. Você quase acredita que ele mudou a sua expressão como você mudou o seu estado, porque parece, somente parece que ele estava sorrindo para você quando você estava sorrindo para ele, e agora que você é somente lágrimas, ele desaba em lágrimas também, lágrimas da maneira dele, mas ainda sim são lágrimas.

O chão já está completamente ensopado, as pessoas procuraram algum abrigo de baixo de um beirado ou outro das lojas na calçada ou em barracas, mas você não, você está ensopada assim como o chão, você continua ali, firme e forte. Ou só firme e nem tão forte assim.

As nuvens pretas carregaram ainda mais o céu e ele começou a chorar forte, não soluçava, apenas chorava e as lágrimas dele acabaram de se misturar com as suas quando você levanto o seu rosto para olha-lo e se perdeu em sua imensidão cinzenta e triste. Você está quase acreditando que, quanto mais o céu chora, mais lembranças invadem o seu ser e lhe tomam a consciente, ou o que restou dela, não é mesmo? Mas você não faz questão de lutar contra, você simplesmente se deixa levar e as assiste em sua mente, como se fosse um filme passando na tela de um cinema. Pena que você não tem uma pipoca e uma bebida em mãos.

Você sorria para ela e ela sorria para você, a ponta de seu nariz estava coberta por sorvete de baunilha e ela fez uma careta, que você achou malditamente fofa, para ver seu nariz sujo.

"Espere, eu limpo para você." Você limpou o nariz dela com o guardanapo e ela sorriu para você, voltando a devorar o pequeno sorvete como se fosse uma criança que tomara seu primeiro sorvete em um verão extremamente quente, mas a situação tinha algo em comum com essa versão, era verão e estava malditamente quente.

Vocês estavam sentadas. Você estava deitada no ombro dela que lhe abraça de lado. Estavam em silêncio e isso parecia perfeito, porque vocês tinham uma a outra, mas do nada ela alcançou seu rosto com a mão e o virou com cuidado para si. Você pode jurar que com o olhar que ela estava lhe laçando naquele momento ela poderia ser sua alma e você quase acreditou que ela o fez, mas qualquer pensamento coerente que ameaçava se passar por sua mente ou estava se passando foi rapidamente finalizado e esquecido quando os lábios dela tomaram os seus para si em um beijo calmo e termo.

Ela estava dizendo da maneira dela que ama você, e você entende isso porque naquele momento você está fazendo o mesmo.

As coisas mudaram tanto desde aquele dia. Mas espere, quando foi mesmo aquele dia? Você força a memória e se lembra, aquele dia não faz nem um mês que aconteceu.

Mas me responda, o que você tem agora? Você está ensopada, no meio de um parque, sentada em um banco em baixo da chuva. É, você tem uma bela cena em mãos, se você estivesse assistindo é claro. E se, você estivesse assistindo você acharia que a pessoa que estivesse em seu lugar era uma completa idiota e doida, se estar simplesmente sentada em baixo de uma tormenta, mas espera ai, no fundo você se sente uma idiota por ter acreditado em tudo o que aconteceu e uma doida por ter feito o que fez, mas veja bem, você apenas fez uma pergunta e foi com essa pergunta que você colocou absolutamente tudo o que você tinha a perder. Idiota, você é uma grande, não no sentido literal mas sim figurativo da palavra, idiota, é isso que você é, e você sabe muito bem disso.

Mas você para quando sente o cheiro tão família no ar e parece que, instantaneamente a chuva para e o céu vai se abrindo timidamente. Braços familiares estão perto dos seus, uma pessoa familiar esta perto de você, familiar até de mais. Então você abre os olhos e por poucos segundos eles ainda fitam o céu, antes negro e agora azul, e você pensa como dia está estranho hoje, você direciona o seu olhar para a pessoa ao seu lado e por um par de minutos, ou horas, você não sabe porque você não contou, vocês duas se olham. É um olhar intenso, um olhar com faíscas, paixão, desejo e amor. Amor, o que é o amor? Você não sabe e você não quer saber, não agora, porque não é sobre isso que são suas perguntas e não é dele que você quer que venham as suas respostas. Suas perguntas envolvem a pessoa que está sentada ao seu lado e você quer que as suas respostas venham dela, única e exclusivamente dela.

Passam se tempo, até que ela resolve falar e você se espanta, porque a menina de palavras entre vocês duas é você e não ela. Ela tem a atitude e você as palavras e juntas, vocês são uma combinação perfeita.

"Você não deveria ter corrido daquela forma." Ela ditou simples e você revira os olhos com isso, mas você pode ver que em seus lábio há um resquício de sorriso, um mínimo resquício, mas ainda sim há.

Você se pergunta mentalmente o que vai aconteceu agora. É que, veja bem, você e ela estão juntas, sentadas uma do lado da outra, aparentemente está também está molhada, mas se não estiver não liga para o fato de ficar.

O tempo passa. Não, ele não passa, ele corre. O tempo corre e parece que já se passaram uma eternidade desde que vocês duas estão assim até que ela se levanta e caminha lentamente alguns passos até parar. Ela gira nos calcanhares e se vira para você. Ela está sorrindo abertamente para quem quer seja, mas isso não importa, porque ela está simplesmente sorrindo, e você pode jurar que aquele é o sorriso mais lindo que você já viu em toda a sua vida.

Ela se ajoelha a onde parou e fica te olhando, e sem você perceber ela tem uma caixinha de veludo aberta em suas mãos que estão esticadas em sua diração. O conteúdo da caixinha nada mais é o que um par de alianças. Ela pigarreia e fecha os olhos, toma uma lufada de ar para seus pulmões e reabre seus olhos que se fixam em você.

A essa altura, vocês não perceberam, mas há várias pessoas olhando e chegando cada vez mais perto de vocês. Parece que a curiosidade daquelas pessoas acabou vencendo a chuva, mas espera ai, que chuva? Já não chovia mais desde que ela havia chego. Ela, sempre ela.

Ela olha para você a abri a boca uma porção de vezes, ela está tomando coragem para falar o que quer que seja e você sabe disso, porque você a conhece tão bem quanto a palma de sua mão.

"Bom, você me perguntou hoje mais cedo o que nós éramos, isso antes de você sair se xingando e correndo do nosso apartamento." Ela riu. Parecia estar falando mais para si mesmo do que para você. Ela tomou mais uma respiração e tornou a falar. "Eu não posso lhe dizer o que nós somos porque eu nem ao menos sei o que sou, não sozinha." Ela proferiu as palavras. Mais uma lufada de ar. "Porém, eu sei quem eu sou quando eu estou com você. Eu sou uma pessoa sorridente, idiota, boba e brincalhona. Eu sou uma pessoa feliz. Feliz como raras as vezes eu sou quando eu estou com outras pessoas a não ser com você."

Nesse momento você já está segurando suas lágrimas e você percebe que ela também já segura as suas. Você sorri tão abertamente e ela também sorri, mas continua na mesmo posição, porque uma coisa você observou: ela não havia acabado de falar e só por Deus, você sabe o quanto ela não gosta de ser interrompida quando fala, então você simplesmente balança a cabeça em sinal de positivadade e sorri, porque até então é só isso o que você sabe fazer.

"Eu amo o jeito que você ri de tudo e amo o som da sua risada, porque para mim ela é a música mais bonita que pode ser tocada. Eu gosto do timbre da sua voz, porque parece a voz de um anjo, o meu anjo. Eu gosto de como o meu nome soa por entre seus lábios e eu gosto do modo como você faz planos para o nosso futuro, e eu te garanto que irei gostar ainda mais quando eu for realiza-los com você." Ela coça a nuca com a mão livre. Ela está nervosa e sem jeito e você sabe disso. "Eu ouço as músicas que você gosta só para te sentir perto de mim, eu gosto de perder tempo fazendo nada com você. Eu gosto de você por inteira, eu gosto de você como um todo, eu simplesmente gosto de você."

Flashes por todas as partes, mas desta vez não era a fotografa e a sua musa, era todos em um conjunto capturando aquela lembrança, aquele momento, tornando mais inesquecível do que somente ele já era.

"Eu sempre me orgulhei da minha habilidade em formar uma frase. Palavras são na minha nada humilde opinião, nossa fonte interminável de magia. Elas são capazes de causar grandes sofrimentos e também alivia-los." Ela cita e Harry Potter, e você sabe disso porque você já viu todos os filmes com ela, pelos menos umas duas vezes por mês. Você revira os olhos por isso, mas mesmo assim não deixa de achar o que ela falou malditamente fofo, aliás, cada palavra que sai da boca dela é malditamente fofa, e você continua a sorrir feito uma boba apaixonada, porque, realmente, é isso que você é. Uma boba completamente apaixonada. E você se prepara para o que vem a seguir, porque da maneira como ela toma a respiração você tem uma remota ideia do que irá acontecer. Ela toma a ultima lufada de ar e a solta lentamente, se preparando para retomar a fala. "Voltando a ponto, você havia me perguntado mais cedo o que nós éramos e eu não soube lhe responder, mas então agora eu lhe pergunto, porque eu ainda não sei o que somos, mas eu sei o que eu quero que sejamos. Você, Lea Michele Sarfati,aceita namorar comigo?"