Love Is a Secret
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Notas iniciais
Já faz um mês desde que as aulas começaram. Meu corpo já se acostumou com o ritmo de acordar quase que seis horas da manhã todo dia. Estamos sentados na escadas que levam para o segundo andar do colégio. As turmas do período da manhã não tem acesso ao segundo andar, então ninguém fica passando aqui. Por isso, na maioria das vezes, sentamos aqui enquanto a aula não começa ou na hora do intervalo mesmo.
Louis está ao meu lado mexendo no celular. Taylor está conversando super alto com Drake. Drake está fingindo que está escutando ela. Jake está tentando puxar papo com Louis. Alex está aos beijos com Michael. E eu estou parada a olhar para um ponto fixo qualquer.
"Podíamos sair esse fim de semana." Drake diz rapidamente, querendo fazer com que Taylor parasse de tagarelar em sua cabeça.
Uma nova discussão sobre o lugar da festa começa. Ainda estou parada, olhando para um ponto fixo pensando e pensando. Pensando em qualquer coisa. Em teorias das minhas series favoritas e filmes. Pensando em qualquer coisa. Apenas pensando.
"Diana." Escuto alguém me chamar, mas meus olhos ficam presos ao ponto imaginário.
"O que você quer, moleque?" Escuto a voz da Taylor. Pela sua entonação de irritação já deu pra saber quem é que está me chamando.
Finalmente, consigo tirar meus olhos e minha atenção de uma palmeira que eu acabei de ver. Olho para minha frente e o novato está parado. Discutindo com a Taylor. Que atrevido! Bater boca com a Taylor é uma escolha péssima, já que todos sabemos que isso não vai dar em nada.
"O-oi." Digo ao garoto. Desço alguns degraus da escada e chego até o garoto. "Já volto, gente." Empurro o garoto para onde (talvez) ele não possa ser visto pelo meu grupo.
"Acho que daqui podemos conversar sem que Taylor e seus comentários maldosos te alcancem." Digo, sorrindo.
"Oh." Ele ri.
"Bem... O que queria comigo a essa hora da manhã, cara?"
"Eu vi seu nome naquela lista de alunos que se oferecem para dar reforço para novatos ou alunos que tem dificuldades. Então..."
"Você precisa de ajuda?" O interrompo e completo sua frase.
"S-sim. Preciso. Na minha antiga escola não haviam tantas lições ou tantas provas seguidas umas das outras. É a matéria de Física está horrível. Esse é meu primeiro ano que eu tenho Física e essa matéria tá acabando comigo."
"Tudo bem, tudo bem." Sorrio. "Eu posso te ajudar, se foi isso que veio pedir ou perguntar." Digo, naturalmente.
"Sério? Pensei que você ia fazer chacota e rir. Sei lá. Esperava isso de vocês, 'Os Populares'." Ele diz e faz aspas imaginárias no ar.
"Olha, não me chama mais disso, tá? Estou te pedindo, por favor não me chama mais de 'popular' ou que eu pertenço a um grupo com esse nome. Eu sei que muitos o chamam assim, mas eles são meus amigos." Me segura psicologicamente para não falar mais.
"Tudo bem. Me desculpe." Ele diz e rolha pra baixo. "Você pode me passar seu celular? Para marcarmos quando você pode me ajudar. O que ficar melhor para você, eu topo."
"Tudo bem, tanto faz." Digo e cito meu número, enquanto ele aperta as teclas do celular, o salvando em sua lista de contatos.
"Obrigado. Eu sei que foi meio estranho eu te chamar assim, do nada. Mas não me leve a mal, eu só estou precisando de ajuda."
"Fica de boa, cara. Você não é o primeiro a me pedir ajuda. A senhorita Ginger passou nas suas salas avisando sobre essa aula de reforço ou o que? Por que ela fez isso quando eu era do Primeiro Ano." cruzo os braços e rio.
"Sim, mais ou menos. Ela disse que se estivéssemos interessados podíamos ir a secretaria e pegar a listinha com os nomes dos interessados a ajudar. Aí eu vi o seu lá e lembrei do milkshake que derrubei em você e resolvi te escolher. Até mesmo por que você foi uma das únicas pessoas do Terceiro Ano que foi simpática comigo, ou que trocou algumas frases." Ele diz e dá um sorriso tímido.
"Ah sim. Me diz uma coisa: qual é o seu nome? Você não o disse até agora."
"É Brian Stone, mas me chame só de Brian, por favor."
"Ok, tudo bem, Brian Stone." o provoco e sorrio.
O sinal toca e eu me despeço do garoto que agora sei o nome. Vou até meu grupo que ainda não moveu um músculo para irem até suas respectivas salas de aula, e me despeço. "Hum, você virou amiguinha do nerd novato idiota, agora?" Taylor solta esse comentário quando dou-lhe um abraço. Respondo apenas com um riso e vou direto para minha sala de aula. Me sento na carteira e simultaneamente, o professor de química chega, coloca suas coisas em sua mesa e começa a explicar aquela matéria horrivelmente chata. Me pego encarando o quadro pensando no último episódio lançado de minha série favorita.
Chego em casa e me deparo com Richard sentado no meu sofá. Mas o que ele está fazendo aqui? Fecho a porta e fico parada o encarando. Ele finalmente nota que tem alguém parado na porta o encarando e se vira para mim. Ele dá aquele sorriso que só ele tem. Minha barriga começa a criar pequenas borboletas que estão, agora, fazendo um passeio por lá.
"Pensei que você nunca iria chegar." Richard diz.
"Aqui está. Aceita um pouco de leite?" Minha mãe aparece com uma xícara de café. Quem toma café na hora do almoço?! "Querida, você chegou!" Minha mãe me olha, feliz e sorridente.
Será que ela não se lembra das coisas que eu contava para ela sobre Richard? Faz três anos que ele sumiu. Ele simplesmente saiu da escola onde eu estudo, atualmente, e foi morar na sua cidade natal. Sem dar notícia. Eu passei um bom tempo ainda pensando nesse sujeito desde que ele foi embora sem dizer nada. Simplesmente, se foi.
Mas que caramba ele tá fazendo aqui?! Sentado no meu sofá, tomando café servido pela minha mãe. Mas o que tá acontecendo aqui?! penso.
"Senta aqui." Richard diz e bate com a mão em um lugar vago no sofá. Vou até ele e me sento no sofá que fica de frente para o que o sujeito está sentado.
"Mãe, você pode nos deixar a sós só por alguns minutinhos, por favor?" digo sem tirar os olhos de Richard. Ele está tão charmoso como sempre achei. Minha mãe se retira da sala, nos deixando sozinhos.
"Por que veio aqui? Por que voltou desse jeito? Não estou entendo mais nada. Por que você está na minha casa, pra começo de conversa?" Digo, com a voz um pouco alterada.
"Olha, eu vim pedir desculpas. Perdão. Por que eu reconheci o erro que eu cometi com você. Eu fui idiota, eu sei. Mas... Mas eu quero voltar a ter aquela amizade com você. Ou até mesmo... Algo mais... Como você sempre quis." Quando ele acaba de dizer cada pelo de meu corpo se arrepia. Meus olhos se enchem de lágrimas e eu começo a relembrar cada conversa na madrugada que tive com esse rapaz.
"Olha. Eu te perdoo. Eu sei que errou mas..." Digo e me calo. Encaro o piso e começo a tentar achar as palavras corretas para completar essa minha frase.
"Mas o que?" Ele diz, calmamente. Aquilo me deixa mais ansiosa ainda. Richard foi minha paixão desde meus doze anos de idade. Nós éramos muito amigos. Conversávamos até cinco horas da manhã assuntos idiotas ou banais. Sinto falta disso, mas eu superei isso há dois anos e meio.
"Mas o que? Por favor me diz alguma coisa, não fica calada, cara." Richard diz.
"Mas nada! Eu não sei. Eu estou muito confusa." Digo, não querendo olhar em seus olhos. Aqueles olhos tão negros.
"Olha pra mim." Ele se ajoelha na minha frente e segura meu queixo. Observo aqueles olhos verdes com tanta atenção e saudade.
"Eu não posso." Digo baixinho. Meus olhos se enchem de lágrimas, e elas começam a rolar sobre minhas bochechas.
"O que?" Ele diz, pegando meu rosto e o aproximando do meu.
"Eu não posso, cara. Desculpa, mas não posso fazer isso comigo."
"Cara, para com essa palhaçada. Tudo que você sempre quis nessa porcaria de vida foi ficar comigo. Por que você tá dando uma de orgulhosa agora e não quer assumir os fatos. O fato, pra ser mais específico." Richard diz e solta meu rosto. Ele começa a aumentar o tom de voz comigo. "O fato de ainda gostar de mim. Você passou metade do seu ensino fundamental e quase todo o seu ensino médio me procurando, querendo refazer a amizade. E agora? Cara, para de ser estúpida!" Ele grita comigo e a única reação que eu consigo ter é a de bater nele. E foi isso o que aconteceu. Minha mão estalou um tapa no seu rosto.
"Eu estava com saudades de você sim, cara! Mas depois de toda essa sua palhaçada de querer se achar o engraçado pra cima dos amigos, depois dessas coisas que você acabou de me dizer aqui eu não quero amar você. Você parece que não aceita um 'não' como resposta, né?" Digo. Ele está a alguns passos de mim, com a mão no rosto.
Uma raiva tão grande toma conta de mim que começo a querer chorar. Minha cabeça está prestes a explodir. Eu não acredito que ele vem pra minha casa, depois de tudo o que ele fez comigo, depois de toda humilhação, depois de todo maltrato. Todas as lembranças, todas as mensagens que ele já me mandou se repassam pela minha cabeça, todas as conversas, risos e choros.
"Você é louca!" Richard diz.
"Sai da minha casa, por favor." Me levanto e o encaro. "Sai da minha casa!" Grito.
Richard vai até a porta e a abre com violência. "Eu sei que você ainda vai me procurar. Você vai precisar de mim, ainda." Ele sai e não fecha a porta.
Caio no chão, de joelhos e começo a chorar. Minha mãe corre até mim e me abraça. Começo a perder o ar de tanto chorar. Meu choro é de desespero, de raiva, de amor, talvez. Coloco a mão no peito, tentando controlar os soluços.
Acordo no outro dia com os olhos um pouco fundos. Eu chorei um pouco de madrugada. Visto um moletom e minha calça jeans. Calço meu par de sapatilhas vermelhas. Está frio aqui dentro e aposto que lá fora está mais, por isso o do moletom. Me olho no espelho por alguns segundos e estou um pouco feliz de como pareço estar. Pareço estar bem, não? Se não fosse meus olhos...
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