Love Me
1 Love Me

Eu me perdi com medo de perder você
Eu gostaria de não ter perdido, mas eu perdi
Eu perdi minha própria, a minha própria identidade
Esqueci que você me escolheu por ser eu
A dor saia dela por meio das lágrimas. Ela não queria admitir que tivesse feito aquilo, que tinha se perdido dela mesma com medo de perdê-lo. Que não sabia mais quem era, que olhava no espelho e tudo que via era uma garota vazia por dentro. Ela tinha se tornado o ditado preferido da vó – “Por fora bela viola, por dentro pão bolorento” – e simplesmente não estava mais suportando aquilo. Ela havia esquecido, esquecido que ele havia escolhido-a por ser quem era. Ele. Era tudo por ele.
“– Você me ama? – ela perguntou, entrelaçando seus dedos nos deles enquanto eles andavam descalços na praia. O garoto virou o rosto para ela, que olhava perdidamente para o horizonte.
– Não seja boba, Rosie. É claro que eu amo.”
Mas agora, eu não negocio com as inseguranças
Elas sempre parecem obter o melhor de mim
Eu descobri que eu tinha que me amar, do jeito que eu quero que você
Me ame
A garota se levantou do degrau duro de pedra e começou a caminhar pelo jardim, que tinha plantas altas formando um labirinto. Ela sempre amou aquele lugar, principalmente o labirinto, que era enfeitiçado para que a saída sempre mudasse de lugar. Ela teve de erguer a barra do vestido longo e cheio vermelho. Chutou os saltos para o lado e entrou no labirinto, sentindo a entrada se fechar atrás dela, como quando ela era pequena e suas primas mais velhas ficavam gritando do lado de fora enquanto a entrada se fechava, sempre desesperadas que ela não achasse o caminho. O primeiro beijo deles fora ali.
“– Tens certeza que não tem ninguém vindo? – ela perguntou, baixinho. Céus, se o pai lhe pegasse ali... Ela com certeza ficaria de castigo até os 30 anos. O garoto sorriu para ela, aquele sorriso dele de canto e sedutor.
– Por que tão nervosa, Rosie? A menininha do papai está com medo de decepcioná-lo?
– Ora, venha cá e eu lhe mostro quem é a menininha do papai. – ela disse, com raiva. Mas sorriu em seguida, puxando-o pela camisa e ficando na ponta dos pés, beijando-o.”
Não mais como segunda escolha
Não, não há mais questionamento
Eu serei o único que define
Quem eu vou ser
Ele reclamara do quanto ela havia mudado. Ela não repetiria esse erro. Agora ela seria a única que definiria quem ela seria. Ela seria a Rosie. A sua Rosie. Aquela que ele amava, aquela que todos amavam, aquela que ela era, aquela que ela fingiu deixar de ser, aquela que ela nunca deixaria de ser. Ela seria ela mesma.
“– Uma rosa para outra. – ele disse, estendendo-lhe uma única rosa azul. Ela sorriu e ergueu as sobrancelhas para ele.
– Você roubou isso do vaso da mesa de jantar de tia Fleur? Ela vai notar e vai te matar.
– Eu dei um jeito. – eles riram e ela aproximou a flor do nariz, aspirando seu cheiro delicado. Em seguida ouviram o grito da tia deles, e ela o olhou, arqueando ainda mais as sobrancelhas. O garoto fez uma cara de desgosto e lhe depositou um simples beijo, antes de se virar e correr para dentro da casa. E ela ficou ali, rindo baixinho.”
Sem esconder os sentimentos
Ou mudando conforme as estações
Eu vou amar a mim mesma, do jeito que eu quero que você
Me ame
Rose puxou a varinha e murmurou algo enquanto passava-a por toda a saia do vestido, que imediatamente caiu a seus pés, deixando-a somente com metade da saia, que agora não tocava mais o chão, mas sim os joelhos desnudos da garota. Rose começou a correr a procura da saída, sorrindo como nunca, enquanto soltava o cabelo e arrancava seus outros acessórios. A garota sentia seu coração bater forte, enquanto ela virava à direita, observando o garoto no final do labirinto. Correu mais rápido, como nunca correra, e o observou abrir os braços, enquanto ela tomava impulso e pulava no abraço dele, sendo apertada de leve imediatamente, enquanto eles rodavam, o vento batendo contra eles, os lábios se aproximando e se tocando, iniciando um beijo selvagem. A luxuria do momento era tanta que podia ser sentida ao redor deles. Quando finalmente se afastaram e ela sentiu os pés tocarem o chão, sorriram um para o outro.
– E então? – ele perguntou.
– Eu decidi. Eu não vou mais esconder meus sentimentos ou ficar mudando conforme as estações. Eu vou ser a Rosie. Eu vou amar a mim mesma, do jeito que eu quero que você me ame. – ela disse, e o garoto sorriu, enlaçando a cintura da garota e beijando-a profundamente, soltando-a em seguida e puxando-a pela mão, enquanto andavam em silêncio pelo jardim da tia, voltando até a entrada do labirinto, pegando os sapatos dela, e ele a pegou no colo. – Alvo! O que é isso? – ela gritou, rindo.
– Só estou treinando para o dia do nosso casamento. – ele disse, enquanto ela sorria e abraçava-o, colocando o rosto na curva do pescoço de Alvo.
Não mais como segunda escolha
Não, não há mais questionamento
Eu serei o único que define
Quem eu vou ser
Sem esconder os sentimentos
Ou mudando conforme as estações
Eu vou amar a mim mesma, do jeito que eu quero que você
Me ame
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