Love Live! Rebellion!!
9 Kimiko
Notas iniciais
— Senhora, se importa se eu tentar falar com ela? – Julia se levanta.
— Não me importo, mas eu não acho que ela vai querer conversar com alguém. – Ruiko responde.
— A senhora disse que foi na nossa apresentação ontem, né? – Julia pergunta e Ruiko responde com um balançar de cabeça. — A Kimiko viu a apresentação também?
— Sim, mas apenas por um vídeo que eu gravei no celular.
— Ela chegou a dizer o que achou?
— Ela me mandou uma mensagem dizendo que havia adorado e que sentia pena por não ter conseguido sair do quarto para ir comigo. – Ruiko sorri melancolicamente.
— Onde fica o quarto dela?
— É a primeira porta subindo a escada. – Julia então começa a ir em direção ao quarto da garota.
Julia não podia ficar parada sabendo dessa situação. Ainda mais quando ela viu Kimiko fugir da escola e não fazer nada para ajudar por estar presa ao mundo sem cores que vivia na época. Após chegar ao local indicado pela mãe da garota, Julia bate na porta.
— Kimiko Akatsuki? Está aí? – Julia escuta um gritinho assustado de dentro do quarto. — Eu sou Julia Akutagawa, líder da [Re]:Heart, o grupo de idols escolares do colégio Sakuranomiya.
— Eh?! Sério?! – a voz pergunta.
— Sim! E não apenas eu estou aqui, a Erika que dançou comigo e a Moe que faz o trabalho por trás dos panos também está aqui. – Julia responde com entusiasmo. — Soube que assistiu nossa apresentação e que adorou, então muito obrigada pelo apoio!
— Ah, n-não foi nada... – a voz começa a se aproximar da porta. — Mas o que você está fazendo aqui?
— Eu vim a pedido de uma professora, mas quando soube que gostou da nossa apresentação e me senti na obrigação de vir agradecer, já que não pode ouvir meus agradecimentos pessoalmente.
— Julia-senpai, o que está fazendo? – Erika perguntou bem baixinho e de longe.
— Deixa comigo. – ela responde no mesmo tom de voz.
— C-Com licença... Vocês pretendem fazer mais shows?
— Com certeza nós vamos! – Julia responde. — E vai ser um maior do que outro, nós vamos cantar e dançar até que nosso brilho alcance o mundo inteiro!
— I-Incrível! – ela parecia mais empolgada.
— Espero que você esteja nos próximos, até mais. – Julia começa a se virar para ir embora.
— E-Espere... – a porta então se destranca a garota começa a aparecer pela pequena fresta da porta aberta. — V-Você pode m-me dar seu a-autógrafo?
Erika, Moe e Ruiko se surpreendem por Julia ter conseguido fazer Kimiko abrir a porta do quarto, principalmente Ruiko por ver sua filha fazer algo que em semanas ela não pode fazer. Porém Julia estava muito mais surpreendida, mas não pelo que fez e sim por um motivo que fez com que seu coração acelerasse e seu corpo queimasse mais que uma febre.
— Que... – Julia não conseguia formular a palavra direito, mas ela estava presa em sua mente. — Que fo... QUE FOFA!
— N-Não pode? – Kimiko encara Julia desapontada.
— Ah! N-Não é isso... E-Eu... Sim, eu posso! – Julia responde ao ser pega de surpresa.
— Espera um pouco, por favor! – Kimiko abre um sorriso e corre para seu quarto, derruba algumas coisas e volta com um papel e uma caneta na mão. — Aqui, por favor!
— Sim... – Julia pega o papel e a caneta e fica encarando a folha em branco até que se vira para onde Moe e Erika estavam. — Como que se dá um autógrafo?
— Eh? – a surpresa quase derruba as duas.
— É sério, eu nunca fiz antes e não quero fazer feio na primeira vez. – Julia reclama.
— É só escrever seu nome, senpai. – Erika pega o papel e a caneta e escreve seu nome na folha. — Viu?
— Foi fácil porque sua caligrafia é bonita. – Julia fica emburrada e então escreve seu nome com o alfabeto romanizado. — Assim fica bem mais a minha cara!
— Para escrever assim sua letra é bonita. – Moe brinca ao ver a escrita de Julia.
— Não enche!
— M-Moriko-senpai, você também, por favor! – Kimiko diz.
— Hã? Eu? – Moe fica confusa.
— Sim... – ela fica envergonhada. — O seu... Figurino... Estava... Muito... Lindo... É... Eu gostei bastante... Então se puder autografar também...
— Não acho que isso seja tão merecedor, mas tudo bem. – Moe pega o papel e assina. — Aqui!
— Ah, obrigada! – ela abre um sorriso radiante.
— Que fofa! – as três se derretem pela fofura da garota.
Diferente da mãe, Kimiko é bem baixinha. Tem cabelos igualmente ondulados, porém eles são menores que os de Ruiko. Seus olhos eram carmesins, porém menos brilhosos e suas sobrancelhas eram grossas. Ela estava vestida num pijama rosa e usava uma tirava com orelhas de gato da mesma cor que o pijama.
— Eu posso... Apertar a mão de vocês? – Kimiko pergunta ainda sorrindo.
— Sim! – Moe e Erika respondem.
— Hã? Sim, eu acho. – Julia não entendia os costumes de idols ainda.
Ela aperta a mão das três como se aquele fosse o dia mais feliz de sua vida e de certa forma, era. Ela esteve trancada desde o dia em que havia sido agredida na escola, então saber que havia idols em sua escola e que elas haviam vindo visita-la até poderia ser considerado como a melhor coisa que já aconteceu com ela.
— Ei, que tal tirarmos uma foto juntas? – Moe sugere.
— Hã? Foto? – Kimiko se surpreende com a proposta.
— É uma boa ideia! – diz Erika.
— Concordo! – Julia se vira para onde Ruiko estava. — Senhora, pode tirar uma foto nossa?
— Sim! – Ruiko pega um celular do bolso de seu pijama. — Façam uma pose.
— Ok! – todas se posicionam atrás de Kimiko que ainda confusa abre um sorriso.
— E... Foi! – disse Ruiko. — Ara, ficou muito boa.
— Deixa a gente ver. – as três correram para ver a foto.
— Eu... Eu estou muito feliz por poder conhecer vocês... – os olhos de Kimiko se enchem de lágrimas. — Eu queria ter ido na apresentação... Quando a mamãe me contou que idols fariam uma apresentação na escola... Eu fiquei super empolgada, mas... Eu estava com muito medo... – ela começa a chorar. — Por que elas foram tão más comigo? Eu nunca fiz nada pra elas... Eu só queria ir pra escola e ter uma vida normal! Por que elas fizeram aquilo comigo? – Kimiko cai sobre os joelhos, enquanto chora muito alto. — Aquilo doeu muito!
Julia rapidamente corre e abraça a garotinha e de tão forte que foi o abraço, ao sentir a demonstração de afeto da garota que acabará de conhecer, Kimiko simplesmente derramou todas as lágrimas que podia.
Quando criança, Julia era maltratada pela cor de sua pele e de seu cabelo, ela achava que era horrível ser diferente das demais, porém uma garota que estudou com ela mostrou que não era ruim ser diferente e sim, muito bom. Ayaka Kagamine, esse é o nome da primeira amiga que Julia fez em sua infância, mas elas nunca mais entraram em contato depois que Julia se mudou para os Estados Unidos.
— Kimiko-chan, você precisa ser forte. – disse Julia. — Eu e as meninas estamos aqui, então você pode contar com a gente para qualquer coisa. Entendeu?
— Sim... Obrigada... – aos poucos ela ia cessando o choro.
— Filha, por que não nos conta quem foi que te machucou? – Ruiko se ajoelha ao lado de Julia e Kimiko. — Assim a gente pode contar para os professores delas e eles irão tomar alguma medida sobre isso.
— Sim... – Kimiko responde ainda limpando as lágrimas e fungando muito. — Foram a Aogamine-senpai, a Hikasa-senpai e a Mimori-senpai.
— De novo elas?! – Ruiko pergunta irritada.
— Sim... Elas disseram que se eu contasse, elas fariam pior da próxima vez.
— Quem são essas? – Julia pergunta, claramente tão irritada quanto a mãe de Kimiko.
— Eu conheço elas. – disse Moe. — Elas são do segundo ano, turma E.
— Essas delinquentes maltratavam ela no fundamental. – Ruiko responde. — Nós havíamos contado para os professores e para os pais delas, como elas maltratavam muita gente, elas foram forçadas a mudar de escola. Pelo visto não adiantou nada.
— Entendo. – Julia se levanta. — Kimiko-chan, vamos ser amigas, sim? Não só eu, mas a Moe e a Erika também.
— Sim! – disse Moe. — Quando você voltar para a escola, vamos almoçar juntas todos os dias!
— E quando nosso clube for oficializado, você vai poder acompanhar de perto todas as nossas atividades. – disse Erika. — Isso se não quiser se juntar a nós.
— Eu posso? – Kimiko pergunta.
— Sim! – Julia responde. — Como futura presidente do clube de idols escolares, você está oficialmente aceita como nossa quarta membra!
— Obrigada! – ela volta a chorar, mas dessa vez de felicidade.
— Me passa o número do seu celular, eu vou te mandar mensagens sobre qualquer coisa que acontecer com nosso clube, até você voltar. – disse Julia.
— Certo!
Após trocar números com Kimiko. O grupo se despede da garota e de sua mãe e depois vão embora. No caminho, Erika e Moe ficam importunando Julia pela incrível atitude que ela teve ao fazer a garotinha sair do quarto, o que claramente irritou ela e a fez perseguir as amigas por parte do caminho.
...
No dia seguinte, Aogamine, Hikasa e Mimori receberam um carta cada para que se encontrassem num determinado lugar atrás do ginásio do colégio.
—Hikasa e Mimori? – Aogamine perguntou. — O que fazem aqui?
— Eu que pergunto, eu recebi uma carta dizendo para vir aqui sozinha. – Hikasa responde.
— Eu também recebi. Quem será que mandou? – disse Mimori.
— Oh, estão todas aqui. – disse Julia ao se aproximar das garotas. — Fui eu quem as chamou aqui!
— Espera, você não é aquela idol que fez um show aqui no domingo? – Mimori pergunta. — É Akutagawa seu nome, não?
— Sim! – Julia responde com um sorriso.
— Incrível! – Hikasa se empolga.
— Seu show foi super legal! – Aogamine responde. — Posso apertar sua mão?
— Mas é claro que pode! – Julia responde oferecendo a mão para a garota. — Mesmo que eu não entenda o porquê de vocês fazerem isso com as idols.
Aogamine limpou sua mão no blazer de seu uniforme e foi toda feliz apertar a mão de Julia. Porém quando Julia estava prestes a pegar a mão da garota, ela moveu seu braço em direção da gola da garota e puxou com força, em seguida deu uma cabeça com muita força em Aogamine que caiu no chão confusa e com muita dor.
— Ai! O que pensa que está fazendo?! – Aogamine grita.
— O que eu estou fazendo? – Julia a agarra novamente e a joga em cima de Mimori. — Se quiser que eu te peça desculpas por isso, saiba que não irei, pois uma cabeçada dói tanto em mim quanto em você.
— Você só pode estar maluca! – Hikasa tenta fugir, mas Julia acerta um chute em sua canela que a faz cair e deslizar um pouco na grama.
— Agradeça que apenas te derrubei. – Julia a puxa pelos cabelos e a joga em cima das outras.
— Por que está fazendo isso com a gente?! O que nós te fizemos?! – Mimori pergunta assustada.
— O que fizeram pra mim? – Julia segura o rosto da garota. — Vocês simplesmente são a escória dessa escola, e eu odeio gente igual a vocês.
— Do que está falando?! – Aogamine tenta acerta um soco em Julia, mas ela desvia e em seguida acerta uma joelhada no estômago da garota que cai de joelhos com uma das mãos e a outra usando de apoio para o corpo.
— Do que estou falando? – Julia pisa na mão de Aogamine que grita de dor. — Vocês não acham isso engraçado?
— Que graça? A gente nem te fez nada! – Hikasa grita.
— Não fizeram. Não a mim. – Julia afasta Aogamine com o pé. — Só que acredito que vocês devem ter rido muito após maltratar a coitada da Kimiko Akatsuki.
— Você conhece ela?! – Mimori pergunta.
— A gente só zuou com ela, não precisa disso. – disse Hikasa.
— Só zuaram? – Julia pisa no estômago da garota. — Vocês sabiam que não só zuaram ela, mas como também a machucaram? E por causa de vocês ela ficou com medo de sair de casa novamente. – Mimori tenta fugir, mas Julia a agarra e acerta dois tapas em seu rosto. — Vocês traumatizaram uma garotinha inocente! Ela chorou tanto que parecia que iria se desfazer nos meus braços!
— A gente pede desculpas para ela, só não faz mais nada com a gente! – disse Aogamine que se rastejou até perto das outras garotas.
— Tenho certeza que quando ela implorou para que vocês parassem, vocês só continuaram. – Julia estrala os punhos. — Agora eu vou fazer vocês pagarem por mexerem com aquela garotinha e como um bônus, vou mostrar como a gente lidava com valentões lá em Detroit. E se contarem para alguém... Na próxima vai ser pior!
Naquele mesmo dia, Kimiko recebeu uma mensagem de Julia. Nela estava anexado um arquivo de vídeo e com um texto que dizia: “Veja Kimiko-chan, fiz novas amigas!”. Porém o conteúdo do vídeo era totalmente diferente do que a mensagem aparentava ser.
— Yo, Kimiko-chan! – dizia Julia que aparecia no vídeo. — Veja as minhas novas amigas. – Julia move a câmera do celular e foca nas três garotas que maltrataram Kimiko, porém elas estavam ajoelhadas, cheias de arranhões e hematomas pelo corpo. — Vão! Se desculpem com ela!
— Akatsuki-san! Nós sentimos muito por termos te machucado! – as três gritaram, enquanto se curvam e colocam a cabeça no chão. — Nunca mais vamos incomodar você e nem ninguém!
— E o que mais? – Julia pergunta.
— Prometemos fazer qualquer coisa por você para compensar! – elas começam a chorar de fininho. — Então por favor, nos perdoe!
— Excelente! – Julia volta a câmera para si. — Bem, era isso. Até mais, Kimiko-chan!
E o vídeo se encerra.
Pela forma como as garotas estavam e pela jeito que estavam assustadas com Julia, ela deduziu que no mínimo sua veterana mostrou a elas como uma delinquente norte-americana age.
— Poxa senpai, não precisava ter feito isso. – ela digita no celular. — Obrigada pela ajuda.
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