Love Me Like You
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Mathew encarava a face da irmã enquanto ela o olhava abobada. A garota balançou a cabeça tentando colocar os pensamento em ordem, e assim que o fez, protestou:
— Para onde? — Lottie pergunta mordendo uma bala de alcaçuz.
— Vamos fazer trilha lá nas terras do Vovô. Papai deixou concordando que levássemos tudo o que fosse preciso caso nos machucássemos. Achei um bom lugar para conversarmos sem sermos interrompidos. — Matt sorri e entrelaça seus dedos aos da irmã sobre o câmbio de marchas do carro.
Ambos chegaram na fazenda próximo do anoitecer. Como o sol ainda demorava um pouco a vir, eles decidiram já se aventurar pela mata. Seus tios não vinham na casa dos avós já fazia uns oito anos, e a casa já estava caída demais para ser usada. Os pais pretendiam reformá-la, mas ficam adiando e adiando. O silêncio era algo tão maravilhoso que Lottie podia ouvir até o mais sutil dos sons. Ela trocou as roupas por calças de corrida, tênis e uma camiseta mais confortável. Matthew havia feito o mesmo. Eles correram até a base do morro e dali em diante foram caminhando, ultrapassando pedras, linhas de lama, galhos caídos, árvores. Quando chegaram ao cume do morro, Lottie avistou um lago logo abaixo, na outra extremidade. Matt convenceu-a a correr até lá e sem livrar-se das roupas ou nada, eles se jogaram e nadaram até ser noite demais, tarde demais.
— Devíamos voltar para a picape. — Lottie comentou tirando a água que escorria por seu rosto. – Mamãe nos mataria caso soubesse.
— Mamãe não está aqui. Ela não pode estragar nosso momento. Papai contou o que ela te disse. — Matt falou nadando até estar próximo o suficiente da irmã para sentir sua respiração.
— Não quero falar disso. Não estrague nosso momento Matt. — Ela abraçou-o apoiando os braços em seus ombros.
— Não falarei. Vamos voltar a picape, tenho nosso jantar. Depois podemos fazer mais alguma coisa. — Ele selou os lábios na ponta do nariz da irmã, e beijou. Ela sorriu envergonhada, e juntos saíram do lago. No dia seguinte era provável que andariam até ali novamente, só para aproveitar mais um pouco daquele pedaço do paraíso.
Ouvindo histórias engraçadas de Matt, Lottie foi guiada na escuridão até o carro, e trocou de roupas, trocando tudo por um moletom de Matt, os shorts pretos e os tênis. Ele vestira calças jeans, e uma camisa de mangas longas azul. Eles dividiram dois pacotes de Oreo e duas latas de Coca-Cola, e quando terminaram de comer Matt convenceu-a a ouvir músicas no celular e dançar com ele.
— Vamos. Eu escolho uma música, e depois você faz o mesmo. — Matt pulou da caçamba da camionete rindo.
— Não! Sou péssima dançarina. — Lottie exclamou negando com a cabeça.
— Caramba Lot! Nunca estamos sozinhos para fazer essas coisas! Você vai morar a treze horas de distância de mim! Preciso de memórias com você, preciso ter coisas a lembrar quando a saudade estiver me consumindo. — Matt falou puxando-a.
— Não precisa me lembrar. Eu não sei como vou aguentar tanto tempo longe de você. — Ela encarou o chão e evitou as lágrimas. — Precisa prometer que conversaremos todos os dias, e que não namorará mais do que quatro meninas por ano. — Lottie estendeu o dedinho para o irmão.
— Vai ter que prometer que não namorará ninguém ruim. E eu tenho que aprovar. — Matt entrelaçou o dedo no dá irmã.
— Você nunca aprova ninguém. — Lottie comentou sorrindo.
Ambos se entrelaçam e dançaram enquanto a música Soldier of Love do Pearl Jam tocava. Matt ria enquanto cantava a letra de cor no ouvido da irmã. Era quase a música deles. Eles preencheram o silêncio da fazenda com risadas. A música ecoava por todos os lados e naquele instante, Matt e Lottie se sentiram completos. Completos de uma forma que não conseguiam expressar em palavras. Seus olhos analisavam tudo que transmitiam um ao outro. Era amor, paixão, promessas. Tudo em silêncio. Não precisavam falar para se entender. Matt aproximou-se aos poucos, e quando Lottie percebeu o que o irmão estava prestes a fazer, ela virou o rosto. O garoto bufou e soltou-a.
— Matt, eu... — Ela tentou.
— Não. Não diga nada. Eu sei. — Ele falou encarando as mãos.
— Nós já tentamos quando éramos mais jovens. — Ela o abraçou pelas costas apoiando o rosto no meio da massa lombar.
— Mas nós crescemos, e isso — Ele apontou para ambos — só cresceu.
— Eu te amo Matt, droga como te amo, mas não podemos. Isso não é certo. Somos irmãos, precisamos de novas pessoas na vida. Nossa relação nunca vai mudar, mas isso — Ela apontou para ambos, imitando-o — não pode existir.
Matt não discutiu. A rejeição dela era um mágoa suficiente para alimentá-la mais. Eles gastaram mais algum tempo rindo, e dançando, e quando finalmente decidiram dormir, já era tarde. Matt arrumou a cama na caçamba da picape e abraçados eles dormiram. As únicas coisas que poderiam testemunhar aquele momento, eram eles e as estrelas que sobre suas cabeças, os abençoavam. Cada uma delas brilhando, iluminando-os. Lottie se virou para o peito do irmão quando já achou que ele estivesse dormindo, e selou seus lábios ao dele. Amava-o, mas nunca diria a ele quanto. Matt por outro lado, só fez encher-se de alegria e guardar aqueles segundos num espaço bem grande de seu coração.
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