Love Is War
3 Capítulo II - Novas Famílias
O grande dia chegara finalmente. O Castelo de Harrenhal não passava já de um ilhéu entre o mar de tendas de campanha. Por todo o lado se viam brasões coloridos. Lobos e leões, trutas e águias. Casas grande e pequenas, antigas e novas, todas estavam lá representadas. Aqui e ali, cavaleiros afiavam armas, palafreneiros escovavam cavalos, seguidoras de acampamento mostravam o seu material. A Torre dos Gemidos mostrava finalmente de onde recebera o nome, e até a arruinada Torre dos Fantasmas fervilhava de atividade.
POV — LyannaStark
Lyanna ia ao estábulos buscar a sua égua para dar um passeio quando viu uma cara que lhe era familiar. HowlandReed estava cercado por três escudeiros, cada um deles ainda sem ter contado 15 dias do seu nome.
-Hey, minorca, a tua mãe também tem escamas entre as pernas? — perguntou um, atacando-o.
Aquilo foi a gota de água para a donzela-lobo.
-"Esse que chutam é vassalo de meu pai" — disse ela, pegando numa espada de torneio e vergastando violentamente o rapaz que atacava o Reed. Os outros dois logo vieram em auxilio do amigo. A rapariga aparou o golpe do primeiro com a sua espada, ao mesmo tempo que aplicava um valente pontapé nos genitais do outro, apanhando-o de surpresa. Dois já estavam, só faltava um. um terceiro escudeiro também não deu muita luta, e bastaram três golpes para o levar ao chão.
- Howland, estás bem? — perguntou a garota, ajudando-o a levantar.
- Sim, minha s'nhora … obrigado … não era preciso … — respondeu o rapaz, atrapalhado.
- Minha senhora? — perguntou ela, rindo. — Trata-me por Lyanna. E isto não foi nada, a sério.
- Pode chamar-me Howly … é o que toda a gente me chama ..
- Anda, vamos tratar dessas feridas. Onde fica a tua tenda?
- A minha toca? É ali ao fundo.
Lyanna foi com Howland até á "toca" dele, uma pequena tenda em estado lastimável, cuja cor original já não era percetivel. Lá dentro, limpou as feridas dele, desinfetou-as e cobriu-as com linho.
- Hey, Howly, devias juntar-te a nós! — disse animadamente Lyanna.
- Nós?
- Sim, a mim e aos meus irmãos! — e dito isto, praticamente arrastou Howland até ás tendas dos Stark.
POV — Sor Jaime Lannister
O pavilhão real erguia-se acima de todas as tendas. Com o seu pano negro e apliques vermelhos, tal como o brasão Targaryen, parecia fazer parte do próprio Castelo de Harrenhal. Um estrado fora erguido ao seu lado, propositadamente para o que se seguiria. Naquele momento, todo o acampamento se acotovelava de modo a ter vista para esse mesmo estrado, desde grandes senhores até ao pessoal das cozinhas, que interrompera o trabalho por uma hora. Afinal, uma investidura da Guarda Real não se via todos os dias.
Quando o Rei Aerys saiu, fez-se silêncio. O rei subiu ao estrado, sentando-se na cadeira do meio, mais alta que as outras. Do seu lado direito sentaram-se o príncipe Rhaegar e a princesa Elia. Á esquerda já estavam o Lorde TywinLannister e a filha Cersei, que se sentaram também.
Jaime Lannister saiu a seguir do pavilhão, vestido com a sua nova armadura branca, mas ainda com o manto carmesim da sua casa. Seguiu-o a própria Guarda Real: Sor GeroldHightower, Sor Artur Dayne, Sor BarristanSelmy, Sor OswelWhent e outros dois mantos brancos. Jaime não conseguiu evitar olhar a assistência enquanto ajoelhava na relva verde, á frente do seu rei. Metade de Westeros estava ali presente. O resto da Guarda Real formou um semi-circulo atrás dele, em pé.
- Sor Jaime, o que desejais? — perguntou o Rei Aerys, elevando a voz para se fazer ouvir. Aquelas perguntas não eram habituais, mas o rei queria fazer um grande espetáculo da investidura de Jaime.
- Ser um membro da Guarda Real! — respondeu ele.
- Até aqui serviste lealmente como cavaleiro, e provaste o vosso valor por diversas vezes. Sor Gerold, aceitais Sor Jaime na Guarda Real? — perguntou o rei ao Senhor Comandante da sua guarda.
- Sim, aceito. — respondeu o Touro Branco.
- Sor Jaime, tens consciência do que os vossos votos vão implicar?
- Sim, tenho, e desejo fazê-los.
- Muito bem, Lorde Tywin, tenha a bondade ...
Jaime sabia que o sei pai nunca aceitaria perder o seu herdeiro para Guarda Real, mas fora o Rei Aerys que o escolhera, e Tywin não pudera fazer mais do que aceitar. Assim, desceu do estrado, e retirou o manto do filho com um floreado.
- Sor Jaime, podeis fazer os vossos votos.
A Guarda Real ajoelhou atrás do Jovem Leão.
- Escutem as minhas palavras e testemunhem os meus votos.- começou Jaime. As suas palavras eram ecoadas por todas as seis Espadas Brancas. — O dia chega, e agora começa minha vigília. Não terminará até minha morte. Não tomarei esposa, não possuirei terras, não gerarei filhos. Não usarei coroas e não conquistarei glórias. Viverei e morrerei no meu posto. Sou a espada no campo de batalha. Sou o vigilante nos dias de paz. Sou o fogo que condena a injustiça, a luz que guia nos momentos de incerteza, a trombeta que alerta os perigos escondidos, o escudo que defende o rei. Dou a minha vida e a minha honra à Guarda Real, por este dia e por todos os dias que estão para vir.
Por um momento, o silêncio reinou. Depois, Sor GeroldHightower envolveu Sor Jaime Lannister num manto branco e ajudou-o a levantar-se. A aclamação que se seguiu ouviu-se por todo o Gargalo. Jaime nunca a esqueceria.
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