Love Me Like You Do - One Direction
8 Bárbara.
Segunda-feira, aula de geometria. Bárbara estava sentada a meu lado como sempre, porém não trocamos uma palavra sequer. Sentia seus olhos sobre mim, sentia o pedido de desculpas que ela me lançava indiretamente através daqueles olhos castanhos penetrantes que não saíam de cima de mim, não me deixavam em paz. Aquela situação me deixava desconfortável, mas eu não voltaria a falar com ela, não depois de ter ficado com Logan. No meu ponto de vista, aquilo era imperdoável. Tudo bem, Logan já tinha ficado com várias de minhas amigas, mas desta vez era diferente. Bárbara havia prometido que não ficaria com ele. Nós contamos uma para outra nossos maiores segredos, eu confiava nela. Contei sobre Paulo, sobre Harry, sobre Peter e até sobre Bia, a namorada de meu irmão que ficara no Brasil. Ela sabia que para mim Bia era insubstituível, que Logan nunca acharia ninguém melhor, que eles nasceram para ficar juntos. Então ela prometeu com um sorriso nos lábios que nunca iria ficar com ele, e que me ajudaria a guardá-lo pra Bia.
O sinal tocou e eu fui em direção a sala de artes cênicas. Minha aula preferida. Sentamos todos em uma roda, e eu fiz questão de me sentar longe de Bárbara, enquanto ela ainda me olhava, esperando pelo momento certo para falar comigo. Mas ela devia saber que não funcionaria, porque ela me conhece e sabe o quão cabeça dura eu sou. O professor começou a falar sobre a peça que teríamos no final do ano, Romeu e Julieta. Que clichê. Será que ele não tinha nada mais criativo para oferecer? Romeu e Julieta? Meu Deus. (não sei se mencionei, mas fazia teatro no Brasil, e já interpretei Julieta pelo menos 15 vezes, sem exageros). E outra, talvez tenha esquecido de mencionar, mas a palavra "mencionar" havia saído do meu vocabulário. Bárbara leu meu diário — me arrependo muito de ter deixado isso acontecer — e disse que isso precisava mudar. Pra ela, mencionar é um verbo muito forte e eu tive que concordar que o usava mais do que o normal, ou talvez mais do que o permitido. Então com sua ajuda consegui superar e finalmente parei de "mencionar" tudo que vinha a minha cabeça. E parando pra pensar, isso soou realmente estranho. Mas enfim, agora que cortei relações com ela, posso voltar a usar meu verbo preferido.
– Os testes começam semana que vem. Perguntas? — disse o professor ao final de sua explicação. — Nenhuma? Ótimo, espero ver todos vocês aqui semana que vem.
É claro que eu não faria o teste. Além de estar farta dessa peça, sou tímida e quero tentar me manter distante dos palcos por um bom tempo, ainda mais aqui, que não conheço ninguém, ou pelo menos não tenho intimidade com ninguém a ponto de atuar na frente deles. Então pretendo deixar Logan e mamãe sem saber disso, caso contrário seria obrigada a fazer parte. Mr. Smith continuou a falar da peça até o sinal bater, então todos fomos caminhando até a saída do anfiteatro, até eu sentir alguém me cutucar.
– Acho que precísamos conversar, né? — disse Bárbara quando finalmente olhei em seus olhos.
– Acho que não.
– Ah Amanda, pelo amor de Deus, não faça drama. — Ok, talvez eu estivesse fazendo um pouco de drama sim, mas promessa é dívida. Ela sabia o quanto o namoro de Logan com Bia era importante pra mim, só ela sabia. Talvez se eu nunca tivesse me aberto com ela, se eu nunca tivesse falado da Bia, e ela tivesse ficado com o Logan sem saber disso, eu não ligaria. Mas assim não. Eu me sentia traída por Bárbara, e graças ao tamanho do meu orgulho (mencionei que sou muito orgulhosa? acho que sim), não seria tão fácil conseguir minhas desculpas.
– Drama? Ah por favor Bárbara. Você prometeu! Prometeu! Você sabe o tamanho do valor de uma promessa?
– Eu sei Mandy, mas...
– Mas o que? Sabe, eu não ligo mais pra vocês dois. Pra mim tanto faz. Mas agora eu sei quem você é. Sei que não posso confiar em você. — disse e saí de perto dela, estava nervosa e sabia que o que eu estava fazendo era errado, mas mesmo que eu não estivesse certa, mais errada que eu, estava ela.
(...)
Cheguei a nossa mesa antes dela, aliás, nem sabia se ela apareceria ali. Torcia para que não. Louis, Eleanor, Niall e Harry estavam sentados conversando, enquanto Liam, Zayn e Logan talvez estivessem comprando algo para comer.
– Oi gente!
– Oi, Mandy! — Eleanor foi a primeira a responder. — E aí?
– Bárbara veio falar comigo hoje — bufei -, disse que eu estava fazendo drama.
– Bom, Mandy... Eu até que entendo, sabe. Afinal, ela não fez nada de muito errado, ela só ficou com seu irmão!
– Não, Eleanor, não foi só isso. Mas conversamos sobre isso depois. — Disse me sentando entre Niall e Harry, e provavelmente corando, porque não conhecia nenhum deles dois muito bem. Mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa, Peter apareceu.
– Oi linda. Olá todos vocês.
– Oi Peter! — Me levantei e o comprimentei com um beijo na bochecha.
– E aí, vamos sair hoje né?
– Vamos sim. Para onde vamos?
– Num restaurante italiano. Tudo bem pra você?
– OPA! PRA MIM TÁ ÓTIMO! — Disse Niall se levantando de sua cadeira e vindo em nossa direção. Ri do seu ataque.
– Niall! Deixa de ser bobo e os deixe em paz! — Brigou Eleanor.
– Ah Peter, pra mim está ótimo! — Disse quando vi Liam e Logan vindo em nossa direção.
– Olá vocês, olá casal. — Logan riu.
– Cale a boca Logan, não somos um casal.
– Ainda — Peter disse, e eu corei. Ou virei um pimentão, o que preferir.
– Bom... E... Cadê o Zayn?
– Já foi para a sala. — Respondeu Liam.
– Sério? Que estranho! Por que?
– Ele foi copiar a lição.
– Ah sim, entendi. Típico. — Todos rimos. E então o sinal bateu, e cada um se dirigiu para sua respectiva sala.
Filosofia, legal. Bom, pelo menos Bárbara não tinha ido sentar conosco no intervalo. Pelo menos ela teve esse bom senso. Cheguei na sala e ela ainda não estava lá. Sentei-me para esperar a entrada do professor, o que logo aconteceu. Estranhei porque Bárbara ainda não havia entrado. Mas logo ouvi batidas na porta.
– Desculpe-me professor.
– Tudo bem, srta. Vergas, mas sente-se.
– Obrigada.
Antes de sentar, ela sorriu para mim. Manti a expressão séria. E as aulas foram passando, até o sinal tocar novamente.
Saí da sala e fui em direção a nossa mesa. Só que dessa vez, Pamela estava lá. Bárbara e eu costumávamos falar mal de Pamela, porque geralmente pessoas decentes não ficam com 7 na mesma noite e não vão para escola com shorts tamanho calcinha. Era engraçado lembrar desses momentos, porque nós somos idiotas e apelidamos Pamela como "a garota dos meninos que usa short-calcinha", e até escrevemos uma música para ela, que era mais ou menos assim.
você, usa um short, que é menor que a calcinha.
a mamãe, deve estar, orgulhosa, da filhinha.
ainda mais, com os garotos que andam atrás de você.
abre o olho, se não vai ganhar um bebê!
E no ritmo de Hot 'n' Cold, então era realmente engraçado. Mas eu precisava tirar isso da minha cabeça antes de me sentar, porque era impossível olhar para a cara dela sem rir. Impossível.
Eu realmente estou avançando. Sentei-me e conversei naturalmente com Pamela, sem desejar sua morte em momento algum. Apenas fazia piadas (que ela não entendia) sobre sua lerdeza e burrice e lerdeza e mais burrice com Harry, que ria como um louco. Vai entender, né.
O sinal tocou então voltei para a aula de biologia. O que me reconfortava é que era a última, então logo iria embora. Para o meu encontro com Peter. E por incrível que pareça, eu ansiava pelo momento. Sem forçar. Ansiava naturalmente por aquilo. E talvez por causa disso, a aula de biologia demorou a passar. Muito. Não aguentava mais ouvir a voz da professora, que por sinal era realmente irritante. Mas depois de longos 50 minutos, o sinal salvador bateu. E eu saí da sala para me encontrar com Peter.
Notas finais
Escrevi esse capítulo ouvindo Rock Me, e senti que ele ficou meio curto, mas pretendo postar mais um amanhã!
Muito obrigada de verdade por cada review, isso significa MUITO pra mim! Então é isso, aproveitem e espero que vocês tenham gostado, qualquer coisa estou no twitter, @jelenas1d
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