Love Is a Secret
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Notas iniciais
Ando devagar pelos corredores do colégio. Observo os grupinhos já formados
a essa hora da manhã. Os grupos dos nerds, dos atletas, dos geeks e etc. O meu grupinho é o dos populares. As pessoas e a Taylor o apelidam assim, e eu não gosto muito. Já tem um estereótipo formado na minha cabeça (que deveria ser desfeito) de que todo grupo intitulado "popular" só tem pessoas chatas com conversas chatas, que fazem coisas chatas. Ah, e acrescentando: que todo mundo odeia.
Eu tento ser legal com todo mundo e tratar todo mundo bem. Levo aquela frase ilustre comigo: "trate alguém como quer ser tratado". Penso bastante nisso antes de tomar algumas atitudes que a Taylor acha que são corretas. Infelizmente, algumas pessoas dizem que eu só sou falsa, mesmo. Dizem que eu não trato as pessoas bem por querer e sim para depois fazer chacota. E o sentido? Cadê? Tudo bem, eu esqueço isso e fico de boa na minha. Aliás, não tem como agradar todo mundo.
Consigo ver de longe um papel pregado na parede, próximo a minha sala. Vou até lá, e por curiosidade, começo a ler o que está escrito lá. "Alunos que queiram dar aula de reforço por favor deixar o nome aqui". Hum. Isso de novo. Todo ano eles fazem isso para que o pessoal que queira venha ajudar os alunos mais novos com as matérias. Eu até entendo, pois quando entramos no Ensino Médio as coisas ficam mais difíceis. Começamos a ter que nos acostumar com o ritmo, o que é difícil na maioria das vezes. Com o ritmo de tudo: das aulas, da matéria, dos professores dando sermões e etc. Já ajudei no segundo ano do Colegial. Ajudei uns alunos aí e foi até legal a experiência. Vou fazer isso de novo.
Pego uma caneta que está do lado da minha bolsa e assino meu nome lá. Não tenho nada a perder com isso. Isso pode até me ajudar a relembrar do conteúdo passado. Termino de assinar meu nome e sorrio, orgulhosa da minha caligrafia. Guardo a caneta e entro na minha sala de aula. Me sento no meu lugar de sempre. Pego meus materiais necessários para essa aula e os coloco em cima da minha pequena mesa. O professor chega e sua aula começa. Por incrível que pareça, eu estou realmente animada para começar esse ano letivo.
O sinal toca e eu saio da sala. Me encosto na parede, esperando Taylor e o pessoal. Eles não estudam na mesma sala que eu, mas cursam a mesma série. Passam-se alguns segundos, e consigo ouvir a voz de Taylor ecoando pelo corredor. Olho para o lado, e lá está ela. Ela e o Jake. Cadê o resto do pessoal?!
"Hello, baby girl." Taylor diz, me abraçando.
"Hi Hi, my girl." digo, sorrindo.
"Pensei que essas aulas nunca iriam acabar. Odeio Física. Odeio aquele professor. Ele simplesmente sai gritando com todo mundo, age com falta de educação e enche todo mundo lá do fundão com seus sermões. Eu não o aguento, e aposto que a sala inteira também não. O que você acha dele?" Ela diz enquanto arruma seu cabelo.
"Ah, ele é legal. Eu já te falei que..."
"Sim! Você é a única que gosta e aprecia aquele cara. Esqueci." Taylor me interrompe, e começa a rir.
"Cadê o resto do pessoal?" digo, enquanto masco um chiclete que Taylor oferecera.
"Ah, você sabe como eles são... Estão no último ano dessa espelunca, e você acha mesmo que eles vão vir na porcaria do primeiro dia de aula?" Jake diz, sorrindo para mim. Sorrio de volta, levando na brincadeira.
"Podemos ir? Estou morrendo de fome." Taylor reclama.
"Espera, quem é aquele cara?" Jake diz, apontando discretamente para um rapaz que está no final do corredor.
Taylor vira e olha da forma mais indiscreta possível (e impossível) para o garoto. "Deve ser mais um estúpido novato do Primeiro Ano. Idiota." Taylor diz e ri. Solto um risinho e caminhamos até o pátio.
Peço um salgado. Eu sei que é super gorduroso e vou me arrepender depois, mas estou com fome, muita fome. "Você vai engordar desse jeito. Daqui a pouco nem passa pelas portas da casa." Taylor zomba enquanto escolhe uma salada de frutas. Reviro os olhos para o seu desnecessário comentário e dou uma mordida no salgado. Nos sentamos e conversamos sobre nossas férias.
"Esse ano" Taylor começa a falar e continua a mastigar seu salgado. "nós vamos arrebentar esse colégio. Somos os melhores, todos sabem disso." Ela volta a comer seu lanche quando termina de falar.
Jake concorda com ela e eu também. Termino meu lanche e me retiro da mesa, acompanhando Taylor até o banheiro. Dou uma ajeitadinha em meu cabelo enquanto Taylor faz suas necessidades. Algumas garotas entram no banheiro e começam a olhar para mim discretamente. Discretamente uma ova, eu estou percebendo que elas estão me encarando.
"Foi ela que deu aula de reforço pro Richard." Uma delas sussurra. Acho que eu escutei, colega.
Taylor sai da cabine e lava as mãos. Ela dá uma encarada tão feia para as meninas que elas saem do local. "Que horror, Tay." digo, rindo.
"Não aguento essas meninas que só sabem fofocar. Paciência, né? Não sei se você percebeu, mas dos dez segundos que eu vi elas, percebi que elas estavam falando sobre você. E olhando pra você. Não tenho paciência com pirralhas." Taylor diz retocando seu batom vermelho sangue. Fica muito bem nela. Ela é branquinha e o batom destaca.
"Tudo bem, eu não ligo. Aliás, já fomos assim, lembra-se?" digo, sentando na grande pia do banheiro. "Já fomos como essas garotas que falam de outras. Elas apenas apreciam as outras garotas. Nada demais nisso, não?"
"Ou as odeiam. Nunca exclua essa hipótese."
Taylor tem razão. Algumas pessoas nos odeiam sem ao menos nos conhecer. Taylor faz algumas maldades com elas, mas eu não sou desse tipo. Como pessoas podem odiar ou amar pessoas que elas nem sabem a idade? Só sabem meu nome e de quem sou amiga. Nada mais. Até onde eu sei, né. Ela termina de se arrumar e no mesmo instante o sinal bate.
"Esse intervalo não dura nem dois segundos, caramba!" Taylor reclama e sai xingando. Reviro os olhos e dou risada.
Nos despedimos e eu fico encostada na parede, esperando todos entrarem para depois entrar. É legal por que você ganha um tempo maior para relaxar e não ter ninguém conversando no seu ouvido. Gosto de ficar sozinha às vezes. Sem ninguém conversando e tagarelando na minha cabeça. Gosto de pensar. Pensar em silêncio. Pego meu celular e dou uma checada rápida nas mensagens. Nenhuma, até agora. O desligo e coloco de volta no bolso. Quando volto minha visão para frente, novamente, um garoto está a praticamente três, quatro metros de distância de mim. E está me encarando. É o mesmo cara que a Taylor estava zoando mais cedo. Por que caramba ele me encara tanto.
Cruzo os braços e encaro o sujeito sem nome. Ele para de me encarar e finge que nada havia acontecido. Que situação ridícula. O que ele tanto quer? Decido tomar uma decisão. Caminho normalmente até o garoto. Estou, agora, a meio metro do garoto. Pego ele pela gola da camisa e o arrasto até um canto de toda aquela bagunça pós-recreio onde não tenha tantas pessoas. Coloco ele contra uma parede e cruzo os braços.
"Por favor, diz que porcaria você quer comigo ou com os meus amigos." Digo, enquanto ele tenta processar tudo que acabou de acontecer.
"Na-nada. Me desculpe, moça." Ele diz um pouco assustado.
"Não me chame de 'moça'! Eu tenho nome, cara."
"Mas eu não o sei."
"Sou Diana."
"Nome legal." Ele diz abrindo um sorriso.
"Isso não vem ao caso. Me diz o que foi contigo? Tenho aula pra assistir. Você é novato ou o que?"
"Sou novato. Eu sou novato em tudo, pra falar a verdade. Não conheço nada dessa cidade e..."
"Tá Okay. Já se explicou, não precisa dizer mais nada." O interrompo. "Olha, me desculpa ter te arrastado pra cá dessa maneira, poderia ter sido mais educada. Foi impulso. Me perdoe, ok?" Começo a falar arrependida de quase ter enforcado o menino pela gola de sua camiseta. "Podemos fazer as pazes e pronto? Eu sou uma pessoa legal." Dou um risinho, e ele o faz também. "Não precisa ter medo de chegar e conversar comigo ou com o pessoal." Comigo, sim, mas com o pessoal do meu grupo eu não sei.
"Tudo bem. Eu sou tímido e odeio puxar conversa ou ser inconveniente. Podia ter tomado atitude e conversado contigo." Ele diz meio confuso.
"Tudo bem, tudo bem. Agora eu preciso ir. O professor já deve estar na sala e já sabe, né?" Digo. "Ah, pra você que é novato: não se preocupe com o que os outros vão pensar de você, só aja naturalmente se já você mesmo. Já já você se enturma com alguém." Sorrio para ele com a intenção de apàguízar a situação.
Ele balança a cabeça concordando e eu vou pra minha sala. Estou um pouco arrependida de não ter tratado o garoto bem, logo de começo. Isso foi horrível. Às vezes eu falho com meus lemas (como todo humano), e dessa vez eu falhei com o "trate as pessoas como quer ser tratado". Tudo bem, pelo menos pedi desculpa.
Começo a me sentir um pouco culpada, mas a sensação passa quando me lembro que ele disse que estava tudo bem, depois que eu pedi perdão.
Uma pergunta que ainda não foi respondida: o que ele queria comigo ou com o nosso grupo? Ele não disse nada sobre isso. Pra falar a verdade, eu não o seu oportunidade. Sento na minha carteira e começo a rir internamente de mim mesma.
Notas finais
Até o próximo capítulo ^^
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